A sorte, tantas vezes belicosa
Medonhas emoções afloram, vencem
E enquanto os versos tolos não convencem
Jardim perdendo flores, mata a rosa.
Perpetuando a dor que se produz
Na vaga sensação de um gozo ameno,
O quanto te desejo concateno
E o medo noutro medo reproduz.
Assim caminho às voltas com engodos,
Estranhamente passo pelas ruas
Tu nem reparas; cega, continuas
E eu volto aos meus antigos, torpes lodos.
E faço da esperança um lamaçal,
Quem dera algum sorriso, triunfal...
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Friday, January 22, 2010
23286
Pudesse; solitário crer na luz
Que embora sendo dia já se esconde;
Nublando o coração nem sei por onde
Exista uma esperança; ao fim conduz
O verso que pensara solução
Angustiadamente a vida passa,
E o tempo sem remédio, uma fumaça
Dizendo sempre o mesmo tédio e o não.
Arrimos desabando, meus castelos,
As sendas mais floridas; nem mais vejo
E quanto mais me entrego ao vão desejo
A vida sonegando os meus rastelos.
Expresso em cada verso o medo e o frio,
E o peito sendo exposto, eu esvazio.
Que embora sendo dia já se esconde;
Nublando o coração nem sei por onde
Exista uma esperança; ao fim conduz
O verso que pensara solução
Angustiadamente a vida passa,
E o tempo sem remédio, uma fumaça
Dizendo sempre o mesmo tédio e o não.
Arrimos desabando, meus castelos,
As sendas mais floridas; nem mais vejo
E quanto mais me entrego ao vão desejo
A vida sonegando os meus rastelos.
Expresso em cada verso o medo e o frio,
E o peito sendo exposto, eu esvazio.
23282
Numa epopéia um mundo mais heróico
Aonde poderia ter a glória
Mudando o rumo podre desta história
Pudesse ser ao menos mais estóico.
Nos pórticos da sorte me perdi,
Deixando para trás o que talvez
Um dia em esperança inda se fez,
Morrendo sem chegar enfim aqui.
Navego entre procelas, vendavais.
E sei que quanto mais luto, padeço,
A cada novo passo outro tropeço
Os dias são deveras tão normais.
Apenas ilusões inda cultivo,
Por elas tão somente eu sobrevivo...
Aonde poderia ter a glória
Mudando o rumo podre desta história
Pudesse ser ao menos mais estóico.
Nos pórticos da sorte me perdi,
Deixando para trás o que talvez
Um dia em esperança inda se fez,
Morrendo sem chegar enfim aqui.
Navego entre procelas, vendavais.
E sei que quanto mais luto, padeço,
A cada novo passo outro tropeço
Os dias são deveras tão normais.
Apenas ilusões inda cultivo,
Por elas tão somente eu sobrevivo...
23281
Ao Pai eu agradeço o raro dom
De transformar em músicas palavras,
Usando com fineza raras lavras
Colhendo maravilhas neste tom.
Alvissareiro mundo que penetro
Dos versos traço os sons da liberdade,
E bebo como um louco a claridade
Da poesia, eu sei qual o seu cetro.
E quando me permito desfilar
Estrelas entre trevas, trago a luz,
E ao templo, a poesia me conduz,
Pegando este caminho que é o luar.
O amor num raro manto em que se fez,
Tradicional soneto, ou mesmo inglês...
De transformar em músicas palavras,
Usando com fineza raras lavras
Colhendo maravilhas neste tom.
Alvissareiro mundo que penetro
Dos versos traço os sons da liberdade,
E bebo como um louco a claridade
Da poesia, eu sei qual o seu cetro.
E quando me permito desfilar
Estrelas entre trevas, trago a luz,
E ao templo, a poesia me conduz,
Pegando este caminho que é o luar.
O amor num raro manto em que se fez,
Tradicional soneto, ou mesmo inglês...
23279
Obedecendo às regras, normas, leis
Escrevo este soneto em simples versos,
Vagando no teu corpo os universos
Bebendo em tua pele doces greis.
Erguendo um belo brinde em raros vinhos,
Anseio teus caminhos junto aos meus,
Jamais suportaria algum adeus,
Meus dias; não pretendo mais sozinhos.
As armas que encontrei para as batalhas
E lutas pelos sonhos que traçamos,
Dizendo que em verdade nos amamos,
Enquanto as dores tolas; já retalhas.
Falando com ternura da paixão
Que envolve-nos, apreendo o coração...
Escrevo este soneto em simples versos,
Vagando no teu corpo os universos
Bebendo em tua pele doces greis.
Erguendo um belo brinde em raros vinhos,
Anseio teus caminhos junto aos meus,
Jamais suportaria algum adeus,
Meus dias; não pretendo mais sozinhos.
As armas que encontrei para as batalhas
E lutas pelos sonhos que traçamos,
Dizendo que em verdade nos amamos,
Enquanto as dores tolas; já retalhas.
Falando com ternura da paixão
Que envolve-nos, apreendo o coração...
23275
Apego-me aos fantasmas do que fomos,
E teimo nesta luta que bem sei
Não tendo nem sequer regras ou lei
Demonstra no momento o que hoje somos.
Deveras aprendendo a cada tombo,
Revejo os meus defeitos e mentiras,
Até que expondo o peito em finas tiras
Vergasta lava em sangue, na alma um rombo.
E o bêbado persegue estas pegadas
Deixadas nos caminhos, toscos rastros,
A vida sonegando então meus lastros,
A sorte há tanto tempo em vãs guinadas
Percorre o mesmo não por onde vim,
Matando o que restara do jardim...
E teimo nesta luta que bem sei
Não tendo nem sequer regras ou lei
Demonstra no momento o que hoje somos.
Deveras aprendendo a cada tombo,
Revejo os meus defeitos e mentiras,
Até que expondo o peito em finas tiras
Vergasta lava em sangue, na alma um rombo.
E o bêbado persegue estas pegadas
Deixadas nos caminhos, toscos rastros,
A vida sonegando então meus lastros,
A sorte há tanto tempo em vãs guinadas
Percorre o mesmo não por onde vim,
Matando o que restara do jardim...
23251
Meu verso procurando algum sustento
Entre substâncias várias, ar e fogo
Perpetuando a dor; etéreo jogo
Por vezes inda teimo e mesmo tento.
Aspiro ao mais diverso caminhar
Das armadilhas tantas; se eu me enfado
O corpo pelo menos resguardado
A morte dominando devagar.
Aspectos tão prosaicos de um poeta
Mosaicos que ora crio em forma arcaica
A minha poesia se faz laica
E crê neste abandono e se completa,
Mas sabe que a verdade já desgasta
Deixando como herança esta vergasta...
Entre substâncias várias, ar e fogo
Perpetuando a dor; etéreo jogo
Por vezes inda teimo e mesmo tento.
Aspiro ao mais diverso caminhar
Das armadilhas tantas; se eu me enfado
O corpo pelo menos resguardado
A morte dominando devagar.
Aspectos tão prosaicos de um poeta
Mosaicos que ora crio em forma arcaica
A minha poesia se faz laica
E crê neste abandono e se completa,
Mas sabe que a verdade já desgasta
Deixando como herança esta vergasta...
23250
Cósmicos delírios, astros lúdicos
Bebendo a tempestade; solto ao ar
Imenso fogaréu, vento solar
Momentos de desejos, fogos lúbricos
Arcando com as hostes dos anseios
Vasculho tais fronteiras e não vejo
Limites que soneguem meu desejo
E toco com meus lábios, lábios, seios.
Numa expressão de mágica loucura
Os corpos incendeiam-se deveras,
Expondo-se às vontades, cios, feras
A noite determina esta procura
Que envolta em maravilhas se perfaz
E um gozo insuperável dita a paz...
Bebendo a tempestade; solto ao ar
Imenso fogaréu, vento solar
Momentos de desejos, fogos lúbricos
Arcando com as hostes dos anseios
Vasculho tais fronteiras e não vejo
Limites que soneguem meu desejo
E toco com meus lábios, lábios, seios.
Numa expressão de mágica loucura
Os corpos incendeiam-se deveras,
Expondo-se às vontades, cios, feras
A noite determina esta procura
Que envolta em maravilhas se perfaz
E um gozo insuperável dita a paz...
23244
Vivendo de um recôndito passado
Alçando velhos ares, roupas rotas
Bebendo deste bálsamo tais gotas
Ao léu meu verso teima em alto brado.
Alcanço apenas trevas solitárias
O tumular poema que demonstro
Remete a quase inerme e torpe monstro
Amortalhadas sendas temerárias.
Pudesse respirar míticos ares
Ainda assim teria sido inútil.
O sonho se denota sendo fútil
Enquanto as vestes simples e vulgares
Estampam a verdade que não vejo,
Apego-me ao já morto e vão desejo...
Alçando velhos ares, roupas rotas
Bebendo deste bálsamo tais gotas
Ao léu meu verso teima em alto brado.
Alcanço apenas trevas solitárias
O tumular poema que demonstro
Remete a quase inerme e torpe monstro
Amortalhadas sendas temerárias.
Pudesse respirar míticos ares
Ainda assim teria sido inútil.
O sonho se denota sendo fútil
Enquanto as vestes simples e vulgares
Estampam a verdade que não vejo,
Apego-me ao já morto e vão desejo...
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