Não fosse a poesia ingrata amante
A vida não teria mais sentido,
Apenas um fantasma desvalido,
Que segue na penumbra, mas constante.
Prevejo no vazio a voz que encante,
Hermético poeta; atroz, me acido.
Enquanto com palavras tolas lido,
O amor se torna ausente ou mais distante.
De todas estas dores, ando farto,
Aguardo sem demora algum infarto
Aonde tanto enfado se desfaça.
O corpo se desfaz a cada dia,
Invés de uma esperança ressurgia
Sombria sensação de morte e traça...
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Sunday, January 24, 2010
23389
No amarelecimento dos meus dias
Outonos entre trevas e neblinas
Porquanto cada sonho tu dominas,
Ao longe se perdendo as fantasias.
Diverso do universo que ora crias,
As horas que entre luzes determinas
Por vezes enganosas e ladinas,
Causando dentro da alma tais estrias...
E assaltam-me os desejos de outras eras
Voltando ao meu olhar as primaveras,
Mas vejo; se aproxima o duro inverno,
Amortalhadamente a vida expõe
Enquanto a carne aos poucos decompõe
Visão alentadora deste inferno...
Outonos entre trevas e neblinas
Porquanto cada sonho tu dominas,
Ao longe se perdendo as fantasias.
Diverso do universo que ora crias,
As horas que entre luzes determinas
Por vezes enganosas e ladinas,
Causando dentro da alma tais estrias...
E assaltam-me os desejos de outras eras
Voltando ao meu olhar as primaveras,
Mas vejo; se aproxima o duro inverno,
Amortalhadamente a vida expõe
Enquanto a carne aos poucos decompõe
Visão alentadora deste inferno...
23388
Quisera dentro da alma sem dispêndio
Poder crer num momento mais audaz,
Porém a sorte infausta logo traz
Nos olhos o terror de um vilipêndio.
Sem ter quem trame o riso, ou mesmo atende-o
Percebo-me dos sonhos, incapaz,
E quanto mais procuro a vida em paz,
Maior a sensação de torpe incêndio.
Na véspera da morte; o ritual,
O beijo da esperança me faz mal,
E o gozo incontrolável do sarcástico
Irônica pantera me desvenda;
Cigana desventura adentra a tenda
Num cáustico delírio um final drástico...
Poder crer num momento mais audaz,
Porém a sorte infausta logo traz
Nos olhos o terror de um vilipêndio.
Sem ter quem trame o riso, ou mesmo atende-o
Percebo-me dos sonhos, incapaz,
E quanto mais procuro a vida em paz,
Maior a sensação de torpe incêndio.
Na véspera da morte; o ritual,
O beijo da esperança me faz mal,
E o gozo incontrolável do sarcástico
Irônica pantera me desvenda;
Cigana desventura adentra a tenda
Num cáustico delírio um final drástico...
23387
Perpetuando em mim a sanguessuga
Que outrora se fizera amante e amiga,
Expondo no meu rosto cada ruga
A sorte ao mesmo tempo desabriga.
E enquanto a vida aos poucos tudo suga,
Nefasta companheira tão antiga
A pele decomposta já se enruga
Que um andarilho em rotas vãs prossiga
Necrópsia de uma estúpida esperança
Ao férreo percorrer desta lembrança
Lançada num esgoto, em vale obscuro.
A pérfida ilusão velha senhora,
No escárnio derradeiro se demora,
No intenso efervescer que em ti procuro...
Que outrora se fizera amante e amiga,
Expondo no meu rosto cada ruga
A sorte ao mesmo tempo desabriga.
E enquanto a vida aos poucos tudo suga,
Nefasta companheira tão antiga
A pele decomposta já se enruga
Que um andarilho em rotas vãs prossiga
Necrópsia de uma estúpida esperança
Ao férreo percorrer desta lembrança
Lançada num esgoto, em vale obscuro.
A pérfida ilusão velha senhora,
No escárnio derradeiro se demora,
No intenso efervescer que em ti procuro...
23386
Acima dos meus ermos, velho teto
Escombros do que fomos nesta sala
Minha alma da ilusão, simples vassala
Buscando em qualquer parte algum afeto.
Nas sendas mais doridas me completo,
Enquanto a dor decerto me avassala
A morte, esta quimera enfim me cala,
Mas nela, um ser vazio, eu me repleto.
Da fétida e terrível podridão
Renascem esperanças, solução?
Quem dera, simplesmente a mesma história...
Ao ver este fantasma destroçá-la
Ignara criatura, nada fala.
Ao fim dos vagos dias, mera escória...
Escombros do que fomos nesta sala
Minha alma da ilusão, simples vassala
Buscando em qualquer parte algum afeto.
Nas sendas mais doridas me completo,
Enquanto a dor decerto me avassala
A morte, esta quimera enfim me cala,
Mas nela, um ser vazio, eu me repleto.
Da fétida e terrível podridão
Renascem esperanças, solução?
Quem dera, simplesmente a mesma história...
Ao ver este fantasma destroçá-la
Ignara criatura, nada fala.
Ao fim dos vagos dias, mera escória...
23385
Descendo ao mais profano e escuro vale
Encontro os meus fantasmas e os devoro.
Volvendo a superfície em fogo e cloro
Sem nada que inda impeça ou quem me fale
Do quanto esta emoção de nada vale,
No verso mais sensato ainda imploro
Em tanto desapego me decoro
Por mais que no costado o açoite estale.
Esquálida figura; em vão prossigo,
Fazendo de minha alma o esconderijo,
Ao vento suplicando a paz erijo
E o tempo me condena ao desabrigo,
Mergulho sem defesas neste abismo,
E espero novamente um cataclismo...
Encontro os meus fantasmas e os devoro.
Volvendo a superfície em fogo e cloro
Sem nada que inda impeça ou quem me fale
Do quanto esta emoção de nada vale,
No verso mais sensato ainda imploro
Em tanto desapego me decoro
Por mais que no costado o açoite estale.
Esquálida figura; em vão prossigo,
Fazendo de minha alma o esconderijo,
Ao vento suplicando a paz erijo
E o tempo me condena ao desabrigo,
Mergulho sem defesas neste abismo,
E espero novamente um cataclismo...
23384
A luz que se sonega em tarde escura
Neblinas esfumaçam a esperança
E quando aos teus vazios a alma lança
O medo que deveras já perdura,
O quadro se mostrando sem moldura,
Aonde encontraria temperança,
Não vejo perspectiva de mudança
A sorte em vagas rotas nega a cura
Mal sinto esta presença que me alente,
Um dia se mostrando atroz e quente
O resto do caminho não perfaço,
Deixando nos espinhos minha pele,
Enquanto a realidade me repele,
Vencido pela dor; pelo cansaço...
Neblinas esfumaçam a esperança
E quando aos teus vazios a alma lança
O medo que deveras já perdura,
O quadro se mostrando sem moldura,
Aonde encontraria temperança,
Não vejo perspectiva de mudança
A sorte em vagas rotas nega a cura
Mal sinto esta presença que me alente,
Um dia se mostrando atroz e quente
O resto do caminho não perfaço,
Deixando nos espinhos minha pele,
Enquanto a realidade me repele,
Vencido pela dor; pelo cansaço...
23383
Lançando-me ao abismo que criaste
Com teus desejos falsos e tenazes,
Por mais que se mostrassem mais audazes
Os dias sem teus passos perdem a haste.
E quando se permite tal desgaste,
Além do que em verdade nada trazes,
Mesquinhos e decerto tão vorazes
Os traumas mais ferozes; provocaste.
Recebo o vento frio como fosse
Um ato de ternura, um beijo doce
Da fera que se esconde sob a pele
Daquela criatura em voz suave,
Somente tendo a dor que tanto agrave
À morte inadiável me compele...
Com teus desejos falsos e tenazes,
Por mais que se mostrassem mais audazes
Os dias sem teus passos perdem a haste.
E quando se permite tal desgaste,
Além do que em verdade nada trazes,
Mesquinhos e decerto tão vorazes
Os traumas mais ferozes; provocaste.
Recebo o vento frio como fosse
Um ato de ternura, um beijo doce
Da fera que se esconde sob a pele
Daquela criatura em voz suave,
Somente tendo a dor que tanto agrave
À morte inadiável me compele...
23382
A fera que em minha alma não sossega
Restando neste canto; atocaiada,
Depois de tanto encanto sobra o nada,
Vazio que esperança não navega.
Perdesse as ilusões, seguisse cega
Minha alma pela sorte abandonada,
O amor jamais se deu à minha alçada
Pudesse ter ao menos uma entrega
Aonde decifrasse estes enredos,
Porém deste vazio, meus segredos,
Num cofre que se expõe às tempestades.
Mudando ao fim o rumo deste Fado,
Deixasse para trás terror e enfado,
Por mais que a realidade tu degrades...
Restando neste canto; atocaiada,
Depois de tanto encanto sobra o nada,
Vazio que esperança não navega.
Perdesse as ilusões, seguisse cega
Minha alma pela sorte abandonada,
O amor jamais se deu à minha alçada
Pudesse ter ao menos uma entrega
Aonde decifrasse estes enredos,
Porém deste vazio, meus segredos,
Num cofre que se expõe às tempestades.
Mudando ao fim o rumo deste Fado,
Deixasse para trás terror e enfado,
Por mais que a realidade tu degrades...
23381
Do quanto se me sentira abandonado
Nefastas as manhãs, dourados sonhos
Aonde ainda houvera um belo prado,
Meus dias prosseguindo em vão, medonhos.
O quadro muitas vezes revelado
Momentos que julgara mais risonhos
Apenas o reflexo do passado,
Mergulho nos espaços tão tristonhos.
Bisonhos os desejos de quem tenta
Viver a paz que nunca mais tivera.
Nos olhos da ilusão, cruel pantera
A morte se apressando violenta
E o fardo que carrego sendo imenso,
A um tempo mais feliz? Jamais propenso...
Nefastas as manhãs, dourados sonhos
Aonde ainda houvera um belo prado,
Meus dias prosseguindo em vão, medonhos.
O quadro muitas vezes revelado
Momentos que julgara mais risonhos
Apenas o reflexo do passado,
Mergulho nos espaços tão tristonhos.
Bisonhos os desejos de quem tenta
Viver a paz que nunca mais tivera.
Nos olhos da ilusão, cruel pantera
A morte se apressando violenta
E o fardo que carrego sendo imenso,
A um tempo mais feliz? Jamais propenso...
23380
O tempo em que se perde já chegando
Mereço tal destino, a morte em riste,
Pudesse ser ao menos bem mais brando,
Mas sei que ao dom do amor ninguém resiste.
Não pude decifrar querida, quando
O coração se fez amargo e triste,
No quanto desejei, mas mergulhando
No vago deste mar, o medo insiste.
E trama outra saída; não resisto,
Oferto em sacrifício cada sonho,
E o quadro se desfaz, nada componho,
Percebo em cada esquina um novo Cristo
Acorrentado aos vãos de um mundo injusto,
E acreditar na sorte, agora eu custo...
Mereço tal destino, a morte em riste,
Pudesse ser ao menos bem mais brando,
Mas sei que ao dom do amor ninguém resiste.
Não pude decifrar querida, quando
O coração se fez amargo e triste,
No quanto desejei, mas mergulhando
No vago deste mar, o medo insiste.
E trama outra saída; não resisto,
Oferto em sacrifício cada sonho,
E o quadro se desfaz, nada componho,
Percebo em cada esquina um novo Cristo
Acorrentado aos vãos de um mundo injusto,
E acreditar na sorte, agora eu custo...
23379
Pudesse dia a dia acreditar
Nas ondas que na praia já se esfumam,
As dores tão freqüentes me acostumam
A ter em minhas mãos demônio e altar.
Nas aquarelas várias ao pintar
Belezas que vagueiam e se aprumam,
Diversos dos caminhos em que rumam
Os raios luminosos do luar.
Aos pés de quem desejo, mas não creio
Ainda ser possível ter nas mãos,
Os versos mais audazes; teimo e crio
Crivando o pensamento neste anseio,
Mesmo sabendo serem todos vãos,
O grito solto ao vento, no vazio...
Nas ondas que na praia já se esfumam,
As dores tão freqüentes me acostumam
A ter em minhas mãos demônio e altar.
Nas aquarelas várias ao pintar
Belezas que vagueiam e se aprumam,
Diversos dos caminhos em que rumam
Os raios luminosos do luar.
Aos pés de quem desejo, mas não creio
Ainda ser possível ter nas mãos,
Os versos mais audazes; teimo e crio
Crivando o pensamento neste anseio,
Mesmo sabendo serem todos vãos,
O grito solto ao vento, no vazio...
23378
A mente inda receia algum ocaso,
E nada mudaria enfim meu Fado,
O quanto se mostrasse degradado,
Ao menos não teria rumo ou prazo,
E quando mergulhando neste acaso,
O gosto amargo resta demarcado,
Levasse uma esperança que ao meu lado
Um tempo mais feliz ainda aprazo.
Mas vendo um ser incômodo e indefeso,
Soltando sobre mim o imenso peso,
Faltando uma saída, aonde possa
Viver tranqüilidade que ora ausente
Por mais que outra verdade ainda tente
A vida não passou de tosca troça...
E nada mudaria enfim meu Fado,
O quanto se mostrasse degradado,
Ao menos não teria rumo ou prazo,
E quando mergulhando neste acaso,
O gosto amargo resta demarcado,
Levasse uma esperança que ao meu lado
Um tempo mais feliz ainda aprazo.
Mas vendo um ser incômodo e indefeso,
Soltando sobre mim o imenso peso,
Faltando uma saída, aonde possa
Viver tranqüilidade que ora ausente
Por mais que outra verdade ainda tente
A vida não passou de tosca troça...
23377
Pudesse n’alguma ilha ter descanso
E a vida se moldasse mais tranqüila,
Porém ao sonegar qualquer remanso,
Veneno a cada passo se destila.
E o quanto de esperança ainda alcanço,
Distante da cidade, rua ou vila
Os pés sobre estas cordas finas; tranço,
Funâmbulo insensato em vão desfila.
Ao menos quem soubesse aonde encontro
Além de tão somente desencontro
Semente que permita bela lavra.
Não pude me calar, sigo em pedaços,
Do mundo que sonhei; só meros traços,
Fazendo da esperança vã palavra...
E a vida se moldasse mais tranqüila,
Porém ao sonegar qualquer remanso,
Veneno a cada passo se destila.
E o quanto de esperança ainda alcanço,
Distante da cidade, rua ou vila
Os pés sobre estas cordas finas; tranço,
Funâmbulo insensato em vão desfila.
Ao menos quem soubesse aonde encontro
Além de tão somente desencontro
Semente que permita bela lavra.
Não pude me calar, sigo em pedaços,
Do mundo que sonhei; só meros traços,
Fazendo da esperança vã palavra...
23376
Movido tão somente pelo medo,
Terrores invadindo o pensamento,
Pavor a cada dia em incremento
Aonde poderia a paz: degredo.
E quando alguma luz; parca, concedo,
Numa explosão insólita inda tento
Fugir dos meus fantasmas, mas atento
O tempo decifrando este segredo.
E o fim que se aproxima dita as normas,
Imagens delirantes tu deformas
E os arcos se tornando mais estreitos.
Num pesadelo envolto em sangue e guerra,
A sorte vaga à solta e se desterra
Os rios mudam cursam, secam leitos...
Terrores invadindo o pensamento,
Pavor a cada dia em incremento
Aonde poderia a paz: degredo.
E quando alguma luz; parca, concedo,
Numa explosão insólita inda tento
Fugir dos meus fantasmas, mas atento
O tempo decifrando este segredo.
E o fim que se aproxima dita as normas,
Imagens delirantes tu deformas
E os arcos se tornando mais estreitos.
Num pesadelo envolto em sangue e guerra,
A sorte vaga à solta e se desterra
Os rios mudam cursam, secam leitos...
23375
Imensa torvação meus sonhos tinge
Em rubros tons, matizes mais sanguíneos
Buscara tão somente teus fascínios
Porém a solidão feroz me atinge.
Uma alma que deveras cedo finge
Deixando no passado seus domínios
Ainda traz temores. Elimine-os.
Senão a cada dia nova esfinge.
Palavra muitas vezes desconexa
A sorte se moldando ainda indexa
Vestígios de uma sombra assustadora.
Mesquinhas alvoradas não virão,
A morte mostra o rumo e a direção
Orquestrando esta paz já redentora...
Em rubros tons, matizes mais sanguíneos
Buscara tão somente teus fascínios
Porém a solidão feroz me atinge.
Uma alma que deveras cedo finge
Deixando no passado seus domínios
Ainda traz temores. Elimine-os.
Senão a cada dia nova esfinge.
Palavra muitas vezes desconexa
A sorte se moldando ainda indexa
Vestígios de uma sombra assustadora.
Mesquinhas alvoradas não virão,
A morte mostra o rumo e a direção
Orquestrando esta paz já redentora...
23374
Dantescas emoções, barcos sem rumo
Expressam o vazio que me deste,
E o quanto sem ninguém já não me aprumo,
Distante do caminho em que vieste.
O corte se aprofunda e logo assumo
Rasgando cada parte desta veste,
A pele- que em verdade é um resumo
Da pútrida carcaça que reveste
Um fétido e banal pária sem nexo,
Por mais que se pareça mais complexo
Ao fundo esta paisagem nada diz,
Apontam-se no céu nuvens escuras,
E quando pelas sombras tu procuras
Não vês numa sarjeta este infeliz...
Expressam o vazio que me deste,
E o quanto sem ninguém já não me aprumo,
Distante do caminho em que vieste.
O corte se aprofunda e logo assumo
Rasgando cada parte desta veste,
A pele- que em verdade é um resumo
Da pútrida carcaça que reveste
Um fétido e banal pária sem nexo,
Por mais que se pareça mais complexo
Ao fundo esta paisagem nada diz,
Apontam-se no céu nuvens escuras,
E quando pelas sombras tu procuras
Não vês numa sarjeta este infeliz...
23373
Um velho fingidor, tolo farsante
Que sabe muito bem usar o dom
De ter em suas mãos, música e tom,
E segue o seu caminho cambiante.
Na vaga sensação de um mero instante
Por vezes disfarçando algum batom
Escuta sem ouvir, sons de um pistom
Cavalga este vazio, galopante.
E o quanto se mentindo vai ou vem
No fundo nada sabe sobre alguém,
Porém toca profundo dentro da alma;
Bufão e muitas vezes menestrel,
Nas mãos contendo o inferno, bebe o Céu
Gerando a tempestade que ora acalma...
Que sabe muito bem usar o dom
De ter em suas mãos, música e tom,
E segue o seu caminho cambiante.
Na vaga sensação de um mero instante
Por vezes disfarçando algum batom
Escuta sem ouvir, sons de um pistom
Cavalga este vazio, galopante.
E o quanto se mentindo vai ou vem
No fundo nada sabe sobre alguém,
Porém toca profundo dentro da alma;
Bufão e muitas vezes menestrel,
Nas mãos contendo o inferno, bebe o Céu
Gerando a tempestade que ora acalma...
23372
Andara com meus pares juntamente
Vivendo o que talvez não mais seria
Além desta quimera, o vento guia
Mereceria a sorte; esta inclemente.
Nos bares em que adentro se pressente
Invés de riso e glória, a sintonia
De seres em que a vã melancolia
Tomara quais reféns, completamente.
Agora não pressinto outro caminho,
Seguindo acompanhado e até sozinho
Num átimo mergulho no meu ego.
E quando imaginara alguma luz,
Percebo que ao vazio se conduz
O passo sem destino em rumo cego...
Vivendo o que talvez não mais seria
Além desta quimera, o vento guia
Mereceria a sorte; esta inclemente.
Nos bares em que adentro se pressente
Invés de riso e glória, a sintonia
De seres em que a vã melancolia
Tomara quais reféns, completamente.
Agora não pressinto outro caminho,
Seguindo acompanhado e até sozinho
Num átimo mergulho no meu ego.
E quando imaginara alguma luz,
Percebo que ao vazio se conduz
O passo sem destino em rumo cego...
23371
Em noites tão diversas e profanas,
Rolando os meus prazeres entre bares
As sortes muitas vezes desumanas
Até que ao conheceres e notares
Que embora caminhasse por semanas
Nos antros, velhos guetos, lupanares
Enquanto mais distante desenganas
Pudera ter ao menos um motivo
Dizendo deste modo que hoje vivo
Carpindo minhas dores sem destino.
No quanto desejei e me perdi
Volvendo o meu olhar encontro a ti,
E embora isto desdiga, eu me fascino...
Rolando os meus prazeres entre bares
As sortes muitas vezes desumanas
Até que ao conheceres e notares
Que embora caminhasse por semanas
Nos antros, velhos guetos, lupanares
Enquanto mais distante desenganas
Pudera ter ao menos um motivo
Dizendo deste modo que hoje vivo
Carpindo minhas dores sem destino.
No quanto desejei e me perdi
Volvendo o meu olhar encontro a ti,
E embora isto desdiga, eu me fascino...
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