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Monday, June 19, 2006

De Comendas e Comendadores

Naquela pequena cidade do interior, a cada ano se escolhiam, entre as personalidades do município, as que mais se destacavam.
Eram condecoradas com a comenda Dr. Nauseabundo Souza.
Esse fora um grande fazendeiro da região que trouxera a riqueza para o município, sendo um dos primeiros colonizadores do povoado que crescera às margens do Rio Sapo Cururu.
Ao iniciar esta colonização, habitavam índios da tribo puri e o Coronel Souza, com a ajuda de muitos jagunços, exterminaram esses primeiros habitantes da região.
Com a grilagem das terras e a exploração de pequenas quantidades de ouro que havia, pouco a pouco foram chegando outros aventureiros e com eles o gado e o café.
O desmatamento daquela área de Mata Atlântica fora total, não sobrando mais nada.
Ultimamente, o eucalipto começara a tomar o lugar dos pastos. Já o café, se limitara a pequenas propriedades, onde empregava a mão de obra sazonal costumeira.
Devemos nos recordar que, após o distrito ter-se tornado município, o crescimento e desenvolvimento estava a cada dia maior, o que atraía gente de todos os lugares.
No meio desse povo que migrara para lá, tínhamos um pequeno agricultor, de nome José, oriundo de Espera Feliz, cidade mais ou menos distante dali.
A riqueza traz todo tipo de gente, desde trabalhadores até aventureiros.
Dentre esses aventureiros, veio um grupo de paupérrimos moradores da periferia do Rio de Janeiro.
A chegada destes, trouxe para a população mais conservadora, o medo de que fossem bandidos ou traficantes, num infeliz preconceito que ainda habita as sociedades mais arcaicas e atrasadas do interior do Brasil.
Peterson era um dos homens mais violentos daquela cidade. Tinha, há muito, um programa numa estação de rádio local, cujo mote era “Bandido bom é bandido sepultado”.
Muito popular entre as camadas mais simples do local, este programa garantia ao radialista, a reeleição eterna à Câmara Municipal.
Não somente a ele, mas também à sua filha, Claudia, que seguia os passos do pai na política e no “jornalismo”.
Com o passar dos meses, os cariocas começaram a aparecer mortos, a cada mês aparecia um novo cadáver abandonado próximo aos bairros mais distantes da cidade.
Curiosamente, todos eles tinham uma marca estranha feita a canivete nas costas, uma caveira e duas tíbias cruzadas, à moda dos piratas.
A cada assassinato, Peterson, em seu programa de rádio, louvava a morte de mais um bandido, agradecendo ao executor misterioso, o favor de ter livrado a sociedade local de um facínora. Acrescentando à notícia, um monte de crimes imputados ao defunto.
Um grupo de estudantes que tinha ido estudar em Juiz de Fora, começou a perceber que essas coisas estavam se tornando repetitivas e fundaram uma associação de defesa dos direitos do cidadão.
Obviamente, Peterson começou a atacar esta associação, chamando seus membros de “defensores de bandidos”, de “turma de maconheiros sem vergonha”, etc.
Neste meio termo; José conheceu sua esposa, Maria. Começaram a namorar e, em pouco tempo se casaram.
Do casamento vieram três meninos, “as esperanças de José”, conforme dizia para todos os que conhecia.
Numa tarde do mês de maio, houve um incêndio na rua onde morava Jose.
Heroicamente, sem ter medo do que poderia acontecer e, na ausência de um Corpo de Bombeiros, José se meteu no meio do fogo e salvou uma criança recém nascida que dormia no berço, próximo à cama de sua desesperada mãe que assistiu a salvação emocionada.
Tal fato espalhou-se pela região, sendo noticiado até na televisão, num canal de Belo Horizonte, sendo José transformado, rapidamente, em herói.
José era muito bem relacionado e tinha, entre seus amigos, o Carioca.
Carioca era muito brincalhão, sujeito bom e honesto. Amigo do peito de José. Várias vezes tinha emprestado dinheiro, na época das vacas magras. Era pau pra toda obra.
Um dia, Carioca saiu para trabalhar e se despediu de José, carinhosamente.
Foi a última vez que Jose o viu vivo.
O corpo, encontrado na beira da estrada, crivado de balas e com aquela marca já descrita, feita a canivete nas costas do amigo.
No rádio, Peterson disse o que sempre dizia, que Carioca era um criminoso procurado pela polícia do Rio, envolvido com tráfico, essas coisas...
Essa notícia revoltou sobremaneira nosso amigo que, indignado disse a si mesmo e à esposa que nunca mais iria assistir àquele mentiroso, já que conhecia muito bem seu amigo e sabia-o incapaz de ter feito alguma coisa errada.
No final do ano, à época da escolha das personalidades do município, José foi lembrado pelo vereador do bairro onde morava.
Festejou muito; um humilde lavrador ser homenageado pela Câmara dos Vereadores!
Isso era motivo de comemoração e muito orgulho. Com toda a alegria do mundo, comunicou à esposa que se arrumasse para que no final do mês, na festa da cidade, fosse com ele receber a Comenda Dr. Nauseabundo Souza.
Comendador! Poderia agora, voltar a Espera Feliz com a cabeça erguida, ostentando no peito a comenda de que tanto se orgulharia.
Mas, por um desses acasos da vida, ao ir para o trabalho deparou com uma cena que chamou sua atenção.
Um homem enorme, com quase duzentos quilos, estava na beira do rio, pescando.
Até aí nada demais, mas ao se aproximar do cidadão, empalideceu.
Nas costas desnudas do pescador, deparou com aquela marca que vira desenhada a canivete nas costas do seu amigo Carioca.
A marca tatuada não deixava enganar. Era mesmo aquela.
O susto se tornou maior quando reconheceu Peterson, o radialista.
Era então isso, aquele homem estava ligado à morte de seu amigo.
Afastou-se calado e foi para o trabalho.
Passaram-se alguns dias, até que chegou o ansiado dia da condecoração.
Arrumou-se, se perfumou, vestiu sua mais bonita vestimenta e foi à Câmara receber sua comenda.
Para surpresa sua, entre os condecorados estava Peterson, que teve seu nome indicado pela filha.
A surpresa se transformou em ódio. E esse dominou todo o seu rosto empalidecendo-o.
Começou a tremer e, quase sem ouvir seu nome, levantou-se.
Ao ver Peterson com a comenda no peito, não se conteve.
Mal pegou a sua comenda, cuspiu sobre a mesma e atirou-a na cara do radialista, gritando:
“Essa é em homenagem ao Carioca, Comendador, aquele bandido que foi assassinado no mês passado, esse mesmo, aquele traficante que vocês anunciaram no seu programa de rádio. Vocês merecem essa comenda, vocês todos. Bandido bom é aquele que carrega essa homenagem no peito, vocês merecem!”
Para susto de todos, retirou-se, mas antes de sair, cuspiu no chão daquela digna “Casa do Povo”. Nunca mais ninguém teve notícias dele.
O corpo encontrado no dia seguinte nas proximidades da cidade, tinha o rosto deformado por ácido.
A marca da caveira e das tíbias estava feita nas costas.
Mas, desta vez, o radialista nada comentou...

Sunday, June 18, 2006

Redondilhas

Quando o brilho dessa lua
Clareia todo sertão
A verdade surge nua
Em forma de assombração.
Correndo pelas estradas
Acompanhando o luar
No meio das madrugadas
Num grito de apavorar,
Ao longe se ouve distante
O latido doloroso
Esse ladrar inconstante
Assustando, pavoroso
Quem cruzasse no caminho
Quem tentasse andar sozinho
Pelas trilhas dessa terra,
Travando sempre essa guerra,
Entre vivente e defunto
Nessa luta, tudo junto
Se confunde na batalha,
Mesmo que você atalha
Por outro rumo ou estrada
Não adiantará de nada
Você não pode escapar.
Se não vier lobisomem
Outro poderá chegar
Meio bicho meio homem.
Nessa mata sem ninguém
Mula sem cabeça vem
Procurando devorar
A quem puder encontrar.
Mas, me contam e acredito
No meio de tanto maldito
Outra coisa perigosa
É gente cheia de prosa,
No meio desses fordunços
Trabalha prá coronel
Sem pena, manda pro céu.
Essa turma de jagunços.
O povo do meu sertão
Vive toda ameaçada
Bastar dizer um só não
Ou então precisa nada.
Na ponta de uma peixeira
Ou na mira de um fuzil,
De sangue, mancham a bandeira
Envergonham o Brasil.

Sugestão sobre a campanha de Alckmin

Alckmin é vaiado em festa e questiona caráter do presidente da Agência Folha, em AmericanaO candidato à Presidência pelo PSDB, Geraldo Alckmin, foi vaiado na noite de sexta-feira durante discurso na 20ª Festa do Peão de Americana (128 km à noroeste da capital). Depois, em entrevista, questionou o caráter do presidente Lula e insinuou que ele seria o "chefe de uma quadrilha de 40 ladrões". "Sobre caráter, eu acho difícil que o presidente Lula possa discorrer sobre esse tema. Porque o procurador da República disse que, entre ministros, assessores diretos e nos altos escalões, havia uma quadrilha de 40 ladrões, e a população pergunta quem é o chefe dessa quadrilha. É isso que ele precisa responder", disse. Alckmin chegou à festa do peão, em Americana, por volta das 21h. Conversou com os organizadores e, por eles, foi levado à arena (que comporta cerca de 5.000 pessoas), acompanhado de políticos locais. Após as lideranças locais discursarem, foi a vez do candidato tucano falar. Nesse momento, começaram as vaias generalizadas. Alckmin discursou por cerca de um minuto, falando sobre a importância do evento, que, segundo a organização, reuniu cerca de 30 mil pessoas. Depois, passeou pela festa, cumprimentou pessoas e tirou dezenas de fotos.


Não consigo entender até que ponto a equipe responsável pela campanha de Alckmin ainda não entendeu o recado dado pela população.
Essa história de agressão verbal não cola e, pior, demonstra o desespero de quem não conseguiu decolar a candidatura.
Se durante mais de um ano não se lia ou ouvia outra coisa que não fosse o ataque pessoal ao Presidente da República, indo até a tentativa de impedimento do mesmo e isso não surtiu efeito, agora então...
Persistir nesse tema é, além de estrategicamente errado, pode dar a dimensão catastrófica do desespero.
Em linguagem futebolística, quando o time está irremediavelmente derrotado, começa a dar pontapés a torto e a direito. Essa imagem me vem a cada ataque, os mesmos ataques, sob os mesmos argumentos.
A tática de campanha se for nesse tom, vai se tornar além de chata, extremamente inócua, podendo agir com um efeito bumerangue devastador.
Se os candidatos a Governador embarcarem nessa, e duvido que façam, podem receber estilhaços desta lambança toda.
Lula conseguiu escapar ileso de toda esta crise, isso é ponto passivo. O fato dos números de aprovação de seu governo retornarem aos tempos pré-mensalão dão a exata dimensão disto.
Nas campanhas anteriores, houve aspectos inerentes a cada uma delas.
Contra Collor, a armação criminosa envolvendo Mirian Cordeiro, comprovadamente paga para mentir e criar uma imagem falsa sobre Lula, decidiu a eleição.
Na segunda campanha, contra FHC, o Plano Real modificou tudo.
Agora, com o poder na mão, muito dificilmente Lula deixará de se reeleger.
Mas, há uma chance para a oposição.
Sugiro que os articuladores da campanha de Alckmin convençam FHC de apoiar Lula. Isso poderá ter um efeito tsunami na candidatura do Presidente.
Esse apoio nefasto retiraria de Lula pelo menos vinte por cento dos votos.
Se vier acompanhado do apoio de alguns menos votados, quem sabe do próprio Alckmin, não sobrará pedra sobre pedra.

Cachucha e Zeca Pistola

Fifa faz holandeses assistirem jogo sem calças

A Fifa, a entidade que controla o futebol mundial, explicou neste sábado porque quase mil torcedores holandeses foram obrigados pela entidade a assistirem uma partida da Copa do Mundo sem calças.


Os torcedores chegaram para o jogo contra a Costa do Marfim, na sexta-feira, usando suas tradicionais calças laranja-claro, mas com o logotipo e o nome de uma cervejaria holandesa.

Como a Fifa já havia advertido que não permitiria nenhuma "campanha publicitária não autorizada", forçou os torcedores a deixar as calças na porta do estádio, para proteger os interesses da cervejaria que patrocina a Copa. Caso contrário não seria liberada a entrada desses torcedores. Eles então tiraram suas calças e acompanharam toda a partida usando apenas cuecas.

Quinze grandes companhias pagaram até US$ 50 milhões cada uma pelo direito de ser um dos patrocinadores oficiais da Copa do Mundo.

A empresa americana Anheuser Busch, fabricante da cerveja Budweiser, pagou pelo direito exclusivo de promover e vender sua bebida nos estádios e em outros locais oficiais da Copa. A concessão de uma das cotas de patrocínio a uma cervejaria americana provocou um forte ressentimento na Alemanha, um país que se orgulha pela qualidade de sua cerveja e que tem leis rígidas para controlar sua composição.



Esse fato me faz recordar um dos mais comentados episódios da história do futebol santamartense.
Jogo final do campeonato municipal entre Santa Martha e São José do Caparaó.
Jogo difícil, o time de São José contava com alguns dos maiores craques da região, importados a peso de ouro pelo mecenas do time.
Entre eles o mais temido era Cachucha. Centro avante de fama até fora do estado, tendo tido uma passagem profissional pelo Ipiranga de Manhuaçu.
Reserva, é claro, mas profissional.
Tínhamos o conhecido João Polino, ex-técnico do Santa Martha, como Conselheiro do time.
Bom conselheiro de conselhos tortos para momentos difíceis.
Ao perceber que seria muito difícil vencer a partida, João Polino resolveu montar uma armadilha para o ataque da equipe adversária.
João armou o seguinte esquema defensivo para tentar salvar a equipe:
Havia uma jovem não muito bonita, mas com pernas muito bem torneadas e coxas fantasticamente roliças, muito conhecida como namoradeira lá pras bandas de Santa Martha, estendendo sua fama até aos municípios próximos.
Por causa daquelas coxas, muitos cabras já tinham trocado tapas, pescoções e até tiros.
Conta-se que algumas cicatrizes escancaradas nos rostos de alguns cidadãos daquelas bandas, tinham a assinatura das coxas de Malú, apelido da jovem senhorita.
Pois bem, João posicionou estrategicamente a moçoila por trás do gol do time de Santa Martha; com uma minissaia exuberantemente curta.
Segundo a determinação do conselheiro Polino, a cada ataque do adversário, principalmente se Cachucha estivesse com a bola, Malú, simplesmente abria um pouco as pernas e, com a visão paradisíaca, o resultado seria óbvio.
Encerrado o primeiro tempo, o resultado de tal estratégia não surtira nenhum efeito, o jogo já estava quatro a zero para São José e com todos os gols feitos por Cachucha.
Terminado o jogo, e o placar de sete a dois para o time visitante, João resolveu tirar a história a limpo.
Ao entrar no vestiário do time adversário, com a desculpa de parabenizar a outra equipe pela vitória, obteve a resposta esperada.
Ao flagrar Cachucha semi-nu, entre beijos e abraços, agarrado no pescoço do beque central do time, Zeca Pistola, percebeu o motivo delicado do apelido do centro avante.
O pior de tudo foi, segundo João Polino, o espanto causado pela justificativa do apelido do zagueiro...

Decomposição.

Havia, na pequena Santa Martha de João Polino, uma velha senhora que, mais por vício do que por necessidade, mendigava pelas estreitas ruas de terra do distrito.
Já sexagenária, tinha a mania de dar cantadas em todos os jovens que encontrasse pelo caminho e, por incrível que pareça, muitas vezes obtinha sucesso em tais investidas.
Volta e meia era encontrada nos matos e quintais das casas, semi-nua e adormecida. Com aquele sorriso de quem obtivera muito prazer nas noites geladas do lugarejo.
Quando não obtinha êxito, era comum encontrá-la no celeiro de um sitiante qualquer, muitas vezes embriagada.
Tal mulher colecionava na embaraçada cabeleira vários tipos e espécies de parasitas. Muitas vezes os bernes se desenvolviam e completavam as etapas evolutivas do espécime, até voarem para nova reprodução, provavelmente encontrando ali, novo campo para o desenvolvimento, do ovo à mosca adulta.
Quando falo que não tinha necessidade de mendigar, me remeto ao fato da mesma ter aposentadoria e casa própria.
Essa casa era raramente usada pela velha senhora, se tornando mais um depósito de seus garimpos pelas vielas do local, onde catava tudo quanto se pode imaginar e seqüestrava , transformando restos de latas, vidros, sofás destruídos, pedaços de pano rotos, garrafas de vidro ou plásticas; tudo, enfim, em preciosidades guardadas dentro da casa.
O mau cheiro denunciava a decomposição dos guardados orgânicos, como os restos de comida que se acumulavam num cômodo especialmente separado para isso.
Um dia, mais revoltados que penalizados, alguns vizinhos, cansados de denunciarem à saúde pública o estado em que se encontrava tal pardieiro, resolveram agir.
A ação foi de uma violência ímpar. Invadiram a casa da pobre demente e começaram a arrastar tudo o que encontravam pela frente.
Na sala, vários “monumentos” feitos com pedaços de diversos materiais demonstravam a todos a que ponto a loucura chegara.
Várias esculturas de formas lembrando vagamente crianças estavam espalhadas entre restos de madeira, de lata e de vidros jogados pelos quatro cantos.
Ao simples toque as esculturas se desfizeram, revelando a fragilidade com que foram feitas; sem nenhum material que aderisse os diversos “tijolos”.
Porém, ao entrarem no quarto onde, teoricamente, dormiria a pobre senhora, tiveram uma surpresa.
Pelo quarto, espalhados, vários esqueletos de crianças de, no máximo um ano de idade, em diversas posições, sentados, deitados, em pé, estavam espalhados pelo cômodo, e os alimentos decompostos servidos em pratos, como se fossem para alimentar aos pequenos infantes.
E, deitado no chão, um cachorro morto, em estado de decomposição avançado, observava os pequenos cadáveres famintos...

As aventuras de Gilberto na cidade Grande 3 - conosco

Gilberto, muito simpático e simplório, fora visitar um primo de sua mãe na cidade de Niterói em sua primeira passagem pela cidade Maravilhosa.
Esse primo era uma pessoa muito culta, contador aposentado que tinha na leitura seu maior hobby. Fora muito respeitado como contador em Icaraí, nos bons tempos da juventude.
Escrevera um livro de poemas, poesia clássica com sonetos em alexandrinos e decassílabos heróicos e sáficos.
Fazia questão de falar um português perfeito, tomando cuidado com os acentos e vírgulas, bem pausadas em cada intervenção que fizesse.
Após os bom dias e como vai de praxe; Gilberto com a timidez inicial estava se sentindo como um peixe fora d’água perante tantos rapapés e delicadezas do primo.
A casa, com seus bustos em miniaturas espalhados pela mesa de centro, com seus quadros expostos na parede e sua biblioteca ostentada como a mostrar que naquela casa morava um erudito, inibia mais ainda nosso herói.
Mas, dentro daquela puerilidade típica dos simples, Gilberto foi se soltando pouco a pouco.
Já estava mais à vontade, dando notícias da família, que mamãe estava bem, que os meus irmãos estavam fortes, que os pés de quiabo do seu João estavam produzindo muito, que a Ritinha estava estudando, aquelas coisas de família...
Seu primo, educadamente solicitou à esposa para que preparasse uma mesa com quitutes para que fizessem um lanche rápido, conhecedor da fama de bom prato do nosso amigo.
Este, querendo demonstrar educação, prometera a si mesmo ser menos pródigo nas refeições, aconselhado que fora sobre o fato de que, na cidade grande, ao contrário do que ocorre nas pequenas cidades, o fato de se repetir à exaustão os pratos não significava exemplo de boas maneiras.
No interior, se você não repetir a refeição a dona da casa pode se sentir ofendida, acreditando que a comida não tenha sido do agrado do visitante. Se você quiser agradar, repita, pelo menos uma vez. Isso demonstrará a todos o quanto você gostou da comida.
Pois bem, quando o erudito senhor chamou-o, Betinho causou surpresa a todos que observavam a cena.
“Gilberto, você quer tomar um café e comer conosco?”
A resposta veio rápida e esclarecedora:
“Primo, o café até que eu não quero não, mas um conosquinho cairia bem agora!”

soneto em redondilha

Na fumaça do cigarro
Subindo nas espirais
Em cada trago me agarro
Neles todos tu te vais

Quando dirijo meu carro
Pelas ruas caço um cais.
Onde quer que me amarro,
Procuro, mas não estás.

Tanto tempo nesta busca
Sigo, sem ter resultado.
A noite tanto me ofusca;

Procurando todo lado
Nessa vida tão patusca,
Coração desesperado...

soneto em redondilha

Tateio na noite vaga
Procurando por você
Eu me lembro vida amarga,
Quanto doeu lhe perder.

Minha voz, então se embarga,
Fico a perguntar por quê
Cravando no peito a adaga
A vontade de morrer...

Amanhã, pouco me importa.
Se virá e o que me traz,
Destino fechando a porta

Tudo ficando pra trás
Minha vida segue torta
Anda morta a minha paz...

Saturday, June 17, 2006

Eleição no Reino Animal

Havia eleição no reino animal. De um lado tínhamos o grupo marinho e do outro o grupo terrestre.
No grupo terrestre, a situação estava muito complicada, com brigas entre os representantes de cada um dos participantes da tríplice aliança.
Os “Trogloditas”, grupo agressivo e acostumados a atacar quem quer que seja, se acreditando sempre protegidos pelos Gorilas que comandavam o reino, num passado cada vez mais distante, tinham como características o agredir sempre, a tudo e a todos.
Estavam acostumados a explorar o trabalho dos animais mais indefesos. E, como bons hematófagos, viviam do sangue desses pequenos e frágeis animais.
Por outro lado, contumazes subservientes aos Gorilas, viviam se arrastando perante esses antigos comandantes do reino.
Mas, com a saída desses do poder, os Trogloditas começaram a ver a situação se modificando.
Os pequenos animais, começaram a perceber que serviam de alimento para esses Poderosos, e as migalhas que eram entregues não eram nada mais que “iscas” usadas pra que os Hematófagos Trogloditas sugassem quase todo o sangue, deixando o bastante para que sobrevivessem e realimentassem a cadeia alimentar.
Nesse ecossistema viveram por mais de quarenta anos. Mas isso se tornava cada vez mais coisa do passado...
Um outro grupo, os dos Miméticos, também conhecidos como camaleões, tinham como característica principal, o de utilizar-se da cor que mais aprouvesse.
No varejo eram menos deletérios que os Trogloditas, mas no atacado eram terríveis. Venderam quase tudo que havia no reino, em nome de uma estranha “economia” que não era nada mais nada menos que um auto reconhecimento da incapacidade de administrar.
Os Miméticos começaram a aparecer de uma cor mais avermelhada mas, com a aproximação histórica com os Trogloditas, começaram a ter cada vez mais a cara destes...
O terceiro e menor grupo era formado por um grupo de migrantes do reino marinho, verdadeiros anfíbios. Começaram na água e se entregaram de braços abertos ao reino terrestre.
Esse grupo merece um comentário: No começo eram ferrenhos e radicais defensores dos pequenos animais entregues à fúria dos Trogloditas. Mas, agora estavam submissos a esses.
As táticas utilizadas para tentar desestabilizar o grupo marinho eram as mais diversas. Tentaram, desde o começo, usar a maneira Troglodita de atacar, usando as maiores desculpas para atacar.
Desde ilações as mais diversas até fofocas de caráter pessoal.
Para tentarem alcançar o maior número de votos, lançaram um vegetal como candidato, oriundo do grupo dos Miméticos, obviamente.
Péssima escolha, o vegetal fazia questão de ser insosso, e o número de herbívoros que poderia engolir tal coisa era bem menor do que se imaginava.
Além de tudo, os animais do reino estavam cansados de ficar pastando.
Numa última tentativa, os Miméticos acataram o que os Trogloditas sugeriram.
Partiram para a agressão pessoal, de ofensas de baixíssimo nível, a esmo.
Chamaram o líder marinho de alcoólatra, ladrão, vagabundo, analfabeto...
Só não tentaram envolver, novamente, a filha do mesmo, embora quisessem atacar o filho desta vez; porque os Trogloditas já tinham usado isso.
Mas, como tal tática foi desmascarada há tempos, evitaram reinventar tal fato.
Neste reino, havia um sábio.
Este sábio, como bom observador, ria-se de toda esta história.
Sabia muito bem que nada adiantaria.
Pelo simples fato do POLVO pertencer ao Reino Marinho...

Anarquistas, Graças a Deus

Recordo-me, no final dos anos 80, quando morava no Rio de Janeiro e havia a efervescência política no país, de um jornal que começava a circular.
Como leitor do Pasquim e sentindo uma atração por todos os jornais e revistas de humor que pululavam na época, este me chamou a atenção.
O nome do jornal (Planeta Diário) com manchetes bem chamativas e de duplo sentido, me atraiu de imediato.
Era um humor diferente, político, mas de uma forma original, anárquico.
Enquanto o Pasquim demonstrava uma atuação política mais orientada, com franca discussão e reportagens mais engajadas, esse jornal era totalmente irreverente, apresentando coisas como “Histórias de Fodas e da varinha de Condom”.
Essa anarquia era hilária, não poupando nem governo nem oposição.
Entre os editores do jornal, um me chamava a atenção, principalmente pelo nome, usado em uma piada clássica, Bussunda.
Pouco tempo depois, encontrei na mesma banca uma revista : A Casseta Popular.
Uma das capas desta revista foi épica. Um homem com a bunda exposta e com a cara do Collor – O CAÇADOR DE MARACUJÁS.
Durante a campanha eleitoral, enquanto havia a guerra entre a grande imprensa e os jornais de esquerda, A casseta popular e o Planeta Diário apresentavam uma alternativa a essa tensão.
Passada a eleição, tivemos depois o lançamento do “Macaco Tião” à prefeitura do Rio, idéia dos mesmos anarquistas.
Depois, na Globo, apesar das limitações impostas pelo “Sistema” Globo de “qualidade”, ou seja, censura, no “Casseta e Planeta”, nome alusivo ao início dos anárquicos humoristas, continuaram a dar uma bela opção ao humor tradicional.
Houve na época, uma resistência gigantesca a esse tipo de humor, me lembro de que Chico Anísio criticava muito o anárquico representado pela turma.
Lembro-me de ter atendido, num Hospital onde trabalhava num bairro de classe média carioca, um tal Cláudio Basserman, com asma brônquica. Quando o vi, logo reconheci no Basserman, o Bussunda que começava a aparecer na televisão.
O bom humor sempre acompanhando quem fazia do trabalho uma grande brincadeira, com direito aos “jacaré no seco anda”, “em caminho de paca, tatu caminha dentro”, entre outras coisas que habitavam e habitam o humor popular do país.
A morte prematura de Cláudio nos faz pensar neste país mal humorado, onde as velhas brincadeiras foram trocadas por agressões, onde o humor carioca foi substituído pelas guerras de quadrilhas de traficantes.
Onde as piadas que corriam entre os adversários políticos foram trocadas por ofensas pessoais.
Onde o convívio entre as diferenças se torna, a cada dia, mais difícil e sectária.
Essa morte, por enfarte, nos faz pensar até que ponto vale a pena o desgaste das relações inter-humanas.
A boa política da vizinhança, com direito a “implicâncias” e “gozações” está sendo trocada por agressões verbais sem sentido.
Se quisermos homenagear Bussunda e seus pares, precisamos fazer uma auto análise e vermos a que ponto poderemos ir com as trocas de ofensas, pura e simplesmente.
O Brasil está descambando para uma difícil política, a das agressões e da baixaria.
No âmbito político, tenho saudades de Brizola com sua irreverência, o “Sapo Barbudo” ou o “Filhote da ditadura” foi trocado por “Bêbado, Analfabeto, Ladrão”...
O riso está se transformando em ofensa e mágoa.
Tá na hora de pararmos e pensarmos até que ponto vale a pena isso tudo.
A velha sacanagem de chamar flamenguista de “urubu” e vascaíno de “bacalhau” corre o risco de enveredar para a loucura e a criminalidade dos “grupos” armados das torcidas organizadas paulistas.
É hora de mudarmos o tom, sob o risco de não termos nada a comemorar com a política nacional e com a democracia.
Que a anarquia, linda anarquia, deliciosa anarquia, se limite aos programas humorísticos...

Friday, June 16, 2006

À Juventude...

Na eternidade desse momento, onde invento novo tempo que não sei se habitarei. Nos versos vermelhos verdadeiros, verdes, verifico as vertentes que tentam minha alma, a calma que não acalma nem conclama.
A chama que esfumaça, me embaça e embaraça no abraço onde tento e me contento, conter todo o universo.
Vou de banda, vou inverso, contra tempo, contra peso sem contra ataque.
Sou perdido estou perdão.
Tento o ido, encontro o vão.
Vou vago, cego sigo, gago engulo a gula e me engano.
Tenho traquejo pra sofrimento, queijo podre, invejo o coldre e o revólver.
Revolver cada momento, onde minto e me omito; portanto consinto.
E sinto o amargo gosto torpe. Fui facínora quando ignorava o aval de cada vala aberta e infecta.
Fui cruel, tendo o céu e o senão, tendo o sim e o talvez. Minha vez de ter voz foi passado. Ultra passado, ultrapassando todos os meus passos, passeios em seios e belas pernas. Apenas as penas de tantas santas e putas.
Prostrado no estrado dessa cama, que chama e inflama, queima e mata.
Calado nesse mesmo tormento, meu manto e meu mento, mormaço e aço, sofreguidão.
No guidão dessa engrenagem que caio e caiado fico, calado sigo, submisso.
Amei-te, liberdade, foste minha cidade e meu mundo. Hoje imundo, inundado e abismado, sinto o absinto que pressinto e necessito.
No abuso do uso confuso de cafuso beijo. No desejo desta pele, que me compele e me repele.
No sentido levrógeno, no medo do amor, na gênese do átomo, no hiato no iate, na parte que nunca me coube, onde soube que estarias.
Nas estrias da alma malsã, nas colinas distantes as mesmas salinas de antes, as mesmas lágrimas salgadas, as algas, as águas, o nada...
Tua boca, rouca voz. Tua louca, franca mente. Aérea, etérea, venerada e venérea.
Mercúrio sem alas, Atena sem nexo, Vênus sem sexo, complexos amores...
Querida, a ferida fertiliza os sonhos. Meus medos são medonhos, teus olhos, meus guias. Maravilhas e partos. Compotas e portas abertas, as mesmas a esmo, o sentido sem tino, sem tato, sem tanto, entretanto sobrevivo.
Meus filhos perdidos nos trilhos da vida. A mão delicada da mãe que, distante. O instante somente onde tudo cometo, onde nada prometo, me meto no espaço.
Professo esperança, dança e circulo vago.
Círculos vagos ao âmago amargo e amigo, onde prossigo, sem nada mais pra lutar.
Trago a morte e a sorte amarradas, atadas e nada me faz descansar.
Quero o inverno da vida, quem sabe verá primavera. Primeira e única verdade. A vera cruz, a luz de Vera, verão os meus olhos...
Deveras deverá o verão solar, o sol o ar, o solar onde moravas, amada primária, primeira e eterna. É terna a mão, armas mansas, nos remansos onde dançavas nua.
Amada juventude, onde, qual a amplitude de tudo o que trazias e, hoje não trazes. As fases da lua, tantas vezes vistas, as luzes e frases, as visitas ao amanhã, prometidas e esquecidas, ocultadas pelos fios prateados e raros, de meus ralos cabelos. Novelos onde se perderam os veios de onde veio e vieram os meus dias de luz. Lucidez chegou e com ela a morte.
A sorte está lançada na lança armada do tempo. Veneno e alimento.
Amada juventude, onde estás, que há de... Tende piedade, de mim...

Frorianópolis

Ele estava tranqüilo, o serviço fora muito bem feito.
Serviço profissional, desde o roubo do carro até as falsificações dos documentos. Não era a primeira vez que passava por isso, afinal, vivia disso.
O comprador do carro já esperava, especialista em recepção. Dali ao Paraguai era um pulo. Passar a fronteira, moleza...
Já contava com o dinheiro no bolso, grana alta. O carro importado tinha venda certa.
Recordava do começo de sua vida, os pequenos furtos, os pequenos golpes...
Olhava para os lados e se sentia imbatível. Era fera, cobra criada...
Passara por duas guaritas da Polícia Federal, sem nenhum incômodo.
Atravessar a fronteira entre Santa Catarina e Paraná foi moleza.
Agora era ir até Foz, atravessar a fronteira e serviço terminado.
Mais um dia, mais um carro; rotina...
Mas um carrão daquele valia um passeio, afinal o tanque estava cheio e deu vontade de visitar a tia que morava em Maringá.
Aquela sua priminha era deliciosa. Lourinha dos olhos esverdeados, verdes da cor do carrão.
Ainda podia tirar uma onda com os parentes. O menino pobre ficou rico!
E poderia zoar o primo babaca, professorzinho de merda, metido a inteligente; trabalhando o dia todo para ganhar aquele salariozinho...
Estrada bonita, um friozinho maravilhosamente agradável, poder aquecer-se nos braços da prima...
A fome estava começando a incomodar. Sabia daquele restaurante na beira da estrada, comida caseira, suculenta...
Parou, estacionando o carrão bem na porta do restaurante, orgulhoso do belo automóvel.
Chegou cantando marra : “Me dá o que você tem de melhor, o melhor vinho, a melhor mesa, o melhor melhor...”
Comendo tranquilamente, degustando aquele vinho importado, chileno, fantástico.
Era feliz e sabia, muito feliz...
Porém, de repente, sentiu uma mão sobre o ombro.
Quando ia se virar para tirar satisfação com aquele estranho, um susto.
O que estava fazendo esse cara fardado aqui?
“O que deseja meu senhor?”
A voz de prisão o assustou. Preso por quê?
“Roubo de carro...”
Como? Roubo de carro? Meus documentos e os do carro estão aqui, e estão em dia...
Piorou mais ainda a situação.
O carro era de “FRORIANÓPOLIS”.
E daí? Capital de Santa Catarina, ora bolas!
Depois, em cana, ao chamar um advogado, é que percebera a lambança.
Naquele momento, ficou morrendo de inveja do primo professor.
Pela primeira vez na vida começou a perceber o quanto a educação faz falta...

E agora José...

Lista de Furnas é autêntica, diz PF
De Rubens Valente na Folha de S. Paulo, hoje:

"A Polícia Federal confirmou ontem a autenticidade da chamada "lista de Furnas", documento de cinco páginas que registra supostas contribuições de campanha, num esquema de caixa dois, a 156 políticos durante a disputa eleitoral de 2002. No total, eles teriam recebido R$ 40 milhões.
Segundo a assessoria da direção geral da PF, em Brasília, perícia do INC (Instituto Nacional de Criminalística) concluiu que a lista não foi montada e que é autêntica a assinatura que aparece no documento, de Dimas Toledo, ex-diretor de engenharia de Furnas, empresa estatal de energia elétrica.

A PF informou, contudo, que não tem como atestar a veracidade do conteúdo da lista. Os papéis citam empresas que teriam colaborado para um caixa dois administrado por Dimas Toledo."


E José, a festa acabou...
Com a comprovação de que esta Lista é autêntica, temos duas opções:
Ou Dimas Toledo é louco, totalmente imbecil, canalha ao ponto de colocar seu filho entre os que receberam DINHEIRO PÚBLICO DE ESTATAL; ou tudo isso é verdade e canalhas são todos os envolvidos.agora
Como creio na sanidade mental do mesmo, a segunda hipótese me parece ser a mais crível.
O envolvimento de Geraldo neste caso, assim como o de Serra dão a dimensão da gravidade deste fato.
Os ataques desvairados do PFL e do PSDB à candidatura popular são evidências do desespero do tucano pego com o rabo de fora, o bico serve para disfarçar o evidente delito.
Muito sintomático isso tudo.
É hora de se fazer coro ao que dita a sociedade brasileira, PUNIÇÃO PARA TODOS OS ENVOLVIDOS EM ATOS DE CORRUPÇAO COM DINHEIRO PÚBLICO, OU SEJA, TODOS AQUELES QUE MAMARAM DINHEIRO DE FURNAS PARA UTILIZAREM EM CAMPANHA POLÍTICA, A COMEÇAR PELO GERALDO ALCKMIN E PELO SERRA.
INEGELIBILIDADE JÁ E CADEIA PARA ESSA CORJA.
É O QUE EXIGE O NOSSO POVO!
O crime cometido com o dinheiro público não pode passar impune.

Thursday, June 15, 2006

Me Engana que Eu Gosto

Nos últimos dias tem ocorrido uma tentativa espúria de transformação de um vegetal em um animal.
Havia um legume, sem paladar, que habitava o interior paulista. Essa leguminosa, durante muitos anos aprendeu a conviver com os outros vegetais da feirinha.
Porém, a partir do contato desse legume com uma matilha de lobos velhos e pilantras, começaram a perceber que esse vegetal não iria muito longe com sua insossa atuação.
Haveria necessidade de “apimentar” o legume para ser mais tragável.
Mas, como todos sabem, lobo não come lobo e os velhos caninos convidaram essa leguminosa para tentar aprender alguns macetes como criar e mostrar os dentes.
Antes que houvesse essa tentativa de transformação, a matilha teve que se reunir para definir qual seria o lobo que acompanharia o legume na viagem.
Obviamente, esse encontro foi marcado por muitos latidos e uivado, com mordidas desferidas a esmo, até que se escolheu um lobo velho, aparentemente sem dentes, mas com a inerente agressividade da espécie.
Os lobos daquela floresta eram especialmente agressivos e tinham como característica principal o de pilharem qualquer outra espécie animal que aparecesse por perto, inclusive outros lobos de matilhas que não aquela.
Durante muito tempo se associaram aos Gorilas da Floresta para poderem obter benefícios e facilidades.
Após a expulsão dos gorilas, os lobos se uniram a outros tipos de espécies tanto animais quanto vegetais para manterem o poder sobre a floresta.
Pois bem, após terem quase que entregues toda a floresta para animais de outras bandas, perderam o poder.
Mas, agora, tentavam de todas as formas voltarem a mandar e desmandar.
Um lobo, pilantra antigo de guerra, de índole bisbilhoteira e entreguista, ameaçou convidar os Gorilas da Floresta, entregando os filhotes dos outros animais e as pequenas plantas indefesas de novo às garras dos Gorilas sob os auspícios dos Lobos.
A tentativa de transfundir ao legume as características principais desta matilha, fez com que, o antes inofensivo legume, passasse a ladrar a esmo.
Latia e latia, mas todos sabiam que ele, no fundo, continuava a ser o legume de sempre.
O lobo velho, a cada latido da leguminosa semitonava junto, dando o aspecto híbrido que não convencia mais ninguém.
Acreditando que estava fazendo sucesso, o pobre vegetal se orgulhava a cada latido mais alto, até chegou a aprender a uivar, mas o sotaque não enganava ninguém.
Quem nasceu para legume nunca vai chegar a lobo, o máximo que vai conseguir é emitir um “uivado” ridículo e a esmo.
A claque aplaude o pobre vegetal mas isso parece muito com aquela máxima: “Me engana que eu gosto”...

Chegou a turma do funil...Nós é que bebemos e eles que ficam de porre...

Lula não trabalha, só viaja e bebe muito, diz vice de Alckmin
O senador pefelista José Jorge também afirmou que o governo se caracteriza pela incompetência
Denise Madueño

BRASÍLIA - A campanha tucana à Presidência da República subiu o tom de agressividade nesta quinta-feira durante convenção do PFL em Brasília e atacou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O suposto uso exagerado de bebida alcoólica por Lula foi explorado publicamente pela primeira vez. Em discurso, o candidato a vice na chapa tucana, o senador pefelista José Jorge (PE), disse que Lula bebe.
"É um governo que se caracteriza pela incompetência, pela falta de trabalho. Hoje temos um presidente que não trabalha, só viaja e bebe muito, como dizem por aí. Para ser presidente é preciso ser honesto, ser competente. Precisamos do governo da verdade e não da mentira", afirmou José Jorge, para uma platéia estimada pela Polícia Militar em 30 mil pessoas.
O candidato tucano à Presidência, Geraldo Alckmin, aos brados, afirmou que vai acabar com a "roubalheira e tratar de governar", em um de seus momentos mais inflamados durante a campanha. Os dois procuraram associar Lula à falta de trabalho.


Esse é o nível que a oposição tenta imprimir à campanha visando a Presidência da República.
Aliás, este é o nível desta campanha há um ano. Os imbecis não percebem que a cada ataque irão fortalecer o presidente Lula. Está mais do que provado, somente esses energúmenos não perceberam que quanto mais partirem para ofensas pessoais e se afastarem de discussões programáticas, mais irão afastar-se do povo.
Essa coalizão, durante oito anos, praticamente levou o país à miséria, com endividamento recorde, com inflação ascendente, juros escrachantes e, pior que tudo, a entrega do patrimônio público.
A recuperação econômica brasileira foi fantástica nesse período de três anos e meios após a bancarrota imprimida por PSDB/PFL. Então quando Alckmin e José Jorge (quem?) afirmam que eles irão trabalhar, conforme o que fez o trabalhador FHC, treme meio mundo. O trabalho dessa corja quase quebrou o país.
Outra coisa, um ser insignificante como esse José Jorge (quem?) falar que o presidente bebe muito, me faz lembrar as beatas da TFP.
Se Lula bebe muito, graças ao seu Governo, o brasileiro está bebendo e comendo mais.
Coisa que nos desgovernos anteriores estava proibitiva para a maioria do povo brasileiro.
Aliás se bebe ou se não bebe ninguém tem nada com isso, ainda mais as “beatas furadas” acostumadas a beberem o sangue e o suor dos trabalhadores.
A dupla de vampiros que se arvora a querer acabar de vez com o povo brasileiro vítima de uma sangria vergonhosa quando esses ascaris estiveram no poder.
Outra coisa é a dita incompetência. Quais são as credenciais dessa turma nesse assunto?
Os catastróficos anos em que estiveram no poder, tanto os oito do PSDB quanto os 40 do PFL não são exemplo de competência para ninguém.
A não ser que o nascimento do PCC e a falta de competência do Picolé sejam exemplos...

Uma aliança que combina PSDB e PFL pode falar de roubalheira? Onde? Com quem? A lambança do PT começou no PSDB mineiro e contou com o PFL para seu desenvolvimento, né, Roberto Brant? Né ,Eduardo Azeredo?
AGORA PELO AMOR DE DEUS, NÃO NOS AMEACE COM O QUE VOCÊS CONSIDERAM “GOVERNO” E NEM VENHAM COM ESSA DE “TRABALHAR”. O POVO BRASILEIRO AGRADECE E AVISA: VÃO CANTAR NOUTRA FREGUESIA SUAS AVES AGOURENTAS!!

Wednesday, June 14, 2006

Ode Às Mães de Maio

Penso no maio das mães,
Com seus filhos massacrados
Pior que fossem mil cães
Nos gritos desesperados
De quem tombou na batalha
Os mortos pela navalha

D’incompetência d’estado
Deixando esse povo refém
Do grito desesperado
Respondido por ninguém
Desse povo abandonado
Tratado qual fosse gado.

Penso nas camas vazias
Nos olhos sem amanhã
Nas teresas e marias
Vivendo a vida malsã
Esperando por seus filhos
Perdidos, fora dos trilhos.

As mães dos soldados mortos
Sem perdão e sem por que
Na visão dos homens tortos
Tentando sobreviver...
As mães que sempre sofreram
Que as esperanças perderam.

Sem poder nem apontar
Os olhos para os culpados
Que vivem para ocultar
Os desmandos desgraçados
Que tentam sempre esconder
Teimando no negar ver

Que os erros mais singulares
Cometeram, sem perdão.
Assassinando seus pares
Provocando a reação
De todos quantos conhecem
As dores que elas padecem.

As mães desses inocentes
Quatrocentos que tombaram
Nas ruas, pelas serpentes.
Que no fundo assassinaram
A todos sem exceção
Por terrível omissão.

Penso no pranto sofrido
Dessas mulheres perdidas
No terror tão desmedido
Que carregou tantas vidas
Me diga meu Deus por que
Tanta dor pra se viver...

Nos uniformes vazios
Dos soldados e operários
Nos olhos, trágicos fios.
Que ligam aos mandatários
Dos criminosos cretinos
De todos os assassinos.

Dos Pilatos que, omissos.
Permitiram tal chacina
Com seus olhos tão mortiços.
Trouxeram lá da Argentina
A visão das mães da praça
Nessa dor que não disfarça.

Nossas pobres mães paulistas
Também carregam seu fardo.
Procurando pelas listas
Onde esteja assinalado
O nome de seu rebento
Carregado pelo vento...

Se, nesse dois mil e seis,
Teceram essa mortalha;
Última, seja essa vez.
Que não repita a batalha
que nossas mães brasileiras
não merecem tais bandeiras.

soneto em redondilha

Meus companhero perdoa
As minha lamentação
Se falo não é à toa
Vem vindo do coração

Na boca o gosto da broa
Da vida nesse sertão
Meu pensamento mais voa
Dexando a lamentação

Pros que perfere a sodade
Eu perfiro nem dizê
Na vida, sinceridade

É perciso pra vivê
Mas cum amô e bondade
Mió pra mim e procê !

soneto em redondilha

Esperanças conjugar
Os verbos desta canção
Que permitem cravejar
Com amores e perdão

O brilho deste luar
Maltratando o coração
De quem quisesse sonhar
Anunciando o verão

Nas matas tantas promessas
Das flores em profusão
Tentando ser às avessas

Do que fora escravidão
Nestas luzes que professas
Profetizas compaixão!

soneto em redondilha

Quando me lembro de ti
Nas noites mais solitárias
Me recordo que vivi
Nessa vida, vidas várias.

Tantas coisas que perdi
Minhas dores vivem párias
Nos teus braços tanto li
Teus olhos por luminárias

Quero saber da saudade
Que maltrata, sem perdão.
Por tanto quanto que invade

Tragando-me em teu pendão
Ofuscando a claridade
Que vem do meu coração.

soneto em redondilha

Meus olhos na despedida
Do que tão pouco queria
O amor rasgando essa vida
Num tempo que não viria...

Tempo de tanta partida
Que nunca mais saberia
Poder encontrar saída
Vida que não viveria

Amores sempre são nada
Para quem, na madrugada,
Espera pela manhã.

De tanta vida malsã
Já traz velha alma cansada
Sem conhecer amanhã!