Telúricos caminhos, primavera
Expressam alegrias que não trago,
E quando vejo enfim tamanho estrago
A vida em novo tempo não se gera.
Enquanto a realidade degenera
Queria desta fera algum afago,
E mesmo a placidez do antigo lago
Viver em plenitude: quem me dera!
Acasos não são fases, frases soltas
As ondas que encontrei sempre revoltas
Denotam as marés que enfrento agora.
A morte se aproxima paulatina
Assim como inebria e me fascina
Eu sei que este momento não demora...
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Friday, January 22, 2010
23244
Vivendo de um recôndito passado
Alçando velhos ares, roupas rotas
Bebendo deste bálsamo tais gotas
Ao léu meu verso teima em alto brado.
Alcanço apenas trevas solitárias
O tumular poema que demonstro
Remete a quase inerme e torpe monstro
Amortalhadas sendas temerárias.
Pudesse respirar míticos ares
Ainda assim teria sido inútil.
O sonho se denota sendo fútil
Enquanto as vestes simples e vulgares
Estampam a verdade que não vejo,
Apego-me ao já morto e vão desejo...
Alçando velhos ares, roupas rotas
Bebendo deste bálsamo tais gotas
Ao léu meu verso teima em alto brado.
Alcanço apenas trevas solitárias
O tumular poema que demonstro
Remete a quase inerme e torpe monstro
Amortalhadas sendas temerárias.
Pudesse respirar míticos ares
Ainda assim teria sido inútil.
O sonho se denota sendo fútil
Enquanto as vestes simples e vulgares
Estampam a verdade que não vejo,
Apego-me ao já morto e vão desejo...
23243
A cosmopolitana poesia
É feita em farsas simples, toscamente;
Remetendo ao vazio tolamente
Qual fora praga atroz já se procria
E enquanto o Velho Olimpo se esvazia
Ocaso destruindo cada mente
Quando a morte desta arte se pressente
Nos olhos dos beócios a alegria.
Mortalha que inda teima em algum brilho,
Não vejo em meu ocaso alguma luz
O tosco quando em tosco reproduz
Diverso do caminho que ora trilho
Não deixa que se veja no futuro
Além de um tempo amargo, tolo e escuro...
É feita em farsas simples, toscamente;
Remetendo ao vazio tolamente
Qual fora praga atroz já se procria
E enquanto o Velho Olimpo se esvazia
Ocaso destruindo cada mente
Quando a morte desta arte se pressente
Nos olhos dos beócios a alegria.
Mortalha que inda teima em algum brilho,
Não vejo em meu ocaso alguma luz
O tosco quando em tosco reproduz
Diverso do caminho que ora trilho
Não deixa que se veja no futuro
Além de um tempo amargo, tolo e escuro...
23241
Somente um espectro tosco, vão, sombrio
Durante alguns momentos, quis a vida
Em meio às vagas trevas ressurgida;
Comédia que entre tantas propicio.
Não pude suportar tal desafio
Imagem do passado já perdida
A voz em teimosia não ouvida
A morte num instante; prenuncio.
E vejo se perdendo pouco a pouco
O que pudesse haver de uma esperança
Tentara pelo menos temperança,
E rondo os meus fantasmas feito um louco
As larvas adentrando esta epiderme,
Cadáver resumido em cada verme...
Durante alguns momentos, quis a vida
Em meio às vagas trevas ressurgida;
Comédia que entre tantas propicio.
Não pude suportar tal desafio
Imagem do passado já perdida
A voz em teimosia não ouvida
A morte num instante; prenuncio.
E vejo se perdendo pouco a pouco
O que pudesse haver de uma esperança
Tentara pelo menos temperança,
E rondo os meus fantasmas feito um louco
As larvas adentrando esta epiderme,
Cadáver resumido em cada verme...
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