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Wednesday, November 22, 2006

Amor que me transcende sem queixume

Amor que me transcende sem queixume
Buscando em qualquer flor, o seu perfume.
É vaso que transpira uma esperança.

Abraça, carinhoso, minha musa.
É minha melodia mais difusa,
É doce que carrego na lembrança!

Um passageiro busca, de viagem,
Viver felicidade, bela imagem.
Retrata tantos brilhos de criança!

Jamais a solidão será seu fardo,
Em seu caminho, nunca mais um cardo.
A dor, em sua vida não alcança.

Um som que ao longe escuto, cantoria.
É pleno de verdade e fantasia.
Convida-me feliz à nova dança!

Brincando de poeta solto um verso,
Que sempre te procura no universo.
Será que encontrará em plena França?

Um lírico desejo, ser feliz...
Em toda minha vida, sempre quis...
Não temo sofrimento nem vingança!

A moça dos meus sonhos me renova.
É brilho nos meus olhos, nova trova.
É pacto divinal, linda aliança...

Teus olhos desfilando na cidade,
São lumes que me trazem claridade.
Trazendo a toda gente essa bonança!

Meu verso renitente, nunca pára.
A dor não se avizinha, já se apara.
Amor e alegria na balança...

Não tenho nem terei, na vida, medo.
Conheço seus caminhos, seu segredo.
A vida corre plena, na abastança.

A vida passageira sem ter pressa,
Amor venha correndo aqui, depressa.
Senão a poesia já se cansa!

Espreitas meu cadáver, disso sei.

Espreitas meu cadáver, disso sei.
Necrófagos mistérios deste amor!
Envolta na promessa, novo alvor;
A morte dolorosa, tua lei,

Na lívida figura me encontrei,
Sem gosto perfumado, morre a flor,
Os olhos que demonstras, de torpor,
No pavor que traduzem, mergulhei!

As larvas generosas companheiras,
Na temperança, amantes mais fiéis.
Nos lábios destas bocas derradeiras,

Um beijo mais soturno e demorado,
Do látego, o castigo, sina e fado.
Na abelha que me pica, doces méis...

O meu afrodisíaco perfeito...

O meu afrodisíaco perfeito...
Deitada se esmiúça em desafio.
É fera que amedronta, em pleno cio,
Proclama-se senhora do meu leito.

Sem hora chega, vê-se no direito
De vasculhar meu mundo fio a fio.
É vela que devora o meu pavio,
É rasto que me leva e rasga o peito!

Na lúbrica ternura, tantas unhas...
As garras incrustadas entram fundo.
Amor que tanto quis, sem testemunhas;

Nos jogos sedutores, entrelaces...
Nas ânsias me devoras, perco o mundo,
Nos nossos loucos gozos, tantas faces...

Janaina

Janaina Rainha do mar

O mar, tempestuosa divindade
Habita essas entranhas colossais
Distante de qualquer u’a claridade,
Nestes abismos, seres abissais...

Redescubro, enfim, toda a mocidade,
Na busca dos amores que jamais
Encontrei, puros, livres de verdade,
Sem temer tempestades, ondas, cais...

Vagando pelos astros nada tive,
As estrelas disfarçam sentimentos..
Mergulho por gigante mar, declive...

As águas, todo o mar já me domina,
Penetro nas entranhas, rasgo os ventos,
Em busca da Rainha Janaina!

Jaqueline!

Jacqueline: Aquela que supera

Tantas dores a vida nos promete
São montanhas diversas, ventanias...
Ao passado, a tristeza me remete
Fazendo transtornar as melodias

Da festa, serpentina com confete
Nos meus ultrapassados carnavais.
O tempo que se foi não mais repete,
A alegria vivemos, nunca mais!

Das dores que acumulo pela vida,
A ausência desta luz que já morreu,
Da minha mocidade, despedida...

Não há mais sequer lua que ilumine
O meu céu sem estrelas, puro breu,
No brilho dos meus olhos, Jaqueline!

Jacinta

Jacinta: Nome de uma pedra preciosa

Deus me fez tão feliz por conhecer
A beleza estampada neste astral,
Toda a força do lume sideral
Encontro em fatal brilho de prazer.

No mundo, simplesmente quero ter
De todo esse universo, num aval,
Fortaleza que invade todo o ser
Fazendo meu viver sensacional.

Quero o gosto das fontes maviosas,
Quero essa sutileza que domina;
As noites de prazer, voluptuosas.

As cores do infinito que Deus pinta
Com o brilho dos olhos da menina
Que achei; eternidade. Amo Jacinta!

salmo 17

Atenda ao meu clamor, ó meu Senhor!
Ouça a minha oração, pois não engano.
Tua sentença aguardo pois é justa.
Pois pode procurar iniqüidade
E transgressão que nunca encontrará!
Os meus passos se apegam as veredas
Tuas, como também minhas pegadas.
Clamo-te meu Senhor, por isso me ouça!
Tuas beneficências, Salvador,
Aos que se refugiam ao teu lado,
Tem feito maravilhas meu Senhor.
Me esconda na sombra das asas
Tuas contra inimigos que me cercam.
Fecham seus corações e são soberbos.
Andam rondando os passos e me miram
Prontos a me atirarem sobre a terra.
Tal qual leão que quer matar a presa
Com leãozinho pronto de tocaia.
Derrube-os Senhor, me livre de ímpios
Por tua mão Senhor de homens do mundo.
Nosso maior quinhão está aqui.
A ira entesourada de meu Pai
Lhes encherá o ventre. Fartarão
Dela os filhos, as sobras por herança.
Minha satisfação na semelhança
Que encontrarei quando acordar em Ti...

Salmo 16

Em ti, Ó meu Senhor, me refugio!
Tu és o meu Senhor, único bem!
Aquele que escolher um outro Deus
Terá multiplicadas suas dores.
Não tomarei seus nomes em meus lábios
E nem me lembrarei ao sacrifício.
És a porção da herança, meu quinhão;
Tu és o sustentáculo, meu cálice.
Sortes que me caíram em lugares
Deliciosos, a formosa herança!
Bendigo esse Senhor que me aconselha.
Está sempre diante do meu ser,
É minha mão direita, não me abalo!
Meu coração alegra e a minha alma
Se regozija sempre, estou seguro.
Não deixarás minha alma ao relento,
Nem me permitirás a corrupção
Nem que teu Santo possa vê-la. Nunca!
A vereda da vida mostrarás!
Pois na tua presença, a plenitude
Da alegria, delícias são perpétuas!

Salmo 15

Na tenda do Senhor, quem morará?
E quem habitará teu santo monte?
Quem pratica a justiça e é verdadeiro,
Seja irrepreensível nos seus atos!
Aquele que jamais usa de infâmia
Nem faz o mal ao próximo, nem afronta.
Quem desprezar o réprobo também,
Quem honrar os tementes ao Senhor!
Mesmo que seja contra si não muda
Na jura que fizer. Que não usura
E não recebe peitas contra o puro.
Nunca terá abalos, sendo assim.

Salmo 13

Ó meu Pai! Até quando esconderás
De mim teu santo rosto. Esquecerás
De mim eternamente meu Senhor?
Até quando minha alma se encherá
De cuidados; tristezas cada dia.
Até quando o inimigo sobre mim
Se exaltará? Pergunto-te meu Pai.
Alumia os meus olhos, que eu não morra,
Para não permitir ao inimigo
O grande regozijo da vitória!
Tua benignidade não permite
Que tal coisa aconteça és salvação.
Cantarei ao Senhor todo esse bem
Que a mim, meu Grande Pai tem dedicado!

Salmo 14

O coração do néscio nega Deus.
Abomináveis homens corrompidos,
Em suas obras, não fazem o bem.
Para os filhos dos homens, Deus olhou
Procurando entre tantos quem O buscasse,
Todos se desviaram, são imundos!
Acaso não percebem? São iníquos !
Devoram o meu povo e negam Deus!
Terão grande pavor pois Deus é justo!
Nunca conseguirão frustrar, dos pobres,
O conselho, pois Deus é seu refúgio.
Que de Sião viesse a salvação
Quando o nosso Senhor, enfim, voltar!

Salmo 12

Nos salve, Meu Senhor não há piedoso
Dentre os filhos dos homens, infiéis!

A falsidade impera e a lisonja.
Corte Senhor os lábios lisonjeiros
E as línguas que estão plenas de soberba!
Acreditam,pois, serem seus senhores!
Por causa opressão aos miseráveis
E do gemido atroz dos que preciso,
O Senhor se levanta e os protege.
Suas palavras puras como a prata
Refinada em fornalha que é de barro
Também purificada sete vezes!

Salmo 11

No meu Senhor, em toda plenitude,
Confio cegamente, por completo...
Eu não irei fugir para este monte
Como se fosse um pássaro inseguro!

Os ímpios armam arco, põem a flecha
E tentam atirar nos homens bons
Às ocultas, tocaias, escondidos...

Mas, se os fundamentos destruir
O quê que poderá fazer o justo?

O Senhor permanece no seu templo
Santo, pois o seu trono está nos céus,
Os seus olhos contemplam lá de cima,
Todos os filhos do homem, provação.

O Senhor prova tanto o que for justo
Como aquele que for ímpio, em pecado...

A alma divina odeia o violento.

Enxofre, fogaréu irá chover
Sobre os ímpios. No copo, um vento forte
Terrível vento, forte e abrasador!

Ivone...

Ivone


Não quero a solidão como parceira;
É águia desdenhosa que se ri
Do sofrimento amargo, vida inteira,
Que longe dos teus braços, eu vivi...

Na embriaguez dos sonhos, a videira.
Meu mundo sem sentido estava ali
Deitado, em vão, com outra companheira
Achando; me encontrava, e me perdi...

Não quero a solidão nem a saudade!
Preciso urgentemente te encontrar!
Viver sem ter amor como?Quem há-de?

Não posso suportar este ciclone,
Solidão, que jamais quer me deixar.
Ser feliz? Só contigo, amor Ivone...

(Retorne, se não der, mande teu clone!)

Isaura

Isaura: Igual aos outros


És minha áurea manhã, vivo teu brilho.
Respiro enfim teus ares, sou feliz!
A dor, durante tempos, estribilho,
Distante dos sonhos já não diz.

Escassas provisões , perdido o trilho,
O rumo das estrelas sempre quis.
Ao deus do amor sincero já me humilho:
Não deixe retornar um céu tão gris!

Tens a beleza rara de quem ama.
Tens a fortuna imensa na bela aura!
Da vida que persigo, fogo e chama.

Perdido sem teu olhos, vago o mundo.
Perdoe se te canto assim Isaura,
É que de amor, enfim, meu mundo inundo!

Isabel: Deus é a minha aliança

Isabel: Deus é a minha aliança
Isabela: Deus é a minha aliança

Isabela, bela Isis, minha luz!
Abelha-mel que adoça e que maltrata.
No mel desta colméia se produz
Enigma que me educa enquanto mata.

Desejo de deslumbre, de alcaçuz.
Na picada feroz amor retrata,
Carinho de guerreira, de um obus...
No verso que lhe faço, me destrata...

Beijando e me mordendo sem pudores
Amante desejada, quero o mel!
Vasculha por destinos, fossem flores...

É manto que me caça e que me alcança.
Amor tão mavioso de Isabel,
Pacto que fiz com Deus, nossa aliança...

Íris

Íris: Anunciar

Velhas embarcações, mar tenebroso...
Os ventos e tufões, as tempestades.
Um coração vazio e andrajoso
Esmola pelas ruas das cidades...

Deseja desfrutar de todo gozo
Prometido nos sonhos. Liberdades
Seus desejos. Porém, é perigoso
Amar, trará os ventos das saudades...

Um sonho acalentado nunca morre.
O mundo é tão pequeno pr’a quem sonha
Loucura apaixonante deste porre.

O brilho se reflete n’olhos, íris...
A dor de não amar já me envergonha...
Espero alucinado um sinal: Íris!

Irene

Irene: Pacífica

Quantas vezes na guerra e na saudade,
Trincheiras diferentes ocupamos.
As armas mais diversas que enfrentamos
Jamais nos esconderam claridade...

Palavras mal usadas, na verdade,
São armas que no fim, sempre que usamos,
Ferem-nos, nos maltratam e nos cortamos...
Depois de tantas lutas, liberdade!

Mas, como viciado não resiste
À distância daquilo que vicia,
A noite que retorna encontra triste

Amor que se transforma, mas perene...
Depois de tanta guerra, novo dia,
Procuro me aninhar, teu colo, Irene...

Iraci

Iraci: Mãe do mel


Doçura de teus lábios, minha amada!
Promessas de luares sobre a terra.
Tantas vezes sonhei, não deu em nada,
A vida prometeu a paz na guerra.

Amor que traz carinho, também ferra;
Amor que traz aurora e madrugada
Desmaia no luar detrás da serra,
A mão que acaricia anda cansada...

Não quero o sofrimento que vivi
Na ausência da mulher que cedo quis...
A verdade da vida estava em ti.

Ao mesmo tempo inteira e por um triz,
Me trazes tanta mágoa e sou feliz.
No doce de teus beijos, Iraci...

Iracema

Iracema: Anagrama de América


Amor tão delicado nunca vi...
Andávamos felizes, flutuando.
O melhor desta vida estava aqui!
Consigo ser feliz, somente amando...

Mas, tantas tempestades, me perdi.
Com todo esse meu mundo desabando,
Os olhos lacrimejo, só por ti!
As dores retornaram, cruel bando...

Amor é sentimento tão fugaz!
Ao mesmo tempo livre, está cativo.
Se temos ou não temos, cadê paz?

Amar é simplesmente um velho tema
Que por ele remoço, sonho e vivo...
Procuro por teus olhos, Iracema!