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Friday, January 22, 2010

23309

O fato é que de fato o flato vem
E quando vem amigo é um sufoco
Quem é culpado? Nunca vi ninguém
Senão sai pontapé, pisada e soco.

No elevador então, ali também,
Tem gente segurando o seu brioco
Terrível flatulência do meu bem
Se cura só se alguém coloca um toco.

Cutuca com taquara este culpado
Mas não cutuque nunca o coco errado
Cuoco faz tremenda confusão.

Chegando na feirinha ou no mercado,
Porém jamais eu vi um tão furado
Do que o do fundador do blocozão...

23296

Minha alma se infundindo de esperança
Expressa num sorriso a falsa imagem
Diversa da verdade, esta miragem
Em meio às tempestades vem e avança.

Trazendo finalmente a temperança
Que tanto necessito. Esta paisagem
Moldada do real, estando à margem
Da dor a qual meu sonho enfim me lança;

Cercado de ilusões e tantas farsas
Os dias entre medos logo esgarças
E passas como quem nada sofreu.

Amenas emoções? Não me contento,
Estando aos teus caminhos sempre atento,
Enfrento a tempestade em treva e breu...

23294

Falando deste amor que sei divino
Entôo com mais vontade melodias
Que falem de ternuras e alegrias
Deixando o dia calmo e cristalino.

Vivendo esta emoção eu me alucino
E verto pelos poros fantasias,
Mas quando estes momentos; esvazias
O sol que outrora estava pleno e a pino

Encoberto de nuvens prenuncia
Imensa tempestade e ventania
Deixando o entardecer bem mais dorido.

Esqueço esta ventura e volto ao medo,
Sequer algum sorriso; inda concedo
E o tempo de viver se esvai, perdido...

23292

Excêntricos caminhos resplandecem
Nos antros, nos esgotos, nos porões
Aonde se pensaram soluções
Os mortos com denodo comparecem.

E quando as vozes torpes obedecem
Esquecem as prováveis ilusões
Matando os ressurretos, podridões
Durante a tempestade cores tecem.

E o vago coração de quem se deu,
Agora sem descanso segue ateu
Vasculha cada canto deste espaço.

E meço com meus olhos o vazio,
Aonde depois disso, eu me extasio
E o pouco que me resta ali eu traço...

23291

Quisera retornar ao mesmo vão
Descalços pés cansados não teria
O verso que traduza uma alegria
Regressa desde sempre a tal senão.

Guardado em versos frágeis num porão
Nefasta maravilha florescia
Enquanto ao vento beijo a mão vazia
Eu sinto aproximar-se a solidão.

Erguendo os meus olhares no horizonte,
Espero que este sol inda desponte
E desaponte a dor, fria quimera,

Serenando minha alma tão frugal,
O fardo que coubesse no bornal,
Traria um bom final para esta espera...

23290

Tolhendo o meu caminho os espinheiros
Adentro estas veredas desconexas
Seguindo as velhas perdas nos ribeiros
As horas são deveras mais complexas;

E os féretros decerto derradeiros
As lágrimas carpidas vão anexas
E custam ao que foi; parcos dinheiros.
E enquanto teu futuro nisto indexas

Além do que pensavam companheiros
Assim a minha morte tanto alenta
Ao mesmo tempo em paz e violenta

Expressa um gozo fútil e venal.
Após a cerimônia este banquete,
A vida preparando algum falsete
Tramando qual festança o funeral...

23289

Se um dia quis um verso que agradasse
Agora não me importa o que desejas,
As dores nos meus dias são sobejas
E a cada novo tempo, o mesmo impasse.

Se o verso te seduz ou não; que sejas
Mais feliz neste mundo aonde trace
A sorte que pretendes noutra face
Diversa da que mostro e não prevejas.

Não tento disfarçar as dores tantas
Em frases tão sutis por onde cantas
Os ritos são diversos, dor e glória.

Aquém do teu anseio, eu me desnudo,
Prefiro na verdade ficar mudo
A ter que me embrenhar em outra história.

23288

Só resta a poesia, a companheira
De tantas caminhadas vida afora.
E enquanto a fantasia não se aflora
A vida bebe a senda derradeira.

Pudesse ter a paz por mensageira,
Mas sei que ela em verdade se demora,
Portanto sem descanso, sem ter hora,
A noite em vendavais, se mostra inteira.

Mergulho no passado e tento crer
Que ainda possa ter algum prazer,
Mesquinharias? Falsas ilusões...

Os dias se repetem tão iguais,
Os versos que ora faço são banais
E falam destas pérfidas paixões...

23285

Em meio aos crótons planto estas dracenas
E as cores se misturam no canteiro,
Ao longe percebendo o doce cheiro
Encontro entre as roseiras, as verbenas.

E vendo novamente as raras cenas
Do tempo alvissareiro já me inteiro
E mostro quanto é belo e verdadeiro
O amor que; sei, desejas, quando acenas.

Imersas entre avencas, samambaias,
Orquídeas multicores; logo espraias
E deitas teus anseios junto aos meus.

Expressas com ternura esta vontade
E bebo de teu gozo a claridade,
Deixando na saudade um ledo adeus...

23284

Perfume tão suave em teus cabelos,
A maciez convida para o colo,
Deitando esta alegria chego ao solo
Envolto pelo amor e seus novelos.

Meus dias na alegria de revê-los
Os medos e temores; louco, assolo,
Não vendo mais rancor, terror ou dolo,
Percebo a maravilha de contê-los.

Glorificante luz que tu me emanas
No sonho que perdura por semanas
As horas do teu lado são sagradas.

E quero a cada instante mais e mais,
Desejos entre noites rituais
Dourando de prazeres, madrugadas...

23283

No olhar angustiado de quem tanto
Se fez um sonhador e não sabia
Que a sorte desnudando a fantasia
Destrói a cada passo o seu encanto.

E mesmo quando creio e livre canto
O ocaso se aproxima e traga o dia,
Apenas o que resta, a melodia
Moldando a cada nota um vão espanto.

Mergulho neste mar que não tem fim,
Eterno precipício dos ignaros,
Vivendo nos mais negros desamparos

A sorte se afastando assim de mim,
Quem sabe noutra vida nova chance,
A paz que me redima, enfim, alcance...

23280

Banquete para poucos convidados
Apenas escolhidos entre tantos
Aqueles pelos deuses já tocados
Vislumbro a raridade nos encantos.

Os medos e os anseios revelados
Também raras venturas nestes cantos,
Em versos com certeza bem talhados,
Nas mãos destes poetas, risos, prantos.

Assim se faz do verso uma expressão
Aonde se permite a fantasia
E a viva realidade dita então,

Da forma mais exata, eu te prometo,
Enquanto a mente teima e assim se cria
Nas mãos de algum ourives, o soneto...

23278

Padeço deste mal: desilusão
Que tanto me maltrata e traz sossego
Se às vezes em teus sonhos eu me apego
O medo pode ser a solução.

Vencido pelos ermos da paixão
Expresso solidão enquanto entrego
O verso mais audaz e o bem que prego
Emprego nele as honras da emoção.

Vestígios do passado inda presentes
O quanto que tu mentes e inda sentes
Recentes caminhares e querências

Demonstram quão cruel realidade
E vendo tão distante a claridade
As vidas vão sorvendo tais ausências...

23277

Guardado na gaveta este retrato
Descreve muito bem o que vivemos,
Por onde e em que mundo; mostraremos
A sorte casual e raro fato.

Na imensa solidão eu me retrato
E teimo com veleiros, mares, remos
No fundo com certeza nós sabemos
Amenos os destinos de um regato.

Porém a corredeira não se espera
E mostra quanto a vida se faz fera
E rola o pensamento entre cascalhos.

Pudesse pelo menos ter certeza
Vencendo cada queda ou correnteza
Usando para tal; rotas e atalhos...

23276

Perdoe pelos erros cometidos
Não posso disfarçar a dor tamanha
Que enquanto a noite chega; da montanha
Os raios do luar tão prometidos

Espalham claridade e os meus sentidos
Tocados pela luz que assim se assanha
Mudando num momento minha sanha
Deixando os meus tormentos esquecidos.

Navego então por mar em calmaria,
Na noturna ventura se anuncia
Beleza que bem sei somente farsa.

Ao ver tal claridade, a vida espanta
E a dor então calada se agiganta
E em risos de ironia se disfarça...

23274

Menino que corria entre mangueiras
Nas sombras do arvoredo, no quintal,
Agora a vida mostra o desigual
Caminho entre loucuras e bandeiras.

As horas que virão; as derradeiras
E o tempo de viver sendo banal,
Moldando o meu sorriso em ritual
Palavras de consolo, corriqueiras.

A morte não me assusta até me atrai,
E o tempo pelas mãos logo se esvai
Não deixo de pensar nesta criança

Correndo pela sala, pelo quarto,
O velho já cansado e mesmo farto,
Ainda traz bem viva esta lembrança...

23274

Menino que corria entre mangueiras
Nas sombras do arvoredo, no quintal,
Agora a vida mostra o desigual
Caminho entre loucuras e bandeiras.

As horas que virão; as derradeiras
E o tempo de viver sendo banal,
Moldando o meu sorriso em ritual
Palavras de consolo, corriqueiras.

A morte não me assusta até me atrai,
E o tempo pelas mãos logo se esvai
Não deixo de pensar nesta criança

Correndo pela sala, pelo quarto,
O velho já cansado e mesmo farto,
Ainda traz bem viva esta lembrança...

23273

Qual fora uma criança e seu brinquedo
Pensara ter a sorte em minhas mãos,
O amor me abandonando desde cedo,
Os dias transcorrendo inertes, vãos.

A morte desenhada sem segredo
Acalentando, o sonho dos cristãos
Porém ainda luto e não concedo
Espalho por veredas falsos grãos

E espero uma colheita que não veio,
Aos olhos tão somente este receio
Do nada ressurgido após o nada.

A luz que se propunha se apagando,
O incêndio se tornando bem mais brando
A infância pela vida destroçada...

23272

Se ainda por um sonho tenho zelo
Não posso garantir que ele me encante.
Na súbita impressão de um mero instante
A vida me tratando com desvelo.

Queria tantas vezes poder crê-lo
E ter em minhas mãos a luz brilhante;
Porém não adianta um só rompante,
A morte me envolvendo em seu novelo.

Cabendo ao sonhador somente versos
Que mesmo tão sombrios e diversos
Ainda trazem claro algum alento.

Nas tramas deste enredo a me envolver,
Proximidade enorme; e posso ver
O caos aonde louco, me atormento...

23271

Sonego o que inda resta dentro em mim
Bebendo as maravilhas que não creio.
Seria muito bom, mas o receio
Desdiz este caminho de onde vim.

Percorro a solidão e vejo enfim
O peso com que a sorte trama o veio
Nefastos os desejos; meu anseio
Matando esta alegria, sendo assim

Espúrios os momentos que inda tenho
Cerrando com angústia logo o cenho,
As senhas necessárias esquecidas.

Apreços; não conheço e nem recebo
Das glebas e das sendas que concebo
As vias espalhadas e perdidas...