Liberdade, sangrenta podridão,
Qual sarnenta cadela mata a cria...
Resvalando em demência e solidão
Naufragando oceanos, fantasia...
Liberdade baseia escravidão,
É morte que delira-se na orgia,
Penetrante, profundo vergalhão,
É noite que invernosa, finge estia...
A Morte, companheira libertária,
Galgando seus cadáveres e lamas,
Sempre a te procurar, totalitária...
Liberdade teu nojo glorifica
Pedes carnificinas, cortes, chamas,
Mas somente teu canto santifica!
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Tuesday, October 31, 2006
As negras gralhas, resolutas pragas...
As negras gralhas, resolutas pragas...
Agourentas tempestas e mordazes...
As noites vagueando, tornam vagas...
Os mantos que devoram, finas gazes,
Não posso percorrer luares, plagas,
As vastas cordilheiras incapazes
As gralhas verdadeiras nunca afagas,
São corvos que crocitam mais audazes...
Mortalhas que me vestes, negra gralha,
Defiro meus rancores e meus versos...
A cama que me deste, vil canalha,
Cosida com meus nervos e tendões...
Busquei a liberdade, tons diversos,
Cuspiste ferozmente corações...
Agourentas tempestas e mordazes...
As noites vagueando, tornam vagas...
Os mantos que devoram, finas gazes,
Não posso percorrer luares, plagas,
As vastas cordilheiras incapazes
As gralhas verdadeiras nunca afagas,
São corvos que crocitam mais audazes...
Mortalhas que me vestes, negra gralha,
Defiro meus rancores e meus versos...
A cama que me deste, vil canalha,
Cosida com meus nervos e tendões...
Busquei a liberdade, tons diversos,
Cuspiste ferozmente corações...
Nas minhas celeradas despedidas,
Nas minhas celeradas despedidas,
Em meio a tantas formas já se esgarça...
As portas destroçadas, destruídas...
Lágrima descritiva olhar esparsa.
Nos epitáfios trazem torpes vidas,
A carpideira sorte não disfarça.
Meus restos perambulam avenidas...
Quem fora delicada e mansa garça
Olhares sorrateiros, fés carpidas...
Viés tantas balanças quanto cardos...
Não pude discernir qual fora a fonte...
Os versos embalando velhos bardos,
O pranto se decifra em mãos algozes...
Não posso recuar: ouço tais vozes,
Os olhos vãos, perdidos, horizontes...
Em meio a tantas formas já se esgarça...
As portas destroçadas, destruídas...
Lágrima descritiva olhar esparsa.
Nos epitáfios trazem torpes vidas,
A carpideira sorte não disfarça.
Meus restos perambulam avenidas...
Quem fora delicada e mansa garça
Olhares sorrateiros, fés carpidas...
Viés tantas balanças quanto cardos...
Não pude discernir qual fora a fonte...
Os versos embalando velhos bardos,
O pranto se decifra em mãos algozes...
Não posso recuar: ouço tais vozes,
Os olhos vãos, perdidos, horizontes...
Tantas vidas perdidas
Tantas vidas perdidas, vãs, insanas...
Sou grato por poderes que me dás.
Nos medos que navegas e me explanas,
As rosas dos jardins que me darás...
Tumores meus, nefastos minhas ganas,
Mordaças que não podes, mas trarás...
Flutuas nos meus sonhos, nas campanas,
Nos jogos que pretendo ser teu ás...
Ganindo, o coração desfeito em brasa,
Vicias meus desejos, vagos sensos...
A cama que delito em tua casa...
Humílimo pretendo teu perdão...
Amores que iogados, teus incensos,
Vai da maternidade até caixão...
Sou grato por poderes que me dás.
Nos medos que navegas e me explanas,
As rosas dos jardins que me darás...
Tumores meus, nefastos minhas ganas,
Mordaças que não podes, mas trarás...
Flutuas nos meus sonhos, nas campanas,
Nos jogos que pretendo ser teu ás...
Ganindo, o coração desfeito em brasa,
Vicias meus desejos, vagos sensos...
A cama que delito em tua casa...
Humílimo pretendo teu perdão...
Amores que iogados, teus incensos,
Vai da maternidade até caixão...
Nossa morte, reflete essa ventura.
Nossa morte, reflete essa ventura.
Esperanças desfeitas embrutecem..
Os braços esperando uma ternura,
Meus medos vagas teias, vidas tecem...
Amiga, não me espere noite escura,
Cabelos, bocas, olhos envelhecem...
Na noite que não somos, caradura,
Corações e memórias envilecem...
Assemelhas miasmas e delírios.
Nas gamas infindáveis de solvências.
A morte não denota meus martírios...
Os campos constelares sem sementes...
Nossa morte, envolvida em coincidências
Permuta-se esperanças de descrentes...
Esperanças desfeitas embrutecem..
Os braços esperando uma ternura,
Meus medos vagas teias, vidas tecem...
Amiga, não me espere noite escura,
Cabelos, bocas, olhos envelhecem...
Na noite que não somos, caradura,
Corações e memórias envilecem...
Assemelhas miasmas e delírios.
Nas gamas infindáveis de solvências.
A morte não denota meus martírios...
Os campos constelares sem sementes...
Nossa morte, envolvida em coincidências
Permuta-se esperanças de descrentes...
Esquartejado
Esquartejado, coração, maldito...
Escória do humanismo, vil demente...
Utópico, repete velho rito,
Amor que não propaga sempre mente...
Esquálido persigo, vou aflito,
Rastejo meus pecados, vil serpente,
Nos guizos das senzalas, o meu grito.
Nos solos destroçado, sou semente...
O monstro varizento da minha alma,
Devora esquartejando essa couraça;
No fundo sou prudente, peço calma,
Mas regozijarei cada segundo,
A vida destruindo a carapaça
Um verme passeando pelo mundo...
Escória do humanismo, vil demente...
Utópico, repete velho rito,
Amor que não propaga sempre mente...
Esquálido persigo, vou aflito,
Rastejo meus pecados, vil serpente,
Nos guizos das senzalas, o meu grito.
Nos solos destroçado, sou semente...
O monstro varizento da minha alma,
Devora esquartejando essa couraça;
No fundo sou prudente, peço calma,
Mas regozijarei cada segundo,
A vida destruindo a carapaça
Um verme passeando pelo mundo...
labirinto
Quantas vezes, procuro em vão, faminto;
Pelos campos, florestas e cascatas,
Nas estradas terrível labirinto...
A lua refletindo suas pratas
Vai, enorme, acendendo meu instinto...
Penetro vagamente pelas matas...
Mas, embalde, vasculho e nada sinto
Meu cavalo cansado, fere patas...
Vestido de esperanças já me canso...
Se neste labirinto, nada encontro...
Meus destinos, meus rumos, não alcanço...
Minha alma vai seguindo, alma às escuras...
Labirinto d’amores, desencontro...
Encontrarei caminho, nas alturas...
Pelos campos, florestas e cascatas,
Nas estradas terrível labirinto...
A lua refletindo suas pratas
Vai, enorme, acendendo meu instinto...
Penetro vagamente pelas matas...
Mas, embalde, vasculho e nada sinto
Meu cavalo cansado, fere patas...
Vestido de esperanças já me canso...
Se neste labirinto, nada encontro...
Meus destinos, meus rumos, não alcanço...
Minha alma vai seguindo, alma às escuras...
Labirinto d’amores, desencontro...
Encontrarei caminho, nas alturas...
As musas
As musas sequiosas dos amores,
Procuram pelos faunos indecentes...
Nos lagos desnudadas, belas flores,
As ninfas se entrelaçam bocas, dentes...
Penetram tantas línguas sem pudores,
Meus olhos delirantes pois descrentes,
Misturam alaridos, gozos, cores
Percebo meus desejos mais dementes...
Quem dera se pudesse, sagitário,
Em meio a tantas bocas, seios, sexos...
Feneço neste bosque lampadário,
Espreito tais bacantes, plena orgia...
No lago refletindo tais reflexos,
Especular imagem da alegria...
Procuram pelos faunos indecentes...
Nos lagos desnudadas, belas flores,
As ninfas se entrelaçam bocas, dentes...
Penetram tantas línguas sem pudores,
Meus olhos delirantes pois descrentes,
Misturam alaridos, gozos, cores
Percebo meus desejos mais dementes...
Quem dera se pudesse, sagitário,
Em meio a tantas bocas, seios, sexos...
Feneço neste bosque lampadário,
Espreito tais bacantes, plena orgia...
No lago refletindo tais reflexos,
Especular imagem da alegria...
Esperança
De que me valeria canto e lira
Se não pude saber de nossas luzes?
O manto que te cobre, feito em tiras,
Me pesa com poder de várias cruzes...
Meus gozos e festanças são mentiras,
Caminhos não prossigo, tantas urzes...
Por tanto que fizemos, não me firas.
Não restam meus desejos, teus obuses...
Mundo, é mister que sejas meu amigo
Não posso descobrir as armadilhas...
Quem dera se soubesse do perigo...
Espero calmamente meu sepulcro,
A vida traz delícias como em ilhas...
Esperança: alavanca, vida é fulcro...
Se não pude saber de nossas luzes?
O manto que te cobre, feito em tiras,
Me pesa com poder de várias cruzes...
Meus gozos e festanças são mentiras,
Caminhos não prossigo, tantas urzes...
Por tanto que fizemos, não me firas.
Não restam meus desejos, teus obuses...
Mundo, é mister que sejas meu amigo
Não posso descobrir as armadilhas...
Quem dera se soubesse do perigo...
Espero calmamente meu sepulcro,
A vida traz delícias como em ilhas...
Esperança: alavanca, vida é fulcro...
Minha alma aprisionada
Minha alma aprisionada nos teus sonhos...
Vetusta e tão austera, morre encantos...
Os olhos que te miram, mais tristonhos
Servis, esperarão teus mansos cantos...
Os dias que passei, tão enfadonhos,
Decerto se tornaram belos, santos...
Matando pesadelos vis, medonhos...
Num átimo, se tornam acalantos...
Para amores, sonhares, fabulosos...
Minha alma aprisionada em teus desejos!
Perfumes delicados, olorosos,
Navego nos teus braços sem ter medo...
Minha alma procurando por teus beijos
Descobre, desta vida, seu segredo...
Vetusta e tão austera, morre encantos...
Os olhos que te miram, mais tristonhos
Servis, esperarão teus mansos cantos...
Os dias que passei, tão enfadonhos,
Decerto se tornaram belos, santos...
Matando pesadelos vis, medonhos...
Num átimo, se tornam acalantos...
Para amores, sonhares, fabulosos...
Minha alma aprisionada em teus desejos!
Perfumes delicados, olorosos,
Navego nos teus braços sem ter medo...
Minha alma procurando por teus beijos
Descobre, desta vida, seu segredo...
maldições
Mãe, sorrateiramente, maldições
Maldiçoas caminhos me amofinas...
Não vieram de ti, bem sei, senões,
Mas as pernas que me deste, vãs, finas,
Não podem resistir às solidões,
Nem podem libertárias, libertinas,
Não vivem sem celeumas nem perdões.
São vagas, minhas almas lamparinas...
Ignota, imbecil ou ser venal.
Vazio estapafúrdio, quase zero...
Meu mundo que não pude nada quero,
Resumo num recorte de jornal.
Não sirvo nem talvez de calendário...
Quem sabe encontrarás no obituário?
Maldiçoas caminhos me amofinas...
Não vieram de ti, bem sei, senões,
Mas as pernas que me deste, vãs, finas,
Não podem resistir às solidões,
Nem podem libertárias, libertinas,
Não vivem sem celeumas nem perdões.
São vagas, minhas almas lamparinas...
Ignota, imbecil ou ser venal.
Vazio estapafúrdio, quase zero...
Meu mundo que não pude nada quero,
Resumo num recorte de jornal.
Não sirvo nem talvez de calendário...
Quem sabe encontrarás no obituário?
Lancei ao fogaréu toscos desejos,
Lancei ao fogaréu toscos desejos,
Carcaças e caraças, velhas cismas...
Os olhos chocalhando seus lampejos.
Nos medos carregando torpes prismas...
Pergaminhada pele segue em pejos;
Mergulho no oceano que me abismas.
Me rompem madrigais e cacarejos
Distantes as palavras, servem crismas...
Meus ossos esfalecem mesmo em vida,
Destroços que falecem pouco a pouco...
Restando meus segundos de partida.
O mundo me relega a vil carcaça...
Semeio tempestades, corro louco,
Devoro tantos raios nesta praça...
Carcaças e caraças, velhas cismas...
Os olhos chocalhando seus lampejos.
Nos medos carregando torpes prismas...
Pergaminhada pele segue em pejos;
Mergulho no oceano que me abismas.
Me rompem madrigais e cacarejos
Distantes as palavras, servem crismas...
Meus ossos esfalecem mesmo em vida,
Destroços que falecem pouco a pouco...
Restando meus segundos de partida.
O mundo me relega a vil carcaça...
Semeio tempestades, corro louco,
Devoro tantos raios nesta praça...
A morte
A morte, minha esquálida parceira,
No beijo que tortura pede lábios...
Fugindo deste vulto a vida inteira,
Perdendo meus caminhos, astrolábios...
Vencido postergando esta videira,
Não posso disfarçar amores sábios...
Procuro por vingança a companheira,
Jamais encontrarei nos alfarrábios
Nos livros de magia ou de presságios.
A morte não permite tais saídas...
Nos olhos, nos momentos, nos adágios,
Pedágios que pagamos, nossas vidas...
Não posso pressupor, isso alucina...
A morte qual a vida é luz divina!
No beijo que tortura pede lábios...
Fugindo deste vulto a vida inteira,
Perdendo meus caminhos, astrolábios...
Vencido postergando esta videira,
Não posso disfarçar amores sábios...
Procuro por vingança a companheira,
Jamais encontrarei nos alfarrábios
Nos livros de magia ou de presságios.
A morte não permite tais saídas...
Nos olhos, nos momentos, nos adágios,
Pedágios que pagamos, nossas vidas...
Não posso pressupor, isso alucina...
A morte qual a vida é luz divina!
Lambias, sorrateiro
Lambias, sorrateiro, todo o chão,
Venenos e vermífugos, verdugos.
Tão servil, adubavas o porão
Comias as espigas e sabugos.
Amores que vivera, lassidão...
Fermentos e fecálicos expurgos,
O cheiro das entranhas, podridão!
Serpenteando ruas, valas, burgos...
A noite em suas plêiades luzentes,
Trazia uma esperança de melhora.
Os braços dos canalhas envolventes,
Os vermes das vermelhas carnes podres...
Vivendo nos barracos toldos, odres...
A morte se prepara, santa, aflora...
Venenos e vermífugos, verdugos.
Tão servil, adubavas o porão
Comias as espigas e sabugos.
Amores que vivera, lassidão...
Fermentos e fecálicos expurgos,
O cheiro das entranhas, podridão!
Serpenteando ruas, valas, burgos...
A noite em suas plêiades luzentes,
Trazia uma esperança de melhora.
Os braços dos canalhas envolventes,
Os vermes das vermelhas carnes podres...
Vivendo nos barracos toldos, odres...
A morte se prepara, santa, aflora...
Descoradas roseiras
Descoradas roseiras, vã procura...
As trevas negrejando toda luz...
Não posso completar a noite escura,
O campo da discórdia serve a cruz...
Nossa bandeiras vestes da candura,
Nesse momento audaz, clamam Jesus.
O rumo dos remendos da ternura,
Não vencem nas estradas cada pus...
Mentiras e verdades são dolentes,
São plenas dos repastos dos demônios...
Nascemos navegando sim, mecônios...
Morremos nossos ares nos pulmões.
Os gestos mais noturnos, indecentes,
Soturnos, vasculhamos os porões...
As trevas negrejando toda luz...
Não posso completar a noite escura,
O campo da discórdia serve a cruz...
Nossa bandeiras vestes da candura,
Nesse momento audaz, clamam Jesus.
O rumo dos remendos da ternura,
Não vencem nas estradas cada pus...
Mentiras e verdades são dolentes,
São plenas dos repastos dos demônios...
Nascemos navegando sim, mecônios...
Morremos nossos ares nos pulmões.
Os gestos mais noturnos, indecentes,
Soturnos, vasculhamos os porões...
Amor cuticular
Amor cuticular, guerrilha e gládio...
Esfomeado, come a própria amante,
Devora não deixando nem estádio,
É força que não cansa, delirante...
Temores desse amor:lítio, vanádio,
Verborragicamente está diante
Do que demonstrará notícia e rádio.
Me jogará ao chão: forte bastante...
Amor cuticular, estranhas unhas...
Coração decoravas com venenos...
Os medos e os saldos são pequenos,
Tacanhos os lugares onde punhas
Os barcos naufragados nos serenos...
As luas e os vermes, testemunhas...
Esfomeado, come a própria amante,
Devora não deixando nem estádio,
É força que não cansa, delirante...
Temores desse amor:lítio, vanádio,
Verborragicamente está diante
Do que demonstrará notícia e rádio.
Me jogará ao chão: forte bastante...
Amor cuticular, estranhas unhas...
Coração decoravas com venenos...
Os medos e os saldos são pequenos,
Tacanhos os lugares onde punhas
Os barcos naufragados nos serenos...
As luas e os vermes, testemunhas...
subterrâneos d’alma
Nos subterrâneos d’alma vivo cético
Não creio nos miasmas nem nas almas...
Na vida tal qual morte, um verter ético
Não podem transfundir lamas nem calmas...
Entretanto sentidos mais estéticos
Me permitem sorver meus velhos traumas,
Trazendo meus fantasmas epilépticos.
Revejo nos escombros ratos, palmas...
Nas convulsões terrestres, pessoais,
Nos olhos explodidos nos orgasmos
As sombras dos desejos canibais,
Os vermes que passeiam nossas bocas,
Seus ovos, suas larvas, restam pasmos:
Estômagos, esôfagos são tocas...
Não creio nos miasmas nem nas almas...
Na vida tal qual morte, um verter ético
Não podem transfundir lamas nem calmas...
Entretanto sentidos mais estéticos
Me permitem sorver meus velhos traumas,
Trazendo meus fantasmas epilépticos.
Revejo nos escombros ratos, palmas...
Nas convulsões terrestres, pessoais,
Nos olhos explodidos nos orgasmos
As sombras dos desejos canibais,
Os vermes que passeiam nossas bocas,
Seus ovos, suas larvas, restam pasmos:
Estômagos, esôfagos são tocas...
Inexoravelmente voltarás!
Inexoravelmente voltarás!
O tempo me deforma e te conquista.
Nada mais do que fomos restará,
A não ser tempestade que resista
Por entre tamarindos, ananás
Vergonhas de deixar a menor pista...
Leio nos teus jornais tempos atrás,
Que de mim nada mais nem sombra e vista...
Os meus segredos frágeis, necrofágicos,
Formam um mausoléu que já cultuas...
Os olhos demarcando são pelágicos,
Os tempos se trafegam necrológicos.
As formas que deformas, carnes cruas.
No coquetel vermelho, tons ilógicos...
O tempo me deforma e te conquista.
Nada mais do que fomos restará,
A não ser tempestade que resista
Por entre tamarindos, ananás
Vergonhas de deixar a menor pista...
Leio nos teus jornais tempos atrás,
Que de mim nada mais nem sombra e vista...
Os meus segredos frágeis, necrofágicos,
Formam um mausoléu que já cultuas...
Os olhos demarcando são pelágicos,
Os tempos se trafegam necrológicos.
As formas que deformas, carnes cruas.
No coquetel vermelho, tons ilógicos...
podres testemunhas
Que fazer senão podres testemunhas
Sequiosas sorvendo cada gota?
As noites tenebrosas que compunhas,
Aspergindo teus cancros, viva, rota...
O cérebro e meus olhos, decompunhas,
Cada qual removido cota a cota;
As tuas mãos ferinas sim, expunhas
Do meu crânio, ossos, tecas, calota...
Emulsificar todos elementos!
Transformar tudo em pasta digerível...
Os óleos, tuas presas, meus tormentos...
Amar quem me destrói, é fato incrível.
Mas do que poderão meus pensamentos:
Renovação? Fator indiscutível!
Sequiosas sorvendo cada gota?
As noites tenebrosas que compunhas,
Aspergindo teus cancros, viva, rota...
O cérebro e meus olhos, decompunhas,
Cada qual removido cota a cota;
As tuas mãos ferinas sim, expunhas
Do meu crânio, ossos, tecas, calota...
Emulsificar todos elementos!
Transformar tudo em pasta digerível...
Os óleos, tuas presas, meus tormentos...
Amar quem me destrói, é fato incrível.
Mas do que poderão meus pensamentos:
Renovação? Fator indiscutível!
Ladravas
Ladravas pelas noites, solitário...
Nas guias agonias e canções.
O medo me acompanha, é tão sectário,
Nos versos universos e verões...
Amor que te protege, mais notário,
Não permite mentiras nem versões...
Nas dores e nos prantos, solidário.
Temores e maus tratos, seus perdões...
Lambias minhas mãos, tão carinhoso,
Vibravas com meus feitos, minha glória.
O tempo te trazia venturoso.
Amigo que não nega todo amparo...
Por vezes da tristeza sentes faro,
E mudas, sem querer, meu rumo e história...
Nas guias agonias e canções.
O medo me acompanha, é tão sectário,
Nos versos universos e verões...
Amor que te protege, mais notário,
Não permite mentiras nem versões...
Nas dores e nos prantos, solidário.
Temores e maus tratos, seus perdões...
Lambias minhas mãos, tão carinhoso,
Vibravas com meus feitos, minha glória.
O tempo te trazia venturoso.
Amigo que não nega todo amparo...
Por vezes da tristeza sentes faro,
E mudas, sem querer, meu rumo e história...
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