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Tuesday, June 28, 2011

A moça mineira de Drummond
Agora descansando sob a mangueira
Encontra sob o mesmo sonho
A vontade que não viera
O tempo que se perdera
E as novidades da internet,
As amizades distantes
Os olhos ausentes
E o desejo inebriante
De quem ama
O que não sabe
E pensa nos orgasmos que a revista disse,
Explicou, mas que o namorado não consegue aprender.
Está no ponto B, até o G falta um pouco, ou falta a vida inteira.
Sonhando com a tevê a cabo, o temporal desaba,
E sem chapéu nem aba, abaixa-se e corre.
A água escorrendo na blusa fina e o frio arrepiando os mamilos...
Os olhos curiosos do adolescente vizinho não perderiam tal chance.
Do sétimo céu ao capricho, agora nas interações de grupos de relacionamentos,
O sonho persiste igual...
Depois inevitavelmente a vida vem,
E o vizinho adolescente nem reparará nos seios decrépitos
Não mais escondidos pela blusa fina.
Saltando da blusa e esquecidos por todos os olhares.
A vida se repete e se repetindo traz outros atores
E os mesmos personagens.
Com roupagem nova, é claro.
Mas com a mesma essência.
Do parto à partida,
É tudo muito igual.
Apenas mudamos a face, o disfarce, o realce,
Mas somos os mesmos.
A moça é que, infelizmente, não é...
É necessário urgentemente o ser
Invés do estar.
Embora a gente sempre esteja e quase nunca seja.
Estar ou não estar. Eis a questão...
Mas a vida não apresenta soluções além do horizonte que se vê da janela.
Não adianta pensar sobre o que viria
Se o que veio ainda não foi descoberto nem tampouco desvendado,
Apenas visto de soslaio e quando muito.
Nem toda a ciência ou a consciência dita o inabalável.
Muito menos a metafísica, a teologia, a agonia do acreditar e não ver,
A incerteza do ver e não acreditar.
Somos larvas na história da civilização?
Quando virá a liberdade?
Haverá crisálida?
Só sei que a janela está aberta
E o vento esta muito forte.
É mais fácil fechá-la...
Amar e ter
O que não crer
E ver após
Postulando um tempo
Um jeito, um vento batendo mansamente no rosto.
Apresentando ao fim de tudo a conta a ser paga
O juro cobrado,
As juras negadas
E o mesmo perjúrio.
Se eu sou tão espúrio,
Um porto seguro distante não vejo.
Apenas tropeço.
Vendendo em varejo
O quanto aniquilo,
E sei sem vacilo
Bacilos que vagam pelos cantos da casa.
Fâneros quebrados,
Vasos partidos,
Dias negados
Olhos...
Mil olhos através da fechadura
Espreitam amanhãs que não viriam jamais.
Sou efêmero e sei disso,
Sou apenas o resto, e não contesto o que vier,
Apenas sedento beduíno procurando algum alento.
Seria melhor um oásis, mas as fases não são boas...
Um cantil bastaria.
Um sutil anseio
De uma boca sedenta,
Ou nem tanto, apenas disposta.
Crisalidasse o sonho em libertário ocaso.
O prazo passou
O quanto sou desprezo
E represo cada gota que transpiro,
Oceanos e oceanos...
Digamos que salgando o rio
Acendo o pavio e o fim se aproxima.
Fim?
Aclimatado estou e talvez consiga escapar da extinção.
Já não faço somente a mesma cantinela, a mesma ladainha...
As asas incomodam no começo,
Mas depois ajudam.
É difícil andar corretamente o tempo inteiro,
Anárquico sem baque ou hierarquia,
Apenas poesia...
O AMOR


O amor...
Sorrateiramente
Adentra e não pergunta
E quando a gente vai ver
A casa está totalmente tomada.
Invade e nem respeita velhas estruturas,
Velhas paliçadas, antigas formas e futuras quedas...
Amor.
Meu camarada de longas e variadas jornadas vida afora, noite adentro,
E no final das contas, pago as contas e ele se vai...
No quanto quis enquanto pude, e além do sonho ou da mentira,
Da farsa e da conversa, dos bares, aguardentes, motéis e novas estadas...
Assim desmancha e desata,
Derruba e maltrata
Ferindo quem puder,
Quem vier
E quem se foi.
Amor.
Roma e romã.
Romãs dos seios
Veios a Roma,
E os mesmos atalhos, retalhos...
Batalho e no final sempre sou vencido,
Sem esperança qualquer de sobrevida,
A não ser que renasça noutro amor...
E o ciclo reinicia e não tem fim,
Cartomantes, astrólogos,
Nauta do inexplicável avanço vida e retorno mortes.
Mas sempre renasço, faço e desfaço, tento e não reajo,
Ou quase nunca.
Enfrento de peito aberto - é causa das safenas?
Uma delas com certeza...
Amar é torcer pelo Botafogo...
Beber no cálice da esperança o veneno adocicado que depois amarga,
Um vermute, um palpite, sem limite, sem juízo e sem temores.
Nem que dure um só dia vale a flor.
Primavera então, nem se fale...
GIRASSOL E CARROSSEL

Quando a sorte aporte e corte
Imensamente
Mentiras
Em tiras
Que retiras e realces.
Falseias e blefas.
Setas lançadas ao acaso
Neste ocaso da vida que se esvai l e n t a m e n t e...
Mas, súbito, vejo o sonho descarrilado e a locomotiva só.
Tempo passa, vagões jogados pelos trilhos e palmilho sobre o nada.
Até que num salto, num ultimato, o mato e a cordilheira,
A senda distante
Ausente do olhar
Do mar,
No ar.
E o fim refaz a velha viagem pelo mesmo chão
De cascalhos e de espinhos,
De temores, amores e desditas.
Assim se renovam prazos e erros,
Enganos, engodos, todos iguais...
E o lírico bufão
Em escusa dimensão
Aprende tão somente
O mesmo não...

Monday, June 27, 2011

FERIDA EXPOSTA

FERIDA EXPOSTA

O velho trem
O tempo e a trempe
Aonde o fogão à lenha
Levava ao longe o perfume da vida,
Dos sonhos do moleque,
Do pé de moleque
E dos anseios presumíveis,
A caça, a pesca, o peso do estilingue,
O extinto encanto e o vento
Balançando as roupas no varal,
Sombras dançantes,
Nuvens mutantes
E o coração esperançoso...
Mas nada veio,
O trem passou.
Quando cicatrizará?
INFÂNCIA

Não quero acreditar
Nem tampouco o poderia.
Refém dos dias nublados e sem sentido
Passeio nos quintais da infância há tanto desperdiçada
E jogada nalgum canto, nos porões empoeirados.
Há tanto penhorei a vida e não vim buscá-la. Tampouco acreditasse.
A vida não se deu, e o tempo se esgotara,
Atento aos desvios comuns do caminho
Atalhei, retalhei e me expus.
Quasimodo sonhando com o amor...
Risível e estranho, jamais plausível.
O cancro efervescente que mantenho vivo
E guardado, bem guardado, no mesmo porão,
Não deixaria sobrevir sequer uma esperança.
O cravo, a rosa, o medo, o verso e a mesma prosa sem sentido,
O desvalido e esquálido enquanto quisera fúlgido.
E aos poucos metastaticamente a vida traz o fim,
Mas ainda me resta o porão.
VAZIOS

Procuraria apenas o que possa traduzir
Ainda as marcas todas de um passado
Há tanto pelo esgoto derramado
E nada encontraria.
Mas procuro.
O sacrílego momento aonde o vento
Moldasse a farsa inteira e não convenha
Seguir o que pudesse sem a senha
Na sanha onde se ganha mesma face,
Ainda que deveras me embarace
Ou trace novo tempo, eis o fim.
O vértice no vórtice se perde
E o perigeu aponta o caos imenso,
E penso, repenso intenso e vasto céu,
Ausento-me deveras do que fora,
Buscando com prudência o que inda venha
E mostre a face escura da esperança desmedida e ébria.
Volto ao minha origem lusitana e tento Loures,
Volto à Calábria dos meus avós e tento Paola,
Porém o que encontro representa somente a semente
Abandonada em solo pedregoso, semidesértico.
Quisera qualquer tom que inda pudesse
Marcar além da farsa e da ironia,
Calando de vez esta agonia
Que presume novo pileque, nova ressaca e a mesma inconclusão.
As minhas incursões pelos sonhos sempre foram vãs.
Malsãs e mal resolvidas.
Ouço a mesma voz que há tanto traduzira o não sentir,
O não poder e o tentar resistir,
Ao fim de certo tempo o quanto ainda poderia
Trazer algum alento, ou mesmo uma frágil ilusão,
Ecoa na distante faceta que deixei nas bases esquecidas
Dos tantos que entre tantos redundaram em mim.
Vago e multiforme, louco ou incauto.
Queria adormecer e acordar noutro cenário,
Amielinizado e, prazerosamente imerso no vazio da própria existência...

ECLIPSE TOTAL

ECLIPSE TOTAL

Eu e você.
Eclipses totais
Raros e inesquecíveis!

SAUDADE

SAUDADE

A solidão rondando cada quarto
Do velho sobrado abandonado há tanto,
As sombras do que um dia fosse vida
Espalham pelos cantos as mesmas ilusões.
Recordações?
Ações
Lições de piano
E planos esquecidos
Pelos cantos.
Nos becos sem saída da vida
A sorte não repete
Nem compete o que reflete
Dentro da alma encarcerada no velho sobrado.
APENAS O FIM.

Qualquer que seja a força necessária
Aonde o termo
Expressa o ser
Ou não podendo
Adendos trago
Esgote o tema,
E nada tema
Senão a cena
Que a sorte acena
Após o sonho.
Saudade dos dias úteis
Enquanto a morte ainda não viera,
O passo na busca de algum sentido,
Mas tanto quanto a própria expressão delimita
O medo não seria tão comum,
Sou mais um e a multidão somente aumenta.
Não quero nada além de um prazo,
Resgatar os meus enganos
Que sejam ou não levianos.
Leves ou livres
Apenas ilimitados...
Queria tabacarias e não as vejo,
Queria noites brancas e não as tenho,
Queria tantos sonhos. Mas o nada se serve na bandeja
Há tanto enferrujada e imunda, refletindo a minha alma.
A cabeça exposta,
A farsa composta
E a compota do doce de leite
Esqueci em Minas,
Que já não há e nunca mais será.
As velhas tramoias da esperança
Preparam armadilhas, arapucas,
E o sabiá coração não sabia,
Não soubesse e sangraria
Nas tantas expressões das ilusionárias sombras
Do futuro.
O que ou o que não houve; se dane.
A pane toma conta e nem conto mais os mortos.
Apenas sobrevivo e cativo ou não, mergulho no que um dia pensei ser.
Jogado contra os mesmo engodos
E os vários lodos e lamaçais
Que a vida traz e nada esquece,
Ousando na queda descomunal
Neste abismo interminável,
Insondáveis caminhos...
Mas ainda resta um pouco de cachaça na garrafa
E o que tem basta para mais um porre.
De tal forma bebo a vida e não mais me preocupo,
Apenas me ocupo dos preâmbulos que ditam o meu fim...
PAULATINO

Atos e atas
Reatas e voltas
Envolta nas tantas
Promessas
E vês
E tropeças
No quanto desfez
A vida sem nexo
O mesmo processo
Que há tanto temia
O quanto viria
Em festa ou temor.
A vida não me traria novo espaço
Senão este.
O que bebeste
O que cevaste
O que desgaste
O quanto trace
Sem ter contraste
Com um traste: esta esperança.
Não quero o acero
Nem o sincero
Momento em paz,
Tanto fugaz
Ou mesmo rude,
Rudimentar...
Aspectos vários deste prisma-vida
Jogado pelo canto, abandonado como fosse um cubo mágico.
Caleidoscópios diversos em mosaicos sem sentido.
Ousasse me expor desnudo em plena praça,
A farsa e a faca, a face sem disfarce,
Apenas loucuras.
Sem curas ou vontades,
Quixotescamente quis o mundo,
E me inundo agora, que o fim se aproxima,
Das tantas hipocrisias vendidas na esquina.
Vou ao cinema, mato a família, e no fim nada redime.
Reparo cada grota, cada farpa, escalo montes e voo sem asas.
Assisto a derrocada e creio no infinito.
Ou não?
Etéreo quanto a eternidade,
Na idade aonde o nada se responde
E o todo se apresenta em labirinto,
O extinto caminhar, o morto instinto,
E o velho suicídio.
Paulatino...
ESTILHAÇOS

Essencialmente quis a vida,
Atroz ou mansa, além ou mesmo próxima.
Quem sabe?
Acaba o tempo
Os resquícios demarcam os rastros
E deles reparo a turbulenta,
Mas insossa estrada
Marcada pelas curvas e becos,
Pelas quedas e barreiras,
Mas também pelas imensas retas.
Dizer que fui feliz? Nem tanto.
Grifar um ou outro acontecimento,
Cimentos e mentiras,
Tiras e reparos,
Amparos e tropeços
Recomeços e tropéis
Troféus?
Nenhum...
Apenas a sobrevivência
Após o sonho,
O mergulho,
Espinho e pedregulho.
Entulho? Nem tanto.
ESTILHAÇO.

A DOLOROSA LIBERDADE

A DOLOROSA LIBERDADE

As tramas entrelaçam
Passam e me levam,
Relevam erros
Desterros
E me enterro nos teus braços.
Lassos braços cansada vida.
Não tenho saída
Embora pudesse
Nutrir o vazio
Com sonhos sem nexo,
O sexo, o conselho,
Espelho renega
A vida relega
E o quanto delega
Esquece o futuro
Que jamais houvesse.
Acendo o cigarro,
O câncer ou loucura?
Difícil escolha...
Melhor a aguardente?
O bar, a verdade embaçada,
E o nada que se refaz de um mesmo nada original.
Reverso da moeda, queda, rede e fim.
Aflito, conflito comigo mesmo e perco. Invariavelmente.
Lembranças de crimes e castigos.
Родион Романович Раскольников revela-se vivo,
E a fonte dos desejos abandonada nas ânsias de um novo dia.
Pudesse ser diverso? Nem mesmo sei.
Amei e reamei, amarras, cordoalhas, algemas...
No fim a dolorosa liberdade.
O QUE SERÁ DE MIM?

Sentado nesta mesma noite envolta pelo medo da manhã
O cadafalso
O falso passo
A cada momento
Arcádias volvendo
Cárdia e coragem
Agem e realçam
A queda.
O prazo veda
O tempo seda e nada encontro.
Ponto a ponto
Aponto o fim
Tomo mais um gole
Um traçado
Traçando amanhãs
Malsãs e diversas.
Expresso o fim
E sei do começo
O tombo, o apreço.
E quando mais,
Apareço.
Venço e realço
Passo a passo
Descompasso e não alcanço
E encontro o mesmo ranço
Avanço e não me perdoo
Os tempos rotos, os dias mortos,
E os portos esquecidos.
Assisto ao fim da caminhada
E nova derrocada expressa o quanto resta,
Funesta noite,
Vagando em nós.
Já não concebo o quanto pude
E se, rude, sobrevivo,
Nada mais que lenitivo,
De outra volta não escapo,
Escarpas, farpas e medos.
Medonhamente a face exprime
O crime o “time”, o non sense fatal.
O bar a moça, bijuterias,
E quando rias entre os caninos
A fúria expressando o ataque.
Sei que vivi
E talvez isso me conforme,
Disforme ser
Envelhecer
E envilecer,
O que será de mim, meu Deus?

Sunday, June 26, 2011

Num átimo
Um único momento
Eu tento e o vento
Espraiando esta esperança
Lança além a boia e sem saída
Apenas vislumbro cada vez mais distante a costa.
A infância, o remanso, o prazo findado,
O passo arredio e o rio.
Imenso rio que infante vencera num salto,
Cheio de jacarés e de armadilhas
Nas ilhas onde fui Tom Sawyer
Onde fui herói e ninguém soube.
Espadas e fúria,
Apaches e lutas
A vida parecia mais fácil
E a vitória era quase sempre garantida.
O mundo cabia no quintal entre roupas e varal,
Entre broas e café, refrescos e entardecer,
Enternece a noite e o que não vinha e temia
Passeia pela casa e pela vida.
Sobras de sonhos aliviam assombrações que são invencíveis.
O fim do jogo, o troco na hora e o corte profundo.
Assim gira o mundo e quando me inundo, não sei mais nadar.
Nem atravesso o rio imenso num salto,
Ressaltos e quedas
Estradas e atalhos,
Falhas e enganos...
O menino cresceu
Ou o mundo mudou?
Do céu aberto
Deserto o sonho e vejo apenas
O que o tempo rege,
Herege tempo, frágil solução...
Os olhos procuram sóis
Em giros sem descanso.
Avança e lança ao não,
A sôfrega expressão
Ação que caçoa,
Arpoa e
Neva.
Nos meus dias mais felizes
Os meus sins diversos,
Versos sem sentido
Velhas cicatrizes
Em atrizes paixões
Gerando cançonetas
E sonetos.
Mistos de carinho com angústia
E medo,
E arremedo,
Comedidamente
A mente em tal comédia
Enreda seus erros contumazes,
Conturbando a turba que toma o pensamento.
E invento algum cenário
Nos tantos palcos que ilusão descreve;
A brevidade de um momento em paz.
Jazendo o peito audaciosamente morto
No amor que não houvera ou simplesmente espera o fim da festa.
E o céu abrindo os véus desta torpe esperança agrisalhada.
Minhas cãs, meus afãs sem manhãs, amanhãs.
Apenas revivendo cada gota desta aguardente chamada amor.
Ébrio?
Nem tanto,
Apenas tonto neste carrossel,
Imenso turbilhão
Entre enredos e quedas,
Entre sonhos e pavores,
Olores e tormentas,
Rancores ou alentos,
Momentos...
Pudesse prosseguir em tom mais suave, mais sensível... Plausível?
Da estação vejo ao longe o trem,
O tempo, a sorte, e esta avidez de vida apenas consumida.
Vazios entre cortes,
Quelóides na alma,
E o preço a se pagar...
Plagas que não conheço ou meço, mereço...
Endereços vários
Ritos tais
Quais
Fossem o mesmo caminho
Estrada para o céu
Escadas para o abismo,
E o salto do funâmbulo
Sem corda...
Acordo e nada vejo
Somente o mesmo céu
E o vazio deste horizonte...
Te Adoro!


Enquanto contemplava o mar e o sol,
Pensava em você, em nós dois, em quantas
Deli_cio_sas loucuras, em versos, já vivemos...
Nesse instante uma brisa leve me trouxe
Uma envolvente sensação de sentir sem estar e
Borboletas dentro de mim começaram a dançar
Fazendo emergir letrinhas das mais bailarinas e sapecas!
Mas não consigo transformar em versos
Porque quando elas não cabem em mim,
Transbordam emudecendo-me;
Ainda bem que nossa cumplicidade lhe permite
Sentir e saber o indizível.
Posso lhe assegurar que mais uma vez e sempre,
Trago o doce e urgente desejo de querer estar contigo,
Do melhor jeitinho que sei ser:
Junto&Misturado...
Então, vem aninhar-te no aconchego do meu abraço,
Quero envolver-te como um belo e enternecedor laço,
Como o sol quando se deita, languidamente,
Sobre o mar e a tarde envolvida e apaixonada
Faz-se noite acendendo o espaço...

(NinaFlor)

O amor que se anoitece e traz a lua na alma,
Brilhando sobre as ruas vazias da esperança e renovando-as,
Revigorando o quanto se perdera em meio à própria treva,
Da vida sem ceva, da dor tão longeva e me atrevo a sonhar...
Lembranças que reativam os sonhos e reerguem o velho abandonado,
Olhando os arranha-céus, revejo-te e da sarjeta aprendo a voar,
Vagar pelo infinito entre as estrelas...
E ao te ver,
Astro dominante, deidade incomparável,
Perfaço o meu caminho, satelitizado e imantado pela sílfide.
E volto a acreditar que existo,
Insisto e tento as asas,
Mesmo que o sol as derreta,
Valerá a pena tentar te alcançar...

Saturday, June 25, 2011

Inverto o sonho e volto
Ao verso e invento
O vento que me leve em breve
Ao que se ceve
Na esperança vasta
Na sorte esparsa
No passar do tempo.
Alio ao que pude
O rude
O templo
O centro
E a solidão.
Esvaio neste éter
E cambiando em forma
Me torno palavra
Larva, crisalidando em busca do liberto voo.
Mas preso ao solo
Ícaro retorno
E mato o que restara
Da cera atada ao pensamento.
Penedias, rapinas,
Prometeste o tanto que, no entanto, negas.
Num cálice o cale-se da expressão vazia
Do quanto havia e não seria além do nada,
Onomatopaicamente descreves o fim
E o boom reveste
Este final de tarde
Sem sol
Sem luz
Sem sombra
Sem brumas
Sem horizonte
Sem noite,
Sem fonte
Sem ponte
Que me leve
Ou me trague de volta.
Na escolta da foice.
Foi-se o tempo
O templo que contemplo.
Contratempo?
Não. Somente fim de jogo...
Transcrevo o quanto sinto?
Nem sempre
A vida traça por si só
Caminhos e veredas,
Portos, morte
Mas no final tudo dá certo,
Aberto, exposto
Conta-gotas
Contragosto,
Outro agosto
Ou tanto faz.
Nas expressões ações
Expões e recompões,
Mas assino embaixo
E o contrabaixo
Executando a gravidade
Do sonho
Do quanto entoo
E bebo sem sentir
O quanto escrevo
E mesmo devo
Além da trama
Do todo em ocasos
Prazos ou silenciosamente
Tracionados pelo vago de um anseio
Sem sentido.
Vernáculos? Tentáculos
Oráculos e miraculosamente
A mente roga e gira e ramifica
Em presas, traças.
Destroças em troças a falida imagem
Da fuligem da alma exposta,
Recomposta?
Nem sempre.
Apenas um instantâneo
De um momento aonde o bonde
Foi e o mineiro ficou.
Ousando em mil tons
Em rosas, ainda que tardiamente.
Ponteio a viola que importei de Catulo
Vendo a mesma lua,
A mesma face
Deslambida e crua
Da cidadezinha que está na parede
No teto e principalmente, na minha alma...