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Monday, December 6, 2010

A FORÇA DA AMIZADE
E, sem colher, da vida, os bens supremos
E sem provar do vinho da amizade,
Esmagamos os sonhos que tivemos,
No alvorecer de nossa mocidade...

Que mostra minha amiga quantos cardos
Espinhos e torturas, duras cruzes,
Carrego em minha vida tantos fardos,
Caminhos tão difíceis, várias urzes...
Mas sinto que talvez uma esperança
Aponte nesta curva mais fechada,
Deixando vir à tona uma lembrança
De todas essas horas vãs, passadas...

Porém, nesta existência singular,
Pelos caminhos vou, plantando flores,
No incansável mister de versejar...
E posso ver nos versos, que são tantos,
Ir diluindo os muitos desencantos
De vidas que só provam dissabores...

Marcos Coutinho Loures e Marcos Loures

A FORÇA DA AMIZADE


O dia se mostrando luminoso
Pra quem concebe ter amor urgente,
Um sonho que se mostra glorioso
Tomando o coração, invade a gente.
Na força da amizade, em pleno gozo,
No bem que a se mostrar nos oriente
A um mundo mais feliz em paz constante,
Mostrando o melhor rumo a cada instante...
Publicado em: 05/01/2008 08:34:15


A FORÇA DA AMIZADE

Uma amizade imensa e verdadeira
Garante nossas metas já cumpridas,
Trazendo em nossa vida esta bandeira
Sabemos destas tramas bem tecidas
Palavra de amizade alvissareira
Apontam para as dores, as saídas.
Na força da amizade é que se sente
Um mundo mais alegre e mais contente.
Publicado em: 02/01/2008 10:40:18


A FORÇA DA AMIZADE

Mudando a direção de um triste fado,
Guinando num momento para frente,
Deixando todo o medo no passado,
Promessas de um futuro mais ardente.
Alçando ao infinito em firme brado,
Na força da amizade se pressente
Um dia mais feliz em paz perene
Aonde a sorte imensa já me acene...
Publicado em: 07/01/2008 20:25:19




A FORÇA DA AMIZADE
Vencendo a tempestade mais funesta
Amiga; não tememos outros dias.
Enquanto uma alegria já se empresta
Estendo sobre ti alegorias
Que possam traduzir felicidade
E todo este poder de uma amizade...
Publicado em: 29/03/2008 10:54:33´



A FORÇA DA AMIZADE
Meu amigo, como é bom,
O saber que estás aqui.
Na nossa amizade, o dom,
De vencer o que venci.

Amigo, na adversidade,
Nos momentos mais cruéis,
Precisamos, na verdade,
Dos amigos mais fiéis.

Obrigado, então, amigo,
Pelo abraço companheiro,
Caminhando assim, contigo,
Eu desvendo o mundo inteiro.

Canto sem ter sofrimento
Se vier, não temo não.
Amizade é forte vento,
Que assopra no coração.

Eu te peço, sem temor.
Eu não minto. Na verdade,
Bem mais sólida que amor.
É a força da amizade!
Publicado em: 19/04/2008 13:29:58


a força da amizade
A que força que se emana da amizade
Permite que façamos novos planos.
Decerto que semeia lealdade
Merece dias plenos, soberanos
Nos olhos de quem vive na verdade
Jamais irão trilhar ledos enganos.
Amor do qual jamais alguém suspeita,
Uma amizade traz a luz perfeita!



A FORÇA DA AMIZADE
Amigo, nos meus versos bem marcados
Por sonho que se fez mais soberano,
Distante dos destinos navegados
Nas asas que provocam tal engano.
Que sejam bem mais fortes nossos Fados
Além do que pretendo e não ufano.
Os passos que traçamos nos marcaram
Nos laços bem mais fortes que formaram.

Que as horas sempre sejam gloriosas
Em lúcidas verdades declarando,
Nas lutas que virão, mais valorosas;
De toda servidão nos libertando.
Passando por estradas olorosas
Um mundo bem melhor, seguir trilhando.
Calcada tão somente na verdade,
A força inigualável da amizade!


A FORÇA DA AMIZADE

Beba do meu copo
Amiga;
Felicidade foi
Passou em ventania
Deixando tão somente
A face da agonia.
Tragos, estragos, amargos...
Lagrimando o quando
O quanto quis.
Licor de anis,
Conhaque,
Traçados.
Tragados os sonhos
Ressaca é cruel.

Derrotas,
Bancarrotas
Remotas esperanças.
Amiga, a noite avança
Criança sem juízo
Sem medo e sem vitórias.
Vistorias na alma.

Sargaços, pedaços
Tremoços e vinganças.

Desabafos e falsas promessas
Remessas de guizos,
Jograis, anedotas.
No fundo: derrotas...

Perdoe meus erros
E berros, desterros,
Ácidas palavras
Ávidas vontades
E o vazio depois.
Deposto em meu reino.
Restando o cavalo
Que alçando o espaço
Galopa no vento
E risca este céu
Cometa sem nexo.
Pivô, retrocesso,
Acesso negado.

Mas tenho o teu braço,
Abraço, amizade,
Cardumes de estrelas
Brilhando na noite.

Bebamos.
Saibamos
Do sabre
Do saibro da estrada.
Aberta em clareira,
Nos laços
Nos braços
Da nossa amizade!

A FORÇA DA AMIZADE


O dia se mostrando luminoso
Pra quem concebe ter amor urgente,
Um sonho que se mostra glorioso
Tomando o coração, invade a gente.
Na força da amizade, em pleno gozo,
No bem que a se mostrar nos oriente
A um mundo mais feliz em paz constante,
Mostrando o melhor rumo a cada instante...

A FORÇA DA AMIZADE

Amiga, tantas vezes me dizia,
Ao mesmo tempo quase respondendo,
Que a vida necessita de alegria,
Carinhos que nós damos, recebendo,
Trazendo para todos, fantasia,
Felicidade plena conhecendo.
Aquele a quem a sorte, enfim consente,
Uma amizade imensa que o contente..

A FORÇA DA AMIZADE

Coração andarilho em noite eterna,
Procura um aposento mais sereno,
A solidão deveras me governa,
Porém desejo um sonho bem ameno
Que traga novamente luz materna,
De toda uma alegria, imensa; pleno.
Buscando nesta noite a clara aurora,
Que a força da amizade, em paz, decora...
Publicado em: 25/10/2007 18:43:57


A FORÇA DA AMIZADE
A força da amizade sustentava
Os passos em que a vida prosseguia,
Teu colo, minha amiga, me abrigava
E toda uma emoção se pressentia,
O coração ardendo em quente lava
Deixava a minha noite menos fria.
Um canto de alegria, emocionado,
À força da amizade, consagrado...

A FORÇA DA AMIZADE

Meu canto se transforma em alegria
Ao ter tua presença mais constante.
Uma amizade é rara especiaria,
Um sentimento nobre e assim, prestante.
Transforma a mais disforme pedraria
Numa pureza imensa, um diamante.
Uma amizade é vento benfazejo,
Desnubla um triste céu, traz azulejo..


A FORÇA DA AMIZADE
Amigo, ao encontramos nesta estrada
As urzes, pedregulhos e os espinhos
Entulhos preparando uma cilada
Saibamos que não vamos mais sozinhos.
A força da amizade cedo brada
E muda, apascentando estes caminhos.
No enlevo de um amigo, tal segredo,
Cambiando num momento o velho enredo...

A FORÇA DA AMIZADE

Amiga, o meu caminho foi turvado
Por lágrimas que colho mais depressa,
O dia que passamos, demarcado,
Em lodos sem iguais, cedo atravessa,
Perdoe este meu canto angustiado,
Preciso resolver e tenho pressa,
Riscando num momento, esta amplidão,
Na força da amizade, a solução...

A FORÇA DA AMIZADE
A sorte a cada dia demonstrada,
O rumo nos teus braços vai mudando,
Deixando a velha dor tão desprezada
O canto da alegria se espalhando.
A vida se mostrando iluminada,
A força da amizade governando
Trazendo para nós um novo encanto
Secando em alegrias dor e pranto...

A FORÇA DA AMIZADE

A força da amizade é demonstrada
No vento que bem manso vem chegando
Tomando em calmaria a nossa estrada,
Mormaço que em remanso vai queimando
Deixando a nossa vida iluminada,
Prazeres e alegrias despertando.
Em plenitude logo me incendeia
Trazendo a lua bela e sempre cheia...


A FORÇA DA AMIZADE

De todas as verdades, já floresce
No peito de quem sabe da amizade
A rara sensação em que amanhece
Um dia em plenitude e claridade.
Beleza que nos céus, sol forte tece
Espalhando em calor: felicidade.
A força da amizade, inexorável,
Tornando a nossa vida mais amável...


A FORÇA DA AMIZADE

Uma amizade tem força e poder
De transformar a vida num instante,
Por isso minha amiga eu posso crer
Num dia que virá mais deslumbrante,
Nos olhos de quem amo posso ver
Um sonho que enobreça e me agigante
Ao permitir a vida em claridade,
Recebo deste bem, felicidade...


A FORÇA DA AMIZADE

Às vezes nos perdemos na viagem
E temos nossas metas já perdidas,
Sentindo da amizade sua aragem
Encontramos enfim, novas saídas
Embora tão estreita essa passagem
Ao redimir as sendas mais sofridas,
Espalha em floração uma esperança
Que a força da amizade sempre alcança.


A FORÇA DA AMIZADE

A que força que se emana da amizade
Permite que façamos novos planos.
Decerto que semeia lealdade
Merece dias plenos, soberanos
Nos olhos de quem vive na verdade
Jamais irão trilhar ledos enganos.
Amor do qual jamais alguém suspeita,
Uma amizade traz a luz perfeita!


A FORÇA DA AMIZADE

O frêmito das dores sepultadas
No peito que encantado se perdeu,
Refeito em fragorosa tempestade,
Matando o que pensei ser todo meu.

Amor com que sonhara a vida inteira,
Naufraga sem carinhos, vai embora.
Agora o que fazer deste vazio
Que chega de repente e me devora.

Amigo, como é bom ter em teu braço
O apoio necessário e benfazejo.
Refaço-me depois, vital bonança,
Na força da amizade que eu desejo...


A FORÇA DA AMIZADE


Na força da amizade já se encerra
O gozo da alegria de viver,
O coração enfrenta qualquer guerra
Lutando pelo sonho de poder
Vencer o desespero que desterra
Uma esperança feita em bel prazer.
Amiga, como é bom estar contigo,
Tu és,tenha certeza, o meu abrigo..

A FORÇA DA AMIZADE

Cora coragem coração.
Cara a cara a sorte ri.
O quanto se quis e não vi
Apenas nova emoção.
Ação e sonho
Palavras vãs
Vasos rotos
Sangue jorra.
Na borra do café
Nas sombras do porvir
Os búzios que jogaste
Negaste ao mesmo tempo.
O medo do não ser
O ser quase sem medo
E ter o nada ter
Apenas por descuido.
Amiga não se esqueça
Do viço que não vem
Do trem que se atrasou
Da quase despedida.
Mas saiba que, na vida,
Ávida de vida e de vigor
Teu canto já se fez alentador...


A FORÇA DA AMIZADE

Em meio ao abandono, na natura,
A aranha tece a teia que protege,
A natureza sábia assim a rege
Num ato de defesa e de ternura.

Aranha, sem saber bem o porquê,
Defende-se das tramas da batalha
Nas tramas que constrói em cordoalha,
Não sabe mas destino se antevê.

Assim como essa aranha, um passarinho,
Demonstrando também sua defesa
Num ato de beleza e de pureza.
Constrói, para os filhotes, o seu ninho...

Ao ver o homem quase abandonado,
Exposto à dor temível da quimera.
Que nasce da paixão e degenera
E traz, sem perceber, um triste fado,

Exposto à valentia e sofrimento
Exposto a tais espinhos, pela vida,
Da solidão, saudade, tão doída...
O Nosso Pai criou um sentimento

Que mata a solidão e a saudade,
Supera o desengano da paixão.
Protege nosso frágil coração:
A força alentadora da amizade!




Amigos que encontrei em meu caminho
Que o tempo dispersou sem ter nem dó,
Vestido de esperanças, forro o ninho
E nada, nem ninguém, prossigo só.
Saudade destes dias latejando,
Pergunto sem respostas: até quando?

Jogado qual um barco que sem leme
Enfrenta o grande mar, pobre destino.
Por vezes há quem fale, quem blasfeme,
Sozinho se aproxima o desatino.
Amor; paz e carinho, uma amizade;
Segredos para ter felicidade.




Se meu coração tem dono
Por certo nada direi...
Eu sou mineira também!
Faço verso, conto prosa,
Desenho estrela, planto rosa,
Faço mil artes também...
Mas amor, meu peito encerra,
E por amor, viverei...
Mas na poesia da vida,
Só ao teu lado estarei...
Nos versos que tu me fazes,
Rara beleza encontrei...
E não quero te perder!
E se insistes na afronta,
Sei eu posso te vencer, ok?

Morena moça bonita
Conterrânea das Gerais
A minha alma andava aflita
Procurando enfim ter paz

E chegaste com carinho,
Com ternura, rara flor,
Aos poucos cortou espinho
Fez brotar o meu amor.

Eu sou teu nunca neguei,
Tu és minha, rosa e leme,
Tanto amor te dediquei
Alicerce eu sei que treme

Ao saber que estamos juntos,
Ocorrem calamidades,
Ressuscitam os defuntos,
Enchentes têm de verdade.

Até gente sai correndo
De tremendo furacão,
O nosso amor vai vencendo
Tem a força da paixão!

ANNE MARIE
Marcos Loures


A FORÇA DE NOSSA AMIZADE
Eu quero a companheira nesta estrada
De todos os meus sonhos, a senhora,
Deixando para trás triste jornada,
Mudando o meu destino desde agora.
A força da amizade demonstrada
No passo que em verdade revigora
Aquele que vivendo sempre em guerra,
Percebe a placidez na qual se encerra...

A FORÇA DE NOSSA AMIZADE

Amiga a cada dia se pressente
O quanto é necessária uma amizade
Um vento bem mais forte e mais potente
Que encara com bonança a tempestade,
Deixando toda a gente mais contente,
Permite que se pense em liberdade.
Vencendo os empecilhos do caminho,
Não deixa um caminhante andar sozinho.



A FORÇA DE UMA AMIZADE


Numa amizade plena estou prevendo
A vida num momento, deslumbrante
O rio calmamente percorrendo
Caminho para frente e sempre avante,
Num mar feito alegria vai crescendo
Na força da amizade, eu sou gigante!
Invade a minha praia e, plenamente
Deixa o meu coração bem mais contente...


A FORÇA DE UMA AMIZADE


A amizade duplica as alegrias e divide as tristezas.
Francis Bacon

Amigos compartilham sentimentos,
Na força da amizade este segredo,
Nas dores da tristeza, nos lamentos
A carga é dividida, pois sem medo.
Porém numa alegria, por momentos
Amigos desfrutando o mesmo enredo
Daquilo que se fez em alegria,
Decerto redobrando em euforia!


A FORÇA DE UMA AMIZADE


Na força da amizade encontro o cais
Depois de tantos duros desenganos,
Podendo simplesmente quero mais,
Fazendo dos meus dias soberanos.
Não deixe que se perca, assim, jamais
Em outras ilusões; amargos planos
A força que se emana da amizade
Razão de paz e imensa liberdade...


A FORÇA DE UMA AMIZADE
A FORÇA DE UMA AMIZADE

Esperança se faz contentamento
se encontro em meu caminho, uma amizade
que leve para o mar, em vento manso
meu barco com total felicidade.

Amiga como é bom saber teu nome
e ter tua palavra que me acalma,
amigos são bem mais do que parentes
pessoas que se irmanam em mesma alma.

Alvíssaras ao bem que se demonstra
na força que permite a caminhada
mesmo que escura seja a nossa senda
certeza de firmeza na passada.




Quando encontrei em ti tal formosura
Que sempre invade a vida, uma ternura;
Deixando o sentimento satisfeito
A vida se tornando menos bruta
Amar passando a ser total direito,
O canto da alegria já se escuta...

A luz de imenso brilho, tão precisa,
Num gesto mais tranqüilo, calma brisa...
No peito um batimento acelerado,
Quase se arrebentando num estouro.
Dizer deste momento apaixonado,
Amor é com certeza, o meu tesouro...

Não falha o pensamento mais preciso,
Que trama com certeza, um paraíso...
Eu sinto estar feliz por ser cativo,
Eu sinto uma alegria em forte chama;
Da dor que me ilumina, sempre vivo.
Amor que é redenção, tanto me inflama...

É força que comove e me sustém
Sem ele sobrevivo e sou ninguém
Sustento que me nega a refeição
É rumo que me perde e que redime.
É lastro que me traz elevação,
Demais tanto me salva e me deprime!
Publicado em: 18/01/2007 13:57:40



A FORÇA DA AMIZADE


A dor que já se emana na penumbra
Dos olhos embotados sem valia,
Sangria entre os meus sonhos que se foram,
Atrozes esperanças, ledas buscas.
Ofuscantes tempestas e naufrágios
Sufrágios de rancores e violência
Clemências esquecidas nos caminhos.
Arpões a penetrar em minhas costas
Quem sabe ao fim da tarde um braço amigo.
Resquício de um passado mais sereno,
Permita reviver amenos dias
Ao menos com um resto de esperança...



A FORÇA DA AMIZADE

Eu quero a liberdade
Do vôo sem limites,
Bebendo da alegria
Não tendo mais palpites

Senão a fantasia
Que vai além do cais,
Na força da amizade
Um bem que a vida traz

Em versos, na verdade,
Espero te encontrar,
Meu passo não se cansa,
Assim de procurar,

A mão amiga e mansa,
De quem sempre me apóia
Na luz que assim se emana,
Encontro a rara jóia.

Meu peito não se engana
E sabe do carinho
Quem tem uma amizade,
Jamais anda sozinho...



A FORÇA DA AMIZADE

Beba do meu copo
Amiga;
Felicidade foi
Passou em ventania
Deixando tão somente
A face da agonia.
Tragos, estragos, amargos...
Lagrimando o quando
O quanto quis.
Licor de anis,
Conhaque,
Traçados.
Tragados os sonhos
Ressaca é cruel.

Derrotas,
Bancarrotas
Remotas esperanças.
Amiga, a noite avança
Criança sem juízo
Sem medo e sem vitórias.
Vistorias na alma.

Sargaços, pedaços
Tremoços e vinganças.

Desabafos e falsas promessas
Remessas de guizos,
Jograis, anedotas.
No fundo: derrotas...

Perdoe meus erros
E berros, desterros,
Ácidas palavras
Ávidas vontades
E o vazio depois.
Deposto em meu reino.
Restando o cavalo
Que alçando o espaço
Galopa no vento
E risca este céu
Cometa sem nexo.
Pivô, retrocesso,
Acesso negado.

Mas tenho o teu braço,
Abraço, amizade,
Cardumes de estrelas
Brilhando na noite.

Bebamos.
Saibamos
Do sabre
Do saibro da estrada.
Aberta em clareira,
Nos laços
Nos braços
Da nossa amizade!

A FORÇA DA AMIZADE
A FORÇA DA AMIZADE

Quem dolorosamente
Se fez em nada ser
Remete fielmente
O que me fez perder
O rumo, prumo e sorte
Na busca de justiça
Porém vagando à toa
Estrela não petisca
E volta sem saber
De novo não arrisca.
Encontra o rio seco,
A boca ressequida
A vida que queria
Em terra dividida,
Somente carpideira...

Uma amizade basta
Talvez, minha utopia
Que venha calma e casta
Raiando novo dia
Aonde seja sempre
Em préstimos, dotada
Porém eu já adivinho
No fundo venha o nada.

De tanta hipocrisia
Que é feita a realidade,
A noite segue fria
Matando a claridade
Que logo voltaria
Raiando em amizade
No sol de cada dia,
Na força de vontade
A gente vai sozinho
Só nos sobra a coragem.


A FORÇA DA AMIZADE
A FORÇA DA AMIZADE
A força da amizade sustentava
Os passos em que a vida prosseguia,
Teu colo, minha amiga, me abrigava
E toda uma emoção se pressentia,
O coração ardendo em quente lava
Deixava a minha noite menos fria.
Um canto de alegria, emocionado,
À força da amizade, consagrado...


A FORÇA DA AMIZADE

Quem sabe perpetrar em fina glória
Depois de tanto tempo nos horrores
Dos duros e terríveis dissabores,
Mesmo que traga a dor em sua história,
Deixando a solidão qual podre escória,
Ao refazer a vida, com penhores
Percebe quanto salvam os amores
E logra num momento esta vitória.
Assim já refazendo em tal encanto
A vida num momento em claridade,
Perfaz o seu caminho, e seca o pranto,
Pois sabe que a vital felicidade,
Nos doces, mansos braços da amizade,
Recebe um forte abrigo, feito em manto...



A FORÇA DA AMIZADE
Liberto companheiro da esperança
Avança pelas pedras costumeiras
E tendo as alegrias jardineiras
O quanto em flores raras sempre alcança
Na força da amizade a temperança
Gerando dentro em nós novas bandeiras
Um mundo mais igual e sem fronteiras
Promessa de vivermos tais pujanças
Na chuva e na tempesta e sob os sóis
Os olhos que enternecem e traduzem
Os dias onde os sonhos já reluzem
Servindo a quem se quer como faróis.


A FORÇA DA AMIZADE
Rebenta tais grilhões
Atados com firmeza
Vencendo a correnteza
Diversas direções,
Sabendo dos verões
E neles com beleza
Usando da destreza
Sublimes tais visões
Na força que nos une,
Das dores vou imune
Seguindo a cada passo,
Esta amizade aonde
A vida já responde
À morte que ora traço.


A FORÇA DA AMIZADE. //

Saltei com olhos vendados
O mundo me pertencia
Flutuei duas vezes neste espaço
O solo não me arrebentou
Arrebatou-me com vida
Teve dó do náufrago
Sem água para amenizar a dor
Deixou-me suspensa
Como uma flor sem cor
Até acordar da letargia
E caminhar com a
Mesma purificação
Que iniciou

A sede de viver, querida amiga,
Permite em labirinto uma saída,
Deixando que esta estrada enfim prossiga,
Porém nos marca sempre pela vida.

Sobrevivi também à dura queda
Embora com fraturas, luxações.
Nem mesmo uma tristeza eterna veda
Os olhos de quem vive as ilusões

Como se fossem náufragos perdidos
Nos mares mais distantes, nos atóis.
Os sonhos tantas vezes são urdidos
Apenas como simples girassóis.

Bebendo, neste instante, num momento,
A vida como fosse um cata-vento.

SOGUEIRA
MVML


A FORÇA DA AMIZADE. //

Os caminhos da amizade são eternos
Seguro tua mão olhos turvados
Esperando que o caminho a seguir
Guie-nos por veredas alcançadas

Sem medo atravessamos todo espaço
Guiados na emoção dos pensamentos
Palavras já trocadas grande afeto
Em cada expressão sempre a contento

Os medos voem aos ventos sem fronteiras
Sem rastro só o momento em existência
Que haja amizade em versos livres
Mensagem vindo, indo sem resistência.

É a mais bela expressão que conheci
Tanta ternura entre amigos nunca vi

Nossa amizade é feita da alegria
De sermos tão somente o que nós somos,
E nisso se demonstra com magia
Permite que esta história em tantos tomos
Seja contada à luz de cada dia,
Embora diferentes, mesmos gomos,

Frutificando em versos e carinhos,
Todo o poder que vem desta amizade,
Forrando com ternura nossos ninhos,
Vibrando a nos trazer felicidade,
Florindo em nossos campos, alvos linhos
Que em puro alinho moldam a verdade.

Amiga uma ternura insaciável,
Que é feita em amizade insuperável..

SOGUEIRA
MVML


A força da amizade é soberana
Mostrando, sem embargo, estas verdades,
Se a vida tantas vezes nos engana
É necessário ter cumplicidades
De pessoas que são bem mais unidas
Com rumo parecido em suas vidas.

No irmão que a natureza já nos deu
Às vezes bem distante; indiferença.
Um laço de união que se perdeu
Noutro caminho ou mesmo noutra crença.
A vida porém traz um outro abrigo,
No irmão que ela nos deu, um bom amigo...
Publicado em: 08/06/2007 13:36:58


A FORÇA DA AMIZADE.../

Enfim eu posso, livre caminhar...
Aquele outra que eu tinha
Já não consegue mais me assustar
Pois eu sou águia - e não mais galinha...

E a quem puder qu'eu possa dar a mão
E estarei disposto na jornada
A ser covarde amigo... isso não
Só vive-se uma vez - depois mais nada...

E a força que percebo na amizade
Redime tantas dores e tristezas,
Permite renascer em liberdade
E ver nestas estradas, as belezas,

Fortalecendo em paz molda os caminhos.
Sem medo de enfrentar pedras, espinhos.

GONÇALVES REIS
MVML


A FORÇA DA AMIZADE...

Esperança é a luz que ilumina
o espaço quando a noite chega, escura.
Deixa ela te guiar pelo caminho,
afastando qualquer sombra de amargura.

Assim, poderás ir confiante
enfrentando os tropeços da estrada,
dar vazão ao teu sonho deslumbrante,
e cantar as graças da mulher amada.
Tua sorte mudará, me acredita
com a vida te acenando mais bonita.

Querida uma esperança que cultivo
De um dia poder ser bem mais feliz,
Eu sinto que por isso sobrevivo
Além do que pensei e do que quis.

Tropeços encontrados no caminho,
Motivos pra mais forte estar na luta.
Na rosa emoldurada em tanto espinho,
Diamante que se fez em pedra bruta.

Mas conto com a força da amizade
Que é luz que tanto guia quanto apóia
A vida me mostrando nesta jóia

Todo o valor que traz uma esperança.
Saber que enfim terei felicidade
Com todo este carinho, com pujança!

HLUNA
Marcos Loures

A FORÇA DA NOSSA AMIZADE


A vida se perdendo em desengano,
Depois dos dias loucos que vieram,
Mudando de repente qualquer plano,
Os sonhos mais antigos refizeram
Meu passo em direção ao ser humano,
Nas esperanças plenas que trouxeram
Teus cantos, minha amada companheira.
Palavra mais amiga e alvissareira.

Mudando a direção de um triste fado,
Guinando num momento para frente,
Deixando todo o medo no passado,
Promessas de um futuro mais ardente.
Alçando ao infinito em firme brado,
Na força da amizade se pressente
Um dia mais feliz em paz perene
Aonde a sorte imensa já me acene...
Publicado em: 16/10/2007 21:23:25



A FORÇA DA NOSSA AMIZADE


Meus sonhos mais distantes me levavam,
Tomando num momento os meus sentidos,
Os medos e as angústias me cortavam,
Deixando meus castelos destruídos.
As dores, cada passo, vigiavam
Vazios, os meus dias, mal vividos
Nem mesmo as esperanças me escutaram,
Dos olhos, tantas lágrimas rolaram.

Vagando sem destino pela vida,
Apenas solidão como estandarte,
Estrada em duro espinho, já perdida,
O frio se espalhando em toda parte.
Não tendo mais sequer uma saída
O futuro morrendo até chegar-te
Amiga em noite dura, tempestade,
Mostrando ser possível liberdade.

Alçar meu pensamento ao infinito,
Fazendo bem mais livre cada verso,
Um dia em alvorada, mais bonito,
Deixando assim distante um mar perverso.
Ecoa bem mais alto cada grito,
Agora estou na sorte, enfim, imerso,
E canto essa alegria de poder,
Ver, novamente o dia amanhecer

No sol de uma alvorada reluzente,
Prenúncio de uma vida mais feliz.
Seguindo o meu caminho, vou contente,
Não levo nem sequer a cicatriz
De um tempo em que passei qual penitente,
Encontro na amizade o que mais quis.
Um mundo tão seguro em plena paz,
Que a força da amizade já me traz.


Contigo enfrentarei a dura luta
Driblando as armadilhas desta vida,
Todo empenho eu porei nessa labuta,
Que levaremos, fácil de vencida.
O golpe dolorido da derrota
Jamais há de bater em nossa porta.

Pois tenho tua força aqui comigo,
E nisso eu acredito com vigor,
Nas horas mais difíceis teu abrigo
Sinônimo absoluto para amor.
Não temo qualquer golpe de uma sorte
Teu braço do meu lado, sempre forte.

Amiga, tenho fé numa vitória
Que sei, mais cedo ou tarde sorrirá,
Assim como esta luz em nossa glória
Eternamente, enfim, já brilhará.
No canto resoluto que tramamos,
Amiga só Deus sabe, nos amamos...

HLuna
Marcos Loures

A galinha carijó
A galinha carijó
Botando ovo, ela anuncia,
Coração batendo só,
Canta em busca de alegria



"A ganhar se perde e a perder se ganha."

Muitas vezes nos perdemos de nós mesmos.
Passamos por cima do que somos; simplesmente objetivando um bem passageiro, uma vitória ilusória, ou mesmo e pior, uma glória marcada pelo sacrifício de outrem.

De que vale isso?

Os verdadeiros bens que podemos acumular não custam nada, não exigem sacrifícios e não necessitam de perdas e ganhos.

Existem e estão aí para serem usufruídos.

As vitórias e derrotas são conseqüências naturais disto.

Aliás; tudo o que vale a pena não custa dinheiro, guerras, batalhas...

Amor, amizade, carinho, solidariedade...

São bens duradouros e não pedem nem exigem sacrifícios.

Esses sim serão a herança que deixarás para quem teve a sorte de te conhecer.
Publicado em: 18/03/2007 12:20:14



A garra destes anos se aprofunda

A garra destes anos se aprofunda
Na carne deste estúpido poeta,
E quando no vazio se repleta
Uma alma sem caminho, mera e imunda,
O todo se transforma em moribunda
Presença que deveras me completa,
Penetra-me com fúria intensa a seta
Na face mais audaz e nauseabunda.
Efêmera ilusão domina a cena
De quem em tolo amor já se apequena
E volta o seu olhar para o vazio,
Cenário aonde eu vejo últimos atos
Os dias se mostrando mais ingratos,
E mesmo assim em mim, tolo, os recrio.
Publicado em: 07/06/2010 20:07:04



A gente se escraviza por tolices
Direito à liberdade

Ele é imprevisível e não tem hora
E nem momento pra dizer que vem...
Em casa, no carro ou no trem
Quando ele se vai a gente adora.

Às vezes não da pra mandá-lo embora
Em outras o liberamos com desdém
Mesmo incomodando a mais alguém
Alivio imediato, nos revigora.

No meio da multidão, ato profano,
Não da pra escondê-lo com um pano
Em ambiente fechado, de jeito algum...

Às vezes pra segurá-lo, o berço eu mordo
Com medo de solta-lo perto do fogo,
Gostosa sensação, soltar um Pum.

Josérobertopalácio


A gente se escraviza por tolices
E deixa que as correntes nos contenham.
As moças mais bonitas, tolas misses,
Na estúpida etiqueta já se embrenham.

Na vida, eu procurei a liberdade
E tantas vezes; vi burras algemas
Tirando do viver a qualidade,
Causando os mais babacas dos dilemas

Depois da feijoada ou do repolho,
O pobre do intestino retorcendo,
Porém a sociedade vivendo de olho
Esquece do conjunto e quer o adendo.

Pois viva este sinal libertador
E solte então um pum no elevador!
Publicado em: 18/03/2009 14:01:24



A GLÓRIA DE AMAR


Que a sorte já nos traga a providência
E mude nosso mundo em segurança,
Amar não é viver em aparência,
É ter além de tudo, confiança,
Embora justifique esta prudência
Quem ama e desconfia não alcança
A glória de um amor em perfeição,
Trazendo apenas dor e decepção....
Publicado em: 09/11/2007 21:47:11



Ao perceber a tua solidão disfarçada num sorriso, entendi o quanto éramos parecidos...

Tantas vezes sentindo o frio e o medo, gargalho.
Como se fosse a solução para apascentar a dor que me traga e me deixa indefeso.

Outras vezes, indeciso, forjo uma segurança inexistente e, mesmo que os pés se arrebentem em meio a tantas pedras e urzes, continuo com a cabeça ereta e os pés em brasa...

Sei que não poderemos jamais seguirmos a mesma estrada.

Seria muito cruel para nós dois.
Com certeza as tempestades nos desnudariam e nos viríamos como somos.

Sei que desejas, naturalmente, alguém que te ajude a caminhar.

Mas como? Se não consigo ter firmeza em meus passos e titubeio.

E mesmo assim, te amo.

De um amor intenso que, a cada novo dia, aumenta mais..

Quem sabe se, um dia, esse amor tenha a capacidade de nos fortalecer e possamos, finalmente, ter a força para seguirmos juntos em direção ao fim da tarde...
Publicado em: 13/12/2006 16:42:21


-A força do amor
A força do amor

Amor que só faz bem e traz a cura
Que vive a dominar o pensamento
Rondando o dia claro, a noite escura
Fazendo-nos sonhar cada momento

Amor que está no ar que respiramos,
Nas águas de uma linda cachoeira,
No aroma de uma flor que desejamos,
Na lua iluminando a vida inteira

Amor que simboliza a natureza,
Que o sentimento canta em prosa e verso
Que emana, envolvendo com beleza
Expande, colorindo o Universo.

Amar dessa maneira, simplesmente
Domina todo corpo, a alma e a mente

ADJA

Amor vai dominando esta paisagem
Tornando este cenário magistral,
O vento vem trazendo uma mensagem
Dizendo deste encanto sem igual,

Roçando os teus cabelos, mansamente,
Prenúncios de delícias e delírios
Poder saber da fonte fascinante
Deixando para trás dores, martírios.

Transborda sobre antiga placidez,
Causando inundação maravilhosa,
Distante do juízo, insensatez,
Floresce a delicada e bela rosa,

Imensos turbilhões, num desatino,
Tomando em suas mãos, nosso destino...
Publicado em: 03/12/2008 11:55:00



A FORÇA DO AMOR.


Há tempos sob o sol vou estendido,
Buscando despistar sanguinolentos
Furacões. Não querendo, destruído,
O sonho por incêndios violentos.
Amor, há tanto tempo perseguido,
Conhece, com certeza bons ungüentos.
Não deixa mais castelos desabados,
Garantindo, pacíficos, meus fados...
Publicado em: 27/10/2007 14:45:01



Me lembro de todas as coisas que queria dizer.
Da chuva no telhado...
Do vento em meu jardim...
Sonhei com cada toque,
Cada beijo.
Ao cair da chuva, penso em cada uma de nossas juras,
das vezes que nos prometemos amor além do céu.
Fui trazida até aqui pela força de teu amor,
Que segurando minhas mãos leva-me ao paraíso.
Mas...
Tantas são as tempestades ...
Que ao olhar pela janela tenho medo que essa chuva continue.
Eternamente...
Quero acalentar-te,
Quero te amar...
A distância continuará...
Mas esperando aqui estou,
pois não o quero longe desse amor.

A vida se transforma a cada dia
Em ventos, ventanias, temporais,
Depois a mansidão em calmaria
Bonança se promete em manso cais.

Não temas, pois as duras tempestades
Nem nuvens que enegrecem nosso céu.
Aos poucos se dissipam. Claridades
Virão em toda a alvura deste véu.

Quem sabe destas urzes não as teme
Pois sabem que são sempre passageiras.
O mundo, num segundo, sempre treme,
Quando emoções se mostram verdadeiras.

Não tema prosseguir nos mesmos passos,
As dores só estreitam fortes laços...

Aracelly Loures
Marcos Loures


Amigo, nos meus versos bem marcados
Por sonho que se fez mais soberano,
Distante dos destinos navegados
Nas asas que provocam tal engano.
Que sejam bem mais fortes nossos Fados
Além do que pretendo e não ufano.
Os passos que traçamos nos marcaram
Nos laços bem mais fortes que formaram.

Que as horas sempre sejam gloriosas
Em lúcidas verdades declarando,
Nas lutas que virão, mais valorosas;
De toda servidão nos libertando.
Passando por estradas olorosas
Um mundo bem melhor, seguir trilhando.
Calcada tão somente na verdade,
A força inigualável da amizade!
Publicado em: 25/05/2007 18:27:14



A FORMIGA LAVA-PÉ
A formiga não se cansa
De morder meu velho pé.
Uma pergunta me alcança
Como agüenta este chulé?


A Fotografia
Procurara durante vários anos por aquela fotografia!
A casa não era muito grande, mas a foto tinha se perdido em meio a bugigangas e souvenires.
Uma foto amarelada, meio que rasgada, meio que amarrotada.
As traças tinham visitado-a mas, por incrível que pareça, tinham poupado o rosto. Para ser mais preciso, poupado o sorriso.
Lembrara-se que, ao se casar, tinha ocultado o retrato em algum canto, logo esquecido...
Realmente, não teria como se lembrar. O álcool tinha dominado-o totalmente. Álcool e desilusão.
As brigas diárias, a fantasia desfeita nas ofensas cotidianas e na paranóia que acompanhava a antes doce e carinhosa Rosane.
Uma carta colocada sob a porta denunciou a loucura.
Escrita à mão, invocava uma amor imenso por ele. Amor imenso e alucinado.
A falta de assinatura e a tempestade causada pela descoberta de tal carta levou-o ao desespero.
Tirando aquela foto esquecida em um canto qualquer, fora totalmente fiel à Rosane.
Absurdamente fiel, pensaria depois.
Não seria fácil entender que a autora da carta fosse ela própria. Sim, Rosane!
Dali em diante, a vida se tornara um inferno.
A volta do trabalho se tornou árdua e difícil.
Os bares das redondezas passaram a ser testemunhas diárias das desavenças entre ele e a mulher.
Quando o final de semana se aproximava, o inferno aumentava.
Infernos e gritos, gritos absurdos agravados pelo útero estéril da esposa.
Ainda bem, pois um filho não sobreviveria nem aos fantasmas de Rosane e nem ao alcoolismo cada vez mais evidente e intratável dele.
Até que, num dia mais absurdo e mais tresloucado, encontrou Rosane desnuda deitada na sala.
Um rastro de sangue seguia-a até ao quarto.
Morta.
Completamente exangue e desnuda.
Os olhos parados olhando para o nunca e um sorriso enigmático aflorando os lábios da pobre demente.
Passaram-se vários meses, a paz trouxe a cura da embriaguez.
Nunca mais bebera nem tivera vontade.
Mas, aquela tarde uma coisa o intrigara.
A foto deixada em um canto inesperado, guardada entre as bugigangas no quarto de despejo.
Outra coisa que chamara sua atenção, foi um detalhe que à princípio passara desapercebido.
O sorriso.
O mesmo sorriso enigmático que vira no rosto de Rosane...
Publicado em: 29/09/2006 17:49:45



À Juventude...

Na eternidade desse momento, onde invento novo tempo que não sei se habitarei. Nos versos vermelhos verdadeiros, verdes, verifico as vertentes que tentam minha alma, a calma que não acalma nem conclama.
A chama que esfumaça, me embaça e embaraça no abraço onde tento e me contento, conter todo o universo.
Vou de banda, vou inverso, contra tempo, contra peso sem contra ataque.
Sou perdido estou perdão.
Tento o ido, encontro o vão.
Vou vago, cego sigo, gago engulo a gula e me engano.
Tenho traquejo pra sofrimento, queijo podre, invejo o coldre e o revólver.
Revolver cada momento, onde minto e me omito; portanto consinto.
E sinto o amargo gosto torpe. Fui facínora quando ignorava o aval de cada vala aberta e infecta.
Fui cruel, tendo o céu e o senão, tendo o sim e o talvez. Minha vez de ter voz foi passado. Ultra passado, ultrapassando todos os meus passos, passeios em seios e belas pernas. Apenas as penas de tantas santas e putas.
Prostrado no estrado dessa cama, que chama e inflama, queima e mata.
Calado nesse mesmo tormento, meu manto e meu mento, mormaço e aço, sofreguidão.
No guidão dessa engrenagem que caio e caiado fico, calado sigo, submisso.
Amei-te, liberdade, foste minha cidade e meu mundo. Hoje imundo, inundado e abismado, sinto o absinto que pressinto e necessito.
No abuso do uso confuso de cafuso beijo. No desejo desta pele, que me compele e me repele.
No sentido levrógeno, no medo do amor, na gênese do átomo, no hiato no iate, na parte que nunca me coube, onde soube que estarias.
Nas estrias da alma malsã, nas colinas distantes as mesmas salinas de antes, as mesmas lágrimas salgadas, as algas, as águas, o nada...
Tua boca, rouca voz. Tua louca, franca mente. Aérea, etérea, venerada e venérea.
Mercúrio sem alas, Atena sem nexo, Vênus sem sexo, complexos amores...
Querida, a ferida fertiliza os sonhos. Meus medos são medonhos, teus olhos, meus guias. Maravilhas e partos. Compotas e portas abertas, as mesmas a esmo, o sentido sem tino, sem tato, sem tanto, entretanto sobrevivo.
Meus filhos perdidos nos trilhos da vida. A mão delicada da mãe que, distante. O instante somente onde tudo cometo, onde nada prometo, me meto no espaço.
Professo esperança, dança e circulo vago.
Círculos vagos ao âmago amargo e amigo, onde prossigo, sem nada mais pra lutar.
Trago a morte e a sorte amarradas, atadas e nada me faz descansar.
Quero o inverno da vida, quem sabe verá primavera. Primeira e única verdade. A vera cruz, a luz de Vera, verão os meus olhos...
Deveras deverá o verão solar, o sol o ar, o solar onde moravas, amada primária, primeira e eterna. É terna a mão, armas mansas, nos remansos onde dançavas nua.
Amada juventude, onde, qual a amplitude de tudo o que trazias e, hoje não trazes. As fases da lua, tantas vezes vistas, as luzes e frases, as visitas ao amanhã, prometidas e esquecidas, ocultadas pelos fios prateados e raros, de meus ralos cabelos. Novelos onde se perderam os veios de onde veio e vieram os meus dias de luz. Lucidez chegou e com ela a morte.
A sorte está lançada na lança armada do tempo. Veneno e alimento.
Amada juventude, onde estás, que há de... Tende piedade, de mim...

posted by MARCOS LOURES at Sexta-feira, Junho 16, 2006





A liberdade mostra um claro dia
Distante de uma agônica altivez.
Mil vezes um vibrar em harmonia
Do que viver cativo, como vês.
Um pássaro recende a poesia

Nos vôos que encetar num belo céu;
Se canta; na gaiola, é de tristeza;
Sem asas; nem abelhas, nem o mel.
Embora toda dor tenha beleza;
Traz-nos uma agonia em carrossel.

Da dor que gera dor; o que pensar?
Amor se reproduz em esperança,
Que resta-nos senão por isso amar,
Teus versos, nos meus versos, contradança...
Publicado em: 13/11/2007 06:02:16



A História de uma escalada ao Pico da Bandeira
Santa Martha, aos pés do Pico da Bandeira, tem um acesso dos mais difíceis e proibitivos ao cume da mais alta montanha do Sudeste brasileiro.
Nos idos de 1940, a subida ao Pico era algo quase que impossível, pois as matas eram habitadas por um sem número de feras, inclusive as temidas pintadas.
João Polino sabia destas dificuldades, mas o espírito aventureiro do jovem não conhecia nem medo nem obstáculos.
Um dia, surpreendendo a todos, avisou que iria escalar aquele “morrinho”, e que isso era somente um treino para aventuras maiores, já que sonhara ser um alpinista; o primeiro alpinista santamartense.
O povoado em polvorosa, as mocinhas casadouras suspirando, aquela fama momentânea que trazia tanto acalanto para a alma do João.
No dia marcado, colocou uma garrucha no bornal, com um canivete no cinto e se preparou para a perigosa subida.
Seu José Reis, conhecendo bem o nosso herói, tentava consolar Dona Oracina que, a essa altura do campeonato, desfiava um rosário de ladainhas e orações, na tentativa de proteger, de alguma forma, o seu intempestuoso irmão.
A mata fechada trazia mistérios e assombrações. Além das jararacas usuais, a possibilidade de se encontrar com o saci pererê, o caipora, a mula sem cabeça, entre outras, era real.
Corpo fechado, João não temia essas coisas. A bem da verdade, não tinha medo de nada. De nada e nem de ninguém. Quem vencera os alemães, na guerra, e encarara o lobisomem, isso tudo era café pequeno.
Falando em café, tomou um derradeiro cafezinho com guarapa e arribou-se.
A subida, de início, era mesmo complicada, além de ter muitas pedras, havia também uma mata que se fechava a cada metro subido.
Mas, por incrível que pareça, depois de certo tempo, começara a suavizar e, após a mata apareceu uma planície surpreendentemente branda, com um manacial de águas cristalinas maravilhoso, tendo ao fundo uma cachoeira extremamente bela, enfeitada por orquídeas e bromélias floridas.
João, surpreso com a paisagem paradisíaca, achava que estava sonhando e, embevecido, deitou-se à margem de tão bela cascata.
Sonhara, e sonhara de olhos abertos...
De repente, uma voz macia se ouviu, uma voz feminina encantadora.
Ao abrir os olhos, João se deparou com uma indiazinha, uma bela adolescente, dona de olhos amendoados e de uma pele extremamente bela, com dois seios pequenos, convidativos...
Ao ver essa miragem, João se assustou e, entre acordado e sonhando, tentou entabular um diálogo com aquela visão.
Ao perceber que a menina chorava, João perguntou qual o motivo de tal choro.
Ao saber que a menina era uma princesa, filha de um cacique muito cruel que a impedira de se casar com um jovem a quem ela dedicara seu amor, João sentiu verdadeira pena da moça.
Conversa vai, conversa vem, de repente, a menina começou a falar mais mansamente, olhando fixamente para os belos olhos azuis do nosso herói.
João, timidamente, começou a ficar meio corado e tentou consolar a garota, mas esquivando-se de olhar para ela.
Quando, de repente, a menina começou a falar de seu sofrimento, olhando cada vez mais fixamente para João, e se aproximando, a ponto de João sentir o delicioso cheiro das flores silvestres que emanava o hálito da mocinha, João reparou que o que imaginava ser impressão era, na verdade, a constatação da atração da indiazinha por ele.
A menina, então, não escondeu mais o seu desejo e, de forma objetiva, declarou que somente um outro amor poderia salvá-la e esse novo amor começara a surgir em seu coraçãozinho puro.
João, embevecido, quase cedeu; mas se lembrou a tempo, da promessa que fizera a si mesmo: casar-se com Rita, a irmã de seu amigo José Reis.
Rita, a essa época era ainda uma criança, linda nos seus dez anos de idade.
João, com o peito dilacerado, disse então à pobre jovem que não poderia ficar com ela, já que prometera seu amor a outra moça...
Neste instante, chorando, a menina deitou-se e, para susto de João, foi se endurecendo ficando cada vez mais pétrea, até que, num instante, aquela menina, cujo coração fora tocado pelo amor duas vezes e impedido em ambas, e se transformara em pedra, uma pedra sem sentimentos; se transformou numa montanha gigante, toda de pedra, mantendo o formato de uma menina deitada.
Assim surgiu a Pedra Menina, que até hoje está lá, aos pés do Pico da Bandeira, testemunha do grande amor da indiazinha por João Polino que, fielmente manteve sua palavra e se casou com dona Rita, com quem vive feliz até hoje...
Publicado em: 17/08/2006 21:26:18


A HISTÓRIA DESTE AMOR

Algo me diz ao coração em prantos
Que não nasceste mesmo, para mim,
E sem; desses teus lábios, o carmim,
Ficam maiores os meus desencantos.

É sempre triste um sofrimento assim,
A vida vai perdendo os seus encantos,
E suportando todos meus quebrantos,
A minha dor parece não ter fim!

Sem teu amor, o coração definha,
E deixa de sonhar e de bater,
Esta dor que é tão grande e que é só minha

Não posso descrevê-la, pois existe
Num coração cansado de sofrer,
Na história deste amor, amargo e triste.

MARCOS COUTINHO LOURES




A HISTÓRIA É UM CARRO ALEGRE?
Prelúdios, trinos, cânticos de glória
Exército em luzes reluzentes
Excêntricos caminhos renitentes
Herética expressão, tão merencória
Exímio sonhador, medo e vitória
As ânsias destes antros prepotentes
Por mais que contra a força ainda tentes
Nas mãos dos poderosos ruma a história
Verdade se escondendo atrás do pano
Cenário tosco mostra o desengano
Por onde se traduz da humanidade
O passo que se dá em tosco e escuro
Delírio pelo qual eu me emolduro,
E tranco a realidade que degrade...



À IGREJA CATÓLICA

Índoles diversas que te domam,
Gerando mais discórdia que união.
Rechaças simplesmente os que não querem
Estar o tempo todo em teu grilhão.
Jazendo com quem sonha outro caminho
Abarcas com venenos, sem carinho.

Cravas com as garras penetrantes,
Amortalhando sempre quem não segue
Teus passos, mesmo os duros, vacilantes,
Obrigas o que em paz nunca consegue.
Levando tuas marcas punitivas,
Investes contra aquele que discorda,
Cravejas de dourado, frágeis crivas,
A aquele que se foi, puxas a corda...
Publicado em: 11/10/2007 20:00:42



A INCONSTÂNCIA DE UM AMOR
Amores que vivemos; fino trato
E nesta galhardia, a tempestade
Gerando com ternura, ainda invade
Promessa de carinho e de maltrato
Acordo em dissonância e vejo o quanto
O mundo poderia ser diverso,
Porém ao mesmo tempo me disperso
E beijo o temporal em novo encanto,
Resumos de uma história que insensata
Permite as dores, luzes, cruzes, riso,
Negando o que pensara em paraíso
E tanto me alivia e me maltrata.
Resisto ao que pudesse ser o fim,
Mas sei desta inconstância viva em mim.



A INDOMAVEL HOMENAGEM A CECILIA MEIRELES

" A Inominável "

Leve... - Pluma . . . Surdina... Aroma... Graça...
Qualquer coisa infinita... Amor... Pureza...
Cabelo em sombra, olhar ausente, passa
como a bruma que vai na aragem prêsa . . .

Silenciosa, imprecisa, etérea taça
em que adormece o luar... Delicadeza...
Não se diz... Não se exprime... Não se traça. . .
Fluído... Poesia... Névoa... Flor... Beleza...

Passa. . . - É um morrer de lírios. . . Olhos quase
fechados... Noite... Sono... O gesto é gaze
a estender-se, a alegrar-se... E enquanto vão

fugindo os passos teus, visão perdida,
chovem rosas e estrelas pela vida...
Silêncio! Divindade! Iniciação!
Cecilia Meireles Grilo
1




“Silêncio! Divindade! Anunciação!”
O amor se faz além de qualquer sonho,
E quando em versos tristes eu componho
Inverno destroçando algum verão,

Momentos mais sobejos me trarão
Um dia mais feliz; vivo e risonho
Aonde se mostrara mais medonho,
O tempo transformado. Sedução.

Seguindo cada rastro deste sol,
Que trazes no teu corpo, bela amante
O dia se transcorre deslumbrante,

Tomando em maravilha este arrebol
Na vívida impressão tão majestosa,
Canteiro em framboesa, dália e rosa.


2


“chovem rosas e estrelas pela vida”
Enamorado sonho que me invade,
Aonde se pensara na saudade,
A sorte do viver se faz ungida.

Abandonando a dor, estrada urdida
Em plena e mais sobeja claridade,
O amor já nos trazendo a eternidade
Deveras desejada e tão querida.

Mergulho nos teus braços; vejo o brilho
Desta constelação que em luzes trilho
Chegando finalmente ao belo cais

Formado por estrelas, tantas rosas,
Estradas que pensara majestosas
Traçando tais caminhos magistrais...

3


“Fugindo os passos teus, visão perdida”
De um tempo em dores feito, tumular,
Agora quando vejo em ti, luar
A sorte noutra senda resolvida.

Preparo para o medo, a despedida,
E bebo cada gota feita amar,
Sabendo com certeza desfrutar
Da mais bela visão de minha vida.

Redimo tantos erros, desenganos
E mudo a direção em novos planos
Traçados com as bênçãos deste amor,

E nele meu canteiro preparado,
Com toda esta emoção, já cultivado,
Trazendo a primavera em cada flor.

4


“a estender-se, a alegrar-se... E enquanto vão”
Distante dos meus olhos sofrimentos,
Percebo com divinos pensamentos
Momentos tão sobejos que virão,

E neles novos rumos mostrarão
As direções suaves destes ventos,
E neles eu concebo meus alentos,
Traçando com ternura esta paixão.

Alegram-se deveras meus jardins
E encantos se espalhando pelas sendas,
Segredos de minha alma enfim desvendas

Moldando com beleza raros fins,
E a sorte de poder ser teu, somente,
Espalha em meu canteiro esta semente...


5


“fechados... Noite... Sono... O gesto é gaze”
Caminhos que me levam para a dor,
Imagem de um momento sedutor
Por mais que a realidade já se atrase.

Não posso e nem pretendo ouvir o quase,
E sendo da maneira que ora for,
Cevando com cuidado cada flor,
O amor se torna enfim, sólida base.

E toda uma tristeza costumeira
Sem ter sequer espaço, já se vai,
A luz que em plena luz, mais luz atrai,

Da forma e da maneira que se queira
Permite o rebrilhar de um velho sonho,
Que agora do teu lado, recomponho...

6


“Passa. . . - É um morrer de lírios. . . Olhos quase”
Embrutecidos miram o jardim,
Matando o que restara dentro em mim,
Ainda quando a sorte se defase,

Percebo quão cruel e fútil fase
O amor sem ter o sonho chega ao fim,
Jogado pelos cantos, vivo assim,
Por mais que uma ilusão ainda abrase.

O sonho se desfeito é pesadelo
E quando toda noite posso vê-lo
Não tendo mais saída, vou ao nada

E aonde se pensara mais feliz,
Destino num momento contradiz
Minha alma segue agora, abandonada...


7

“Fluído... Poesia... Névoa... Flor... Beleza...”
O sonho se transcorre em véu macio,
E quando cada luz em ti, desfio
Percebo quão sobeja a natureza,

E sigo sem temor a correnteza,
Vagando sem destino em belo rio,
O quanto se percebe deste estio,
Gerando dentro em nós rara clareza.

Perpetuando a sorte de te ter
E nela me entranhando este prazer
Que há tanto procurara, sem sucesso,

E quando a cada noite vejo em ti
O amor que desejei e conheci,
A sanha rumo ao éter recomeço.

8


“Não se diz... Não se exprime... Não se traça. .”
Apenas tão somente ora se vive,
O quanto do passado já contive
Agora se transforma em vã fumaça

E tudo, com certeza sempre passa,
Apenas a querência sobrevive
Revendo cada instante que já tive
Deixando para trás a luz escassa.

Vivendo sem temores este amor,
E nele o meu futuro recompor
Sem medos, sem terrores, num mergulho,

Caminho que seguimos vida afora
Em rara claridade se decora,
Não tendo nem espinho ou pedregulho...





9


“em que adormece o luar... Delicadeza...”
Nas noites tão sublimes, maviosas,
Canteiros entre belas, raras rosas,
Tomados pelas ânsias da beleza.

E quando deste amor tanta certeza
Bebendo destas fontes fabulosas
Enquanto do meu lado sei que gozas
A sorte se mostrando com presteza.

Viver e ter nas mãos nosso futuro,
É tudo o que mais quero, e assim procuro
Alvissareiras horas junto a ti,

Mergulho no oceano de nós dois
Sem medo do amanhã, nem do depois,
No Paraíso enfim, que descobri...




10

“Silenciosa, imprecisa, etérea taça”
Aonde dessedento o meu desejo,
Do quanto que ainda quero sempre vejo
Amor ao me inundar, nunca desfaça

O rumo aonde a vida agora traça
A sorte muito além de algum lampejo,
Vivendo sem temor a cada ensejo,
Azulejando o céu sem mais fumaça.

O beijo sedutor de quem se deu,
Num mundo mavioso teu e meu,
Fantástica emoção já nos domina,

Não deixe que se seque de repente
O quanto em luz se toca e se pressente,
Divina e soberana, rara mina...


11


“como a bruma que vai na aragem presa . . .”
Seguindo cada rastro aonde fores,
Percebo a cada passo, belas flores,
O amor se preparando em tal surpresa,

A sorte delicada traz certeza
De dias mais sobejos, sedutores,
Delírios de dois seres sonhadores,
Traçando um novo mundo em tal beleza.

Aonde se pudesse ser feliz,
Viver com mais paixão tudo o que quis
Aflora-se em meu peito esta vontade

Que tanto em domina e me sacia,
Trazendo a cada sonho a poesia
Divina soberana que ora invade.


12


“Cabelo em sombra, olhar ausente, passa”
Distante do que outrora fora um sonho,
E quando me vislumbro em ar medonho,
Destino tão diverso a vida traça.

Ao vê-la, rara estrela sobre a praça
Momento mais fantástico e risonho,
Porém na solidão sigo tristonho,
E tudo neste instante já se embaça.

Restando ao sonhador o nada ter,
E quanto mais distante do prazer
Maior a solidão que assim encaro

Vivesse novamente uma ilusão,
Porém tantas tristezas se farão
Num céu que outrora quis brilhante e claro.


13

“Qualquer coisa infinita... Amor... Pureza...”
Qualquer que seja o sonho, nada além
Do quanto a poesia em si contém
Deveras mostrará tal Natureza,

A glória se perdendo na incerteza,
O medo se aproxima e sem ninguém,
Vivendo da esperança muito aquém,
Aonde se escondeu vital beleza?

Minha alma segue em vão, caminhos tortos,
Distante do que fossem cais e portos,
Os dias seguirão mais solitários.

E tudo se transforma em pó, poeira
A sorte se mostrando traiçoeira,
Domina em ar sombrio meus fadários...


14


“Leve... - Pluma . . . Surdina... Aroma... Graça...”
Indomáveis meus dias sem os ter.
E quando em ti percebo o bem querer,
A sorte noutro rumo já se traça,

Sentindo este perfume quando passa
Aquela que domina todo o ser,
Encontro nos teus olhos o prazer,
E o vento mansamente vem e abraça

Tocando a minha pele, doce brisa
O amor ao se mostrar chegando avisa
Do quanto poderei felicidade.

E tendo em teu olhar, estrela guia,
Minha alma neste instante fantasia
Paixão sem ter defesas, tudo invade!








A inveja é mesmo, de fato,
Todos sabem que é verdade,
O mais perfeito retrato
Da própria incapacidade!

Inveja de quê, amigo?
Me diga, quero saber,
Você fala, eu já nem ligo,
Tá pensando que é o quê?

Só por que tem um fusquinha
Que tá caindo aos pedaços
Cuide de sua galinha
Não me meto com seus pássos.

Eu tô sabendo e te falo
Me contaram, num sei quem,
Quando pisam no teu calo,
Tu não respeitas ninguém.

Minha casa é pobrezinha
Mas foi feita com juízo,
Eu não conto mais farinha
E nunca dei prejuízo.

Tudo o que tenho é meu,
E custou muito dinheiro,
Nunca ninguém percebeu
Eu roubando galinheiro.

O que ganho nesta vida,
Fica tudo em minha cota,
Ando com cabeça erguida,
Eu nunca fui agiota.

Minha mulher, se ela é feia,
Pode falar que nem ligo,
Eu não como bucho a meia,
E nem filé com os amigo.

Agora exijo respeito,
Não me chame de incapaz
Se não tiver satisfeito,
Pode vir que aqui tem mais!

Marcos Coutinho Loures
Marcos Loures



A Isca


Gilberto, filho de João Polino, era o maior pescador de Santa Martha; disso; Dona Rita e Ritinha, não tinham dúvidas.
Todas as noites, Betinho se aprontava para pescar, levando uma vara de pescar, algumas minhocas e um embornal.
No dia seguinte, era batata; Beto trazia uma enorme quantidade de bagres, lambaris, cascudos e acarás de fazer inveja a quem quer que fosse.
Para quem não conhece, o cascudo é o robalo da roça, peixe delicioso e de difícil captura. Vivendo nas locas de pedra, raramente pode ser pego no anzol. Mas isso era desconhecido pelas Ritas, mãe e filha.
Muito menos João Polino, já que odiava pescaria, embora não desprezasse um peixinho frito.
Lambari frito é um dos melhores tira-gostos que existem. Uma cervejinha gelada ou uma dose caprichada de cachaça com um lambari bem tostado é uma iguaria dos deuses!
Pois bem, Betinho se gabava de não voltar sem trazer pelo menos um a dois quilos de peixe. Sendo comum voltar com o embornal cheio, deliciosamente cheio.
Tudo transcorria às mil maravilhas até que sua irmã caçula, a Ritinha, começou a namorar um médico, lá dos lados de Guaçui.
Esse médico, um tal de Marcos, era metido a pescador e, sabendo das habilidades de Gilberto, convidou-o a pescar no rio Norte, braço do Rio Itapemirim.
A pescaria foi ao entardecer, pescaria de piau e de bagre.
No começo, Marcos acreditando que Gilberto era um experiente pescador, ficou meio assustado com a quantidade de isca que o mesmo levara, uma meia dúzia de minhocas.
Depois; a vara, muito curta e frágil, própria para piabas ou acarás de pequeno porte, não tinha muita pinta de que iria agüentar o tranco.
A linha, 0,10, muito fina para peixes maiores, ainda mais para o piau, lutador contumaz.
O mais interessante de tudo era o tamanho da chumbada, muito grande e pesada comparativamente com a vara e com a linha.
Até aí tudo bem, cada um com seu método, embora achasse estranho, Marcos nada comentou.
Mas, passando uns dez minutos sem beliscar, Beto, apressadamente, saiu do lugar e foi para outro lado. Mais dez minutos, outra mudança, assim sucessivamente até o final da pescaria.
Resultado; Marcos pescara dois bagrinhos miúdos e Gilberto, nada.
Como era de se esperar; Marcos, meio desconfiado, resolveu perguntar ao “grande pescador” o que havia acontecido.
Ao que Gilberto, prontamente, respondeu que eram problemas com a isca...
Passando uma semana, Marcos resolveu desafiar Gilberto a uma nova pescaria. Dessa vez não iria mas colocara uma meta para Gilberto, que trouxesse pelo menos dois bagres e se daria por satisfeito.
No final da madrugada, eis que Betinho aparece da aventura. Todo enlameado, com a roupa em petição de miséria; mas trazendo, orgulhoso, uma grande coleção de bagres, mandis, cascudos e, para espanto de Marcos, algumas dezenas de lambaris e acarás.
“Espera aí, Gilberto; que isca é essa que você usou que conseguiu pescar até lambari de noite”. Para os não aficcionados, lambari e acará são peixes diurnos...
Gilberto, todo orgulhoso, falou que, daquela vez, tinha acertado na isca e que isso era segredo.
Em posse dos dez reais apostados, Gilberto saiu todo serelepe.
Mas, depois de uns quinze dias, a isca milagrosa de Gilberto foi descoberta.
Descoberta e bem punida. A tarrafa foi apreendida, junto com a peneira.
Marcos está até hoje cobrando os dez reais da aposta...
Publicado em: 03/01/2008 21:17:55




A lua imensa e cheia
A lua imensa e cheia
Domina este cenário
No amor seu estuário
Que tanto nos rodeia
A vida segue alheia
Ao mal desnecessário
E vejo imaginário
Delírio onde incendeia
O passo sempre além
Do quanto inda contém
Na glória de ser teu,
Vibrando em flórea senda
O amor que nos entenda
E nunca se perdeu.



A lua merencória dos poetas
E fico a pensar.
teu corpo,
ao lado do meu,
suave fragrância ...

O amor exalando ...
(ivi)



A lua merencória dos poetas
Deitando tanto brilho sobre nós,
Uma estrela cadente vem veloz
Descreve em pleno céu sublimes setas.

Sabendo dos prazeres, nossas metas,
O amor que outrora fora nosso algoz
Derrama maravilhas, tem por foz
Paisagens delicadas e diletas.

Mereceria enfim felicidade,
Aquele que teimando em liberdade
Por vezes fez do verso sua grade?

A rara fantasia nos invade,
Será que encontrarei a claridade?
Respostas eu procuro, mas quem há de?

Publicado em: 31/12/2008 11:11:56



Esse amor, em puro canto
Vai compondo um novo encanto
Uma alegria, sem par...

Tantos risos, tantos sonhos
Os nossos, rostos risonhos
Vivem claros, a espelhar

Em festa, seguindo avante
Prosseguimos, caminhantes
Chegar, lá em Shangriláa

Terra dourada da vida
Eternidade, ao luar
Terra, dos sonhos de amor
Que tecemos, para nós

Um recanto, tão divino
Onde te fazes menino
Numa alegria, geral

Lugar de encanto, afinal
Aonde menina, mergulho
Em divinal, manancial

Loucuras? Coisas banais?
Uma só, breve, ilusão?
Mas nos diz, esta canção...
Que devemos crer no amor!


Amor já é loucura, pode crer,
No amor não há jamais banalidade
Preciso dum amor para viver,
Senão não vale a pena; é falsidade.

Bebemos desta fonte desejosa
Que traz sempre desejo e dá prazer.
Jardim sem colibri, matando a rosa,
A rosa sem espinhos, vai morrer...

Por isso minha amada, a cada achado,
Que faço nesta vida, um bandeirante,
O verde da esperança, esmeraldado,
Dá força pra seguir, sempre adiante...

Te quero mineirinha de Bragança,
E o beijo que te dou daqui, te alcança!

ANE MARIE
Marcos Loures



A lua sobre nós
Corria entre meus dedos
A sorte antes do dia
Aonde eu saberia
Da vida seus segredos
E os tempos idos, ledos
Trazendo em agonia
Aquém da fantasia
Momentos em degredos,
Agora sou tão teu
E nisto apareceu
A lua sobre nós
Tornando manso o clima
Por onde a vida prima
Gerando a calma foz.


A lua solitária reina plena
E meu coração
sente esta
vontade de ti ...
(ivi)



A lua solitária reina plena
A deusa soberana e tão soturna
Na prata que se espalha nesta cena,
Esplendorosa diva-mãe noturna...

E as plêiades vagando no universo
Rendendo as homenagens vaga-lumes
Num mundo gigantesco e tão disperso
Estrelas faiscantes são cardumes...

Na profusão de luzes e de cores
A dança sideral jamais termina,
Meus olhos de teus olhos refletores,
O amor se consolida como sina

De um velho trovador enamorado,
Cevando os madrigais louvando o Fado...
Publicado em: 05/01/2009 17:50:55



A MAÇÃ DO PARAÍSO
Aquele grande cientista alemão mostrou ao mundo sua mais
nova invenção. A Maçã com gosto de bu..eta
- Agora vamos entrevistar o nobre cientista, podemos provar um pedaço dessa maçã?
- Claro, vai fundo!
- Crunch...Gasp, argh!!! Tem gosto de merda
- Ah, é que você mordeu do lado errado.

A MACARRONADA DA DONA RITINHA
Vai buscar alho, Oscar,
Vai buscar alho
Vai buscar alho
Que estou cheia de trabalho...

Dona Ritinha
Foi fazer macarronada
Tão conhecida
Tão gostosa e afamada

O seu Oscar
Dormia no sofá
Roncando alto
Incomodando a meninada

Ao reparar
Que faltava ingrediente
Macarronada
Só é boa se al dente.
A dona Rita
Foi chamar o seu Oscar
Para comprar
Na vendinha do Seu João
O véi tomou
Um susto disgramado
Aí então
Começou a confusão..

Vai buscar alho
Oscar...

A LUZ DE UMA AMIZADE


A luz de uma amizade permanece
Depois do duro golpe, desengano
A senda de um carinho, logo tece
O canto que se mostra soberano,
Vivendo deste sonho, favorece
A quem percebe amor como seu plano
Toando uma canção em toda parte,
Trazendo um bom calor, sempre reparte.

Assim, os passageiros desta nave,
A Terra, que capota todo dia,
Buscando a liberdade invejando a ave
Distante de uma estrela feita guia,
Tropeça em suas pernas, duro entrave,
Não vê no próprio rosto a fantasia
De um tempo mais airoso e mais feliz,
Vivendo tão somente por um triz.

Não deixe que se perca este caminho,
Na glória de poder se libertar,
Quem anda o tempo todo tão sozinho,
Talvez não possa nunca mais achar
Faltando proteção, e sem carinho
Difícil, com certeza navegar,
Do amor que nos encontra em claridade,
Trazendo no seu bojo uma amizade.

Por vezes eu me encontro num dilema,
Sabendo que talvez não venha nada,
A vida não permite que outro lema
Transforme a direção da bela estrada,
Apenas resolver qualquer problema
Não traz a garantia que foi dada
De uma felicidade esplendorosa,
Que exige mão mais firme e caridosa.

Meu verso é tão somente um triste alerta,
O mundo necessita da amizade,
Uma alma solitária já desperta
O vago de uma individualidade,
Porém se ela se encontra mais aberta
Recebe sem limites claridade
E alçando outro caminho brilhará,
E a todos com certeza, guiará...
Publicado em: 20/10/2007 22:40:13



A LUZ DE UMA AMIZADE

Que Deus proteja sempre os inocentes,
São vítimas do mundo tão cruel
Que crava em carne fresca finos dentes
Matando simplesmente em duro fel,
Negando uma esperança que entrementes
Se cobre com funéreo e triste véu.
Amor se faz de tudo a claridade,
Tocado pela luz de uma amizade...
Publicado em: 22/11/2007 15:40:35



A LUZ DO NOSSO AMOR /

Quando chegar à tua casa
Abrirei a porta e entrarei devagar
Irei todo ambiente no segundo
Assim rapidamente iluminar

Irei irradiar luz
Através do amor que levo
Não ficarás mais desanimado
Sim, sorrirás por certo

E quando os braços estendidos
Vier sem esperanças me ofertar
Também estenderei os meus
E o amor finalmente se fará

A luz tão penetrante que irradias
Invadindo o meu quarto, qual a lua,
Deixando bem distantes noites frias,
Aquece-me em seus raios, forte e nua.

Verdade que te digo, nua e crua,
Mostrando tão somente as alegrias
Nas quais a minha vida já flutua
Reinando sobre os sonhos, fantasias...

Sorrisos que trarei ao ver-te estrela
Deitando em minha cama, luz tão bela,
Roçando minha boca com desejos...

E assim mal surja enfim uma alvorada,
De sol a bela luz se faz banhada
Desnuda em deslumbrantes azulejos...

GELIS
MVML


A LUZ DOS OLHOS TEUS
Razão de cada verso que eu fizer
A luz de teu olhar logo conquista
Mistérios em teus olhos de mulher
Prazer que em noite intensa já se avista...

A mão que lapidando esta pepita
A mão que lapidando esta pepita
Transforma em jóia a pedra fria e bruta.
Silêncio dentro da alma, sabe e escuta
Nos sonhos, fantasias acredita.

Tu tens este poder em tua escrita,
Na mágica palavra, a tua luta
Eu louvo enquanto admiro esta conduta
Que tens para com todos, tão bendita.

Cativas com teus versos, poesias,
De métrica perfeita e nos ensina
Técnica de quem sabe e assim domina

Espalhando fulgores e magias.
Aceite deste pobre trovador,
Os versos que hoje faço qual louvor...




"A maior pena que eu tenho,
punhal de prata,
não é de me ver morrendo,
mas de saber quem me mata."
(Cecília Meireles)

A mão que me acarinha esconde a faca
E ao mesmo tempo ri, se escancarando.
Na noite em que dormimos quando atraca
Ataca minha boca, me sugando.
Depois chamo ambulância e vou de maca
Mas volto noutra noite te buscando...

Refaço-me do susto e recomeço,
Bem sei que isto te faz, amada, forte.
Não vejo mais meu rumo ou endereço,
Aceito tão passivo a minha morte.
Talvez reste de tudo algum apreço

Mas sei que morrerei nos braços teus...
Bebendo do prazer em doce adeus..
Publicado em: 25/04/2007 10:46:51



Esse amor, não nasceu feito semente...
Surgiu feito torrente, intrépida!
E envolveu meu ser...
Por isso, não posso contê-lo...
Limitá-lo...

Me adentra e extravasa...
Impregnando a minha alma...
É força a alçá-la...
Fazer levitar...

Como dizer que tudo foi uma brincadeira?
Alguma bobeira de menina sonhadora?
Fantasia bela de uma ilusão passageira?

Com certeza,
Mesmo não sabendo explicar-te,
Este amor se fez,
Razão do meu viver!

Oxalá houvesse em ti,
Amor igual...

Poderias então,
Sem o temor usual,
Dos contemplados, com um amor, tal,
Me compreender!

Compreender,
Que este amor, por você,
Se faz, dádiva dos céus!

Ah! Como eu amo você!


Por Deus o nosso amor foi contemplado,
A sina que nos une é muito forte.
Caminho sorridente do teu lado.
Contigo reconheço, tenho um norte.

Os olhos impregnados de futuro,
As mãos cultivam frutos condizentes,
Nosso ar vai se tornando bem mais puro,
Acalmam-se panteras e serpentes...

Vagamos por espaços bem mais leves;
Em mares mais serenos, calma areia
Eu peço que jamais retornem neves
Que calem este sol que nos clareia

E vamos, mãos atadas, destemor...
Vivendo na magia deste amor...

ANNE MARIE
Marcos Loures


A MAGIA DO AMOR./

Estávamos naquele face-a-face
As bocas tão unidas - língua-à-língua -,
Crescendo a fonte, então, como uma íngua
Você naquele jogo - aquele impasse.

Daí pra cama em louca cunilíngua
Prazer que já domou, sem ter disfarce
A fonte que secava quase à mingua
Pediu que sempre assim continuasse.

Recomeçou o jogo - a sedução -,
Foi expelido a lava do vulcão
Ficando em nós um gosto inerente!...

E a moça sem fazer qualquer esboço
Desmaia na hora agá. Um alvoroço.
Fui obrigado a pôr um pano quente...

GONÇALVES REIS
Marcos Loures


Quero agora e prá sempre,
Ficar só do teu lado...
Meu poeta preferido...
Meu mago!

Por que com tua magia,
Recheaste de alegria
Os meus dias...
Lindo ser alado!

E agora,
Que me vejo encantada,
Neste mundo mágico...

Minha grande alegria,
É permanecer do teu lado!
Com amor meu amado!


Em versos, velas, mares e magias
Os sonhos vão mais livres pelos ares.
No encanto que se toma em poesias
Colhemos nossos frutos nos pomares
Aguando com desejos, alegrias,
Fazemos dos amores, os altares...

Encantos delicados e sutis
São nossos companheiros mais constantes
Os dias que queremos mais gentis,
Nós cultivamos sempre. Por instantes
O mundo que sonhamos, mais feliz,
Se torna bem mais vivo e deslumbrante.

Estou contigo, amada em cada verso,
Vivendo por encanto, este universo...

ANNE MARIE
Marcos Loures


Em sonhos modifico o meu destino,
Crescendo a cada dia, amadureço.
Mas guardo este sorriso de menino
Que já sabe da queda e do tropeço.
Aprendo a cada instante e não sossego
Tateio tantas vezes, quase cego..

Povôo de ilusões o dia a dia,
E nisso me defendo contra a morte.
Aprendo com tortura e fantasia
A vislumbrar assim, um novo norte.
Nos passos nos percalços, mão amiga
Que ampara e que garante enquanto abriga...
Publicado em: 31/05/2007 11:14:14



A MESMA SOLIDÃO

Acreditava enfim em fartas rosas
Aonde se espalhara esta semente
E agora tal cenário se apresente
Em turvas tardes frias e penosas,
O quanto deste sonho não mais gozas,
O todo se desnuda plenamente
E o quanto do viver de mim se ausente
Porquanto as horas morrem dolorosas,
E tantas ilusões a vida traz,
O sonho mais feliz, hoje mordaz
Apenas uma vã caricatura
Do todo desnudado em tua ausência
Sem ter neste canteiro a florescência
A solidão adentra e me amargura.


A mão sendo assim tépida e voraz
Puro gozo em meu gemido
Estimula-me teu tato...
Teu amor eu não rebato.
Prisioneira da libido.

Ana Maria Gazzaneo

A mão sendo assim tépida e voraz
Impede alguma gélida distância,
E quando a minha voz se torna audaz
Deixando para trás, a discrepância
Da vida em que procuro amor e paz,
Usando com fineza da elegância

De um verso que desnudo e cristalino,
Entrega-se a libido sem; contudo,
Ferir o doce e meigo feminino
Calor no qual mergulho e não me iludo,
Fazendo deste encanto um desatino
Aonde amor, declaro; mesmo mudo.

E tendo por bandeira esta paixão,
Entrego à fantasia, o coração...

Publicado em: 04/01/2010 21:26:24



A maré que se faz cheia Já recheia de saudade

A maré que se faz cheia
Já recheia de saudade
Quem há de dizer sereia
Quando anseia a liberdade.


A Maria diz que tem
A Maria diz que tem
É mentira da Maria
Eu não gosto de ninguém,
Só namoro a poesia...

A Maria é mentirosa
A Maria é mentirosa
Não dê crédito, querida,
Fui buscar a bela rosa,
Minha mão saiu ferida...


A Maria tem gogó,
A Maria tem gogó,
Fala grosso sim senhor,
Mas não anda assim tão só
Arranjou um jogador...



A mata despertando seus cantores,
Meus versos tem
alma de Amor
e são, somente,
pra ti ...
(ivi)

A mata despertando seus cantores,
E as flores colorindo este cenário,
Expressa com soberba tais primores,
Enquanto em liberdade ouço o canário,
Vencer os turbilhões; saber sabores,
E ter no seu caminho um lampadário.

O verso mais audaz se diz amor,
E trama com certeza medo e riso,
Não posso me calar, em seu louvor
Eu faço desta estrofe o que é preciso,
E embora tantas vezes sofredor,
Jamais terei enfim qualquer juízo

E mergulhando às cegas, nada temo,
Nas tramas deste encanto eu já me algemo...



À meia noite a festa prometida
Es medianoche, el cabaret despierta,
muchas mujeres, flores y champan;
va a comenzar la eterna y triste fiesta
de los que viven un ritmo y un afan.

CARLOS GARDEL

À meia noite a festa prometida,
Nos cabarés as luzes multicores,
Falando da ventura dos amores,
Da sorte a cada esquina, já perdida.

Nos olhos da mulher que me convida
Eu vejo refletidas tantas flores,
Bebendo no seu corpo estes licores
Eu tento retornar à minha vida.

No afã de ter somente uma alegria,
O olhar tão desejoso, assim recria
Imagens que vivemos... Mas perdi.

Depois de tantos passos, tempo afora,
O ritmo das orgias revigora,
Porém, inutilmente busco a ti...



A melhor coisa da estrada?
A melhor coisa da estrada?
Bicho de pé e mulher!
A mulher vale de nada,
Se o bicho num fica em pé!


A MELHOR PARTE DE MIM
A melhor parte de mim
Ficou pelo caminho
Já deu seca no jardim
Agora vou sozinho.

Você foi a criatura
Que me fez sofrer demais
A cortar a ditadura
Nunca mais fiquei em paz

Agora o que fazer
Se em nada posso crer
Vivendo por viver
Sem ter qualquer prazer

Do jeito que isso está
Eu tento, mas não dá
Amor já não dá pé
E venha o que vier

Estou amargurado
Sozinho desprezado
No fundo magoado
Cansado de tentar
Fazer xixi sentado....

A melhor rima que eu sei Encontrei nos lábios teus


A melhor rima que eu sei
Encontrei nos lábios teus
Pois se nela amor rimei
Solidão já deu adeus...







Ah! Menina tonta,
toda suja de tinta
mal o sol desponta!

Cecília Meireles



A menina brincando com tinta
Pintando de esmeraldas o meu céu,
Ao mesmo tempo sonho enquanto pinta
Lambuzo de aquarela o meu corcel

Que vai pelos espaços, se retinta
Da tinta esparramada neste véu
Jogado nalgum canto. Nunca minta
Para menina, abelha, cera e mel.

Menina cavalgando o seu cavalo,
Desponta para o sol, menina-moça
Amor, castelo, toca num resvalo

O coração pacato da menina,
Formando da ilusão em gotas, poça
Paixão adolescente e genuína...

Publicado em: 20/03/2007 09:34:35



Minha alegre menina quero a dança
Do teu corpo, requebros sobre mim;
A noite verdadeira já se avança
E a boca mais sedenta,carmesim...

Alegres os compassos da esperança
Que queimam seu pavio até no fim.
No fogo deste estio, não se cansa,
E sabe que me ganha, inteiro sim...

Tua alegria imensa contagia
E faz de cada gesto a sedução.
Que esquenta todo amor em fantasia

E tudo, sem ter tréguas, contamina,
Ardente como o fogo da paixão,
Na dança tão alegre da menina...

Se a menina consegue dançar,
É porque tem um grande par
Que a conduz rumo ao salão da vida.

Se tal paixão existe
Se deve a um certo poeta
Encantador de palavras
Que conquistou um coração temeroso,
Com tudo na medida certa.

Menina do planalto central
Só pensa em um mineiro genial.
Deseja que ele a tome pela mão,
Levando para uma terna sedução.

Marcos Loures
Aracelly Loures


A menina quando cresce
A menina quando cresce
Pensa logo em namorar,
Esperanças ela tece,
Só deseja assim beijar...



A mentira que contaste,
A mentira que contaste,
Na verdade me ajudou,
Sol e lua num contraste
Tanto fez que até nevou...


A MERETRIZ E A SANTA
Trazendo o viço da vida
E um vício, felicidade.
Perseguindo na cidade
As portas da despedida
Do tempo que fui feliz
No colo da meretriz
Matada por ser verdade
O boato que dizia
Que em toda essa eternidade
Rasgando essa fantasia
De dona desse bordel,
Viajava pelo céu
No cabo desse cometa
Que comentam que surgia,
No nascedouro do dia
Pelas alvorada afora
Que desde que foi embora
Escurraçada, essa moça.
Nunca mais quebrou a louça
Que compunha nessa Igreja
Para quem quiser que veja
A clarear nesses dia
Nessa imagem dessa santa
Olhos da Virgem Maria.
Pois então desde esse dia
Ando vida solitária
Buscando cara metade
Mas no mundo sem alarde
Num tem esperta ou otária
Que queira, de serventia
Ou por amor ou decreto
Viver, amar de concreto
Fazer da vida a valia
Que possa dar compromisso
Fazendo do jogo atiço
Do rogo desse serviço
Que traga minha fornada
De pão e de poesia
Pra poder só nessa estrada
Ser a minha estrela guia
Essa mão que me consola
Que me carrega a viola
E me ensina nessa escola
De que serve a valentia
Se nada mais me trazia
O rebento desse dia
Que acende todo pavio
Que me deixa por um fio
Antes que nada avacalha
Sou do fio da navalha
E gosto de ser assim
Que tudo seja por mim
Como nada mais poderia
Se tivesse essa fantasia
De ser feliz com mulher
Se Deus isso não quer
Por culpa da cafetina
Que amei desde menina
Que voava sem ter asa
Pelas soleiras das casa
Esquentando feito brasa
Aquele que nunca se acha
Que pensa que vai, despacha
E que carregando essas acha
Pra aquecer tempo mais frio
No mundo segue vadio
Meu coração sem atino
Acostumou com destino
De viver do desatino
Por causa de bruxaria
De quem nunca foi compasso
Com pressa nem o cadarço
Da vida amarrou direito
Trafegando no meu peito
Sem rumo e sem direção
Foi o lastro desse chão
O gosto azedo da vida
Assumindo a despedida,
De quem nunca mais voltou
As asas criadas vento
Os olhos partidos, tento
Fazer desse meu intento
O meu maior instrumento
Se preciso restaurar
As mãos estão calejadas
Perfumadas por suor
Trincadas pelo melhor
Da vida que a vida nega
A quem na vida trafega
Sem ter rumo que se entrega
Nos traços desse meu lápis
Que com grafite bem negro
Não deixa mais que me escapes
Sorte sem rumo e apego
Minha sombra rela o pé
Atravessa esse portão
Formiga das lava pé
Queimando meu coração.
O amor, foi reviravolta
Sentou praça sem escolta
Vacilou, o amor caiu
Ralando o seu joeio
Sangrando todo vermeio
O coração já saiu
Andou dando devorteio
Na viola que ponteio
Do mundo roçando o meio
Varando pela porteira
Que permitiu minha fuga
Mas agora já refuga
Disfarçada em brincadeira
Dessas de saltar fogueira
Nas noites de sexta feira
Na coruja da ribeira
Qual mocho de bico torto
Vou seguindo absorto
No meio desse caminho
Que vai pra trás da fazenda
Perto daquela moenda
Que moendo, me matou
Os olhos perdidos ao leu
Percorrendo nesse céu
Em busca de minha amada
Única infeliz madrugada
Que acalentou minha lua
Que andava toda nua
Nos meus sonhos mais gulosos
Agora, como os leprosos
Do testamento mais velho,
Sem Cristo pra me curar
Embolado escaravelho
Me enovelo devagar
Qual fora ouriço caixeiro
Me defendo dos cachorro
Que lá por cima do morro
Já passam o tempo inteiro
A preparar o seu bote
A minha sina mais forte
Aquela que leva pro norte
Procurando minha sorte
Mas só tenho minha morte
Pra poder negociar
No fundo, pode estar certo
Que nada tendo por perto
É o que melhor vai tocar
O coração deslambido
Que bate de tanto sofrido
Num acalanto sem rima
Acabando com estima
Estrume tomando tudo
O corpo vai cego, mudo
Eu nem sei se me ajudo
Se posso saber o contudo
Se não sei nem o porque
De tudo que posso ver
Tá tudo selecionado
Nas cismas da minha sina
Feito mágoa cristalina
Feito matreira saudade
Gerada por contrafeitos
Contra os meus próprios defeitos
Nada posso argumentar
Só sinto nada ter feito
Nem do doce nem confeito
Mereço ao menos respeito
Pela dor que trago, o peito
Batendo feito demente
Trazendo para essa gente
Esse canto de amargar
A boca da noite vigora
Essa minha triste espora
Machuca qual catapora
Queima tal qual caipora
Me lembrando que agora
Já ta chegando minha hora
O meu tempo já se estora
É hora de ir-me embora
Embora fora de hora
Agora chegou minha hora
Doutor vou já vazar fora
Desculpe pela demora
A lua já se ancora
A barra da noite aflora
E terminando essa história
Carrego nessa memória
Os tristes olhos da Santa
Quebrados, por essa moça
Cuja carne não foi louça
Sangrada até não ter força
Com ela também fui morto
Meu pensamento absorto
Procurando por um porto
Onde possa ter descanso
Procurando pelo remanso
Desse rio que se encurva
Pra no meio dessa curva
Numa noite do sertão
De lua e de poesia
Enterrado, sem valia,
Meu inútil coração...
Publicado em: 27/07/2006 20:32:59



Seu delegado, desculpa
Preciso me confessar
É somente minha a culpa,
Isso não posso negar.
Foi coisa de valentia
Ou bobage das graúda
Só sei que naquele dia
Falando em conta miúda,
Apercebi minha amada
De um jeito mais diferente
Ness’ hora desesperada
Em que tudo, de repente
Se transforma, denda gente
Nesse coração doente
Amante sem ter consolo
Nu meio desses embolo
O gosto amargo do bolo
Servido no meu casório
Estragando todo espólio
Cortando feito sapólio
O triste sabor desse óleo
Que no meio desse embrólio
Faz a gente nem pensar
Nos beijo de amor trocado
Nos sonho mais delirante
Desses dia apaixonado
Que passemo na invernada
Da vida desconsolada
Trazendo sorte e recado
Do tempo mais serenado
Nos óio, nesses semblante
Dessa muié cativante
Que a vida num belo instante
Aportou nesse meu barco
Transformando todo o arco
Desse mundo tão mais parco
Mas, criando novo sonho
Peito deveras tristonho,
Nesse momento feliz
Escapando por um triz
Escreve na vida o giz
Me dá a certa medida
De quanto vale essa vida
Mesmo que seja sofrida,
Mesmo que seja do nada
No cabo da minha enxada
Meus fio sempre criei
Nas noite que transformei
Em momento de fartura
Rolando na cama escura
Brincando com a loucura
Dessa minha fermozura
Que era essa minha muié
Bela da cabeça aos pé
Cheia de tanta doçura
Num beijo que mais atura
Na caçada da percura
Viveno cumo Deus qué.
Apois bem seu delegado
Esse home paxonado
Pelo amor mais disgramado
Pelo desejo safado
Desse corpo delicado
Dessa minha companhera
Por quem essa vida intera
Procurei desde premera
Dende as hora que a partera
Anunciou minha vinda.
Dende bem menino ainda
Sonhava com essa linda
Moça, com quem casei.
A quem munto já amei
A quem tudo dediquei
Nessa sina desmedida
Que cumpro por ser a vida
Minha maior esperança.
Renovada nas criança
Que por a vista alcança
São as gota de orváio
Que num dia de trabáio
Do suó de Deus brotô
Acendendo o fogarero
Que trago no meu bestero
Coração mais sonhadô
Me descurpa seu dotô
Eu assuntar tudo ansim
Eu vou conta pro sinhô
O que que onte passou
Vortava da minha lida
Dura lida nesta roça,
Discurpe, meu peito impoça
Nas lágrima mais doída
Nas marca tão dolorida
Que varejaro a ferida
Aberta no peito meu.
Antes tivesse num vindo
Antes hovera ficado
Bem que já tava sentindo
Um gosto bem amargado
Por isso vortei mais cedo
Antes das hora devida
Mas Deus me deu o segredo
Dessa vida mais bandida
Numa tristeza sem par
Num divia, seu dotô
Pru mode pode encontrá ,
O que num imaginava
Nunca podia sonhá
Cum o que vi na hora
Mais dorida que vivi
Na cama desembestada
Nas coberta revirada
Um corpo deitado, nu
Abraçando minha amada
As marca já derramada
Das lágrima da jornada
Sangrando o peito doente
Sangrei tudo de repente
De repente tudo foi-se
No corte da minha foice
Dos taio já bem taiado
Nos gorpe desesperado
Desferido, por pecado
Por um cabra paxonado
Que agora aqui delegado
Perfere ser degolado
Do que bem ser perdoado
Pelo que pude fazê
Duas morte já carrego
Minha vida já arrenego
Meus óio já tão mais cego
Pruque preferi não vê
O qui num teve mais jeito
Que me sangra nu peito
O qui num posso escondê
Im quarquer dia ou horaro
Im quarquer tempo diverso
Essa dor num assucaro
Rasga meu mundo diverso
Pois eu num pude entender
Que bem que eu preferia
Nunca mais eu ver o dia
Nem saber dessa arrelia
Que matô a fantasia
Que meu deu o disamparo
Pois cum todo meu preparo
Pros troço mais cumplicado
Me dexa desamparado
Eu queria ter cegado
Do que tê visto seu moço
Nu mei de tanto alvoroço
Os braço da minha amada
Tava de riba trocado
Cum dois braço, meu pecado
Desses da vida sangrado
Num tem jeito nem amparo
Tô na vida, disgraçado
Preste atenção, delegado
Me diga se eu to errado
Eta mundo mais avaro
Ao ter visto, arreparado
Percebi que to ferrado
Os braço mais abraçado
Com esses braço entrelaçado
Eram os braço do vigáro!
Publicado em: 14/02/2007 06:57:15



A minha dor
A minha dor

Restaurar meu peito desse amor escasso
como posso, se o ardor que ali me incendeia
fere-me, como se por dentro pontiagudo aço
rasgasse tudo em mim, cortasse a veia.

Quem vai mexer nessa ferida inda sangrada,
arrancar-me lá de dentro um grito agudo,
abrandar em mim esta dor tão encravada

e fazer com que eu mereça amor, antes de tudo.

Mas voltares a me amar, como me iludo!
Seria isso para mim um sonho, um acalanto,
sinfonia repousante, anjo-amor de outras esferas!

Quando morrem meus enganos, vivo então meu pranto
e não encontro cura pra esta alma em desencanto;
deixa-me arder na minha fogueira de quimeras!

Golberi Chaplin

Numa álgica expressão, calor e medo,
Senzalas e medonhas tempestades.
O amor ao decifrar cada segredo
Perambulando à solta nas cidades;

Enquanto nos condena ao vil degredo,
Esboça num sorriso falsidades,
Mudando vez em quando cada enredo,
Irônico nos traz ansiedades.

Fogueira das vaidades incendeia,
Nos laços sem pudor, a frágil teia
Tecida por aranha traiçoeira.

Invento um Paraíso que não creio,
E sem querer, insano; chamo e ateio
Fomentando afinal, esta fogueira...
Publicado em: 29/12/2008 17:55:23

A MINHA DOR...

Minha dor pétrea, tépido deserto..
Míticos sentimentos, dor funérea.
Procuro por minha alma tão etérea...
E, repentinamente, me desperto...
Publicado em: 27/09/2007 15:19:28




A MINHA ESPERANÇA -

Saudade tanta, que em meu peito, se agiganta...
Mostra teu rosto, muito aquém de um abraço...
Minha alma triste, de saudade, vaga aflita...
Ao te encontrar, te afagar, feliz será!

Por várias vezes ao sentir a dor
De quem partiu sem dar sequer notícias
O coração vazio e sem calor
Buscava em desespero por delícias

Mas tinha o sofrimento do depois.
Quando o vazio vinha e me tomava.
Saudades torturantes de nós dois,
Dia de tua volta não chegava.

Espero te encontrar de manhã cedo,
E deixo a porta aberta, na esperança
De que talvez por arrependimento

Retornes do cruel, duro degredo.
Então dentro do peito uma festança
Eu juro, não terei ressentimento...

ANA MARIA GAZZANEO
Marcos Loures



No meu verso mais sincero
Eu preparei esperança
Tanto amor que sempre quero
Na alegria da criança
Neste sonho que venero,
Amor trazendo aliança
No mundo em que me tempero,
Sangrando viva lembrança
Deste amor, amor que gero,
Longa distância se alcança
Neste grito que libero,
Minha voz nunca se cansa...
Publicado em: 19/02/2007 17:38:24


Do teu caminho conheci segredo
Dos mansos passos luzes, brilhos, paz...
Penas que foste embora logo cedo,
Deixando apenas a lembrança audaz
De uma guerreira impávida, sem medo.
Tanta tristeza minha noite traz!
Na vida eu merecia um outro enredo.
Será que prosseguir, eu sou capaz?

Pois quando enfim chegar o triste inverno,
O coração vazio, quieto e triste.
Amor que merecia ser eterno;
Jóia entre tantas jóias, a mais rara,
À dor da punhalada não resiste
A ausência deste amor que se foi para
A mais brilhante estrela do universo
E surge, renascendo em cada verso...
Publicado em: 12/12/2006 15:04:23



No meu canto mais sereno,
Vontade de agradecer
Este amor deveras pleno
Que tanto ajuda a viver.

Encontro-me satisfeito
De saber deste carinho
Transbordando no meu peito
Não me deixa andar sozinho...

Minhas alegrias são poucas
A minha tristeza é tanta,
As minhas noites vãs, ocas,
A voz da saudade canta...

Mas depois que a alma lagrima
Amargando a solidão,
Eu relembro tua estima,
Meu porto de salvação...

Por isso não me abandone
Nunca mais querida amiga,
Não quero mais noite insone.
O teu colo, a vida abriga...
Publicado em: 14/02/2007 16:02:46



À minha alma já servia
À minha alma já servia
O que tanto procurara
Numa noite bem mais clara
A certeza de outro dia
Onde alheia a fantasia
Dita a sorte que me ampara
E deveras tal seara
Nela vejo em sintonia
Passo além do que pudera
Eternizo a primavera
Onde a sorte se assemelha
Ao que tanto inda rodeio
Coração de sonhos cheio
Nos teus olhos já se espelha


A minha alma que era aflita

A minha alma que era aflita
Agora não sofre mais,
Ao ver a moça bonita
Vai seguindo amor em paz...


A Minha Alma

A minha alma, tristonha caminheira,
Buscando pelos passos de quem amo...
Nas endeixas perdida por inteira,
Nos braços de quem peço, triste clamo...

Como a criança sofre com os medos,
Os gozos que persigo atemorizam...
Nas vezes que persigo seus segredos,
As dores de minha alma traumatizam...

Pomba rola que voa sem destino,
O pântano que me deste de presente,
Causando em mim, perjuras, desatino,
O nada que se perde, nem pressente...

As noites sem sentido, são mundanas,
Os beijos que teimei foram ocaso,
Tais marcas de veneno que me empanas,
São formas de viver simples acaso...

A noite que mendigo é tão aflita,
Perdido nesta mata, neste bosque...
No peito silencioso a alma se agita,
Nas noites tanta perna que se enrosque...

Minha alma, empedernida, não se acorda,
Dos sonhos que alucinam meus sentidos...
A borda do que somos, perde corda,
Os montes que vivemos, dos olvidos...

Minha alma, procurando pelo alvor,
Destila toda cor de bela aurora,
Trepida, procurando por calor,
A vida que me deste foi embora...

Quebrado todo o pote, foi-se o doce,
As pombas que cantaram, seu arrulo,
Quem dera que restasse nunca fosse
Amor que me encantava, já não bulo...

Ouvindo toda noite tal soluço,
O canto das cigarras não se imita,
Nos trotes do cavalo, rocim, ruço,
O peito tartamudo louco, grita...

Procuro por passagem neste porto,
Espero conseguir um novo pouso...
Um resto de sentido queda morto,
Das tétricas saudades, sou esposo..

A porta que fechaste, gemedora,
Não pode nem sequer por isso chora,
A mão que me carinha, redentora,
Olhar que agora lanço, já te implora...

No meio de tristezas tudo somo,
No seio desta noite, pleno breu,
O mundo se ilumina deste assomo,
O tanto quanto amei já se perdeu...

Perdendo meu sentido e toda a calma,
Pressinto renascerem ilusões,
São falsas e disfarçam a minha alma,
Sentidos e promessas, ilações...

Quem dera tanto amor de duas vidas,
Não fosse de repente assim fanado...
As marcas que me mostram despedidas,
Percorrem sem destino os feros fados...

Quem duvida não pode nem quer crer,
Amar um triste jogo, perigoso,
Mesmo que ganhe, sempre vai perder...
A mão que te machuca te dá gozo...

Exclama tempestades sempre já...
Nunca espera nascerem novas folhas,
A lua que brilhou não brilhará.
As rosas que espreitaste não recolhas...

As páginas que tanto foram lidas,
São restos do que vida, já se foram...
Carinhos que me deste, despedidas,
Os medos qual foguetes, sempre estouram...

As dores que me urtigas são remotas,
As noites que me levas são chorosas,
De tanto que sonhei perdi as cotas,
Amar sempre traduz, maravilhosas...

Quem dera dedicar todo meu canto,
A vida se resume em gesto nobre,
Minha alma vai buscando teu encanto,
O medo da saudade já me cobre...

Num vale dolorido, amor desmaia...
Na pantomima mímicas venais,
A calmaria foge desta praia,
Os olhos embotados, nunca mais...

Não quero nem permito tantas queixas
Do coração que bate nova plaga,
Misturam-se desejos com as gueixas,
A forma de viver tudo, me alaga...

Amar que me pergunta sempre e quando,
As pétalas desfeitas nunca beija,
Nos sonhos que produzes, mergulhando.
A cama se demora e não deseja...

Levanta sutilmente a tua saia,
Sem perceber, audaz, a noite avança...
Deitados envolvidos nesta praia,
Amantes se desnudam, tanta dança...

A vida por tristezas vai banhada,
Nos medos que deixei restaram prantos...
A calma se transtorna, desolada,
Nosso sexo invadindo sob os mantos...

Amor que se delira com afinco,
Na mata penetrante mais escura,
Recebo com delícias o teu brinco,
Amar-te é consumir toda a ternura...

O medo de morrer já me levou
Às margens do que fora um triste rio...
Meu pranto que, de espanto, já nevou,
Derrama sobre tudo um canto frio...

Minha alma de ternuras ressuscita
Palavras que jamais compreendi,
Rompendo meus sinais, resume a fita,
Minha alma vai perdida em mim, sofri...

Minha alma de rancores violentos,
Por céus penetra, infinda, como o medo...
Os campos que conhece, são sedentos,
De tudo quanto tive, um arremedo...

Viscerais tempestades me envolveste,
Minha alma seduzida nunca está
Amar por tantas vezes, inconteste,
Um barco que jamais navegará...

Vasculho por sinais, felicidade,
Esmago qualquer forma de sofrer,
Não peço paciência, veleidade,
Minha alma, nos teus braços, quer viver...

Agora que não tenho solução,
Espreito meu caminho nos penedos...
Aberto sempre deixo o coração.
Carinhos que te faço com os dedos...

Mortalhas que vesti são meus delírios,
Os prados que visito são falsários...
No fundo o que resta são martírios,
Tal qual corvo imitando esse canário...

Nas fimbrias do vestido que desnudo,
Nos pátios destas casas que freqüento...
Não quero teu amor, mas quero tudo,
Montanha que resiste a todo vento...

Dedico minhas noites a minha alma,
O beco que te dei não tem saída...
A boca que me beija sempre acalma,
Resumo a minha alma em tua vida...
Publicado em: 11/10/2006 22:45:09



À MINHA AMADA SOGRA

Mote – Sogra não é parente; é castigo.


-Não se engane, minha gente,
Pois é verdade o que eu digo:
-A sogra não é parente;
A sogra é mesmo um castigo.

Não fale assim desse jeito,
O bom cabrito não berra,
Meu casamento é perfeito!
Sogra? Debaixo da terra...


MARCOS COUTINHO LOURES
MVML

A Minha Amada
Um canto na madrugada,
Traz um gosto de tristeza...
Saudade da minha amada,
Levito nessa beleza...

Silencio sobre tudo,
Não quero falar mais nada...
Vou calado, sigo mudo,
Esperando minha amada...

Não sei falar mais de dor,
Caminho sempre n’estrada,
Estrada do meu amor,
Estrada da minha amada...

Na curva dessa saudade,
Capotei, curva danada...
Vou viver felicidade,
Nas curvas da minha amada...

Trago meu peito cansado,
Minha mão, no peito, atada...
Peito bate des’perado,
Saudades da minha amada...

Menina quero teu colo,
Deixa de ser tão levada;
Vou te deitar neste solo,
Te fazer a minha amada...

Eu nem sei de valentia,
Nem quero cair da escada;
Seja noite ou seja dia,
Eu só quero minha amada...

Vergalhão cortou bem fundo,
Sangria desesperada;
Quer dor maior nesse mundo?
Distância de minha amada...

Vento ventou no telhado,
Chuva caiu na calçada.
Triste sina, triste fado,
Procuro por minha amada...

Toda fumaça que eu trago,
Vai subindo espiralada.
No pulmão faz tanto estrago,
Volta pra mim, minha amada!

Não quero nem mais viver,
Vida vai descontrolada.
Procurando, por você,
Sem encontrar; minha amada...

Quero poder noutro dia,
Estar co’alma lavada.
Oh! Meu Deus, como eu queria,
Saber de ti, minha amada!

Tanta maldade na terra,
Voa então, minha alma alada,
Sobe morro, desce serra,
Procurando a minha amada...

Lavei meus olhos tristonhos,
Na poça d’água parada.
Vou sonhar todos os sonhos,
Até sonhar minha amada...

Amor me pegou de banda,
Escondido, de empreitada;
Lua daqui, de Luanda,
Traz para mim, minha amada...

A moça bonita dança.
Moça da saia rodada;
Coração traz esperança,
Da dança da minha amada...

Pedra faz onda no rio,
Depois de ter sido lançada;
Vou vivendo o desafio
De ondear minha amada...

A safira dest’anel,
Aonde foi encontrada?
Olhei pra terra e pro céu,
Encontrei a minha amada...

Diamante traz riqueza,
Jóia muito procurada;
Mas muito maior beleza,
Nos olhos da minha amada...

No sertão cantando primas,
Tem viola enluarada;
Encontrei todas as rimas,
Nos lábios da minha amada...

O que presta nessa vida,
Nunca foi coisa comprada;
Minha alegria perdida,
Encontrei na minha amada...

Tanta verdura gostosa,
Delas fiz uma salada.
Vida vai maravilhosa,
Nos beijos da minha amada...

Serpenteia minha sorte,
A vida é carta marcada.
Jogo pesado, de porte,
Aposto na minha amada...

Vaso duro não se quebra,
Nem fica a casca arranhada;
Tão lindas, quando requebra,
As ancas da minha amada...

É de Deus a escolhida,
Foi, por ele, abençoada.
Nunca mais quero outra vida,
Nos seios da minha amada...

Canto cantiga de roda,
Samba, bolero e toada.
Planta crescendo na poda,
Quero colher minha amada...

Cantor que canta forró,
Canta xote e embolada;
Nada no mundo é melhor,
Que os braços da minha amada...

Quando cheguei lá de Minas,
“Truce” queijo e até coalhada.
“Truce” coisas tão divinas,
Só num “truce” minha amada...

Da chuva eu sou só um pingo,
Mas você quer trovoada.
Quando choro, esse respingo,
Vai molhar a minha amada...

Toda essa reza que eu rezo,
Na Igreja ou na orada.
Tudo que eu deveras prezo,
Encontro na minha amada...

Na vida perdi o freio,
Capotei numa guinada.
A vida me pôs arreio,
Nas pernas da minha amada...

No circo triste da vida,
Eu perdi a minha entrada.
Só encontrei despedida,
Só me restou minha amada...

Eu sofri tanto, bem sei,
A vida me deu esporada.
Aqui, ao menos sou rei,
No reino da minha amada...

Chora cavaco chorão,
A noite vai embalada.
Vai chorando o coração,
Lágrimas de minha amada...

Dançando xote e baião,
Danço até uma lambada.
Só não danço solidão,
Peço perdão, minha amada...

Errei demais, eu sei bem,
Minha vida é toda errada.
Sem você não sou ninguém,
Me desculpe, minha amada...

Feira boa é a que tem,
Muita coisa variada.
Só não encontro meu bem,
Onde estás, ó minha amada?

Te procurei num castelo,
E não passei da fachada.
Todo dia, então, eu velo,
Na busca da minha amada...

Eu tentei cantar um hino,
Vitrola tá enguiçada.
Quem me dera ser menino,
Para cantar minha amada...

Com varinha de condão,
Eu encontrei minha fada.
Só me restou ilusão,
Encantar a minha amada...

Trabalhei por tanto tempo,
Cavoucando com enxada.
Mas foi tanto contratempo,
Onde “plantei” minha amada?

Já tive tanto revés,
Eta vidinha azarada!
Lavei navio e convés,
O mar levou minha amada...

Mulher ficando nervosa,
Entra muda e sai calada.
Mas feliz, fica bem prosa,
Fala pra mim, minha amada...

Lá na casa que eu morava,
Dizem que é mal assombrada.
Mas era eu quem chorava,
Só por você minha amada...

De tanto amor nessa vida,
Eu a levo endividada.
Vou fazer a despedida,
Já cansei da minha amada!
Publicado em: 21/08/2006 19:01:20



À Minha Amada

Noite avassaladora refletida;
Belo espelho das águas, ao luar...
As estrelas cadentes, esse mar,
As horas mais tristonhas, de partida...
Um gole de conhaque, alma doída...
Procuro simplesmente, te encontrar,
Noite, tapeçaria, faz sonhar;
Quem me dera morresse, despedida,

Em meio a tal nobreza divinal.
M’abriria então, Deus, o seu portal,
Guardaria essa imagem na retina...
À noite tanto amor que me alucina
Morrer de tanto amor, eu sou capaz.
As mãos te teceram, imortais,
Em tal momento orgástico de paz,
Te emolduram, amor, luz cristalina!
Publicado em: 10/12/2006 18:33:30



Não sou pobre, há engano;
Eu sou rica e me ufano
Deste amor que é puro ouro.
Eu quero seguir te amando
E aos ventos espalhando,
Quanto vale o meu tesouro...

Tanta riqueza que achei
Depois que amor encontrei
Nos braços desta mulher,
Que é razão do meu viver,
Minha dádiva e prazer,
É tudo o que um homem quer!

Te procurei pela vida,
Cada lágrima sentida
Aumentava esta vontade;
De encontrar a minha amada,
Minha noite enluarada,
Trazendo felicidade!

HLuna
Marcos Loures



A minha boca percorre

A minha boca percorre
Esta senda sensual,
Nessa cama, um corre-corre,
Faz do gozo, um ritual...

A MOÇA DE BRANCO...

Em 1957, o amigo Walter Rezende, antigo dono da joalheria Colúmbia, aquela mesma da Praça João Pinheiro, resolveu vender-me um relógio Eterna-matic e acabei realizando a compra em 17 prestações mensais.

O Walter, apesar dos ares espartanos, era uma doce figura, capaz de gestos nobres, tendo sido provedor do Hospital São Paulo, por longos anos. Função que exerceu com integridade e desprendimento.

Uma das suas particularidades era a de contar histórias, das quais ele mesmo ria, com sobriedade, mas com muito gosto, como esta de que me recordo agora.

À porta do cemitério de Muriaé, era muito comum casais se reunirem para namorar, especialmente nas noites de sexta-feira e de sábado. Também muitos iam ali para fazer despachos ou por motivos menos nobres.

Certa noite, no meio de tantos visitantes, apareceu uma linda jovem, bem falante toda de branco, que puxou conversa com todos.

A beleza da jovem chamava a atenção, mesmo sob aquela fraca iluminação, especialmente junto aos rapazes que lá estavam à espera das suas namoradas para aquele “amasso” semanal.

Conversa vai, conversa vem, um deles pegou na mão da moça e perguntou:

- Mas você não tem medo de vir aqui sozinha, na porta do cemitério?

A moça sorriu e respondeu:

-Agora não, mas quando eu era viva, morria de medo!

Dizem que até hoje tem gente correndo ladeira abaixo...

Walter Rezende me garantiu que ele era a única pessoa que sabia do verdadeiro segredo daquela moça de branco, da porta do cemitério...

Qualquer dia, eu revelo o que ele me contou...

MARCOS COUTINHO LOURES

A moça que se engravida
A moça que se engravida
Do boto mais elegante
Anda de bem com a vida,
Vai sorrindo a cada instante..




As nuvens vão vagando pelo céu,
Barquinho em correnteza, de papel,
O canto da ciranda cirandou.

Encontrei a morena amor sem dó,
Na terra que sonhara, em Tororó,
Nos braços da morena agora estou.

O anel que era de vidro se quebrou
O amor que era tão pouco se acabou
Apenas a lembrança inda ciranda,

Do bosque solidão achei o anjo
Num grupo sertanejo toca banjo,
Assim a minha infância já desanda.

O gato já fugiu de dona Chica,
Minha morena, agora ficou rica,
Foi de marré, marré, marré d’ici,

Sobrou essa morena em minha rede,
O resto? Pendurado na parede,
Morreu? Bem, na verdade, mora aqui!
Publicado em: 24/02/2007 14:04:12
Última alteração:23/10/2008 14:28:26



À minha Musa I

Meus versos, universos procurando,
No seio da mulher que tanto sonho...
Teus mares meus saveiros navegando.
Os olhos que te perdem, mar medonho...

O tempo que não tive, vai passando.
Mortalhas estendidas no porão...
Esparsos, os meus sonhos formam bando,
Invadem teu veleiro e coração...

Mascaro minhas dores com teu riso,
Massacro meus amores sem perdão...
De tudo o que vivemos, teu sorriso,
Reflete tanta luz nesta amplidão!

Na sede que matamos, mutuamente...
Meu canto que persigo não preciso...
As luas vão rodando em minha mente.
Nos olhos, minha amada, o paraíso...

Te faço meus poemas, sem segredos...
Esqueço de minha alma, redundante...
Não deixe que esses torpes, frios medos
Impeçam teu caminho, sempre avante...

Meus versos inundados de desejo
Não trazem suas rimas: solução.
A vida que conheço no teu beijo,
Impede conceber a solidão...

A boca que profanas, sempre mente.
Bem sabes que vivemos sem martírio...
Amamos e sofremos simplesmente,
As luzes deste amor, feliz colírio...

Cantando nas gaiolas tristes cantos...
Amores se tornando prisioneiros...
Não posso permitir os desencantos,
Amor que não morremos, verdadeiros...

Espero por teu verso, minha amada.
Mas não demores nunca, tenho pressa...
A noite que na aurora, vai calada,
Esquece de cumprir sua promessa....

Os raios boreais minha aquarela.
O medo de sofre mais desengano...
Teu rosto emoldurado, bela tela,
Pinacoteca minha, disso ufano...

Afrodite, decerto, tem inveja
Da beleza sutil desta mulher...
Hermes, extasiado te deseja,
Teu brilho é invulgar, não é qualquer...

Dancemos homenagens para o deus
Que permitiu a vinda desta musa...
Teus olhos na verdade são ateus,
Espreito belos seios nesta blusa...

Meus versos desejando: sou feliz.
Não nego meu amor: eu te venero...
Vivendo minha sorte por um triz,
És muito mais que penso, nem espero...

Amada, minha ninfa, meu tormento...
A noite que passamos, sem marasmo...
Esqueço assim qualquer um sofrimento,
Envolto nas delícias deste orgasmo...
Publicado em: 02/11/2006 23:55:24



À minha musa II

Se tantas vezes luto, agora festa,
Meus dias vagabundo, agora canto..
Nas horas mais difíceis foste fresta
Nos dias sofredores, meu encanto.

Buscando tuas mãos, encontrei fada.
As marcas do destino nunca saem.
Que bom estar contigo, minha amada,
Os meus olhos sorrindo não me traem..

Querida companheira estou contigo,
Em todos os momentos desta vida.
A curva do caminho traz perigo,
Na curva do teu corpo, distraída,

Derrapo meus sentidos, perco o chão.
Não deixe que se acabe o sentimento,
Amor que não precisa de perdão,
É livre passarinho, solto ao vento...

Vestido de esperanças te procuro,
Encontro um verde prado a me esperar,
Dos males deste mundo, já me curo,
O rumo dos meus olhos, teu olhar...

Menina sei por certo nossos rios,
Deságuam no oceano deste amor...
Não deixe que meus sonhos sempre esguios,
Nas ilusões te traga meu pavor...

Nas noites que lutamos, sem espadas,
As bocas nos servindo de punhais...
São noites mais difíceis, pois geladas,
As ruas vão sonhando seus metais...

Nos cantos desta noite, retratadas,
As dores que se tornam desleais;
Navegam procurando a madrugada.
Por vezes nos amamos, canibais...

Não deixe que se chegue indiferença
Preciso de teus braços p’ra nadar.
Amar quem só recebe recompensa,
É simplesmente troca, sem amar...

Amores que vivemos são tão raros,
Nas noites mais difíceis, aquecer...
Os vasos conservamos, pois são caros,
Assim como é querido o bom viver...

Tua beleza intensa faz feliz,
Viver tuas promessas, me faz rei...
Na cama minha intensa meretriz,
Nas ruas minha dama, disso eu sei...

Morrer ao lado teu. Ó quem me dera!
Viver as fantasias dolorosas...
Nas curvas do teu corpo, primavera,
As tuas mãos sedentas, carinhosas...

Belezas sem igual, ninguém mais tece,
Da forma que forjaram, resta nada...
Amar-te se tornou a minha prece.
Nunca te deixarei abandonada...

Meus olhos esquecidos sem descanso
A musa que me inspira, com certeza,
Promete-me viver doce remanso...
Castelos dos meus sonhos, realeza...

Não deixe que termine nosso caso,
Não quero mais viver sem teu perdão...
A vida sem te ter, me leva: ocaso,
Mas quando junto a ti: é solução!

Menina me ninando teu carinho,
Na rede descansando nossos beijos...
Libertos encontrando um manso ninho,
A vida se renova, nos lampejos.

Musa, minha rainha e minha amada,
Princesa que me fez um sonhador.
Escuta esta canção apaixonada
É feita da verdade deste amor...
Publicado em: 03/11/2006 09:12:58




Ao léu, no abandono
Prossegue este sonho
A tecer, ledo engano
Quimeras de amor
Como favos de mel
De doçuras e cores
As noites de amores
Desejos, insanos
Enredos, profanos...
Alma em cativeiro
A gemer, mil ais
Sem nenhum consolo...
Ao céu lança o grito
Dorido, urgente!
Aonde, te encontras?
Razão de tal dor?
Volta meu amor!
Que o dia se finda...
E desejo, ainda,
Esta sede, saciar...
Noite, linda, a te amar...


Deitado em minha rede quero o colo
Onde me derramando me consolo
Olhando para o sol sempre a brilhar.

Menina, esta paixão é meu delírio
Que salva meu destino do martírio
Do medo de morrer sem te encontrar.

Eu quero saciar o meu desejo
Na boca que promete tanto beijo,
No corpo que me fez enlouquecer.

Minha alma anda cativa e não se solta,
Só pede teu carinho e tua escolta,
E vive nos teus braços a se perder.

Enredos que fizemos são profanos,
Não quero mais saber de desenganos
Cansei de sofrer tanto sem ninguém.

Morena vem comigo, vem sonhar,
Eu quero; meu amor, te namorar,
Na noite prometida pro meu bem...

Ane Marie
Marcos Loures




Se este meu cantar versejo
Com trovejo e com vontade
Meu amor é realejo
Que me deu tanta saudade.
Se te quero como queres
Se me queres como eu quero,
Nunca vão faltar talheres
No banquete que eu espero...
Na lua botei a rede
Noutro lado presa ao sol.
Deste amor morro de sede,
Sou teu louco girassol.
Sol nasceu no firmamento
Eu firmei meu coração.
Te afirmo a todo momento
Confirmo minha paixão...
Publicado em: 13/02/2007 17:01:40



A MINHA POESIA
A vida não se fez conforme eu quis
E nisto pouco importa sim ou não,
Não quero os raios fartos do verão
Nem mesmo o céu etéreo, amargo e gris
Seguir a correnteza como eu fiz,
Não tendo em minhas mãos este timão,
Apenas carregar a embarcação
A um porto dos meus sonhos, chamariz.
Falena que seguira a tênue luz
O tanto onde sonhara e o vão compus
Sem ter sequer além uma ousadia,
Usando da palavra, um instrumento
De um mundo em incertezas me alimento
E dele faço a minha poesia.
Publicado em: 02/07/2010 06:46:46


A minha senda perde qualquer brilho
A minha senda perde qualquer brilho
Enquanto perpetuo a solitária
Manhã em fúria vaga e temerária
Porquanto me concebo este andarilho
E quando em excrescências eu palmilho,
Minha alma etérea e tola procelária
Ainda se mostrando necessária
Roubando o que me resta de algum brilho.
Amordaçando enfim a minha voz,
Na pálida incerteza, o mesmo algoz
Revive a desmedida hipocrisia
E quando me concebo em verso amargo
As luzes mesmo frágeis; teimo e largo
Matando o que pudesse ser um dia.
Publicado em: 07/06/2010 19:45:24



A minha Sina Capítulo 12 O sonho e a nova vida
Sonhei um sonho acordado
Que me deu essa clareza.
Depois de tanta surdeza
Depois de tanto roçado
Meu caminho revelado
No sonho que eu pude ter
Era subir e descer
Quarenta e cinco montanha.
Tanta coisa assim assanha
Nunca dá pra comprender

Um nome logo guardei,
Depois da terra de Juda
Um tar de Deus nos acuda.
Que é terra de munto rei.
Esse caminho bem sei
É caminho diferente
Pregunte pra toda gente
Ninguém sabe bem dereito
A gente dá logo um jeito
De descubri, de repente...

Virgulino me dizia
Que logo que o sol raiasse
Essa estrada que eu pegasse
Dispois do tár Zé Maria
As montanha que eu subia
E dispois ia descê
Num dava pra arrependê
Era pudê incontrá,
Nas terra do Seu Babá
Os prado do Zabelê!

Apois intão ansim fiz
Caminhano mais deiz dia
Eu num tinha montaria,
Mas caminhava feliz
Levantei o meu nariz
E parti pra arribação
Clareô o coração
Pensei agora eu escapo
Nesse mundo de supapo
Já levei o meu quinhão!

Pensei nesse tár diabo
Um chifrudo de dá dó,
Logo num vô tá só,
Babendo qui nem quiabo
Em Deus me acuda me acabo!
Vô vazá da tremedêra
Caçando essa vida entêra
Um cantinho pra escapá,
Num percisa nem me contá
O resto todo é bestêra!

Apois bem, assim eu faço
Num tenho medo de macho,
O pobrema é esse diacho,
Num me vence no cansaço
Prá quem ficar um abraço,
Vô vazá no capinado,
Quem quisé fique de lado
Eu num tenho medo não
Nem desse tár capetão,
Desse bicho disgramado!

Êta caminho cumprido...
Depois de oito noitada,
Minha perna estrupiada
Quarenta morro subido
Outros quarenta descido
Deus me acuda já chegava.
A terra toda mudava
O chão já tava verdinho,
Tudo munto bunitinho
Quanta alegria me dava!

Adormeci na ribêra
Dum riacho mais bunito
O meu peito num agito
Uma coisa de premêra
Nunca vi, na vida entera
Um sonho igual eu sonhei.
Parecia inté um rei
Um moço sentado rindo
Num trono que era mais lindo
De tudo que já pensei.

Ele me chamo num canto
Me disse das safadeza
Que me dera inté grandeza
Me falô: cê num é santo,
E num percizava tanto
Que eu tinha era de pagá,
Que eu aprendesse a rezá
Senão eu tava perdido.
O meu distino cumprido.
Nunca houvera de pará...

Acontece, seu dotô
Que nesse instante passava
A muié que embelezava
Cum um cherinho de frô.
A rainha dos amô,
Cumade de Santa Rita
Me deu um laço de fita
Prá esse rei ela disse:
Meu fío dexa a tolice
A vida dele é mardita

Mas vancê vai perdoá
Esse cabra ele é do bem.
Se já feiz már prá arguém
Se ele aqui pode chegá
Se ele incontrô o lugá
Acho que tá no dereito
Apesá desses defeito,
De nova chance ele tê
Vâmo vê se vai fazê
As coisa do nosso jeito!

O rei, mei que cabisbaxo,
Oiando pra minha cara
Que essa duença se sara
Eu chorei que nem capacho
Eu ví nus ói desse macho
A brandura de Jesus,
Oiei pras marca da cruz
E implorei o seu favô
Ele de riba me oiô
Dus seus óio vi a luz...

Quano acordei desse sonho
Óiano pras cercania
Eu vi crareá o dia
Um sór danado, risonho.
Clareô mundo tristonho
Dêxano tudim bonito.
Me deu vontade de grito
Mai num falei nada não
Me mirei na direção
Dum caminzim mais restrito.

Prá sarvá meu coração
Num pérciso de pecado,
Vô ficá acomodado,
Cumecei pedi perdão,
Dexei mata dexei chão
Subi nas tár corredêra,
Era numa sexta fêra
Adentrei pelas montanha
Já vô terminá a sanha.
Mas eu errei de premêra.
Publicado em: 29/09/2006 22:43:12


A minha Sina Capítulo 13 O Arroiz e o Capim
Dispois de drumi dimais
Levantei di minhã cedo
Num tinha resto de medo,
Eu tava cheim di paiz,
Num timia Satanáis,
Já tava liberdo da dô,
Cum meus pé caminhadô,
Disparei a passiá
Era bunito u lugá,
Um lugá incantadô!

Lá nu céu o sol qui bría
Um brío desses que incanta,
Um passarim livre, canta
Numa grande maravía
Que belezura di dia!
Isquicido da mardade,
Num tinha minó sôdade
Dessa tár pirsiguição,
Fugino qui nem ladrão
Incontrei filicidade!

Disci dos árto da serra
Dispois eu vi na baxada
Um cabôco cum inxada
Cavucando ansim a terra,
Qui bom cabrito é que berra!
Me aproximei do sujeito,
Preguntei do que era feito
Aquele seu labutá,
Disse sem titubiá
Prá dexá o chão prefeito
Prá móde pudê prantá!

Deixei o véio de lado,
Seguino na caminhada
Dispois de munta passada
Deitei nuns campo cansado
Inda tava istrupiado
De tanto que caminhei
Nessa terra me encontrei
Tô mi sintino quár gente
Todo mundo di repente
Nesses canto vira rei!

Risrurvi vortá dispois
Pros canto adonde chegara
Onde o sonho me amparara
Vô prantá feijão arrois,
Se pudé criá uns bois
Daqui num quero vortá,
Aqui é o meu lugá.
Aqui eu posso vivê
Num mi importa nem morrê
Coração pacificá!


Medi as terra prás pranta
Uns dois arquere bastava
Mais ainda percisava
Pois qui sozim num se canta
A vida boa é qui encanta,
Cavalo bão num dá coice
Vô percisá duma foice
Inxada e otros petrecho,
Eu vô vortá lá prus trecho,
Vê si o véio num se foi-se

Dispois de tê caminhado
Prás banda que eu cunheci
Num negóço me perdi,
No lugá do véio calado,
Um hôme disingonçado
Cum uma fuça isquisita
Istranha aquela visita
Umas simente, capim,
Espaiáva bem ansim,
Naquelas terra bunita.

Eu reparei nu sujeito
Era dos mau encarado,
Um sujeto disgramado,
Queria punhá defeito
Nu qui o véio tinha feito!
Num gostei daquele fato,
Escundido lá no mato,
Isperei ele saí,
Poco dispois foi qui vi
Pru riba lá dum regato

O véio táva vortando,
Cum a carma que Deus deu
Divagá apareceu...
Logo fui prele contando
Falei sem nada ocultando...
O danado deu risada,
Munto brigado, di nada
Eu istranhei tanta carma.
Me disse: é uma pobre arma
Qui véve disisperada.

Cumo num sabe prantá
Arroiz como eu prantei,
Ará cumo eu já arei,
Gosta ansim misturá
Uns capin nos arrozá
Prá móde me confundi
É ansim dês qui nasci,
O pobre num tem respeito
E nunca mais vai tê jeito.
Ele vórta sêmpe aqui!

Már sabe o pobre coitado
Que num dianta fazê mardade
É só tê tranquilidade
Que nunca vai dá errado
É isperá os prantado
Crescê qui num tem pobrema,
Dispois arrancá os mato
Qui os dois nunca faiz trato,
No ovo tem crara tem gema,
Isso num dá nem dilema!!!

Ansim minha prantação
Todo esse meu roçado
Toda veiz que ele é prantado
Sêmpe a mêma confusão
Má num tem pobrema não.
Tudo fica bem ansim,
Fica tudo bem pra mim
Quem num sábe nem prantá
Num dianta misturá
Os arroiz cum os capim!
Publicado em: 30/09/2006 10:09:59



A minha sina capítulo 14 A Istrela Cadente
Estando quage curado
Depois de tanta amargura,
Encontrei tanta ternura,
Novo campo novo prado,
Meu cantar apaixonado,
A vida tinha razão,
Eu abri meu coração
E parti no meu caminho,
Gosto de andar sozinho,
Desde os tempos do sertão

Eu andava sem tristeza,
Com tanta felicidade,
Numa grande claridade
Num momento de beleza,
Nesse mundo de surpresa,
Encontrei um casalzinho,
Muntado num jeguezinho,
Lá prus lado dessas mata,
Pru riba duma cascata,
Onde canta um passarinho...

A moça muito bunita,
Muntada naquele burro,
Eu pensei cá num isturro
O meu coração se agita,
E bem dipressa parpita,
Oiando praquela moça,
Nu seu rostinho de louça
Uma beleza sem fim,
O moço oiando mansim,
Devarim nem faiz força...

Dispois de tanta clareza,
Arreparei num sigundo,
Num havéra nesse mundo
Nu mei de tanta tristeza,
A tumanha buniteza
Daquele casá que incontrei.
Na pobreza ele era rei
Tinha doçura de santo,
Uns passarim no seu canto,
Tanta carma eu incontrei...

Mais dispois arreparano,
Que de perto se ve bem,
Tava esperano nenem,
Tanta coisa nos prano
Oiano nunca me engano ,
Nascia ansin por tarveis
Inté no finár do meis...
Cumprementei o casá,
Pula estrada vô vortá
No meu caminho otra veis...

A tardinha já chegô,
Meu camim vô pricorrê
Num podeno me esquecê
Daquele campo di frô,
Daquele reino di amô,
A noite tava chegano
As istrela iluminano
Di riba prême luá
Naturaleza a cantá,
Vida num escóie prano...

Dirrepente lá no cé
Uma coisa arreparei
De tanta coisa que sei,
Numa eu boto mais fé,
Nos óio di quem me qué,
Dos amô qui dá na gente,
Ansim mei qui dirrepente,
No cé eu vi a briá
Mais bunita qui luá,
Uma istrela das cadente...

Nu mei daquele sertão,
Do meu solo nordestino,
Um brio mais cristalino
Anunciano a ampridão,
Arrupia u coração,
Martrata quem se qué bem,
Não aperdoa ninguém,
Uma istrela mais bunita
Qui na noite tanto agita,
Lá du cé caino vem...


Dispois de te reparado
Naquela istrela a caí,
Bem dipressa repeti,
Um pedido apaxonado
Desse cabra margurado,
Com sodade dos amô,
Espreitano pela frô
Tocaiado da sodade,
Viveno mais sem maldade
Nas ispera dum calô.

Dirrepente nas istrada,
Uns moço tudo enfeitado,
Todos treis acoroado,
Disparado em debandada
Surgiro como do nada,
Me preguntaram se vi
A bela istrela a caí
Quar era essa direção,
Apontei lá pru sertão
E vi us tres prossegui...

Um brío qui nunca vi,
Arreparei lá no fundo
Crareava todo o mundo,
Coisa qui nem esqueci,
Deu vontade de parti,
Mas acabei por ficá,
Eu vi o só a raiá,
Na noite do meu nordeste,
Eu sô cabra da peste,
Mintira num vô contá!
Publicado em: 08/10/2006 12:37:36

A minha sina - capítulo 1 - O coronel e o doutor

Vou curvando minha vida,
Nas capotadas da sorte,
Perdoando até a morte,
Que sei que traz despedida.
Minha sina, minha vida,
Carrega tanta certeza,
De fundear a tristeza,
De trazer pano pra manga,
A morte, minha capanga,
Flutua desta leveza.

Fiz parto de sucuri,
Namorei onça pintada,
Minha sorte não foi nada.
Carreguei o que perdi,
Travei luta e não venci.
Deu empate nessa joça.
Fiz uma nova palhoça
Para morar com você;
Queria lhe conhecer,
Plantei uma nova roça.

Você foi minha quimera,
Não conheci sua manha,
Minha lida foi tamanha,
Dentro da minha tapera,
O sal da vida tempera.
Plantei feijão, plantei milho,
Plantei, em você, um filho.
Fiz da lenha essa fogueira,
Minha velha companheira,
Só tem cano e tem gatilho.

As armas da solidão,
São as mesmas que disparo,
Com meu amor, eu deparo,
Nas rotas do meu sertão,
Bebo o sim, conheço o não.
Vadiando sem parar,
Sem ter nem onde chegar,
Sou um passo da saudade,
Vou mesmo sem ter vontade,
No sertão virando mar...

Cravo dente na maçã,
Da cara de quem me escarra,
Tenho dentes tenho garra,
A vida segue mal sã.
Tem tempero d’ hortelã...
Nas enchentes da ribeira,
Desabou a barranceira,
E cobriu casa e estradão,
Nada restando, senão
Uma cama e uma esteira...

Nas ligas dessa fornalha,
As plagas se confundiram,
Vieram e se fundiram
Numa ponta de navalha,
Nessa dor bem mais canalha.
No medo da poesia,
Fiz a minha moradia,
Nos altos desse penedo,
Mas a chuva meteu medo,
Só restou melancolia...

Coronel Antonio Bento,
Cabra muito descarado,
Só matou pobre coitado,
Sempre a gosto e a contento,
Nem precisa juramento...
Pois mesmo de safadeza,
Carregado na pobreza,
Matou sem pedir licença.
Matou mais que a doença,
Por causa de miudeza.

Deu três tiros em criança,
Comeu ovo de valente,
Matou cabra já doente,
Se não me falta a lembrança,
Matou até esperança...
Sem dar chance de defesa,
Foi o rei da malvadeza,
Não perdoa nem defunto,
Quando a morte é o assunto,
Coronel é realeza...

Pois bem, meu companheiro,
Conto sem titubear,
Pela luz desse luar,
Juro pelo mundo inteiro,
Que no dois de fevereiro,
No sertão da Muriçoca,
Coronel virou paçoca,
Nas mãos desse matador,
Contratado por Doutor,
Lá da serra da Minhoca...

Doutor lá da medicina,
Homem muito conhecido,
Famoso por ser sabido,
Que conhecendo Marina,
Pelo amor, mal assistido,
Quis levar ela pro céu,
Nessa vida assim, ao léu,
Nos colos dessa montanha,
Conheceu a dor tamanha,
Na filha do Coronel...

De emboscada, na tocaia,
Foram três tiros com fé,
Dois na cabeça e um no pé,
Estribuchou qual lacraia,
Bem antes que o mundo caia,
Escapou por um milagre,
Mas a vida pro vinagre,
Ficou quase sem andar,
Agora deu de sonhar,
-Vou pescar aquele bagre...

Lá na capital mineira,
Escondido na grandeza
Da cidade, na certeza,
De que numa vez primeira,
Preparava uma rasteira,
Para o Coronel safado,
Mundo gira, tá girado,
Tempo passa sem parar,
Não perde por esperar,
Já tá tudo combinado...

Passa mês, passa dois, três,
Passa um ano sem notícia,
A vida naquela delícia,
Coronel matando rês,
Volta e meia, outro freguês.
Tudo em paz, na paz da morte,
Quem tiver pouco de sorte,
Escapa da covardia,
Vê nascer mais outro dia,
Sabe que é gado de corte...

Numa ponta de fuzil,
Na bala bem atirada,
Vida não valendo nada,
Coração batendo vil,
Nessas terras do Brasil.
A morte por encomenda,
A solidão vira tenda,
Vai cortando esse caminho,
Cabra andando tão sozinho,
É, da morte, compra ou venda...

Acontece que, Marina,
Moça bonita e safada,
Me pegou só, de empreitada,
Pela luz que me ilumina,
Foi a minha triste sina...
A moça bem sem vergonha,
Me deitou mesmo sem fronha,
Num travesseiro de terra,
Lá bem n’alto dessa serra,
Que prazer e dor medonha!

As pernas da moça prendiam,
Eram como um alicate,
Prontas para esse arremate,
Davam prazer e ardiam,
Depois, de novo, fugiam...
Madrugadas com Marina,
No mato, bem de surdina,
Dos grilos, de companhia,
Mordia, depois gemia,
Marina, doce menina...

Sabendo que essa querência
Era coisa do diabo,
Pisando em Satã, no rabo,
Imaginei qual valência
De morrer sem clemência...
Mas a vida tem seu jeito,
De fazer desse mal feito,
Uma nova circunstância,
Mesmo tendo na distância,
Essa dor que dói no peito...

Quis a vida, no seu bote,
Trazer minha solução,
Sem ter mesmo precisão,
De sangrar o seu cangote,
Nem viver desse rebote,
Tive a sanha mais querida,
De salvar a minha vida,
No meio desse pagode,
Matar esse velho bode,
Era a minha despedida.

Acontece que o doutor,
Sabendo da valentia
Que meu nome já dizia,
Entre os cabras de valor,
Escolheu, pra matador,
Dentre os homens do quartel,
Que sangrasse o Coronel,
Esse que aqui vos fala,
Me deu rifle, me deu bala,
Pra mandar ele pro céu...

Fiz que não queria tento,
Pois já conhecia a fama,
De deitar gente na lama,
De não ter um pensamento,
De saber que esse jumento,
Era a mais terrível fera,
Que riscava até cratera,
Nas pontas do cravinote,
Era preparar o bote
Que a morte sempre se gera.

Cobrei desse Satanás,
Pra fazer esse serviço,
Que eu mesmo já cobiço,
Quase vinte mil reais,
Se pedisse, dava mais...
Da raiva que ele mantinha,
Da tristeza que ele tinha,
De não poder mais andar,
Da querência de vingar,
As balas que ele retinha...

Numa noite sem ter lua,
Me preparei para a caça,
Com uns goles de cachaça,
Me dirigi para a rua,
Onde o medo não atua,
Onde a saudade não vinga,
Eu tomei mais uma pinga,
Prá coragem não fugir,
Na certeza de engrupir,
Os quatro ou cinco safados,
Que, pau desses bem mandados,
Dali não iam sair...

Acontece que, chegando,
Na casa do celerado,
Olhando assim, bem de lado,
Eu fui logo reparando,
Nesses olhos que, m’olhando,
Diziam pois sem dizer,
Que bem queriam me ter,
Da forma que sempre teve,
Na cama que me conteve,
Do jeito que fosse ser...

Marina, bem safadinha,
Camisola transparente,
Dizendo ser eu parente,
Do mesmo saco, farinha,
Me fez de galo, a galinha.
Colocou dentro de casa,
A fogueira e toda a brasa,
Que queriam tanto arder,
Era matar ou morrer,
A vingança não se atrasa...

Fiz da sorte, o sortilégio,
A vida foi na maçada,
Sangrou até na calçada,
A morte sei do colégio,
Matar foi meu privilégio.
Sei de tanta valentia,
Que não viu raiar o dia,
Sangrada no coração,
Não deixou sequer razão,
Nem a sorte que queria...


A Minha Sina capítulos 1 a 11
Cordel - A minha sina - capítulo 1 - O coronel e o doutor

Vou curvando minha vida,
Nas capotadas da sorte,
Perdoando até a morte,
Que sei que traz despedida.
Minha sina, minha vida,
Carrega tanta certeza,
De fundear a tristeza,
De trazer pano pra manga,
A morte, minha capanga,
Flutua desta leveza.

Fiz parto de sucuri,
Namorei onça pintada,
Minha sorte não foi nada.
Carreguei o que perdi,
Travei luta e não venci.
Deu empate nessa joça.
Fiz uma nova palhoça
Para morar com você;
Queria lhe conhecer,
Plantei uma nova roça.

Você foi minha quimera,
Não conheci sua manha,
Minha lida foi tamanha,
Dentro da minha tapera,
O sal da vida tempera.
Plantei feijão, plantei milho,
Plantei, em você, um filho.
Fiz da lenha essa fogueira,
Minha velha companheira,
Só tem cano e tem gatilho.

As armas da solidão,
São as mesmas que disparo,
Com meu amor, eu deparo,
Nas rotas do meu sertão,
Bebo o sim, conheço o não.
Vadiando sem parar,
Sem ter nem onde chegar,
Sou um passo da saudade,
Vou mesmo sem ter vontade,
No sertão virando mar...

Cravo dente na maçã,
Da cara de quem me escarra,
Tenho dentes tenho garra,
A vida segue mal sã.
Tem tempero d’ hortelã...
Nas enchentes da ribeira,
Desabou a barranceira,
E cobriu casa e estradão,
Nada restando, senão
Uma cama e uma esteira...

Nas ligas dessa fornalha,
As plagas se confundiram,
Vieram e se fundiram
Numa ponta de navalha,
Nessa dor bem mais canalha.
No medo da poesia,
Fiz a minha moradia,
Nos altos desse penedo,
Mas a chuva meteu medo,
Só restou melancolia...

Coronel Antonio Bento,
Cabra muito descarado,
Só matou pobre coitado,
Sempre a gosto e a contento,
Nem precisa juramento...
Pois mesmo de safadeza,
Carregado na pobreza,
Matou sem pedir licença.
Matou mais que a doença,
Por causa de miudeza.

Deu três tiros em criança,
Comeu ovo de valente,
Matou cabra já doente,
Se não me falta a lembrança,
Matou até esperança...
Sem dar chance de defesa,
Foi o rei da malvadeza,
Não perdoa nem defunto,
Quando a morte é o assunto,
Coronel é realeza...

Pois bem, meu companheiro,
Conto sem titubear,
Pela luz desse luar,
Juro pelo mundo inteiro,
Que no dois de fevereiro,
No sertão da Muriçoca,
Coronel virou paçoca,
Nas mãos desse matador,
Contratado por Doutor,
Lá da serra da Minhoca...

Doutor lá da medicina,
Homem muito conhecido,
Famoso por ser sabido,
Que conhecendo Marina,
Pelo amor, mal assistido,
Quis levar ela pro céu,
Nessa vida assim, ao léu,
Nos colos dessa montanha,
Conheceu a dor tamanha,
Na filha do Coronel...

De emboscada, na tocaia,
Foram três tiros com fé,
Dois na cabeça e um no pé,
Estribuchou qual lacraia,
Bem antes que o mundo caia,
Escapou por um milagre,
Mas a vida pro vinagre,
Ficou quase sem andar,
Agora deu de sonhar,
-Vou pescar aquele bagre...

Lá na capital mineira,
Escondido na grandeza
Da cidade, na certeza,
De que numa vez primeira,
Preparava uma rasteira,
Para o Coronel safado,
Mundo gira, tá girado,
Tempo passa sem parar,
Não perde por esperar,
Já tá tudo combinado...

Passa mês, passa dois, três,
Passa um ano sem notícia,
A vida naquela delícia,
Coronel matando rês,
Volta e meia, outro freguês.
Tudo em paz, na paz da morte,
Quem tiver pouco de sorte,
Escapa da covardia,
Vê nascer mais outro dia,
Sabe que é gado de corte...

Numa ponta de fuzil,
Na bala bem atirada,
Vida não valendo nada,
Coração batendo vil,
Nessas terras do Brasil.
A morte por encomenda,
A solidão vira tenda,
Vai cortando esse caminho,
Cabra andando tão sozinho,
É, da morte, compra ou venda...

Acontece que, Marina,
Moça bonita e safada,
Me pegou só, de empreitada,
Pela luz que me ilumina,
Foi a minha triste sina...
A moça bem sem vergonha,
Me deitou mesmo sem fronha,
Num travesseiro de terra,
Lá bem n’alto dessa serra,
Que prazer e dor medonha!

As pernas da moça prendiam,
Eram como um alicate,
Prontas para esse arremate,
Davam prazer e ardiam,
Depois, de novo, fugiam...
Madrugadas com Marina,
No mato, bem de surdina,
Dos grilos, de companhia,
Mordia, depois gemia,
Marina, doce menina...

Sabendo que essa querência
Era coisa do diabo,
Pisando em Satã, no rabo,
Imaginei qual valência
De morrer sem clemência...
Mas a vida tem seu jeito,
De fazer desse mal feito,
Uma nova circunstância,
Mesmo tendo na distância,
Essa dor que dói no peito...

Quis a vida, no seu bote,
Trazer minha solução,
Sem ter mesmo precisão,
De sangrar o seu cangote,
Nem viver desse rebote,
Tive a sanha mais querida,
De salvar a minha vida,
No meio desse pagode,
Matar esse velho bode,
Era a minha despedida.

Acontece que o doutor,
Sabendo da valentia
Que meu nome já dizia,
Entre os cabras de valor,
Escolheu, pra matador,
Dentre os homens do quartel,
Que sangrasse o Coronel,
Esse que aqui vos fala,
Me deu rifle, me deu bala,
Pra mandar ele pro céu...

Fiz que não queria tento,
Pois já conhecia a fama,
De deitar gente na lama,
De não ter um pensamento,
De saber que esse jumento,
Era a mais terrível fera,
Que riscava até cratera,
Nas pontas do cravinote,
Era preparar o bote
Que a morte sempre se gera.

Cobrei desse Satanás,
Pra fazer esse serviço,
Que eu mesmo já cobiço,
Quase vinte mil reais,
Se pedisse, dava mais...
Da raiva que ele mantinha,
Da tristeza que ele tinha,
De não poder mais andar,
Da querência de vingar,
As balas que ele retinha...

Numa noite sem ter lua,
Me preparei para a caça,
Com uns goles de cachaça,
Me dirigi para a rua,
Onde o medo não atua,
Onde a saudade não vinga,
Eu tomei mais uma pinga,
Prá coragem não fugir,
Na certeza de engrupir,
Os quatro ou cinco safados,
Que, pau desses bem mandados,
Dali não iam sair...

Acontece que, chegando,
Na casa do celerado,
Olhando assim, bem de lado,
Eu fui logo reparando,
Nesses olhos que, m’olhando,
Diziam pois sem dizer,
Que bem queriam me ter,
Da forma que sempre teve,
Na cama que me conteve,
Do jeito que fosse ser...

Marina, bem safadinha,
Camisola transparente,
Dizendo ser eu parente,
Do mesmo saco, farinha,
Me fez de galo, a galinha.
Colocou dentro de casa,
A fogueira e toda a brasa,
Que queriam tanto arder,
Era matar ou morrer,
A vingança não se atrasa...

Fiz da sorte, o sortilégio,
A vida foi na maçada,
Sangrou até na calçada,
A morte sei do colégio,
Matar foi meu privilégio.
Sei de tanta valentia,
Que não viu raiar o dia,
Sangrada no coração,
Não deixou sequer razão,
Nem a sorte que queria...


Cordel - A minha sina - capítulo 2 - Jacinta
Marina, minha menina,
Safada como ela só;
Na minha vida deu nó.
Depois da mão assassina,
Continuei minha sina;
Em busca do meu caminho,
Mas dei tempo, fiz um ninho;
Com Marina fui morar,
Tanto prazer para dar,
Por que vou ficar sozinho?

O doutor nem me pagou,
Nem precisava pagar;
Marina foi no lugar,
Foi tudo que me restou;
E, de novo, aqui estou...
Na cama dessa pequena,
Que faz bico e que faz cena;
Pronta para me engrupir,
Bastava só me pedir,
Rezava até em novena...

Mas, num dia de tristeza,
Por causa de romaria,
Cismou de ir com Maria;
Filha da dona Tereza,
Que fez voto de pobreza;
Duma forma diferente,
Dando pra todo vivente,
O que Deus lhe deu com fé,
Ia a cavalo ,ia a pé;
Toda noite um diferente...

Juntando pólvora e fogo,
O troço todo fedeu;
Marina, então se esqueceu,
E mesmo com todo rogo,
Fugiu com um tal Diogo;
Sem deixar rastro e sinal,
Juntei então no bornal,
E pra outras cercanias,
Em busca das valentias,
Recomecei meu jornal...

Nessas estradas mineiras,
Sem ter medo mais nada;
Na serra ou noutra baixada,
Fiz das rimas verdadeiras,
As ramas foram esteiras,
Onde dormi sem ter medo.
Desse meu novo degredo,
Exilado sem ter casa,
Meu peito ardendo na brasa,
Na solidão, meu segredo...

No bornal levo cachaça,
Três pistolas carregadas,
Luares e madrugadas,
Que é coisa que dá mais graça,
Cigarro prá ter fumaça;
Um monte de valentia,
Um novo romper do dia,
Quatro mortes nas “costa”
Três foram de pau de bosta,
Que nem pra bosta servia...

Num canto desse cerrado,
Onde vi onça pintada,
Pelas ribeiras, jogada,
Tudo me foi preparado
Encoivarei um roçado,
Das coisas que sei plantar,
Quiseram me contratar,

Pra fazer mais três “defunto”,
Que, pra terra de pé junto,
Era fácil de levar...

O serviço foi moleza,
Eles morreram no susto,
Tavam atrás dum arbusto,
Se borraram na certeza,
Nem me causaram grandeza.
Servicinho mais vulgar,
Mas deu pra comemorar,
A filha dum tal meeiro,
Nunca vi, no mundo inteiro,
Uma beleza sem par...

Jacinta, a moça chamava,
Tinha um rosto mais perfeito,
Tudo que tinha direito,
A moça tinha e sobrava,
Mas eu nunca imaginava
O que tinha diferente,
Pois se toda aquela gente,
Ninguém me contava nada,
Por que estava, ali, jogada,
Uma moça, assim, ardente...

Sem querer saber por que,
Não me importava a peleja,
Pois quando um homem deseja,
Nada pode convencer,
Não há do que se temer,
Nem há o que perguntar,
É só correr e pegar,
Pois, na vida o que é do home,
Nenhum bicho vai e come,
Nem preciso comentar...

Pois bem, essa tal Jacinta,
Tinha a beleza da flor,
Nem conhecera o amor,
Não procurou fazer finta,
Fui pintando, tanta tinta,
Sem licença pra pedir,
Chegando, fui conferir,
A moça bem de pertinho,
No seu colo fiz um ninho,
O seu cheiro quis sentir...

A moça ficou só no beijo
Não aceitou meu carinho,
Que, mesmo indo de mansinho,
Acendendo seu desejo,
Me deixou só no cortejo,
Fechando as pernas pra mim,
Pensei logo ser assim,
O jeito dessa donzela,
Que depois, numa esparrela,
Ia tintim por tintim...

Depois de tanto alvoroço,
Sem dar ouvido a ninguém,
Que quando a gente quer bem,
Angu não tem nem caroço,
A gente mergulha no poço,
Sem saber profundidade,
Nem pergunta da maldade,
Nem quer saber de mais nada,
A moça, perna fechada,
Parecia santidade...

Mas, depois de três semanas,
De tanto rala e não abre,
Mostrei a ponta do sabre,
Os olhinhos mais sacanas,
Que engana mas não me enganas;
Jacinta não resistiu,
De beijos, então cobriu,
Fez que teve uma vertigem,
Surpresa: não era virgem,
Onde entra um entra mil...

Quis saber dessa safada,
Por que foi que me fechou
Porteira por onde entrou,
Um boi, talvez a boiada,
Ela então, desesperada,
Me disse bem deslambida,
Que nunca na sua vida,
Ela poderia ter,
Um outro amor pra viver,
Sua sorte era perdida...

Me contou: quando menina,
Com doze anos de fato,
Deitada nesse regato,
Que a lua mais ilumina,
Nessa água tão cristalina,
Foi, um dia, se banhar,
Mas não podia esperar,
Que toda nua, e bonita,
O coração que s’agita
Nunca iria imaginar...

Na margem daquele rio,
Um moço que lá chegava,
Belo cavalo montava,
Um príncipe em pleno cio,
Enchente em tempo de estio,
Não conseguiu resistir,
A boca então quis abrir,
Num solavanco com força
Ali, acabou-se a moça,
Se deixando possuir...

Acontece, não sabia,
Que esse príncipe fajuto,
Era o safado dum bruto,
Que não tinha serventia,
A não ser na sacristia,
Que tristeza dessa sina,
Quando tirou a batina,
O padre por pilantragem,
Fez tremenda sacanagem
Com essa pobre menina...

Saiu correndo depressa
Mal completou o contado;
Eu fiquei descompassado,
Com toda aquela conversa,
A quem quer que isso interessa,
Vou contar bem devagar,
Nessa noite de luar,
Vendo de novo essa cena,
Ouvi de longe a pequena,
Num lamento, relinchar!

Sai correndo ligeiro,
Deixei tudo de empreitada,
E, naquela madrugada,
Naquele triste janeiro,
Perto daquele ribeiro,
Antes que a terra me engula,
Só falar, coração pula,
Te juro e falo verdade,
É pura realidade:
Eu tinha comido a mula!


Cordel - A minha sina - capítulo 3 - Virgulino
Minha vida vai depressa,
Nas matas desse grotão,
Onde bate coração,
Vida fazendo remessa,
Vou passando sem ter pressa,
Buscando um novo cantar,
Procurando por lugar
Onde possa ter certeza,
Que não tenha mais tristeza,
Nem do que me admirar...

Depois dessa confusão
Com Jacinta e sua laia,
Não quis saber de gandaia,
Muito menos procissão,
Procurando um novo chão,
Bicho de saia, tô fora,
Pelo menos por agora,
Nem que peça a condessa,
Até mula sem cabeça.
Encontrei por mundo afora...

Cheguei nas terras do Juca,
Pelos matos da Terena,
Naquela serra pequena,
Alma da gente cutuca,
Vivendo dessa arapuca,
Não posso dela fugir,
Vou morrendo sem sentir,
Cheiro de terra molhada,
Pelo sangue, temperada,
Brotando sem se pedir...

Pois te conto seu doutor,
Não podendo ficar quieto,
Peguei caminho mais reto,
Todo cabra de valor,
Debaixo do sangrador,
De sujeito mais safado,
Abriu desde seu costado,
Descendo o pau mete ripa,
Revirando então as “tripa”,
Deixando bem perfurado...

Empreitada como aquela,
Nunca mais eu vou saber,
Era coisa pra querer,
Sem pensar direito nela,
Por conta duma costela,
Que um sujeito me quebrou,
Mas deu o fora, vazou,
Nem notícias nem recado,
Correu pelo descampado,
Nem rastro dele ficou...

Esse maldito chulé
Dera de contar vantagem,
Isso é muita sacanagem,
Não vou deixar isso a pé,
Nem que fique tereré,
Não vou fazer de rogado,
Eu pego esse desgraçado.
Eu vou tirar isso a limpo,
Soube que está num garimpo,
Vou matar esse viado...

Peguei a minha mochila,
Despenquei, fui para lá,
Tem gente falou não vá,
Mas tem defunto na fila,
Fui correndo pr’essa vila,
Eu nem pensei duas vezes,
Quero a cabeça do sapo,
Arranco logo no papo,
Que é assim que matam reses...

No garimpo lá no Norte,
Procurei por toda parte,
Não pedindo nem aparte,
Estava com gosto de morte,
Apostei na minha sorte,
Pro garimpo fui correndo,
Mal o sol ia nascendo,
Eu nem esperei brotar,
Querendo depressa chegar,
Vingança assim, vou vivendo...
Chegando no mafuá,
Encontrei cabra valente,
Ouro tinha até no dente,
Tanta gente tinha lá
De todo jeito que dá;
Tinha velho desdentado,
Tinha cabra magoado,
Por causa duma mulher,
Todo jeito que quiser,
Muito pudim de cachaça,
Tem sujeito boa praça,
A desgraça que vier...

Perguntei pra todo mundo,
Onde estava o desafeto,
Que por certo, tava perto,
Ele chamava Raimundo,
Era um cabra vagabundo,
Tinha cicatriz na cara,
Bigode tinha na apara,
Uma cara de paçoca,
Uma cor de tapioca,
Ia sangrar numa vara...

Me pediram com cuidado,
Muita vagareza e tino,
Pois ele tinha o destino,
E o corpo tava fechado,
Que por mais que fosse errado,
Com ele ninguém bulia,
Era o rei da valentia,
Sujeito muito covarde,
Que antes que a noite tarde,
Matava mesmo de dia...

Camarada sem tempero
Senhor dessas taperas,
Maior fera entre essas feras,
Temido por companheiro
Rei dum reinado inteiro,
O maior dos assassinos,
Herói de todos meninos,
O superhomem de lá
Nó em jararaca dá,
Dobrava todos os sinos...

Sem ter medo de valente,
Cara feia e assombração,
Matador desse sertão,
Pensei dum modo decente
De levar esse vivente
Pra casa de Satanás,
Dei dois passos para trás,
Chamei esse tal Raimundo,
Que era fedorento e imundo,
Que só morte satisfaz...

Na hora do desafio,
Ele me reconheceu,
E sabendo quem sou eu,
Chamou espada no fio,
Convidando mais um trio,
Prá “mode” poder brigar,
Gostei do desafiar,
Quatro sujeito é demais,
Mesmo assim eu quero mais,
Nunca vou me acorvadar...

Porém com o sangue quente,
A gente não pensa, demora.
Eu nem pensei, nessa hora,
Que tinha lá muita gente,
Que era melhor, de repente
Esconder e tocaiar,
Podia escolher lugar
Pra pegar esse safado,
Mas deixei tudo de lado,
E com ele fui lutar...

Depois de já ter furado,
Um dos cabras de Raimundo
Uma faca entrou bem fundo ,
Me machucou desse lado,
Agora eu já tô ferrado,
Chegou a hora da morte,
Acabou a minha sorte,
Minha sina terminou,
Pensei que tudo acabou;
Mas meu Deus tem muito porte...

Na hora que eu precisava,
De uma ajuda de meu Deus,
Surgiu um cabra dos meus,
Que eu nunca que imaginava
Que esse camarada tava,
Endiabrado, esse dia,
E no mei da ventania,
Sacou de sua peixeira,
Na porrada fez fileira,
Fez à sua serventia...

Esse sujeito do Norte,
Parecia mais menino,
Chamado de Virgulino,
Não temia dor nem morte,
Para culminar a sorte,
O moço meio zarolho
Era cego só dum olho,
Mas enxergava por dois,
Numa conversa depois,
Temperou com muito molho...

Contou que era garimpeiro,
Veio de Serra Talhada,
Corria na vaquejada,
Percorreu sertão inteiro,
E que desde fevereiro,
Nesse garimpo chegara,
Que cedinho já notara,
Naquele tal de Raimundo,
Um sujeito vagabundo,
Que esse dia preparara...

Força de eu ter conhecido,
Pros lado de Pernambuco,
Um cabra bom de trabuco,
E muito do divertido,
Resolvi por mais sentido,
Nessa nossa ladainha,
Perguntei nessa tardinha,
De quem ele era parente,
Fiquei quieto de repente,
Com a resposta que tinha...

Contou-me, pra susto meu,
Que era neto de Zefinha,
Moça dessas bonitinha,
Que no passado viveu,
Que de perto conheceu,
Com muito beijo e abraço,
Moça pegada no laço,
Nas terras desse sertão,
Que teve com Lampião,
O rei de todo cangaço,

Um moleque bem criado,
Um sujeito musculoso,
Cabra muito perigoso,
Campeão de todo o gado,
Esse peão afamado,
O rei de todo sertão,
Era cara e coração
Do pai, sujeito valente,
Compreendi, bem de repente,
Que o neto de Lampião

Era o tal de Virgulino,
Que lutou junto comigo,
Sem temer nenhum perigo,
Sem ter medo do destino
Que com todo desatino,
Ajudou a terminar
Com quem quis me machucar,
Me pegar na covardia,
Mas com toda valentia,
Me ajudou comemorar...

E desde aquele incidente,
Agora não tem jeito não,
Quando vamos no sertão
Ninguém bole com a gente,
Nem na faca ou no repente,
Quem queira corre perigo
Mexeu com ele ou comigo,
Na ponta duma peixeira,
Arrepende a vida inteira,
Depressa vem o castigo...


Cordel - A minha sina - capítulo 4 - No dia em que o Diabo criou chifre
Depois de ter conhecido,
O neto de Lampião,
Lenda viva do sertão,
E tendo me convencido
Que nada mais é perdido;
Fiz pro moço, uma proposta,
Coisa de gente que gosta,
Ir pelo sertão afora,
Sem ter dia mês e hora;
Mas partiu, nem deu resposta...

Sozinho pelas estradas,
No meio de tanta areia,
Procurando pela teia,
Seguindo novas pegadas,
Esperando outras jornadas.
Homem valente de fato,
Encontrei uns três ou quatro,
Mas não queria de sócio
A vida precisa d’ócio,
Pescando nesse regato.

Acontece que sujeito
Que vive dessa maneira,
Pulando da barranceira,
Não pode ver um mal feito,
Acha que tá no direito,
De se meter em rabuda,
Não pode ver da miúda
Que entra em nova enrascada,
Saindo de madrugada,
Atrás de moça taluda...

Joaquim me deu pousada,
Pros lado do Patrocínio,
Falou num tal vaticínio,
Coisa das muito enrolada,
Botei meu pé, nova estrada,
E parti bem de mansinho,
Levando meus bagulhinho,
Guardados no meu bornal,
Quarta feira, carnaval,
Ia de novo sozinho...

Nessa mesma quarta feira,
Que é de cinzas pode crer
Montado num zabelê
Filho duma égua estradeira,
Pru móde ser mais ligeira,
Que eu precisava chegar,
Determinado lugar,
Na curva do Zebedeu,
E lá mesmo é que se deu
Isso que eu vou lhe contar...

Chegando nessa serrinha,
Que é lugar bem diferente,
Um monte de gente crente,
Disse que toda tardinha,
Avoa umas avezinha
Fazendo gesto indecente,
Mas é coisa de veneta,
Imagina, coça as teta,
Dando banana pro povo,
Os cabra mexe nos ovo,
Que isso é coisa do capeta!

Fui pagando para ver,
No que essa história daria,
Subindo na ventania,
Sem ter medo nem por que,
Esse trem vou resolver.
Num tem nem mais precisão,
De fazer sua oração,
Sou um cabra penitente,
Num tenho medo de gente,
Que dirá d’assombração!

O lugar era bonito,
Tinha cor do meu tiê
No meu velho metiê
Nunca tive tanto grito,
De mulher vaca e cabrito,
Zoando feito vespeiro,
Até fiquei mei besteiro,
Mas não arredei meu pé,
Chegando com pontapé,
Entrei nesse pardieiro.

No meio da confusão,
Reparei numa bobagem,
Reparei na sacanagem
Que não tinha nem perdão,
Um tremendo mocetão,
Tava toda machucada,
A bunda toda lanhada,
Riscada com um chicote,
Mesma hora dei o bote,
Levando a destemperada...

Moça bonita e dengosa,
Tinha os olhos rabichados,
Os lábios grossos, inchados,
Um perfume igual a rosa,
Eta bichinha gostosa!
Eu, na hora pensei nela,
Arretada matusquela,
Banquete prum homem só,
Nem pensei em ter mais dó,
Esqueci dessa esparela...

A moça num conseguia,
Falar na minha linguagem,
Mas pra quem quer sacanagem,
Era de pouca valia,
Entender o que dizia,
Não preciso nem falar,
Comecei a cutucar,
A moça de pouco a pouco
O troço deixando louco
Vontade de não parar...

Que boca boa, eu beijava,
A minha mão bem safada,
Fazia sua jornada,
Enquanto ela delirava,
Sua blusa eu abaixava,
As tetas todas macias,
Minhas mãos eram vadias,
Chegavam nas suas coxas,
As florizinhas mais roxas,
Não tinham tais serventias...

A perna da moça aberta,
Esperando pela clava,
Tanto gozo que se lava,
A danadinha era esperta,
Coisa boa que se flerta
Nunca se esquece mais não,
Deitei gostosa no chão.
Cavalguei essa danada,
Minha vida desgraçada,
Parecia ter perdão...

Tanto gosto, tanta festa,
Depressa a noite chegou
Quem gozou não reparou
Uma porrada na testa,
Uma pancada indigesta,
Acabei desacordado,
Quando vi, tava danado,
No meio desse barraco
Que recendia a sovaco,
Misturado com meleca
Reparei nessa boneca,
Mas sentindo do meu saco...

Num canto, tava amarrado,
Pelo saco sim senhor,
Por isso senti a dor,
Um calor desesperado
Tô frito, talvez assado,
Eu pensei por um segundo,
Nessa merda eu me afundo,
Não vai sobrar nem pentelho,
Vi um cabra de vermelho,
Mais feio que o tal Raimundo...

A morte não tinha pressa,
Fiz promessa de jurar,
Que nunca mais vou matar,
A minha mão Deus engessa,
Atadura nem compressa,
Precisa mais ter valor,
Nunca mais um matador,
Nunca mais um sanguinário,
Se meu Deus me der contrário,
Prometo agir com amor...

Apois bem, nem compensava
A morte via de perto,
Nem podia ser esperto,
O troço se complicava,
O moço os olhos injetava,
Com brabeza sem igual,
Meu último carnaval,
Era fava mais contada,
Toda tristeza instalada
Morto naquele arraial...

Uma voz de touro bravo,
Foi berrada neste instante,
Com três metro o tal gigante,
Me disse: em teu sangue lavo
Tu não serves nem pra escravo,
Depois dessa que aprontou,
Essa mulher que pegou,
Fez safadeza de fato,
Fez dela gato e sapato,
Pro chão, você arrastou...

Essa dona é melindrosa,
Com ela não bole não,
Ela é minha tentação,
Do jardim é minha rosa,
Eu sei que ela é bem fogosa,
Já lhe dei muita pancada,
Mas bem sei que a desgraçada,
É chegada em aprontar,
Qualquer um que for chegar,
A vadia é bem chegada...

Mas nunca tinha me dado,
Tanto trabalho afinal
Nesse fim de carnaval,
Parece ter despertado,
O que tem de mais tarado,
As pernas não sossegou
Depressa ela se entregou
A um vagabundo sem eira,
Depois de tanta besteira,
Um par de chifre botou...

A minha cabeça lisa,
Tá ficando encaroçada,
Por causa da disgramada,
Que tanta lição precisa,
Em teus bagos se batiza,
Não vai sobrar mais nada,
Nem sombra dessa safada,
Nem de você seu matuto,
Agora cansei, fiquei puto
Essa conversa fiada!

O trem estava fedendo,
Eu não vi mais solução,
Amarrado no culhão,
O calor já tava ardendo,
Eu pensei: já ‘to morrendo,
Num tem outro jeito não,
Pedi a Deus seu perdão,
E rezei com muita fé,
Mas, de repente, num pé
De vento uma solução...

Quando senti ventania,
Olhei de beira pro lado,
O troço tava arretado,
Meu Bom Deus me protegia,
Apesar das covardia
Que tanto fiz por aí,
Nesse momento eu senti,
Que meu Pai não me deixara,
Nesse vento que ventara,
Surgiu, do nada, o Saci...

Junto com o Pererê
Tava amigo Virgulino,
Que em todo esse desatino,
Nunca iria se esquecer
Dum amigo pra valer,
Companheiro do perneta,
Um tocador de trombeta,
Um arcanjo lá do céu,
Que no meio desse escarcéu,
Deu porrada no capeta!

Trazia de tira colo,
Aquela santa menina,
Ela mesmo, a tal Marina,
Por pouco que eu não me enrolo,
Vendo nesse mesmo solo,
O trio que me salvara,
Tomar vergonha na cara
E parar de safadeza,
Me perdendo nas beleza,
Vou parar com essa tara...


Cordel - A minha sina - capítulo 5 - Na terra do cirandar...
Depois de ter conseguido,
Sair do tal Tororó,
Vazado, comendo pó,
De me sentir perseguido,
Tanto tempo lá perdido,
Nessa ciranda de roda,
Minha vida tendo poda,
Por causa desse diabo,
Tá tentando me dar cabo,
Não vou cantar essa moda!

E quase que ele me pega,
Usando da fantasia,
Que meu peito já queria,
Mas a verdade me nega,
Amor é coisa que cega...
Tenho que ter mais calma,
Pois senão perco minha’alma,
A coisa pode estourar,
Não quero mais complicar,
Nem enfiar minha palma...

Nesse mundo da ciranda,
Pensei sair bem depressa,
Mas a vida me confessa,
Que pra frente é que se anda
Senão a coisa desanda,
Não vai sobrar nem poeira,
Dançarei a vida inteira,
Sem ter como nem dizer,
Eu não quero assim morrer,
No meio dessa besteira...

Bem perto do Tororó,
Tem as terras do De Conta,
Onde tem gente que apronta,
Faz e nem sente mais dó,
Comendo um saco de pó,
A gente passa por lá,
Tem tanta gente que dá,
Vontade de ficar triste,
O meu peito não resiste,
Dessa gente muito má...

Um grito desafinado,
Bem agudo por sinal,
Foi todo meu grande mal,
Eu ouvir o tal miado,
Um bicho pobre felino,
Tava nesse desatino,
Amassado qual paçoca,
Corria de toca em toca,
E pedra em cima, zunino...

Foi pedra e foi paulada,
O bichano quase urrava,
De tanto que apanhava,
Mas não pensei mais em nada,
Também dei u’a cacetada,
Acertei bem de primeira,
Foi uma bruta sangreira,
O gato tá esfolado,
Dessa vez tá bem matado,
Mas vazou na capineira...

Dona Chica s’admirou
Do berro que o gato deu,
O danado não morreu,
E bem depressa escapou.
Pras terras pr’onde vou,
Vou guardar acontecido,
Dele não ter se morrido
Não vou mais m’esquecer,
Quase vi gato morrer,
Mas agora tá fugido...

Saí depressa dali,
Fui em busca d’outro canto,
Mas, logo ouvi novo pranto,
Escorrendo qual xixi,
Nessa mata me perdi,
Procurando quem chorava,
Uma bela moça estava,
Triste que dava pena,
Sua mão de longe acena,
Perguntei que se passava.

A moça então já me disse,
Que um moço cirandeiro,
Acendeu o candeeiro,
Depois fez muita bobice,
Que bem antes que s’ouvisse,
Deixou ela tão sozinha,
A moça era bonitinha,
Minha vontade coçou,
Logo se recuperou,
Pensei logo na Ritinha...

Ela falou da ciranda,
Da meia volta prá dar,
Onde fora cirandar,
Mas caiu meio de banda,
No mundo fez a quitanda,
Mas a vida foi mesquinha.
“O amor que ele me tinha,
Era pouco e se acabou”;
Me mostrou ali no lado,
Um anel todo quebrado,
Foi tudo que lhe restou...

Deixei a moça tristonha,
Não pude falar mais nada,
Passei para outra estrada,
Numa curva mais medonha,
Dessas que nem gente sonha;
Pesadelo sei de cor,
Uma dor foi bem maior,
Quando tive o desprazer,
De perto conhecer,
Uma sina bem pior...

Um moleque bem safado,
Filho do Seu Francisco,
Um pivete bem arisco,
Ria-se tanto o danado,
Um jeito desengonçado.
Quis saber logo o porquê,
Só pedi pra me dizer,
Ele me contou sorrindo,
Foi contando achando lindo
O que passo pra você:

“Pai Francisco entrou na roda,
Tocando seu violão”.
Não fazia nada não,
Mas tem gente que vem, poda,
Nem pode cantar mais moda,
Delegado não quis não,
“Pai Francisco foi pra prisão”.
“E como ele vem faceiro”,
Contava pro mundo inteiro,
O seu filho, sem perdão...

O pobre tão machucado,
Depois de tanto apanhar,
Não podia nem cantar;
“Vem todo requebrado,
Boneco desengonçado”.
Eta filho desumano,
O velho entrou pelo cano,
Tomou tanta da porrada,
Inda agüentar a gozada,
De beltrano e de sicrano!

Deixei depressa esse mato,
Fui buscando outra paragem,
Mas a tal da sacanagem,
Não respeita nem regato,
Como digo, assim, de fato.
Percebi, numa sacada,
A rosa despedaçada,
Que, por causa dum entravo,
Brigou com um velho cravo,
E saíram na pancada...

E logo ali, adiante,
Vinha moça bem tristonha,
Roupa amarrada na fronha,
Que por tristezas que cante,
Me mostrava estar diante,
Dum caso que me entristece,
A moça bonita padece,
Duma pobreza sem dó,
A vida fazendo nó,
A dor no meu peito cresce...

Me dizia não ter cobre,
Tanta coisa assim perdi
De marré, marré, dici;
Eu sou pobre, pobre, pobre...
Eu tentei um gesto nobre,
Mas reparei meu bornal,
Não dava nem pro mingau,
As migalhas que trazia,
Meu bem, fica proutro dia,
Quem sabe lá pro Natal?

Andando mais um pouquinho,
Passando naquele rio,
De noite um tremendo frio,
Reparei, bem de mansinho,
Um sapo dando pulinho...
Mas não era um pulo só,
Tanto pulo dava dó,
Tava todo jururu,
Era um sapo cururu,
Cum frio no fiofó!

No meio do sururu,
Uma coisa também vi,
Me deu vontade e eu ri,
Um tremendo brucutu,
Falando assim pro bitu:
“Vem aqui, bitu, vem cá”,
“Não vou lá, eu não vou lá”,
Respondia o bicho arisco,
“Você me quer de petisco,
Não quero mais apanhar”.

Saindo desse buraco,
Passei por rapaz chorão,
Chorava de borbotão,
Eu fui logo dar pitaco,
Me respondeu num só taco:
“Deus, o que será de mim,
Como vou viver assim.
O meu boi, tadim, morreu”...
Mas antes ele que eu:
“Vai buscar no Piauí!”

Depois de tanta mazela,
Encontrei uma saída,
Dei um tchau na despedida,
‘Tô ficando matusquela,
Escapei dessa esparrela,
Mas pra nunca me esquecer,
Do meu grande bem querer
Pra não perder a centelha,
Peguei a rosa vermelha,
Hei de amar até morrer!


Cordel - A minha sina - capítulo 6 - Boi bandido e Catirina
Depois de ter escapado
Da terra do cirandar,
Eu voltei a procurar,
O meu destino marcado,
Ter meu mundo desolado,
Num momento diferente,
Voltar ser, de novo, gente;
Podendo ter paz na vida,
Buscando sem despedida,
Viver, de novo, contente...

Partindo do tal reinado,
Encontrei novo caminho
Entrando, bem de mansinho;
Num belo mundo marcado,
Pelos campos, verde prado,
De beleza assim, sem par;
Pois esse belo lugar,
De bonito dava brilho,
Não quero perder o trilho,
Mas preciso descansar!

Coisa mais sensacional
Era tal lugar bonito,
Digo, redigo e repito,
Eu nunca vi nada igual,
Parecia um festival
Dessa natureza em flor,
Nunca tanta vi tanto verdor,
Nem em sonhos ‘maginei
Pois foi lá que desbanquei
Esse peito sofredor...

Conheci moço bacana,
Um doutor muito educado,
Me falou ter procurado,
Um cabra que não engana,
Tinha muito safardana,
Enganando o pobre moço,
Eu não fiz muito alvoroço,
Mas pedi logo um emprego,
Cuido de vaca e burrego,
Carregando água de poço...

Olhei pra cara do dono,
Me disse que tava bem,
Não confiava em ninguém,
Vivendo nesse abandono,
Um rei grande no seu trono;
Mas, porém, sem confiar,
Tanto deram de enganar
Um moço tão confiado,
Entendi o seu recado,
Comecei a trabalhar...

Me falou dum boi bandido,
Que era boi dos premiado,
Um tal boi condecorado,
Boi daqueles bem vestido
Por Deus, boi escolhido,
Um campeão de rodeio,
Tinha um couro bem vermeio,
Era grande pra danar,
Era boi pra se ganhar
Bem mais de milhão e meio!

Costumado a criar gado,
Nos tempos lá das Gerais,
Pensando não querer mais,
Esse mundo disgramado
De correr lado pra lado,
Buscando por valentia,
Escapar da covardia,
Do capeta mais chifrudo,
Entro calado, vou mudo,
Viver essa regalia!

Eta mundinho dos bão,
Viver aqui na moleza,
No meio da natureza,
Sem ter preocupação,
Não quero mais nada não.
Só quero essa vida boa,
De tardinha na garoa,
De noitinha no meu quarto,
A vida enfim, me deu trato,
Fez canoeiro e canoa...

Nesse campo bem verdinho,
Sem ter seca nem ter fome,
O que se quiser, se come,
Só tá faltando carinho,
O resto vai direitinho,
Não quero sair daqui,
É, pois, tudo o que pedi,
Pensei estar realizado,
O meu coração, danado,
Resolveu se divertir...

Tinha moça bem faceira,
Filha dum sujeito bravo,
Mas sem temer por agravo,
Eu cantei a noite inteira,
Esperei, falei besteira,
Essas coisas de quem ama,
Esquentei brasa na chama,
Chamei pra dar uma volta,
Aceitou, não fez revolta,
Foi parar na minha cama!

O pai, depois do mal feito,
Reclamou com o patrão,
Esse não deu bola não,
Os dois quer tá no direito,
Agora vamos dar jeito,
Os dois precisa casar,
Aceitei sem nem pensar,
Eu casei com Catirina,
Era o nome da menina,
Mais bonita que o luar...

Passa mês três mês, um ano
Eu me sentindo feliz,
É tudo o que sempre quis,
Vivendo assim sem ter plano,
De tanto saber engano,
Desconfiava de nada,
Tudo de carta marcada,
Na jogatina da vida,
A tristeza tá perdida,
A vida dá gargalhada...

A moça então, embuchou,
A barriga tá crescida,
Minha sorte decidida,
É nesse mundo que vou,
Devagarinho chegou
O meu tempo de ser rei,
Doutro caminho não sei,
Até que enfim tenho paz,
Me esqueci de Satanás
Nem pros lados eu olhei!


Acontece que a danada,
Uma noite então me disse,
Que seu coração ouvisse,
Pro móde tá embuchada,
Sonhou nessa madrugada,
Um desejo diferente,
Vai ouvindo minha gente,
Veja só se isso tem jeito,
Com todo amor no meu peito,
Me pediu, de modo urgente,

Pra matar essa vontade,
Coisa que não tem juízo,
Me falou que era preciso,
Lhe trazer até de tarde,
Coisa de gente covarde,
Me pegou desprevenido,
Agora tô convencido,
Não tenho mesmo sorte,
Isso me cheirava a morte,
A língua do boi bandido!

Eu tentei desconversar,
Catilina então chorava
Dizia que eu não amava,
Me falando, sem parar,
Que se não fosse pegar,
A língua do desenfeliz,
Nosso filho tão feliz,
Ia ser um desgraçado,
Nesse choro, maltratado,
Minha vida por um triz...

Sem ter jeito nem escapo,
Cheguei perto desse boi,
Nesse dia então se foi,
Dei pancada até sopapo ,
Por pouco que não fui capo,
Numa chifrada mal dada,
A calça saiu rasgada,
Quase que fico capado,
Mas o boi foi deslinguado,
Sua língua ensangüentada...

Peguei, então tal troféu,
Voltei correndo pra casa,
Coração queimando brasa,
Descortinei esse véu,
Nesse inferno, cadê céu?
Reparei na gargalhada,
Eu não pensei em mais nada,
Minha vida não tem jeito,
Reparando bem direito,
No riso da desgraçada,

Eu vi que fora enganado,
A tal dessa Catirina,
Que pensei ser a menina,
Por quem fui apaixonado,
Tinha já se transformado,
De maneira diferente,
Num jeito mais repelente,
Com dois chifres apontando,
Era o diabo enganando,
Rindo seu riso contente...

Vazei então no capinado,
Deixando tudo depressa,
Não querendo nem conversa,
Com o bicho disgramado,
Sem vergonha e tão safado,
Ter me deixado sozinho,
Procurei o meu caminho,
Não posso mais ter nem paz,
Esse bicho ruim é capaz,
De me comer picadinho...

Cordel - A Minha Sina Capítulo 7 - Caçando o porco errado...
Depois de ter escapado,
Das terras do faz de conta,
Tanta coisa que se apronta,
Meu mundo vai enganado,
Não me resta nem recado.
O bornal ficou por lá,
Quem mandou me casá
Com a tal de Catirina,
Quase me pegou de quina
De modo a me extropiá.

Minha sorte é que deixei,
Escondida nesse mato,
Na beirinha do regato,
Foi depois que me lembrei,
Quando na mata cacei,
A minha velha espingarda,
Senão a vida danada,
Acabava duma vez,
Já tava morta essa Inez,
Não ia sobrar mais nada...

Com espingarda na mão,
De fome não vou morrer,
Riacho dá de beber,
Vou seguindo a procissão,
Vazando pelo sertão,
Deixando tudo pra trás
O Maldito Satanás
Não vai desistir da caça,
Passa vila passa praça,
‘Tô precisando de paz...

Depois, pensando direito,
É que fui lembrar com calma,
O que vai ser da minh’alma,
Mas o feito já tá feito,
Metendo as caras e o peito,
Eu pensei bem devagar,
Como fui engravidar,
Pensei na minha veneta,
A mulher desse capeta,
No quê que isso vai dar?

Deixei de lado a bobiça,
Vazei no trecho, direto,
Seu capetão vadre reto,
Eu não posso ter cobiça ,
Senão essa joça enguiça,
Vou deixar de lero lero,
Se me dar também eu quero,
Vou caçando esse meu rumo,
Quem sabe acerto meu prumo?
Assim seja, assim espero...

Depois de muito caminho,
Estou de novo sozinho,
Nas matas do Jequibá,
Sem vontade de casar,
Vou caçando passarinho,
A fome tá me matando,
Assim eu vou reparando,
Nas belezas dessa serra,
O bom cabrito não berra,
É melhor sair caçando...

Logo perto dum regato,
Achei um rastro bendito,
Eu vou poder comer frito,
Rastro de porco do mato,
Vou rapidim dar um trato,
A carne é muito gostosa,
É caça das preciosa,
Dá pra gente empaturrar,
Saí depressa a caçar,
Minha barriga já goza...

Mas, essa maldita sina,
Não dá sossego nenhum,
Senti um cheiro, um futum,
Um fedor mei de latrina,
Me lembrei de Catirina,
Um tremendo pescoção ,
Me jogou, logo no chão,
Quase me arranca o papo,
Tomei um outro sopapo,
Apanhei pior que cão...

Em cima do tal do porco,
Um anãozinho dos feio,
Com o cabelo vermeio,
Tava me dando um sufoco,
Eu peguei então um toco,
Dei pancada demais,
O danado foi pra trás,
Num segundo pus sentido,
Os pé do bicho invertido,
Eu não posso ter mais paz...

Deu risada e gargalhada,
Reparei então nos dente
Os dente desse demente,
Tinha a cor esverdeada,
Tomei tanta porrada,
Por pouco ele não me estora,
Eu ‘tô ferradim agora,
Não tenho mais nem saída,
Eu vou perder minha vida,
Nas mãos desse Caipora...

De repente ele parou,
Me falando assim de banda,
Quase que tudo desanda,
Quase que você matô,
Um bicho de muito valô
O meu porco é montaria,
É por isso que eu batia,
Pra você se sussegá,
Agora, pode caçá,
Mas manera a valentia...

Num precisa de regalo,
Nem de fumo nem de esteira,
É só num fazer besteira,
Mata passarim ou galo,
Prá comer não atrapalho;
Só num gosto de maldade,
Nem de saber crueldade,
Com os bicho cá do mato,
Entonce tá feito o trato,
Você ganhou liberdade...

Não me bastou Satanás,
Quase que eu estou ferrado,
Fui caçar o bicho errado,
Minha vida deu pra trás,
Nessas matas, nunca mais...
Vou pegar minha espingarda,
Vou vazar dessa invernada,
Vou sair do matagal,
Depois de tomar um pau,
Não quero saber de nada...


Cordel - A minha sina - capítulo 8 - Um tiro dado pela culatra... E salvador.
Acontece que, na pressa
De sair do matagal,
Eu trupiquei nesse pau;
Minha vida anda as avessa,
Inda morro numa dessa!
As perna quase parti,
De cara pru chão caí,
O negócio tava feio,
Eu num arranjava meio,
Desse fardunço saí...

Machucado, bem doído,
Tive que ficar parado,
Cheiro de mato queimado,
Eu pensei: eu tô perdido,
Nesse caminho comprido,
Eu num tenho salvação,
E não tem mais jeito não,
Como posso me escapar,
Se não encontro lugar,
Nem encontro solução...

A noite tava chegando,
Escura e muito fechada,
É parar a caminhada,
Ali ficar matutando
Num posso sair andando.
O mato pegando fogo,
Complica mais esse jogo,
Brilhando lá d’outro lado,
Se chegar eu tô ferrado...
Rezei, pedindo num rogo.

Arrastei dentro da mata,
Devagar, fui deslizando,
Vi dois foguinho brilhando,
Tanto medo me maltrata,
Procurei marca de pata,
Encontrei um rastejar,
Trem começa a complicar,
Os dois olhinhos brilhando,
Nesse bicho rastejando,
Pensei logo : Boi Tatá...

Escondido desse bicho,
Fiquei nesses matagá,
Eu sei que esse Boi Tatá,
É pior que carrapicho,
Se não vazar num esguicho,
O troço pode feder,
O danado vem fazer,
Com o pobre do coitado,
Um fogaréu desgraçado,
Fazendo o cabra morrer...

Depois é que me lembrei
De ter matado um gambá,
Os restos dele deixá,
E pelo que eu já bem sei,
Esse gambá que matei,
É que trouxe esse malvado,
Não vivo mais sossegado,
Minha sina é de matar,
Como é que vou escapar,
Desse bicho disgramado...

Mas pru sorte, seu dotô,
Deus é muito meu amigo,
Com Ele corro os perigo,
Me protege sim sinhô,
O meu maior protetô!
Um caçador, nesse instante,
Deu um tiro na vazante,
Do rio que passa perto,
Esse tiro foi incerto,
Passando bem raspante...

Esse tiro salvador,
Dado sem ter direção,
Foi a minha salvação,
Esse tal de caçador,
Sem ter noção, atirou
Na casa do Boi Tatá,
Acertando tudo lá;
E fazendo um grande estrago,
Escapei dessa, tô pago,
Mato parou de quemá...

O caçador, desastrado,
Me salvou desse bagaço,
A faca que corta é d’aço,
O medo traz estampado,
Eta mundão mais danado,
Feito de cruz e diabo,
Vou babando igual quiabo,
Eu tô fedendo defunto,
Mas vamo mudá d’assunto,
Pois senão assim, acabo...


Cordel A minha Sina Capítulo 9 Matinta Perêra


Escapando dessas matas,
Nas terras do Boi Tatá,
E precisando encontrar,
Por terras menos ingratas,
Passei por morros, cascatas,
Por luares e sol forte,
Seguindo o rumo do Norte,
Na busca da solução,
Não via outro jeito não,
Tentar escapar da morte...

Seguindo lá pra Bahia,
Tanta coisa por dizer,
Não queria me perder,
Tanta coisa que eu fazia,
Esperava pelo dia,
Da verdade, libertar..
Nem podia descansar,
Chegar de manhã, de tarde,
Sair sem fazer alarde,
Novas matas chafurdar...

Depois de muito caminho,
Precisando d’acalento,
Dormindo só no relento,
Tive que procurar ninho,
Não me importa estar sozinho,
Noite não tinha luar,
A mata pra se embrenhar,
A vida fica de fora,
Escapei do caipora,
É melhor pra descansar...

No meio da noite escura,
Um passarim lá cantando,
Com o bico se espraiando,
Dizia, tal criatura,
Canto que ninguém atura,
Reparei nessa bestêra,
Por detrás da capoêra,
Procurei nem deu pra ver,
Depois pude perceber,
Era o Matinta Perêra...

Procurei donde chegava,
O canto dessa agourenta,
Escutei mais de quarenta,
A peste nunca parava,
A diacha só cantava,
Trazendo uma maldição,
Corri, diantava não,
A danada arrepetia,
A terrível cantoria...

Já cansado de correr,
Vi que não tinha mais jeito,
Não tenho mais nem direito,
Maleita, peste, vou ter...
E depois d’adoecer,
É torcer pra ficar bom,
O danado desse som,
É coisa pior que praga,
Inté valente se caga,
Não canta num outro tom...

Bem mais tarde se lembrou,
Duma coisa que sabia,
Convidar para outro dia,
O passarim que piou,
Com o qual já s’assustou
Para tomar um café,
Gritou com força e com fé,
O Perêra concordou,
Foi pelas mata, avoou,
Fui devagar pé no pé...

Na madrugada alvorada,
Ouvi tremendo barulho,
Parecia que os entulho
Das mardita alma penada,
Tava a fazer revoada,
Perto donde eu lá dormia,
A noite tava bem fria,
A mata tava sem lua,
Vi uma mocinha nua,
Me chamando, essa vadia...

Eu pensei ser o Perêra,
Que chegava pro repasto,
Olhei de banda, de fasto,
Valeu essa noite intêra,
Já pensei nas bandaiera,
A moça era bem bonita,
Tinha jeito de cabrita,
No cio, a bichinha tava,
Então me refastelava,
Eta mocinha catita...

Dei meu braços pra safada,
Agarrei nessa cintura,
Com tamanha formosura,
Viva a vida a madrugada,
Vou lhe dar uma pernada,
Vou fazer festa de monte,
E bem antes que s’aponte,
O sol na barra do dia,
Vou pegar essa vadia,
Já tá feito meu apronte...

Acontece que a demente,
Agarrou com tanta força,
Que nem parecia moça,
Eu até fiquei descrente,
O sol lá no seu nascente,
Apontava sua cara,
A moça ria da tara,
Chegava, então, gargalhar,
Num mexia do lugar,
Todo mordida se sara...

Nesse embrolho de dar dó,
A moça deu um chupão,
Acelera o coração,
Quase que virei foi pó,
Na garganta deu um nó...
Nesse momento, a portera,
Aberta na ribanceira,
Eu vi um redemoinho,
Pensei não tou mais sozinho,
Deve ser a tal Perêra...

Quando vi tal reboliço,
A garganta já mordida,
Minha vida tá perdida,
Já tô no mei desse enguiço,
Espetando como ouriço,
A moça largou as mão,
Assim, mei de supetão,
As mão da moça era garra,
Escapuliu dessa farra,
Me largou, depressa então...

Reparei, nesse momento,
A coisa de se estranhar,
Logo depois de largar,
Bem no meio desse vento,
Arreparei tomei tento,
Eu vou contar pra você,
Pode inté te surprendê,
Um perneta bem risonho,
Como que fosse dum sonho,
O tar saci pererê!

Me contou que já sabia,
Dos caminho meu nas trilha,
E sabendo da armadilha,
Veio depressa, de dia,
Me tirar dessa arrelia,
Me livrar dessa estribeira,
Arrancando de primera,
Das mão desse Satanás,
A sorte é que veio atrás,
Ele, Matinta Perêra!


Virgulino, meu cumpade,
Sabendo dessas encrenca,
Tando com vida da avenca,
Vivendo lá c’a cumade,
Pensou na realidade,
Da vida do seu amigo,
E pediu preu vir contigo,
Prá te sarvá da peleja,
Ah! E que ele te deseja,
Munta sorte nos perigo...

Partindo sem mais dizê,
Sumiu numa ventania,
Me deixou na manhã fria,
Varejou sem perceber,
Nas mata do bem querer,
Foi correndo, foi na fé,
Não dexou nem seu chulé,
Na perna que lhe restava,
Adepois que eu reparava...
Nem tomou o seu café!!!!!


Cordel - A Minha Sina Capítulo 10 - A Cabeça Satânica


Depois de ter escapado,
De novo dessa mulher,
Pensei preciso de fé,
Senão eu já tô ferrado,
Nesse mundo desgraçado,
Sem tentar escapatória,
Dei a mão à palmatória,
Vazei daquele lugar,
Preciso me concentrar,
Senão nem resta memória...

Procurando me esconder,
Entrei na mata bravia,
A gente, quando se fia,
Não tem nada pra temer...
Nas matas do Zabelê,
Nas minhas Minas Gerais,
Espero poder ter paz,
Aqui a terra eu conheço,
Não pode dar nem tropeço ,
Descansar, eu sou capaz...

A noite estava bonita,
Noite de lua e luar,
Um bacurau a cantar,
Outra coruja que grita,
E quem não é bobo evita,
Escapar donde se encontra,
Não tenho medo por conta,
Mas não quero vacilar,
Deixando só por deixar,
A noite, bobeia, apronta!

Debaixo dum jetibá,
Aqui vou ficar, parado,
Descanso bem sossegado,
Repouso não vai faltar,
É melhor ir repousar,
Não perder um só segundo,
Depois eu vazo no mundo,
Procurando Deus M’acuda,
Por certo terei ajuda,
Vou dormir sono profundo...

Sonhei com tanta beleza,
Satisfiz o meu desejo,
Em anja dei muito beijo,
Espantei minha tristeza,
Nadei contra a correnteza,
Fiz a casa de sapê,
Isso é lugar de viver,
Não tem outra solução,
Pr’essas terras, pr’esse chão,
Só no sonhar dá prazer!

Encontrei com Virgulino,
Em Marina dei abraço,
Vencendo esse meu cansaço,
Eu cruzei todo destino,
Virei de novo menino,
Nas cordas dum violão,
Levantava o poeirão,
Dançando muito forró,
Da vida nem tive dó,
Balançou meu coração...

As danças que lá dançava,
Não parava de dançar,
Dançando bem devagar,
Nessas danças me encontrava,
Dancei do jeito que tava,
Não corria mais perigo,
Acabara-se o castigo,
Nem ligo pra mufuá,
O pau pode vir quebrar,
Eu finjo nem é comigo!

Sonho gostoso de ter,
A noite fazia frio,
O coração mais vadio,
Despencado de bater,
Acostumado a sofrer,
Tava bem sossegado,
Eu também tava cansado,
Precisava repousar,
Mas não dá pra descansar,
Sem ficar preocupado.

Um barulho, então ouvi,
Era o mato se mexendo,
Reparei que tava havendo,
Acordei depressa, eu vi,
Há uns dez metros dali,
Uma coisa me espantou,
Do mato se levantou,
Uma coisa diferente,
Uma cabeça de gente,
Que parece, alguém cortou...

A cabeça se mexia,
A danada até falava,
Dava riso, gargalhava,
Tanto medo ela metia,
Desabei na correria,
Sem pensar em direção,
O terrível cabeção,
Não se fez nem de rogado,
Disparou para o meu lado,
Eu não via solução...

Atrás da tal cabeçona,
Eu vi um descabeçado,
Pensei, já tô ferrado,
Meu pai já to na lona,
Vou correndo pr’outra zona,
Aqui não fico mais não,
Procurei o meu facão,
Correndo sem pena e dó,
Cortei mato, até cipó,
Vazei no capoeirão.

Me lembrei então na pressa,
O que contava vovô,
A cabeça se criou,
Na noite que não confessa,
Eu não escapo mais dessa,
Gosmenta como o quiabo,
Com essa agora me acabo,
A cabeça vem atrás,
Foi feita por Satanás
A cabeça do diabo!

Então reparando bem,
Eu vi no descabeçado,
Aquele jeito safado,
Que me lembrava d’alguém,
O capeta agora vem,
Atrás de mim, não tem jeito,
Meti as caras e o peito,
Num buraco qu’encontrei,
Lá dentro eu me enfiei,
Me dou bem por satisfeito...

Quando entrei nesse buraco,
O danado se fechou,
Quem tava fora ficou,
Escapei, foi por um naco,
Confiando no meu taco,
Fui entrando pela terra,
Um bom cabrito é que berra,
Calado morre, sem pena,
Ao entrar, que bela cena,
Um monte no mei da serra!

Tudo brilhava, dourado,
O sol lá tinha nascido,
Até hoje eu duvido,
Daquele meu novo achado,
E fiquei maravilhado,
Com o que meus olhos viu,
Nem parecia o Brasil,
Uma lagoa dourada,
Muito bela, iluminada,
Por um céu azul, anil...

Quando ouvi então sussurro,
Duas moças que se ria...
Me escondi, sem covardia,
Que eu não sou um cabra burro,
Ponta de faca dei murro,
Não quero mais confusão
Me deitei naquele chão,
Reparei que ele brilhava,
Toda a terra clareava,
Um bonito amarelão...

As duas moças branquelas,
Com o cabelo bem liso,
Vou me calar pois preciso,
Escapar pra longe delas,
As roupas bem amarelas,
Os cabelos alourados,
Até chinelos dourados,
Uma riqueza de brilho,
Parecendo até o milho,
Os cabelos cacheados..

Pensei bem onde é que estava,
Depois é que recordei,
Tanta coisa que não sei,
Mas aquela eu me lembrava,
Tanto brilho que brilhava,
Até num lago dourado,
Já tava tudo explicado,
Esse lugar diferente,
Adivinha minha gente:
Encontrei o Eldorado!

Nada mais belo no mundo,
Precisei me beliscar,
Não dá nem pra acreditar,
Que nesse buraco profundo,
Aqui nesse fim de mundo,
Lugar de muita beleza,
Lugar de muita riqueza,
Guardado nesse buraco,
Já tava ficando fraco,
Esperei na correnteza...

Quando vi, bem de repente,
Um bicho bem engomado,
Num caminho rastejado,
Apareceu bem contente,
A danada da serpente,
Começou a me falar,
Então eu fui reparar,
O negócio complicou,
Um bicho que me falou,
Já dá pra desconfiar...

De repente a gargalhada,
Conhecida já faz tempo,
Me criou um contra tempo,
Eu não pensei mais em nada,
A risada da safada,
Da mulher de Satanás,
Corri, deixando pra trás,
Tanto ouro que nunca vi,
Nem da terra despedi,
Mais que o ouro vale a paz!

Voltei de novo, correndo,
No buraco do tatu,
Tô cagado d’urubu,
Viver assim, me escondendo,
Tantas terras percorrendo,
Até descansar da sina,
Pela luz que me ilumina,
Já tô ficando cansado,
Pelo capeta marcado,
Outras tantas me destina!


Cordel A minha Sina Capítulo 11 A Besta Fera


Escapando dessa terra,
Desse famoso Eldorado,
Num caminho desgraçado,
Subindo naquela serra,
Onde coração se enterra,
A vida não tendo jeito,
Lutando pelo direito
De viver a vida em paz,
Escapei de Satanás,
Me dando por satisfeito...

Depois deste descaminho,
Nas matas não ando mais,
Eu deixei tudo pra trás,
Procurei o meu caminho,
A vida sem ter um ninho,
Onde possa descansar,
Tô precisando parar,
A vida não faz sentido,
Meu mundo está mais perdido...

Encontrei um vilarejo,
Lá perto de Sucupira,
Onde cabra bom atira,
Por vontade e por desejo.
Numa morena dar beijo,
Deitar de novo na rede,
Matar a fome e a sede,
Sem ter dó e piedade,
A danada da saudade,
Encostada na parede...

Nessa terra do pé junto,
Que se chama de Ramela,
Onde todo cabra pela,
Tesconjuro seu defunto,
É melhor mudar de assunto...
Encontrei com Virgulino,
Contei os meus desatino,
Ele respondeu na lata,
Me deu um punhal de prata,
Pra cuidar do meu destino...

Depois de muita conversa,
Se despediu o amigo,
Me disse: agora é contigo,
Me desculpe minha pressa,
Tenho que voltar depressa,
A Marina tá esperando,
É melhor ir terminando,
Que essa noite não demora,
É melhor eu ir embora...
Se despediu, me abraçando...

Fui então procurar casa,
Encontrei uma viúva,
Me fez bolinho de chuva,
O seu corpo andava em brasa,
Tanta saudade me arrasa,
Me chamou pra ir dormir,
É melhor ficar aqui,
Um lado meu me dizia,
O outro lado me pedia,
Foi esse que obedeci...

A mulher era fogosa,
Deitada naquela rede,
Viúva igual galho verde,
Balancei então a rosa,
Com dois dedinhos de prosa,
Tava feita a sacanagem,
No mei daquela engrenagem,
As coisas perderam rumo,
Alisei mantive prumo...
O resto todo é bobagem..

A noite de lua cheia,
Era plena madrugada,
Foi então que a cachorrada,
Como que tivesse peia,
Numa bagunça incendeia
Todo aquele povoado,
Num barulho desgraçado,
Assustando até defunto,
Não gostei daquele assunto
Fui depressa conferir,
Mal a porta pude abrir,
Nunca vi tanto cão junto!

Os danados dos cachorro
Corria feito o diabo,
Nesse trem inda me acabo,
Fui conferir, subi morro,
Fui prestar o meu socorro,
Quando vi um bicho feio,
Cavalo e homem no meio,
Sobre os cascos galopando,
Nos cachorros chicotando,
Sem parar sem ter nem freio...

A viúva então me disse,
Que era a tal besta fera,
Que nessas noites impera,
E se a danada me visse,
Se por acaso me ouvisse,
Era melhor cair fora,
Tô frito, pensei na hora,
Eu não dou sorte me ferro,
O bicho então solta um berro,
É hora de eu ir embora!

Não deu tempo nem daria,
Olhando pra minha cara,
Relinchou, fez que anda e para,
Disparou na montaria,
Eu vazei na noite fria,
Ele correndo por trás
Parecendo Satanás,
Não me deixou nem por reza,
Tudo que demais se preza,
A gente não é capaz...

Me lembrei do tal punhal,
Que Virgulino me dera,
Parei, olhando pra fera,
E mostrei fiz um sinal,
Pus na mão direita um pau,
O punhal também mostrei,
Parecendo que era um rei,
O bicho não quis correr,
Fez que iria até morrer,
Pra outras banda vazei...

O danado do mistério,
Se mostrou na solução,
Trotando pediu perdão,
E vazou pro cemitério,
Fiz de bravo, fiquei sério,
Ele então se acovardou,
Num momento se abaixou,
Fez então cara de triste,
O diabo não resiste,
Ao punhal que prateou...

Nem voltei para a viúva,
Peguei o meu embornal,
Varejei no matagal,
Eu prefiro até saúva,
Comi bolinho de chuva,
Fiz festança com mulher,
Vivendo como Deus quer,
Me embrenhei então na mata,
Meu destino me arrebata,
Seja lá o que Deus quiser!


A minha terra é feita em frases, ditos

A minha terra é feita em frases, ditos
E tento caminhar por onde o tanto
Pudesse renovar enquanto canto
Em dias mais terríveis ou benditos,
Os versos sendo assim quase infinitos
Olhando de soslaio em cada canto,
O corte se refaz e o velho manto
Traçado em dias turvos ou bonitos.
Fazendo da palavra uma vassala
Ao mesmo tempo domo e ela me cala
Restando com destreza em tom sutil
A imagem que pretendo ou me desvio,
Adentrando meandros deste rio
Aonde o que se espera não se viu.


A morte é velha, mas é sempre novidade.
08

Mote

A morte é velha, mas é sempre novidade.

Esta verdade se espelha
Numa tremenda verdade:
A morte pode ser velha
Mas é sempre novidade.

Marcos Coutinho Loures.


Só não quero ser notícia
Que se estampa no jornal,
Se partir dessa premissa:
Como anúncio funeral...


A morte em salvação
Nas horas derradeiras desta vida
Que à noite nas boates terminava
Sem medo de viver a despedida
E nas dores cruéis agonizava
No prazer maior destes bacantes
Trazendo tantos gozos delirantes...

Investido de lágrimas e sonhos
Abraço teu cadáver, triunfante
Os gozos que me deste enfadonhos
Teu fim é meu começo, delirante.
O corpo desta fera pesa tanto
E traz ao meu destino, um novo encanto...

Ao me ver assim bêbado infeliz
Escarrado pelas ruas, um mendigo,
Buscando meu prazer na meretriz
Meu último quinhão, o meu abrigo
Nas noites friorentas deste inverno
Que sempre se traduzem como inferno!

Nas portas que fechaste com teus pés
A vergonha invadindo minha vida
Meu barco naufragado sem convés
Amargo da saudade desvalida
E o fel deste teu beijo envenenado
Teu fim sempre sonhei, tão desejado...

Mortalha não carrego, comemoro!
Em cálices de amarga lucidez.
Os olhos sobre o corpo já demoro
E rio, me gargalho dessa tez
Lívida, arroxeada e sem mistério.
A morte executada sem critério...

Agora que me livro desta fera
Encontro meu destino mais feliz.
O rosto venenoso de quimera
Não guarda mais sequer a cicatriz
Marcada pelo golpe que te dei
Nas horas onde foste a triste lei...

Vencida esta batalha, resta o sonho
Em busca d’outros dias sem fronteira.
Vejo-te em podridão, acho bisonho
Quem fora sempre forte, a vida inteira,
Coberta pelas lavras se destrói
O mais mísero verme te corrói.

A minha mocidade destruíste
Em todos os orgasmos não deixaste
Todos os meus desejos já puíste
E em cada sonho meu sempre escarraste
Não pude decifrar sequer teu rosto
Que agora, está em restos, decomposto...

Meus olhos regozijam com a tela
Demonstrada e pintada em vera cena
No brilho do matiz, esta aquarela
Resume o belo fim de minha pena.
Eu vejo destroçado quem me corta.
Depois deste cenário, a nova porta.

Agonizaste a cada navalhada,
Penetrante e sutil em tal prazer
Dada que esfacelou, não restou nada
Apenas a vontade de viver
Que renasceu com fúria no meu peito.
Descanso no meu leito, satisfeito...

Esperei por tal fato sem descanso,
Lutei tão bravamente e te venci!
Futuro tão distante, sim, alcanço
Num gesto quase heróico estás ai
Morta enfim. Destroçada sem perdão!
Livrei-me da quimera: a solidão!

A morte me espera
A morte me espera
E bebe o futuro
Do quanto procuro
A dor, a quimera
No fundo tempera
O tempo mais duro,
Encontrando o muro
Saltando esta fera
Terrível sangria
O mundo se erguia
Do fim ao começo,
Amor diz do nada
Muda de calçada,
Um mero adereço.

A morte me namora, mas eu amo a vida
104

Mote

A morte me namora, mas eu amo a vida

Pelas estradas a fora,
Vou devagar, na descida,
Sei que a morte me namora,
Mas amo demais a vida..

Marcos Coutinho Loures

Capotando esta esperança,
Não sobrou nem a bagagem,
A morte aos poucos, avança
Vejo o fim desta viagem...



A MOÇA
Atravessando a noite
A moça não sabia
Que esta boca feito açoite
Traz dor, traz alegria.
Esconde a cobra engole o pau,
Cospe fogo e vendaval...


A mocinha não sabia
A mocinha não sabia
Do que o moço desejava
Toda noite todo dia,
A minha alma se lavava...


A mocréia desfilando
A mocréia desfilando
Numa micro minissaia
E depois vai reclamando
Quer assovio vem vaia.

A mortalha que eu vestia
A mortalha que eu vestia
Esgarçada me permite,
Crer com toda a fantasia
Num amor sem ter limite.


A morte, a faca adaga
A morte, a faca adaga
O corte, o porre a noite
A sombra deste açoite
O beijo já me draga
A sorte não afaga
Nem mesmo este pernoite
Na traição acoite
A sombra dita a chaga,
Mas bebo deste tanto
E quando ainda canto
Procuro uma versão
Que possa me trazer
Além de algum prazer
Sobeja diversão.


A MULA SEM CABEÇA

Se me fosse dado o direito de escolha, por certo não contaria aqui certas histórias fantásticas quem amigos e amigas teimam em me revelar em me revelar, pois “há mais mistérios entre o céu e a terra do que imagina nossa vã filosofia”

Por exemplo, o caso que me foi descrito pela bem falante amiga, Valéria, do Correio Muriaense, vai fazer com que aquela outra amiga, já atormentada por pesadelos, volte a sonhar com touros bravios que a perseguem, nas madrugadas.

Segundo Valéria, o palco desta história é a próspera Juiz de Fora onde, num sítio, mora um simpático casal, vindo do Vale do Jequitinhonha.

Naquele sítio afastado da civilização, habita um mistério insondável...

Nas noites de sexta-feira enquanto o marido dorme depois de uma semana de lutas a mulher acende um lampião e se aproxima do espelho, já manchado pelo tempo.

Num movimento rápido ela separa a cabeça do tronco, deixando-a sobre um tosco criado-mudo e, dirigindo-se ao quintal, transforma-se na Mula Sem Cabeça que, galopando pelas estradas, a todos aterroriza, com gritos tenebrosos.

Como indigente alma-penada, fica ela a correr por todos os lados e a amiga Valéria garante que a fera, a muitos já matou, só de susto!

Quando o novo dia vem chegando a fera volta pra casa e, transformando-se de novo em mulher, recoloca a cabeça sobre o pescoço e começa a fazer o café da manhã.

Quando o esposo acorda, encontra o café já pronto e, ao tomá-lo, nem sabe das coisas que acontecem nas madrugadas frias de Juiz de Fora num sítio afastado da cidade onde reside uma mulher que é, na verdade, a Mula Sem Cabeça que muitos já viram, mas nunca foi aprisionada...

MARCOS COUTINHO LOURES

Toda mulher amada é como um sol
Que brilha nos seus mares num encanto,
Sereia que delira com seu canto
Estrela tão brilhante, qual farol
Às vezes, de saudades vem o pranto,
Mas logo renascendo vibra o manto
Da alegria, refaz-se, girassol...

Toda mulher amada é como a luz
Que transmite total felicidade
E permite que em sua claridade
A louca fantasia se produz,
Dizendo tanto amor com liberdade
Mostrando que viver realidade
Melhor do que sonhar, tanto seduz.

Minha amada mulher, meu sentimento
Percorre cada poro de teus seios,
Matando meus desejos e receios
Sentindo teu prazer, vivo no vento,
Eu quero mergulhar nestes teus veios
Fazer-te dos meus cantos, galanteios
Gozar total prazer do sofrimento!
Publicado em: 13/12/2006 15:28:02
Última alteração:23/10/2008 14:33:45




Mesmo se a lua está cheia,
Não saio, fico na minha!
Pois coruja e mulher feia,
Só saem mesmo à noitinha...

Deixa de ser fanfarrão,
Quem houve até acredita
Que tu tens um mulherão,
Que tua mulher é bonita.

Eu conheço a disgramada
Da mulher que mora aí,
Tá cuspida e escarrada
Coisa mais feia num vi.

Nesse bicho já dei cabo.
Outro dia pôs a tanga
Parecia com diabo
Chupando dúzia de manga.

Todo o povo me contou
O pessoal me comenta,
A tua sogra abortou,
E nasceu só a placenta.

Coisa mais pior existe?
Nesse mundo eu sei, num tem,
Só de olhar já fiquei triste,
Igual batida de trem.

Se soltar lá no chiqueiro
Ninguém consegue impedir,
O cachaço, verdadeiro,
A coitada vai cobrir.

Urubu saiu correndo
Quando viu tua mulher
Tanto ela tava fedendo,
Pior que carniça e chulé.

É por isso que você
De noite num sai jamais
Só porque quer esconder
A filha do Satanás.

Marcos Coutinho Loures
Marcos Loures


Quem sabe és a mulher que tanto espero?
Lábios tão rubros, corpo sensual,
Tu danças tango, samba, até bolero,
E bebes sem perder teu natural...

Noites cheias de estrelas cintilantes,
Juntinhos olharemos pr’outro céu.
Paraíso, onde vivem os amantes,
No sonho, um transparente e belo véu...

Tu tens a formosura que procuro,
Tesouro que sonhei por toda a vida.
Meu mundo sem teus olhos fica escuro,
Vem logo pro meu lado, vem querida...

Iremos decolar em cada beijo,
No sonho mais feliz que tanto almejo...

HLuna
Marcos Loures

De Denise quero o canto
De Renata essa alegria
De Luiza, seu encanto,
O paladar de Maria

Quero de Rita a delícia
Que conheci em Joana,
De Paulinha, essa carícia
Que só me deu Mariana...

Publicado em: 03/11/2009 13:34:19
Última alteração:17/03/2010 16:22:06


a mulher quando é sacana
a mulher quando é sacana
faz da gente o que bem quer
nos domina e nos engana
sogra também é mulher...


A mulher quando é safada
A mulher quando é safada
Se descobre rapidinho,
Se perdida é encontrada
Bem na beira do caminho.


A mulher se tem juízo,
A mulher se tem juízo,
Encontrei a salvação
Mas prefiro o paraíso
Neste amor de perdição.


A Morte nos desnuda por inteiro
Essa louca dormência nos sentidos
vem, dispara a dúvida pertinente!
Vem tornando o viver mui mais plangente...
Pensamentos comuns são invadidos

e me lembram das dores de outros idos
que tornaram-me a vida diferente...
Hei me dado ao sofrer e é permanente
lamentar e ter medos combatidos.

Mas a vida é irmã da Dona morte
uma pára e outra leva, toca em frente!
De repente entendi que continua

e atua esperando o Rei que é forte
é suporte pro ente, felizmente,
e virá reluzente mais que a lua!

Ronaldo Rhusso

A Morte nos desnuda por inteiro
Inevitável ponto de partida,
Quem sabe, de chegada, companheiro,
Haverá decerto nova vida?

Só sei que sempre mostra a dolorida
Face do viver, que é tão ligeiro,
Porém como uma meta a ser cumprida,
Momento da existência, o derradeiro.

Aprendo a cada novo amanhecer
A crer que esta alegria de viver,
É tudo o que desejo e que me resta,

As dores ensinando, dia a dia,
Maturidade sempre propicia,
Ensinando a encarar a hora funesta...
Publicado em: 22/12/2009 13:39:17


a morte redentora
Um canto triste vive na gaiola
Qual fora um passarinho, este coleiro
Que tanto traduzindo o verdadeiro
Sentido desta dor que em mim assola
Vestindo a fantasia alma decola
E ganha um novo mundo alvissareiro
Mudando o meu caminho vou inteiro
Bebendo esta ilusão mato a degola
Aonde com certeza existe a foz
Do amor que tanto quis, mas sei atroz
E beijo a tempestade que floreia
Naufrago nesta estúpida quimera
Nefastas madrugadas; resultado
Do quão fui sonhador no meu passado,
E a morte redentora, o que me espera.
Publicado em: 13/02/2010 12:45:13


A morte se aproxima lentamente
Do rico leito, de edredons forrado;
De nada vale o médico ao doente
Nem o remédio que ele tem tomado.

Trazendo, no colo, pequenina filha.
Jogada ao chão, imundo, na calçada,
A vagabunda, suja e maltrapilha,
Vive, por certo, ali, do quase nada.

A sorte se mostrando traiçoeira,
Vestida de nobreza em dura morte,
Vestida de outra morte, numa esteira

Se faz sem esperanças, vidas passam...
No canto da agonia, bem mais forte;
Extremos que se tocam, se entrelaçam...

Marcos Coutinho Loures
Marcos Loures


-A morte se aproxima lentamente,


Se a bomba do relógio insiste em tocar,
Retire as pilhas e jogue no mar,
Estenda as mãos à lua,para fortalecer,
Mande o resto das bombas adormecer...

Ana Maria


A morte se aproxima lentamente,
Devorando os meus sonhos e esperanças,
Embora muitas vezes vá contente;
Reparo no meu peito tais mudanças.

Sorriso que já fora tão freqüente
Enfrenta a realidade em frias lanças,
E o beijo que deveras foi ardente,
Agora repousando em águas mansas...

Pudesse imaginar outras saídas,
Mas nada além do fim que se aproxima,
Não sendo tão somente tola rima,

As horas/desafios são vencidas,
E teimo nesta luta, quase insana,
A bomba descansando não me engana...
Publicado em: 19/12/2009 09:59:24



A morte soberana toma a cena

A Morte É Rainha Que Reina Sozinha
Não Precisa Do Nosso Chamado Pra Chegar

JARDS MACALÉ

A morte soberana toma a cena
E deixa todo mundo em polvorosa,
Rainha que se mostra presunçosa
A cada novo dia mais se acena.

E mesmo que distante me envenena
Espinho sobrepõe-se sobre a rosa
Usando esta coroa, caprichosa,
Aponta a sua cara, dura, amena.

Reinando sobre todos, solitária
A face em que se expõe, terrível, vária
Espelha tal terror que cedo espalha.

Tocando com seus olhos cada ser,
A morte no final irá vencer
Não perde e nunca foge da batalha...




A NATUREZA HUMANA
A natureza humana é tão cruel
Que nada poderia redimir,
Nem mesmo uma esperança de porvir
Gerada em duro inferno ou claro Céu,
Assim ao se mostrar em mel e fel,
O quanto desta fera há de existir
E nela sem saber do que há de vir
Cumprindo sua etapa e seu papel,
Num ciclo feito em vida e morte apenas
Enquanto as crenças tolas te serenas,
Realidade brusca, tu renegas,
Andando sobre a Terra por instantes
Os seres mais venais e degradantes,
Vagando sem destino sempre às cegas.


A natureza muda em suas mãos,
Aos gênios inventores

Cabeças maquinaram o progresso,
Neurônios, alavancaram a ciência,
Por anos produziram experiências,
Usufruímos frutos de seus sucessos.

Processos a pedir continuidade
O fio da meada, já pegamos,
Trilhar ficou mais fácil, avançamos,
Não há como pensar em retrocesso.

Sem eles, talvez, pedra lascada,
O fogo a acender a lamparina,
Carroças, palhoças e as latrinas.

Voar? Nem sei também, se em pensamentos!
De vestes, aqueles couros fedorentos.
“Os gênios e suas mentes abençoadas”...
josérobertopalácio
A natureza muda em suas mãos,
Transforma-se em diversa maravilha.
Enquanto a humanidade segue a trilha,
Às vezes os caminhos são tão vãos...

Usando como exemplo os vários grãos
Fartura que com máquinas se empilha,
Porém como se fosse uma armadilha,
A fome toma conta dos irmãos...

Para se construir tudo derruba,
O rei dos animais não tendo juba
Destrói tanta floresta, inutilmente.

Se Deus nos fez imagem, semelhança,
O homem destroçando uma esperança
Demonstra o que é se ter inútil mente...
Publicado em: 19/02/2009 15:19:31


A mulher tem seus segredos
A mulher tem seus segredos
Deles não sei nem metade,
Mas nas pontas dos meus dedos
Tu terás felicidade.




O cérebro pensa. O coração sente e funciona de acordo com a intensidade de nossas emoções.

É no nosso peito que os sentimentos vão surgindo, como por encanto, fazendo-nos tristes ou felizes.

Ao nosso coração chegam os maravilhosos acordes que a natureza vai executando, seja no cantar de um pássaro, seja no clamor das ondas do mar...

Infelizes daqueles que são incapazes de ouvir a música da vida...


Marcos Coutinho Loures


A NAMORADEIRA
A mulher com muito afinco
Não podia descansar
De uma vez namora cinco,
Inda quer me namorar!




A neve entranha uma alma em desvario
A neve entranha uma alma em desvario
E traz no inverno atroz que agora enfrento
O medo em mortalha e se inda tento
Desvendar os segredos deste rio,
Enquanto cada passo desafio
E bebo com furor ainda o vento,
Rendido nestas tramas, sofrimento,
O meu caminho perde o tênue fio.
Tecido pelas ânsias do passado
O corte a cada instante aprofundando
Gerando dentro em mim imensa chaga,
Assim ao me mostrar bem mais desnudo,
Decerto, e com razões jamais desnudo
Uma alma cuja sombra espúria afaga.
Publicado em: 07/06/2010 19:38:11



A névoa que se estende esta manhã,
Tu és a razão
deste cântico de Amor ...
(ivi)


A névoa que se estende esta manhã,
Impede que eu vislumbre o imenso sol,
A luta pelo amor, um grande afã,
Precisa de uma luz, fonte ou farol,
Senão a caminhada fica vã,
A bruma toma conta do arrebol...

Mas tendo nos teus olhos o meu guia,
Não posso me perder; acerto o passo,
E quanto mais desejo mais queria
Seguindo esta vontade traço a traço,
Viver em plena paz, na noite ou dia,
Ocupando brilhante, cada espaço,

Assim é minha sina, ser só teu,
No amor que em paz a vida já nos deu...
Publicado em: 05/01/2010 15:21:31
Última alteração:15/03/2010 12:17:51


Não quero te perder
Eu quero te prender
Em cada novo laço
Em todo meu abraço
Vontade de saber
Vontade de querer
O bem que sempre vem
Na noite do meu bem...

Eu quero me enlaçar
Nas asas revoar
Sem medo do cansaço
Amando em cada passo
Que juntos, vamos dar
Na noite, no luar.
Luar que sempre vem,
Na noite do meu bem...

Eu quero o doce fado
De ser iluminado
E preso no teu laço,
Deitando meu cansaço
Quietinho, do teu lado,
Meu peito apaixonado.
Que sempre volta e vem
Pro colo do meu bem...

Eu quero essa emoção
Te dou meu coração
O prendes no teu braço,
Depois do amor, cansaço.
Na boa sensação
Do mar de uma paixão.
Que todo o tempo vem
Pra noite do meu bem...
Publicado em: 04/02/2007 17:27:36
Última alteração:23/10/2008 14:30:02


A NOITE DO MEU BEM
A noite do meu bem, quero iluminar,
com todo o calor que eu puder.
Sei que gosta desse meu embalar,
que precisa para adormecer.
Pois se sinta desde já embalado,
pelo canto meu, enamorado.
No meu beijo, o frio lhe faço esquecer.
No meu abraço, nada tem o que temer.
Nesse amor tão profundo,
lhe dou toda a beleza do mundo!!

TUES


Erguendo o pensamento, cubro espaços
E vejo em antegozo minha sina.
Resplende simplesmente nos teus braços
Tal sorte, que já quero e determina.

Não deixo de falar, rimas patéticas
De tramas que julgara me deslumbram
Não sei se te farei loas caquéticas
Mas sonhos que quisera se vislumbram.

Não peço meu amor que traga idéias
De como poderemos ser felizes,
Não sinto necessárias epopéias
Apenas que mudemos os matizes.

No fundo, meu amor é simplesmente
Desejos que trocamos, de repente...
Publicado em: 27/05/2008 20:44:59
Última alteração:21/10/2008 15:23:38



a noite em claro
Passando a noite em claro
Depois de tanta luta,
A vida não reluta
O passo que declaro
Agora não preparo
Senão a queda astuta
À força amarga e bruta
O mundo em desamparo,
Mas tendo o amor imenso
Aonde sempre penso
Deveras na partilha,
A noite se sacia
E trama um manso dia,
E nele a paz polvilha.
Publicado em: 07/07/2010 07:20:54


A noite que queria
A noite que queria
Em claridade e paz
Agora não se faz
Matando o próprio dia,
O tanto em fantasia
Além do que é capaz
O gesto não compraz
E o medo desafia,
Marcando a minha pele
No todo onde se atrele
O corpo em paz e guerra,
Assim ao longe eu vejo
A sombra de um desejo
O anseio onde se encerra.
Publicado em: 07/07/2010 07:20:35



-À noite que desce calma

À noite que desce calma
À lua que brilha intensa
Desejos vindo da alma
À louca entrega me apensa

E a ti completa me dou
Sem temores, sem reserva
Coração de quem te amou
Agora me faz tua serva...

Ardor me queima, amor
Já me toma em desvario
Fogo de intenso calor

Aos teus beijos, meu delírio
Ao teu corpo a perdição
Doce amado e Cortesão...

AMG

Ouvir cada palavra que me dizes
Permite-me sonhar com novos dias
Imerso nas mais claras fantasias
Seremos, com certeza, mais felizes.

A vida coleciona mil deslizes
E mata pouco a pouco estas magias,
Sentindo tuas mãos mansas, macias,
O amor supera dores, medos, crises.

Assaz maravilhado, eu te persigo,
E quero este delírio como abrigo,
Vivendo a maravilha de ser teu.

Singrando mares tantos, solto as velas,
E quando amor intenso tu revelas,
Meu sonho nos teus sonhos se escondeu...
Publicado em: 02/12/2008 19:51:38
Última alteração:06/03/2009 16:23:54



À noite sem te ter, sonho e loucura,
Mais que a dor,
Que passo em não te ter,
É o amor.
Que sinto por você,
Te amo amor...

CIDA F.A

À noite sem te ter, sonho e loucura,
Tua nudez caminha pelo quarto,
Angustiante sempre esta procura,
Dos desejos, querida, eu não me aparto.

Meus lábios viciados nesta boca,
Delírios que vivemos... Quero mais.
De tanto te chamar, alma vai rouca,
Bebendo os teus requebros sensuais...

Sorver o teu prazer, doce rocio,
Esplêndidas manhãs sobre os lençóis,
Seguir a correnteza deste rio
Tocado pelo brilho de mil sóis...

Teus seios, tuas coxas... meu prazer...
No encanto de teus braços me perder...


A noite salpicada em mil estrelas Que tramam belas telas neste astral
A noite salpicada em mil estrelas

Que tramam belas telas neste astral

Rondando entre essas nuvens meteoro

Mergulha sobre as águas do oceano..



As ondas quebram na areia

Brilhosas em fantasias

Nessa areia incandescente

Belezas e poesias...



Deitando nesta praia

Sob manto de ternura

O vento lentamente

De toda dor me cura...



E ardo por ti

E penso em ti

E chamo por ti....


A Noite


A noite repete sonhos
E pesadelos.
Esperanças
E perdas.
Redemoinhos
E a cama vazia...

Vou me embora
E nada levo
Só saudades de você
Caminheiro sem destino
Quero alegria;
Cadê?

À NOITE
À noite tudo muda num segundo,
Adentro o paraíso feito em sonho
E até um novo tempo recomponho
Enquanto de ilusões bebo e me inundo,
Assim ao mergulhar em novo mundo
Percebo um quadro claro e mais risonho
Diverso deste vago em que me enfronho
Nas sendas da emoção sim, me aprofundo
Depois a manhã volta e nada traz
Somente este vazio tão tenaz
E tudo recomeça em tal rotina
Pudesse ter em mim o sono eterno
Assim aplacaria o triste inverno
Que a cada amanhecer vem e domina.



A noitinha vem chegando
A noitinha vem chegando
E com ela vem a lua,
Vendaval onde era brando
Vendo você toda nua..

Á NOSSA AMIZADE

Perdendo meus amores pela vida
Por onde encontrarei felicidade?
Procuro pelas ruas da cidade
Minha alma está decerto mais perdida
Acostumada à dor da despedida...

Dos tempos mais felizes, nada resta,
Amores se perderam nos caminhos.
Buscaram, com certeza em outros ninhos
Os corações que vivem sempre em festa
Saíram logo ao ver aberta a fresta.

Nos tempos mais antigos, radiantes,
Tinha amores, amigos, fui feliz.
Agora é que percebo o que se diz
Eu nunca tive amores nas amantes.

A vida assim sozinho, já periga,
A nau que se naufraga não tem volta,
Meu peito vai se enchendo de revolta,
Porém o que me salva és tu, amiga!
Publicado em: 05/10/2007 18:06:20
Última alteração:23/10/2008 10:58:21


À NOSSA AMIZADE

Meu amigo, companheiro
Tanta coisa pra dizer
De um amor que um dia eu tive
E na estrada eu vi perder.

Cada verso que eu componho,
Cada palavra que falo,
Num momento mais difícil
Ao lembrar-me dela eu calo.

Fomos feitos da esperança
De um amor que nunca acabe,
Mas o gosto da saudade,
No meu peito é o que mais cabe.

Ela foi minha certeza
Da existência de um Bom Deus,
Porém deixou tão distantes
Estes meus olhos ateus.

Se não tenho mais saída,
Se não resta uma alegria,
Meu amigo, sem estrelas,
Só tristeza é quem me guia.

Vou buscando uma alvorada
Depois da noite sombria,
Quem me dera se eu pudesse
Ver raiando um outro dia.

Feito em sol e liberdade,
Feito em canto e passarinho.
Mas distante do que fui,
Caminhando, eu vou sozinho.

Só me resta o peito amigo
De quem nunca deixou só,
No abrigo da esperança,
Na tristeza dei um nó.

Vou seguindo pela vida,
Coração vai renovado,
Não mais lembro que perdi,
Um grande amor no passado.

Já não quero mais a morte,
Nem tampouco o sofrimento,
A saudade vai embora,
Carregada pelo vento

Da amizade soberana,
Da alegria de saber,
Que depois da noite escura
Outro dia irá nascer!



A NOSSA AMIZADE

Encaro com carinho essa amizade
Que traz um sentimento de verdade
Iluminando a vida e dando paz.

O canto da promessa de um carinho
Não vale se for feito assim sozinho,
Juntando-se com outro, a vida traz.

Eu quero ser amigo e companheiro
De todo que souber ser verdadeiro
O sonho de este mundo ser melhor.

Meu verso não se cansa de chamar
A todos que puderem se somar
Fazendo o nosso grito bem maior.

Eu sinto que talvez a vida traga
A flor que substitui a triste chaga,
Promessa de real ressurreição.

E torço que este vento venha logo,
A Ti meu Pai, clemência sempre rogo
Espalhe Teu amor, Tua emoção!



A NOSSA AMIZADE /

Amigos eu tenho poucos à distância
Presentes, não sei onde encontrá-los
Não há compartilhamento na constância
Amor e amizade em duo pra sempre amar
È tudo o que mais quero e desejo
Amor ânsia profunda todos ensejam

Amor em amizade transformado,
Trazendo para a vida plena glória.
Mudando num momento antigo fado,
Simbolizando sempre uma vitória,
Matando os dissabores do passado,
Emoldurando o belo que a memória
Purificou do velho sentimento
Evolução que traz um novo alento...

SOGUEIRA
MVML


À NOSSA AMIZADE /

Meu lindo amigo!
Sou eu que te admira e aprecia
estar contigo em cada verso;
Fostes meu início nos duetos, meu
mestre, meu incentivo.
Trazes com tuas lindas palavras,
acalento ao meu coração que
anda há muito entristecido.
Ler-te é um bálsamo e faz
alegria a meu viver!
Serei eternamente grata por
esta enorme honra de contigo
versejar!

Dois barcos que navegam mesmo mar
Das ilusões, eternos marcadores,
Na doce maravilha feita amar,
Sejamos, destes sonhos, amadores.

Às vezes é difícil – sei- remar,
Sorrindo quando em nós pululam dores,
As luas se deitando em preamar
Quais fossem deste céu, os refletores.

Amiga a liberdade de um Corcel
Eternamente solto nos espaços,
Os versos vão ganhando um claro céu,

Traduzem na verdade nossos passos
A riscar o infinito, tramando os traços
Dos sonhos que tivermos; Isabel...

ISABEL NOCETTI
MVML



À NOSSA AMIZADE - sextina



Recebo a mais florida primavera
Ao ver rara beleza dos teus olhos,
E em meio à profusão de belas flores
Aquelas que; faz tempo, aqui plantei.
Sentindo o mais fantástico perfume,
Aquele que traduz uma esperança.

Por vezes já distante da esperança,
Matando em nascedouro a primavera
Não tinha mais decerto sequer perfume,
Mas vendo esta alegria em belos olhos
Um sonho mais feliz; assim plantei
Brotando em fantasia, raras flores.

Canteiro que se fez coberto em flores
Reflete tão somente esta esperança
Carinhos e ternuras que eu plantei
Trazendo para nós a primavera
Espelham a doçura destes olhos
E deles sinto vir tanto perfume...

Nas mãos tão delicadas, o perfume
Relembra a maravilha destas flores.
Meiguice que encontrei nos claros olhos
Trazendo ao coração tanta esperança
Refazendo no inverno a primavera
Florindo todo amor que eu já plantei.

O bom que desta vida assim plantei
Colheita delicada, o teu perfume
Escrevem a beleza em primavera,
Um jardineiro envolto pelas flores
Percebe o gosto alegre da esperança
Vertida na grandeza feita em olhos.

Tocado em amizade por teus olhos
Arando o que cultivo e o que plantei
Numa explosão sem par, nova esperança.
Nas mãos da lavradora, este perfume
Demonstra a raridade destas flores,
Tornado assim eterna, a primavera.

Ao ver a primavera nos teus olhos
Encontro as flores todas que plantei
Trazendo o bom perfume da esperança.




À NOSSA AMIZADE/


Cada poeta meu caro amigo
Tem sua própria maneira de poetar
Alguns sublinham a realidade
Outros gostam muito de fantasiar
Já o meu canto é por certo realista
E é tudo o que de mim posso dar.

Amiga o teu cantar me faz liberto
De todas as algemas do passado,
Um passo que já foi um tanto incerto
Encontra-se em teus passos aprumado.

Aguando em tempestade este deserto
Formando cachoeira encontro o Fado,
Deixando o coração pra sempre aberto,
Num sonho tão feliz, imaginado.

Agora realidade se faz nobre
E deixa a fantasia por um triz.
Mal chega a tarde, a luz que assim me cobre,

Permite uma esperança em cada verso,
Amiga, na verdade eu sou feliz,
Buscando o paraíso no universo...

GELIS
MVML

À NOSSA AMIZADE/

Procurei por te meu grande amigo,
Por todos os cantos e lugares,
Não te encontrei infelizmente,
Procurei então outras amizades.

Senti tristeza e frio intenso,
Quando no meu peito percebi,
Que uma amizade igual a tua,
Nunca ninguém jamais viu.

És amigo além de companheiro
Aquele das horas certas e incertas,
Aquele que nas horas de aflição,

Estende para mim a mão aberta,
Aquele que conhece meu coração,
Refaz com perfeição, sem decepção.

Amiga e companheira neste canto
Demonstro quanto quero o teu querer,
Vencendo as dores frias, posso crer
Que a noite nos mostrando um leve manto

Permite se encontrar tamanho encanto
Aonde o bem decerto há de vencer
Fazendo da alegria um bom prazer,
Secando com carinho cada pranto

Descubro em teu olhar, belo farol
Guiando cada passo que for dado
Em busca da esperança, um girassol,

Ao olvidar as dores do passado,
Perfaz em nossos dias, claridade,
Nos passos mais perfeitos da amizade.

GELIS
MVML


À NOSSA AMIZADE/


Tramamos uma amizade para nós,
Que ninguém jamais acabará
Por mais que seja cruel esta vida
O ódio para nós jamais existirá
Só amor esperança e afeto
Nos nossos corações perdurará

Enfrentaremos talvez tempestades
Sejamos intrépidos por este caminho
Conto com tua mão amiga
Nunca te deixarei sozinho
Serei tua destemida fortaleza
Será para mim o meu ninho

Por tantas vezes vi que a crueldade
Disfarça e já se esconde atrás da porta,
Por vezes tão distante da amizade
A nossa estrada queda semimorta

Uma esperança logo já se aborta
E deixa tão somente em frialdade
Verão que em tantas vezes a inverdade
Em frio minuano, sempre corta.

Mas sei que em ti, querida eu encontrei
Apoio para a luta que não cessa.
Amar e ser amiga é não ter pressa

Sabendo que contigo eu estarei
Em todos os momentos. Fortaleza
Inabalável contra a correnteza...

GELIS
MVML

À NOSSA AMIZADE/


É Vênus, meu amigo, que se ergue
depressa mal o sol deita no ocaso,
trazendo tal poder e tal beleza,
que todos a contemplam encantados.
Assim é que eu a vejo todo dia,
na aura de amor que anuncia.


Amiga, a estrela vésper languescente
Surgindo sobre o quarto em que descansas
Promessa de amanhã bem mais suave
Em horas tão sublimes e tão mansas.

Anúncios de momentos mais felizes,
Belezas nos encantos, claridade.
Louvando em uma prece fabulosa
A glória de viver nossa amizade..

HLUNA
MVML

À NOSSA AMIZADE/

Vamos lá não tenha medo
Do caminho a seguir
Duvidar? qual o segredo?
Vamos! Temos que partir!!!

Olha só quantos demônios
Veja quanta ilusão
Mas também há os campônios
És agora meu irmão...

Precisamos ser exemplo
De prudência - de coragem
Cada corpo é um templo
Somos luz que interagem!


Companheiros na batalha
Contra a dor e a injustiça
Neste fio da navalha
Entre o corte e a cobiça

Caminhamos sem temores,
Velejando em mar revolto,
Coração em seus pendores
Libertário, andando solto,

Não mais teme a tempestade
Que tocaia todo dia,
Sabemos que a amizade
Sempre nos dá valentia!

GONÇALVES REIS
MVML

À NOSSA AMIZADE/

Vamos falar de amor - de amizade!
Falar dessa alegria incontineti
Falar do sentimento que invade
Distribuir então essa semente

Que sai do coração a novidade
Vamos deixar sonhar toda essa gente
Pois cada dia após é uma saudade
Vamos sorrir, deixar, então, contente...

Eu quero que possamos festejar
A vida pela vida, simplesmente,
Deixando o coração bem mais contente

Numa alegria imensa desfrutar
Prazer de estar feliz e, de repente,
Com asas libertárias revoar...

GONÇALVES REIS
MVML


À NOSSA AMIZADE/

Por tuas excelsas virtudes
Meu amigo eu te admiro
Por estender tua mão amiga
Nos momentos de desafio
Por teu abrigo caloroso
Por teu intenso brio

Sempre conto com tua presença
Com tua amorosa atenção
Sei que nunca me faltarás
Nas horas de aflição
Também podes contar comigo
És meu amigo meu irmão

Estarei sempre de braços abertos
Caso surjam empecilhos
Se te encontrares desamparado
Corre e vem para o meu abrigo
Aqui terás amor e proteção
Além do meu ombro amigo

Amiga esteja certa de que eu quero
Tua felicidade em plena glória.
A cada novo dia eu te venero
E mudo com certeza a minha história.

Quem teve seu passado duro e fero,
Guardando tanta dor, triste memória,
Nos braços benfazejos me tempero,
E vejo assim chegar, farta vanglória.

Não vejo nos caminhos que teremos,
Tristezas resumindo um abandono,
O canto feito encanto, pois cantemos

E iremos conhecer real abrigo.
Tanto carinho assim, querida eu clono
Contando com teu ombro sempre amigo...

GELIS
MVML


À NOSSA AMIZADE/


Só sobrevivo porque
Encontrei-te grande amigo...
Nos teus ombros pude ver
Amizade e mil carinhos ...
É tão poder contar
Contigo nestes caminhos...
Onde a dor, nos quer matar
Quando nos pegam sozinhos...
Mas tão bom poder contar,
Contigo, meu grande amigo
Agradeço a amizade!
Feliz, já não vou sozinha!
E também pode contar,
Com meu afago e carinho!


Amiga; a cada passo sem tropeço
Que damos rumo a tal felicidade,
As ordens deste amor, sempre obedeço,
Vibrando o coração em amizade.

Somamos nossos sonhos e assim peço
Eterna sensação de liberdade
No canto que trazemos, te confesso,
Encontro enfim a solidariedade

De quem já sabe o quanto vale a pena
A vida se em perfeita sincronia.
Raiando com ternura cada dia

Marcando com carinho toda cena,
Acenas com teu braço forte e puro
A glória em esperança: um bom futuro...

ANA MARIA GAZZANEO
MVML


A NOSSA AMIZADE/


Amigo, acredita no que digo,
te quero com amor, talvez materno.
A ti defenderei do inimigo,
e afastarei o friorento inverno.
Não te enganes, não, o amor é lindo,
é flor que desabrocha no quintal.
Se o tratares bem ele é infindo,
resiste á tempestade e ao vendaval.
Não brada assim em vão, que é pecado,
porém se amar demais és perdoado.

Coração quando em inverno se vestiu,
Não poderia nunca imaginar
Que o canto tão amigo e mais gentil
Pudesse em primavera renovar,
O sonho que morrera, triste e vil,
Trazendo o sol de novo a clarear.
Amiga, eu te agradeço e te garanto,
Teu canto me curou de qualquer pranto...

HLUNA
MVML


À NOSSA AMIZADE/

Mais uma vez a vida surpreende
Mais uma vez percorro a estrada
Nem todas as respostas se entende
Nem sempre é tão fria a madrugada

Mais uma vez espera-te outra chance
Mais uma vez renasce então o dia
E uma aventura espera - um romance
Já chega de chorar! Vamos! Sorria!...

O quanto é necessário, então sorrir
E ver que a vida traz a solução
Que nada poderá nos impedir
De ver o sol refeito num verão.

Mergulho em cada sonho a claridade
Do bem que se demonstra na amizade...

GONÇALVES REIS
ML

À NOSSA AMIZADE/


LENDO TEUS VERSOS MEU AMIGO
LOGO TUA TRISTEZA PERCEBI
FIQUEI UM TANTO AMOFINADA
POR NÃO TI SENTIR FELIZ
POIS O QUE MAIS ME ALEGRA NESTA VIDA
É TE OLHAR QUANDO SORRIS

SE ALGUMA COISA TE ENTRISTECE
NÃO TE DEIXE ABATER
CONTA COM MINHA PRESENÇA
UM OMBRO AMIGO SEMPRE VAI TER
NAS HORAS AMARGAS DESTA VIDA
ESTAREI AQUI PRA SOCORRER

Amiga, a vida mostra a cada dia
O quanto é importante uma amizade,
Que possa permitir numa alegria
A luz que se nos banhando em claridade
Demonstre todo o bem que se queria
Trazendo finalmente a liberdade.
Liberto destas dores que eu passei
Felicidade em ti, eu encontrei...

GELIS
ML

À NOSSA AMIZADE -

Nesta tocaia agora te encontrei
Festejando hoje o dia do amigo
E presa já fiquei sem proteção
Oferecendo amor e meu sorriso

Amor assim se dá e se recebe
Nas noites de luar ou noite escura
No sol queimando a pele ou na sombra
Não há situação que apague o lume

A luz vai percorrendo, olhar distante
Amigos acompanham esta jornada
Mistura de amor, amizade disparada

Desejo-te neste dia do amigo
Que juntos percorramos mais um trilho
Unindo nossos laços em andarilhos

Queria te dizer do amor que trago
Em forma de amizade e de desejo.
Eu sei que tanto quero o teu afago,
Porém também preciso do teu beijo.

O rio em cachoeira encontra um lago
Da calmaria imensa eu já prevejo
Bebendo desta boca, em cada trago,
Um fogo que transforma em relampejo.

Amiga, como é bom dizer que te amo
Amada como é bom ser teu amigo.
De qualquer forma, venha, pois reclamo

O teu carinho imenso em liberdade.
Amor que me demonstras e persigo
Num misto de prazer e de amizade...

SOGUEIRA
Marcos Loures


A NOSSA AMIZADE -

Amigo te dou as estrelas e a lua
Canto cantigas pela rua
Pra cantar esta amizade
Razão de tanta felicidade
Amigo te dou a bela flor
Regada pelo mais sincero amor
Te canto a beleza do mar
E dos raios de sol a brilhar
Amigo se for pra te fazer feliz
Atravesso num segundo este país
Te canto em versos este jardim
Amizade que brota flores dentro de mim


Nossa amizade é feita
Em flores e carinho.
Seguindo o mesmo passo
Não vou andar sozinho.

Meu verso se embalando
No canto mais preciso,
Da moça tão bonita
Do mais belo sorriso

Se faz uma esperança
De um canto alvissareiro,
Um novo mundo vem
Leal e verdadeiro.

As flores que plantamos
Estão neste jardim
Florando todo dia
Amor dentro de mim.

Não canso de pedir
Em verso, em oração,
Que Deus sempre ilumine
Teu belo coração...

GIANA GUTERRES
Marcos Loures


À NOSSA AMIZADE QUERIDA

Que o peito em alegria já se ufane
Na glória de poder cantar a ti,
Nos olhos da menina que se explane
Beleza sem igual, eu percebi.
Aceite um simples verso, Luciane,
Falando da amizade que, por ti,
Eu sinto e não me canso de clamar,
No Sol sempre bonito de Mirar...


PARA LUCIANE GRANDE AMIGA E POETISA


Você é o raio de sol quando tudo é tempestade.
Você sempre está lá quando eu chamo,
E se mostra feliz por poder ajudar-me
E toda vez que eu de ti precisar
"Não há problema", você me dirá.

Eu sempre irei estar bem junto a ti,
Em tantas tempestades e procelas.
Ao ver o teu olhar reconheci
Meu barco no teu cais, tu me revelas

O mundo que sonhara para mim,
Numa alegria intensa e tão suave.
Tu és o meu princípio, meio e fim,
A vida do teu lado, sem entrave.

Serei bem mais que amor, o teu amigo.
Aquele em que tu podes confiar.
E na calamidade, teu abrigo,
O colo onde tu podes repousar...

Por isso minha amiga, minha amada,
Seguimos braços dados, nessa estrada...

Escritora rp
Marcos Loures



Solidão? Tenho farta experiência
Amiga que me segue todo dia.
Até mesmo percebo sua ausência
Quando longe da minha companhia
À solidão, presente em minha vida:
Vai-te embora! Te nego a despedida!

Solidão do meu lado não terás
Com certeza te farei bem mais feliz.
O vento que esperança sempre traz,
Bem manso em teu ouvido já te diz:
Solidão não deixou sequer saudade,
Não resistiu ao sopro da amizade!

HLuna
Marcos Loures


A NOSSA AMIZADE

jamais me furtarei, te dar prazer
Sois agora o amigo que me arrasta
Por momentos tão incríveis de um viver,
Neste mundo, hora, enfim, em plena festa!

No meu ombro eu te apoio, e te escoro.
Nos teus olhos plantarei um novo sonho.
No teu colo, mais feliz, eu me abandono...
Bem feliz, vamos seguir mais bela estrada!


Amiga, nos meus braços, vida afora
Iremos par em par, sem ter cansaço.
Receba com carinho o meu abraço,
Não tema, pois sabemos ser agora

O tempo aonde o broto já se aflora
E traz um bom perfume, firma o laço.
Assim e bem mais forte, quando abraço
Percebo que no fundo, a vida adora

Quem ama deste jeito, minha amiga,
Sem ter um egoísmo como enredo.
Quando nos teus braços eu me enredo

A vida bem mais forte nos abriga,
Sabendo, minha amada, do segredo,
Jamais impedirá que assim prossiga...

ANNE MARIE
Marcos Loures


A NOSSA AMIZADE

Contigo assim prossigo
Na força da amizade
Que a nos trazer mil risos
Beleza e claridade...
Que a bem, de tal verdade
Confiança que nos une
Fará bem se presume
Ser eterna, amizade!


Amor em confiança
Perfeita e sem engodos,
Trazendo uma esperança
Que acabe com os lodos,

Procuro em contradança
Os teus carinhos, todos,
Nos versos, aliança
Somos iguais nos modos.

A vida traz o bem
Que sempre desejamos,
É sorte de quem tem,

Amor que desfrutamos,
Não ligo pra ninguém,
Pois sei que nos amamos...

ANNE MARIE
Marcos Loures


A NOSSA AMIZADE

Folha que a brisa leva
Pelos corredores
Pelos botecos
E prostíbulos.
Motéis e boites
Noite afora...

Assim passei meus dias
Velhos dias, sonhos eternos
Na procura da cura
Da inerente solidão
E desta merda
Chamada melancolia...

Vieram os amores
As dores
As cores
E as ilusões.
Pedidas
Mas perdidas
Na primeira curva da estrada.

Amigo, tu és a resistente
Testemunha destes dias.
Frágeis dias
Jogados como a folha
Ao vento.

A nossa amizade
Resistiu aos vários casamentos
Ungüentos jogados fora
Comprados como solução
Placebos.
Simplesmente placebos...


À NOSSA AMIZADE

Seu moço me dê licença,
Vou contar para você,
A vida traz recompensa,
Já não quero mais morrer,
Quero o gosto da partida,
Tudo de bom nessa vida;

Não deixa nem um sinal,
No ranço dessa saudade,
Corro meu canavial,
Vou voltar para a cidade,
Nas ondas do rio mar,
Sem ter hora pra voltar...

Quero o desejo da moça,
Na boca que tanto quis,
Não me interessa essa poça,
Eu só quero ser feliz...
Tenho duas mãos cansadas,
Nas carícias, bem treinadas...

Tenho os pés para pular,
Nas mantiqueiras da vida,
Nem preciso mais voar,
Trago dor já bem curtida,
No couro que Deus me deu,
Quem sabe de mim, sou eu...

Quis ver a banda passar,
Cantando coisa d’amor,
Meu amor deixei por lá,
Chora um peito sofredor,
Pelas bandas do sertão,
Eu deixei meu coração...

Nosso amor que eu não esqueço,
E também teve valia,
Tanta dor que não mereço,
Dói de noite, dói de dia.
Mas agora vou de lado,
Esqueci do teu recado...

Tudo em volta era tristeza,
Eu deixei tudo pra trás,
Agora busquei beleza,
Agora eu só quero paz...
Já não quero mais a morte,
Encontrei saúde e sorte...

Nos braços dessa morena,
Foi a minha solução,
Amor demais me dá pena,
Bate firme coração...
No canto da sabiá,
Meu coração bate lá...

Fiz um verso pra Maria,
Joana quem quis ouvir,
Meu amor, bem que queria,
Meu amor eu bem te vi...
Mas não quero mais mentira,
Nem amarras nem embira...

Caprichoso e nordestino,
Fui seguindo meu caminho,
No meu mundo, meu destino,
Antes só que ser sozinho,
Tenho o canto do tié,
Eu canto, canta você...

Já podeis da terra, filho...
Lembrar dessa cigana,
Da vida sei estribilho,
Ela nunca mais me engana...
Sorte cigana cruel,
Muito amargo, traz o mel...

Eu plantei o meu roçado,
Deu formiga comeu tudo,
Nem fiquei preocupado,
Entrou calado sai mudo...
Formiga tanto que deu,
No seu roçado sou eu...

Meu amor troce de Minas,
Ouro em pó e muita rês,
Nas pernas dessas meninas
Enrosco tudo de vez,
Queria ter meu balanço,
Colado contigo, danço...

Faz frio quero teu colo,
Vem comigo se aninhar,
Eu vou te deitar no solo,
Tanto amor pra se amar...
Não reclame dessa sina,
Relaxe minha menina...

Quis um beijo não me deu,
Um abraço me negou,
Meu amor, então morreu,
Nem quer saber mais quem sou...
Chorei, um choro fingido,
É melhor que eu ter morrido...

A lua é de São Jorge,
O cavalo e o dragão;
A saudade em meu alforje,
Vai pesando o coração...
De banda, então eu caminho,
Já não ando mais sozinho...

Quis ter medo nada tive,
Meu segredo sei de cor,
Tanta dor que me contive,
Não quero viver mais só,
Preciso de companhia,
Seja de noite ou de dia...

Vagabundo coração,
Bate tanto sem ter senso;
Meu amor peço perdão,
Noutra coisa já não penso...
Quero a vida divertida,
Nos teus braços quero a vida...

Meu carro perdeu a roda,
Ao subir nessa alameda,
Vou cantando minha moda,
Queimando na labareda...
Faz assim um só carinho,
Coração apressadinho...

Meu amor, quando se gosta,
Não sei rezar outra prece;
Até mesmo um vira bosta,
Cantando nunca se esquece...
Quero teu carinho amada,
Toda noite e madrugada...

Meu amor tem um cadinho
De tudo que posso ter,
Machucando, vagarinho,
Matando sem perceber...
Amor trouxe novidade.
Agora? Maternidade!

Na fumaça do cigarro,
Amor fez as espirais;
No ronco desse meu carro,
Não te esquecerei jamais...
És a rosa na janela,
Tens o lume dessa vela...

Mas um amor pirilampo,
Não merece essa atenção;
É forte como relampo,
Mas num firma o brilho não...
Acendendo e apagando,
Meu coração vai matando...

Amor tem que ter saudade,
Já dizia esse poeta;
Um grande amor, na verdade,
Que é nossa principal meta,
Tem que deixar ess’azedo,
Certeza cheirando a medo...

Terminando meu cantar,
Eu falarei com clareza;
Não dá nem pra comparar,
É no mundo a realeza...
Bem maior, digo a verdade,
Que todo amor, a amizade!


A NOSSA AMIZADE

Sinta a seiva do porvir
Escorrendo em nossos lábios,
A vontade de vencer
Nos tornou, decerto, sábios.
Somos todos passageiros
Desta nau em liberdade,
Teus amigos, companheiros,
Pelo campo ou na cidade
Dedicando, com certeza
Tanto amor quanto se possa,
Percebendo tal beleza,
Da amizade, tua e nossa.

A NOSSA AMIZADE

Amigo
Talvez
Perigos
E tramas,
Em tantas
Tocaias
Que a vida
Apronta
A sorte
Remonta
O passo que dás
Buscando as estrelas
Ganhando os espaços
Atando em teus laços
Felicidades plenas.
Da vida mil cenas
Passado e presente
Pressente o futuro
Quem amigo traz.
A paz que nos salva
Num alvo sorriso,
No gesto conciso,
No siso que busco.
Nas bruscas andanças
Amigo, esperanças
Nos braços tão firmes,
Nos cimos, montanhas
Amigo, estas sanhas
Terão um sentido.
Um vívido riso,
Um prado em bonança
Vital aliança
A nossa amizade...
Publicado em: 30/09/2007 19:59:29



A NOSSA AMIZADE

Falando da amizade,
Que é feita em aliança
Encontro na verdade,
Contigo uma esperança

De um dia em liberdade
Um sonho que se alcança
Que traga a liberdade,
Da qual nunca se cansa

Quem sabe usufruir
Da vida passo a passo,
Eu venho te pedir,
Amiga, um forte abraço,

E a gente prosseguindo
Estradas e caminhos,
Aos poucos destruindo
As pedras e os espinhos.

Teremos no horizonte
O sol a rebrilhar,
Sabendo desta fonte
Que nunca irá secar...


À NOSSA AMIZADE

Amigo, persigo o tempo
Nem sempre consigo
O tempo perdido
Jamais se retorna.
Entorna a saudade
De tudo que tive
Da terra onde estive
Saudade que vive
No peito que chora.
A dor se decora
Das cores do nada
As dores sem nada
A cada momento
Tormento e termômetro
Da falta de amor.

Amores que sabes
Não cabem na vida
Que tanto curtida
Não sabe amar
Nem pode esperar
O tempo que passa
Esvai em fumaça
E traça um destino
Em meu desatino
Diz tino e não tato
O fato é que quero
Há tanto que espero
E nada de amor.
Somente o não
Sementes no chão
Morrendo em grão,
Aborto de sonho
Ao qual me propus
Meu barco, onde pus
Um cais abortado.

Bem sei que essas queixas
Por faltar madeixas
Não deixas florir.
Em braços mais fortes
Amigo, essas sortes
Não vão resistir.

Agradeço,querido
Se trazes sentido
E rumo a meu rumo
Que sem seu aprumo
Desaba em tristeza
E sempre me assombro
Poder de teu ombro
Sem nada querer
Ajuda a vencer
As curvas da vida
Nas turvas ribeiras
Que formam esteiras
Onde costumo deitar.
Amigo, agora
A vida lá fora
A dor evapora
Agora é nossa hora
De novo sair.


À NOSSA AMIZADE
Ando sempre procurando
Quem na vida possa ter
Um carinho bem mais brando
Que permita o bom viver

Na amizade, com certeza
Uma luz que não se apaga,
Neste amor, delicadeza
De quem sabe e nos afaga

Eu te quero sempre aqui
Venha logo, minha amiga
Amizade eu concebi
A perfeita e forte viga.


A NOSSA AMIZADE
Querida, eu nunca minto
Sequer um sentimento.
Nas telas em que pinto
Amor é meu pincel,
As cores, sofrimento.
Minha esperança; o céu...

Escrevo em tais matizes
Meus sentimentos breves
Por certo são felizes
Os dias que sonhei.
Quem dera fossem leves,
As cores que pintei...

Uma esperança sobra
De todo o sentimento.
Da dor já se recobra
Quem sonha claridade.
Matando o sofrimento,
A flor duma amizade...

À NOSSA AMIZADE
Não quero mais valentia
Nem tampouco tempestade,
No tanto que me cabia,
Só cabe nossa amizade

Meu amigo já te conto
De tudo o que já vivi,
Sofrimento foi desconto
De toda amor que perdi.

Companheiro não me esqueço
Das palavras que dizia,
Esse amor eu não mereço,
Mas custou a teimosia.

Moço pobre, moça rica,
Num dá certo não senhor,
Quando a coisa se complica
O dinheiro tem valor.

O seu pai é proprietário,
Eu sou simples cantador,
Na hora desse honorário
Toda a conta me sobrou.

Quando a moça viu a casa
Com telhado de sapê,
A paixão que fora brasa
Começou a arrefecer.

E depois de rachar lenha
Com a mão tão delicada,
Por mais amor que me tenha,
No final não sobrou nada.

Arroz e feijão na cuia,
Beber água lá do poço,
Guardar milho lá na tuia
Piorou este alvoroço.

Mas te falo camarada,
Cada beijo bem cheiroso,
Valeu toda esta jornada,
Eta bichinho gostoso!

Mas agora que findou,
E voltei à realidade,
Graças a Deus, me sobrou,
O bão de tudo, amizade!


A NOSSA AMIZADE
Amiga
Abriga
O peito
Que imperfeito
se fez tonto
sem apronto
só tormento
se inda tento
ter do vento
a resposta que não vinha.
Perco a linha
Cerco o tempo
E não tenho
O que queria.
Canto ao dia
Que não vinha
E decerto não virá
Se não vejo
Outro desejo
Em andrajos
Sigo só.
Garatuja de mim mesmo
Um sabujo da esperança
Se me insurjo
Inda ressurjo
Quando imerso
Em teu regaço.
Se não faço
Sem disfarce
A face exposta
Decomposta
Por resposta
Em cada posta
Posta um sonho
Que talvez
Inda redima
Qual vindima
Da esperança.


À NOSSA AMIZADE
Amigo,ao ver teus olhos tão distantes,
Abrindo no teu peito tal cratera
Nestes sonhos longínquos qual errantes
Caminheiros caçados pela fera.
Percebo o quanto a vida má, ingrata,
Os laços de amor logo desata.

Mistérios que nos tomam os sentidos,
Paixões que se perderam, desumanas,
Depois de poucos dias esquecidos,
Trocadas as cortinas, as ventanas,
Ao nada retornamos, descartáveis.
Jogados aos abismos insondáveis...



A NOSSA AMIZADE
Meu companheiro sincero

Nesta amizade que quero

Tanta luz que sempre espero

Com valor e galhardia,

Vou cantando nestes versos

Os sentimentos diversos

Por mais de mil universos

De verdade ou fantasia,



A lua se avarandando

Uma viola chorando

A vida vai disfarçando

A dor que sempre nos trouxe,

Meu amigo predileto

Tenho por ti tanto afeto

De caráter puro e reto,

Bravura em coração doce.



Te agradeço, meu amigo,

Tanta coisa fiz contigo

Nessa vida em que o perigo

Sempre prepara a tocaia.

Depois de tantos janeiros,

Nossos passos caminheiros

Amigos tão verdadeiros,

Não deixam que a casa caia.



Vou te pedir um conselho

Nesse meu olhar vermelho,

Na retidão deste espelho,

Eu te peço compaixão,

A mulher por quem tu choras

Cada carinho que imploras

Neste adiantar das horas,

Amigo preste atenção...



Eu sou mesmo amigo ingrato

Pode queimar meu retrato,

Se me matar nem destrato

Tá no seu direito amigo.

Acontece que a morena,

De mim não precisa pena,

A danada da Açucena,

Agora mora comigo...


A NOSSA AMIZADE
Cantar essa amizade
Em versos mais felizes.
Esfuma um sentimento
Nos ventos mais diversos.
São cores, mil matizes,
Aprendizes de amores.
Nas flores sem espinhos.
Ninhos mais benfazejos.
Desejos que completam
Repletos de esperanças.
Alianças profundas
Sempre mais verdadeiras,
Bandeiras desfraldadas
Mãos dadas, amizade...
Quem há disso negar?
Viajar infinito
Rito, por Deus, bendito.
Grito de liberdade
Sopro duma amizade...


A NOSSA AMIZADE
Uma amizade intensa
É plena recompensa
É tudo o que mais pensa
O nosso coração.
Uma amizade antiga
Delícia de cantiga
Um coração abriga
O gosto do perdão.

Quem tem uma amizade
Que traga a claridade
E faça da saudade
Um lago mais sereno.
Encara a tempestade
Desfaz a falsidade
Sabe felicidade
Em seu sentido pleno.

Não cabe esse ciúme
Que mata o bom perfume
Encharca de queixume
O que era bom de fato.
Uma amizade cura
A dor da noite escura
Minha alma te procura
Mansidão de regato.

Unindo dois destinos
Encaro os desatinos
Em rumos cristalinos
Sabendo da verdade...
Por isso, minha amada,
Seguir a mesma estrada
Temendo quase nada.
Assim, nossa amizade!


À NOSSA AMIZADE



A vida me trazendo em providência
O braço que denota segurança,
Mostrando pra quem sofre tal clemência
Uma alegria imensa em confiança,
Embora tantas vezes a prudência
Impede que outro sonho trague a lança
Cruel da solidão que sem cuidado,
Permite que a tristeza surja ao lado

Sabendo da alegria de poder
Dizer que tenho, em ti a grande amiga.
Emoldurando o céu neste prazer
Felicidade imensa já se abriga
Nos braços de quem sonho poder ter,
Na claridade intensa que prossiga
Sendo o farol da vida a me guiar,
Nesta amizade, um mar a navegar.

Não temo as tempestades, pois eu tenho
O braço de quem quero junto a mim,
De um mundo dolorido de onde venho,
Já vejo florescer no meu jardim,
Mostrando em plenitude o teu empenho,
Amor que em amizade eu sei sem fim,
Nos passos bem mais firmes, alegria,
Luzindo no meu céu, estrela guia...

Façanhas deste canto em que desejo
O mundo em mais completa sintonia.
Um canto mais suave eu já prevejo
Pra quem só espalhou tanta harmonia.
Receba cada verso como um beijo,
Certeza de calor em noite fria,
Amiga, tantas vezes percebi
O quão existe belo dentro em ti.

Vencendo as tempestades e quimeras,
Ganhando com valor, tranqüilidade,
Recendes a milhões de primaveras,
Teu canto se espalhando em liberdade,
As horas solitárias foram feras,
Agora reconheço que a amizade
Mantendo o coração feliz e vivo,
É mais do que somente um lenitivo...


À NOSSA AMIZADE

Meu coração, sorrindo, faz a festa
E sabe que encontrou felicidade,
O peito em alegria abrindo a fresta
A quem se dedicou em amizade,
Na luz em que se veste já se empresta
Desejo de viver a claridade
De um sentimento nobre que me traz
Depois da tempestade, imensa paz...


À NOSSA AMIZADE

Nos sonetos que fazes, minha amiga
Eu sinto uma beleza sem igual,
Que sempre na alegria já prossiga
Teu canto tão formoso e maioral.
Meu canto nos teus versos, pois, consiga
Fazer do amor um sonho principal.
Tu tens toda a magia, poetisa,
De transformar tempesta em calma brisa...

PARA SOGUEIRA, GRANDE PARCEIRA E AMIGA
Publicado em: 05/11/2007 22:52:43



A NOSSA AMIZADE
Uma amizade feita em tempos duros
E a cada novo dia edificada,
Permite que saltemos altos muros
E ajuda a proteger na longa estrada
Tornando nossos passos mais seguros,
Trazendo uma esperança de alvorada
Mais bela com um sol em mil fulgores
Brotando no canteiro belas flores...



A NOSSA AMIZADE

Não quero mais na vida, desenganos,
Também não desejei quem me lograsse.
A vida vai passando e seca os planos
Mostrando na verdade a dura face
De quem tendo desejos soberanos,
Seus passos; não permite que alguém trace.
Querendo tão somente a liberdade,
Buscando o firme apoio na amizade...



À NOSSA AMIZADE

Meu barco que em saudades naufragou
Agora ao perceber tua amizade
O prumo desde já recuperou
Enfrenta sem temor a tempestade.
No quanto minha estrada assim mudou
Já posso vislumbrar tranqüilidade
Depois de tanto tempo, dor, procela,
Um calmo amanhecer, enfim, revela..


À NOSSA AMIZADE

Amigo que este mundo embora desairoso
Permita uma esperança, algoz duma tristeza,
Moldando um canto leve, entregue ao pleno gozo.
Trazendo para nós enfim tanta beleza.
Quem sabe do prazer, divino e deleitoso
De ter na vida a glória imensa em que se preza
O bem desta alegria imersa em liberdade
Exalta uma aliança e louva esta amizade!
Publicado em: 01/12/2007 15:19:14


À NOSSA AMIZADE

Olhar mirando longe já descobre
Aquela a quem por vezes dediquei
O canto que pudesse ser mais nobre,
Por ela com certeza eu já mudei
E cada novo dia se recobre
Do quanto que aprendi em nova lei
Desta amizade imensa e soberana
Que sabe conduzir e não se engana...


À NOSSA AMIZADE


Senta-te aqui, meu caro amigo!
Gasta um tempinho aqui comigo
Viver da vida doce encanto
Que em poesia, canta um canto
Nestes sorrisos, de alegria...
Um belo quadro no horizonte
Vamos pintar, em sonhos leves
Deixar nevar a fantasia
Em doce encanto que enleve
As nossas almas, euforia...
Mais este dia, em nosso encontro
Vamos gozar-nos, companheiro
Que tempo louco, de permeio
Logo se esvai, sem dar-nos tempo
E insano rouba-nos,em perjúrio
Ao separar-nos, pós da curva


Amortalhado sonho em que investira
Uma importante parte desta vida.
Um sonho que se tem em que se aspira
Encontrar, de repente, uma saída.

Não quero mais portar a mão que atira
Nem mesmo ser aquela distraída
Que permitindo um corte em fina tira
Maltrata em mansidão fera, omitida.

Eu quero ter a força da amizade
Que apóia e que permite um novo passo
No rumo abençoado da verdade.

Por isso em novo canto, companheira,
Sentindo sempre firme o teu abraço,
Caminhar junto a ti, a vida inteira...

ANA MARIA GAZZANEO
ML


A NOSSA AMIZADE

NOSSA AMIZADE É CARTILHA
PARA TODOS QUE A OBSERVAM
JÁ SENTIRAM QUE PRA NÓS DOIS
INTRIGAS NÃO HÁ POR CERTO
ESTAMOS SEMPRE TROCANDO CARINHOS
COM PALAVRAS EM FORMA DE VERSOS

QUERO SER PARA SEMPRE TUA AMIGA
QUE SE CALEM AS MÁS LÍNGUAS
SOMOS AMIGOS DE VERDADE
NESTE REINO ENCANTADO SOU RAINHA
TU ÉS MEU REI AMADO E AMIGO
CAUSANDO A TODOS SABATINA



São duros os caminhos de quem ama,
São tristes as estradas de quem sonha.
A vida que oferece abrigo e chama,
Ao mesmo tempo é fria e tão medonha.

Não vejo outra saída, sendo assim,
Senão buscar, na vida, uma alegria.
Um sol que queime lento; mas, assim,
Permita que inda exista a fantasia.

Um sol que não maltrate, mas que aqueça;
Que nunca seja a causa do cansaço.
Que faz com que tristeza a gente esqueça
Na mansa calidez deste mormaço.

Um sol que traga luz e claridade,
Na força tão gentil duma amizade!

GELIS
ML


À NOSSA AMIZADE

Este amor sincero que dedico,
Que não cobra, não pede apenas vive
No sorriso feliz de quem recebe.
Amor que não concebo nem explico
E que jamais precisa tradução.
É vento que mal toca e se percebe
E faz bater mais forte o coração.
Publicado em: 16/12/2007 15:29:57



À NOSSA AMIZADE

É bom saber que existes; minha amiga!
Na luta tão difícil pela vida
Que tantas vezes vem e já periga
Saber que estás aí, minha querida.

Tantas vezes sozinho, busco o mar...
Distante mar que nunca mais eu vi.
Cismando, sou teimoso, em tanto amar,
Nas ondas deste mar eu me perdi...

Pensava descobrir uma esperança
Nas águas tão profundas, num abismo,
Em busca da possível aliança
Que venha sem trazer qualquer cinismo...

A vida faz promessas não cumpridas
De sermos mais felizes, por um dia.
As lágrimas nem sempre são vertidas
Marcadas por tristeza e alegria...

Entendo o que tu sentes, e disso gosto.
A face que me mostras, tão bonita.
Deitando sobre o colo, eu já encosto,
Amiga... Nossa vida traz desdita.

Mas somos, na verdade, mais benditos;
Pois temos, em nós mesmos, nosso cais.
Lenitivo perfeito para aflitos
Momentos que eu espero, nunca mais...

Eu te amo, minha amiga e companheira,
Da forma mais sagrada que conheço.
Distantes, não importa; vens inteira,
Da mesma forma que sempre te obedeço...

E sentes o que sinto, protegemos,
Vivemos nossos colos e paixões...
Amores que nós mesmos só sabemos,
Que brotam nestes nossos corações...

A voz que repetimos, ecoamos,
Traz sempre nossos sonhos e carinhos...
Amiga; tanto, tanto nos amamos.
Sabemos que jamais somos sozinhos...

Eu venho e te agradeço eternamente.
O fato da existência deste amor.
Que é manso tão macio e envolvente,
É forte e se traduz; pleno vigor...

Assim; minha querida, vamos juntos.
Sabendo que estarei sempre contigo;
Pensamos traduzir nossos assuntos,
Deitados neste sonho, tão amigo!

Eu te amo, de verdade, não se esqueça.
Vivemos deste amor tão soberano,
A cada novo tempo que começa,
Amor que renovamos, a cada ano!


À NOSSA AMIZADE

Quem tem uma amizade e nela aposta
Já sabe que palavras só não bastam
Para mostrar o quanto é que se gosta
Pessoas que em carinhos já se abastam.
Os laços bem mais firmes da amizade
Resistem calmamente à tempestade.


À NOSSA AMIZADE

Amor em amizade transformado,
Trazendo para a vida plena glória.
Mudando num momento antigo fado,
Simbolizando sempre uma vitória,
Matando os dissabores do passado,
Emoldurando o belo que a memória
Purificou do velho sentimento
Evolução que traz um novo alento...






Uma amizade intensa
É plena recompensa
É tudo o que mais pensa
O nosso coração.
Uma amizade antiga
Delícia de cantiga
Um coração abriga
O gosto do perdão.

Quem tem uma amizade
Que traga a claridade
E faça da saudade
Um lago mais sereno.
Encara a tempestade
Desfaz a falsidade
Sabe felicidade
Em seu sentido pleno.

Não cabe esse ciúme
Que mata o bom perfume
Encharca de queixume
O que era bom de fato.
Uma amizade cura
A dor da noite escura
Minha alma te procura
Mansidão de regato.

Unindo dois destinos
Encaro os desatinos
Em rumos cristalinos
Sabendo da verdade...
Por isso, minha amada,
Seguir a mesma estrada
Temendo quase nada.
Assim, nossa amizade!



À NOSSA AMIZADE.

Nossa amizade traz uma esperança
De dias mais felizes, altaneiros,
Deixando para trás qualquer lembrança
Mostrando estes caminhos derradeiros
Uma amizade é feita em aliança
De sentimentos puros, verdadeiros.
Nas hostes da amizade a direção
Guiando rumo à paz, o coração...
Publicado em: 10/11/2007 18:21:41



Encaro com carinho essa amizade
Que traz um sentimento de verdade
Iluminando a vida e dando paz.

O canto da promessa de um carinho
Não vale se for feito assim sozinho,
Juntando-se com outro, a vida traz.

Eu quero ser amigo e companheiro
De todo que souber ser verdadeiro
O sonho de este mundo ser melhor.

Meu verso não se cansa de chamar
A todos que puderem se somar
Fazendo o nosso grito bem maior.

Eu sinto que talvez a vida traga
A flor que substitui a triste chaga,
Promessa de real ressurreição.

E torço que este vento venha logo,
A Ti meu Pai, clemência sempre rogo
Espalhe Teu amor, Tua emoção!


À NOSSA AMIZADE...


Amigos em que tanto confiamos
Permitem que se veja cristalino
O dia que em verdade navegamos,
Trazendo o sentimento mais divino,
Nos olhos desta amiga desfrutamos
Certezas de outro tempo bem mais fino,
Aonde uma esperança venha clara
Já tendo onde se apóia, onde se ampara...



À NOSSA AMIZADE...

Amigo num caminho bem mais brando
Deixando para trás mar violento,
Aos poucos com magia decifrando
O sopro da amizade em manso vento,
O coração pacífico falando
Fluindo em tanta paz o pensamento.
Nas horas mais difíceis, num aperto,
Ajuda-nos salvar, com todo acerto...
Publicado em: 12/11/2007 20:45:46



À NOSSA AMIZADE...


A maga destes sonhos, mandarina
Que traz uma alegria em seu olhar.
A doce sensação que descortina
Fazendo o dia sempre rebrilhar
Nos olhos maviosos da menina
Reflexos de uma estrela em pleno mar.
Amiga que transmite a sensação
Serena de viver em explosão...
Publicado em: 22/11/2007 18:43:16



À NOSSA AMIZADE...

Uma amizade é feita plenamente
Depois de tantas dores no passado,
Carinhos que se dá soberbamente
Encontra outro carinho que espelhado
Permite se mostrar a toda gente
A força de um desejo realizado.
Invernos que passamos, sempre dão
Certeza do calor de outro verão...
Publicado em: 24/11/2007 21:39:20



À NOSSA AMIZADE;

Um sentimento nobre e mais honesto
Permite imaginar-se um novo dia,
Deixando o meu passado tão funesto
Vestindo da esperança, a fantasia.
Nos laços da amizade, em cada gesto
Um mundo mais feliz, sempre se cria.
Não tendo as tempestades, nem as feras,
Eu vejo florescerem primaveras...
Publicado em: 23/11/2007 10:47:27



A NOSSA AMIZADE´/

Amizades como os dias, vem e vão-se...
Verdade que com o tempo se acura...
Não se faz eterna uma ternura...
Se quem a traz, não viver, fidelidade...
Dos sentimentos nobres que haviam...
A amizade foi a única a sobrar,
Com força sim, prá se eternizar...
Mas falsidade, também, nesta, bambeia,
Confiança plena, amor da vida inteira,
Arrefecendo a força de viver...
Quiçá amigo, eu e você
Marcados já, pela dura realidade,
Façamos agora sem temer
O pacto de uma eterna amizade.
Aonde amor e paz, realidade
Nos leve a singrar o mar de eternidade
Amparando um ao outro, de verdade!


A vida nos impele desde cedo
A procurar apoio e convivência
Quem tem e reconhece esta ciência
Não traz a solidão nem o degredo.

Pra ser feliz já basta este segredo
Que salva contra a dura penitência,
É preciso saber, então clemência
Com quem concebe a vida em outro enredo.

E ter a consciência assim liberta
Respeitando as diversas diferenças
O mundo te trará as recompensas.

Uma alma sorridente e sempre aberta
Prenúncio de viver felicidade
Numa pura acepção de uma amizade...


ANA MARIA GAZZANEO

Marcos Valério Mannarino Loures


Mesmo que a tristeza venha
Disfarçada num sorriso,
Amizade é santa senha
De entrada pro paraíso...

Não se deixe transportar
Pelas lágrimas da vida.
Em ti mesma vais achar
Toda esperança perdida.

Se te falo com ternura,
Ouça aqui, te quero bem,
Mesmo na noite escura
Toda claridade vem.

Amanhã traz novo sol,
Na manhã de novo amor.
Esperança girassol,
Vai girando a bela flor.

No teu peito, um helianto
Que não cansa de girar
Meu amor, maior encanto
Só se encontra quando amar...


À NOSSA SENHORA

Fragrante Rosa em Jericó plantada,
Como a lua formosa, e esclarecida,
Como o sol entre todas escolhida,
E como puro espelho imaculada.

Virgem antes dos séculos criada
Para Mãe do supremo Autor da vida,
Para fonte de graça dirigida,
E de toda a desgraça reservada.

Pois a vosso rosário se dedica
Esta academia, em que tanto acerta,
Consagrando-se a vós, divina Rosa:

Claro, patente, e manifesto fica,
E conclusão é sem falência certa,
Que do mundo há de ser mais gloriosa.


GREGÓRIO DE MATOS

A Rosa que entre Rosas se fez Santa
Formosa em raro brilho ostenta a luz,
E dela este Cordeiro atado à Cruz
Cujo holocausto ainda nos encanta.

A força que Ela emana, sendo tanta
Às multidões diversas já conduz
Divina Criação se reproduz
Na Imagem mais fiel e Sacrossanta.

Da Glória em Graça feita, olhai por mim,
Em Vós percebo além deste jardim,
Superna Maravilha em divindade,

Dos nomes o mais simples vos daria
O Amor, pois em Amor se fez Maria
E Dela a Soberana Majestade.
Publicado em: 20/02/2010 14:46:56


A nuvem que nos ronda
A nuvem que nos ronda
Tomando o céu imenso
E quando em ti eu penso
Exposto em louca ronda
A morte também sonda
E nada mais intenso
Do quanto recompenso
Meu mar em frágil onda,
Resisto o mais que posso,
E quando ainda endosso
O rumo com meu sonho,
O cais já não se vê
A vida sem por que
O olhar mero e tristonho.


À NOSSA AMIZADE
Amigo: como é bom falar seu nome!
Por ruas e vielas caminhamos
Nas curvas perigosas encontramos
Tocaias. Tanta dor que nos consome!

Cotidianas lutas nos alcançam
E trazem as difíceis decisões,
Nos abrem e nos fecham mil portões
Ao mesmo tempo cessam e nos lançam.

Por vezes a maldita tempestade
Nos deixa sem ter rumo nesta estrada.
Sentados neste canto da calçada
Queremos conhecer felicidade

Mesmo que disfarçada em outra face,
Mesmo que escondida noutro canto.
Nos rendemos ao brilho e seu encanto,
Esperamos por manso desenlace.

Nas horas mais doridas desta vida,
Quando esta solidão nos fere inteiros,
Os olhos procurando os verdadeiros
Rumos de nossa estrada dividida,

Quando o distante sol nos nega o brilho,
Quando a manhã em nuvens tudo apaga,
Quando a vida tristonha não afaga,
Nos achamos perdidos, sem ter trilho;

Se fomos torturados cruelmente
Se temos nossos olhos arrancados
Todos os nossos gritos des’perados
Um eco nos responde, de repente.

E nos traz novamente uma esperança,
A vida não parece mais pesada.
O pranto que negava a madrugada,
Esvai-se mal percebe esta aliança!

Minha alma em duplicata siamesa,
Agüentando o vigor desta procela,
Num sentimento nobre se revela
O máximo que pode essa grandeza!

Em tudo que passamos, unidade;
Nas horas mais difíceis, solidário.
Quem tem amigo nunca é solitário
Maior que amor, na vida, uma amizade!
Publicado em: 13/09/2008 20:21:30



A ORIGEM DAS ESPÉCIES - POLÍTICOS BRASILEIROS...
Todos eles, safanões
se encontram no Congresso
tinha o povo brasileiro
que dar neles um "regresso".

Dedete

Nunca vi passo de cobra
Nem serpente ter chulé
O carinho de uma sogra,
Pois sempre perigoso é,
Minha sorte se malogra
Vou de carro ou vou a pé
Apostei a coisa dobra
É preciso muita fé,
Mas tem coisas que não vi
Pois estão em extinção,
O danado do saci
E também mico leão,
É melhor ficar aqui
E prestar muita atenção,
Se te deu mais piriri
Maisena, água e limão,
Já comeu tudo o que quis?
Deixa para mim o resto,
Trovejando eu sou feliz,
Para o resto nunca presto,
Mas difícil, povo diz
Achar político honesto,
Na verdade, minha amiga
Procurei pra todo canto,
Me disseram ser intriga,
Para nosso desencanto,
Eles pensam com barriga
O resta deixa num canto,
É pior do que lombriga,
Com esse me bicho eu me espanto
Comedor de criancinha
E ladrão de fino trato,
Ao fazer uma boquinha
Comem tudo até o prato,
Raça muito interessante
Cruzamento que deu certo,
Pois como o bicho é falante
De passado sempre incerto
Andando sempre elegante
Seja aqui ou no deserto,
Vestido de caro terno,
Enquanto o povo anda nu
Esse bicho lá do inferno,
É pingüim com urubu...



Nossa cama

> ZéFerro

> "Aut insanit Homo, aut Versus facit"
>
> nossa cama é o lugar onde encontro
> os meus sonhos tornados realidade
> lá estás me trazendo o céu já pronto
> e me torno senhor-felicidade
>
> teu calor que aquenta o noisso leito
> teu odor que perfuma o ambiente
> o teu todo que é troféu perfeito
> tudo que é teu me faz teu servo ardente
>
> e só posso dizer-te da paixão
> do ardor que me queima e m'encanta
> eu te tomo perdido na ilusão

> pois não sei se és diaba ou és santa
> eu só quero viver eternamente
> se me deres pra sempre o colo quente!




NOSSA CAMA
>
> Sandra Mamede
>
>
>
>
>
> Nesses lençóis desarrumados
>
> Queria deitar ao teu lado
>
> E fazer do teu corpo o meu cobertor.
>
> Queria me esponjar nesta cama
>
> Desarrumada ...mas atrativa
>
> Sabendo-te ali também.
>
> Queria o meu corpo jogado
>
> Satisfeita de amor
>
> Embevecida de paixão
>
> Ver a noite adentrar-se
>
> A madrugada passar
>
> E a manhã chegar.
>
> Os raios de sol nos acordar
>
> Formando desenhos sobre os lençóis
>
> Atingindo a nossa pele.
>
> Acordaria com você ao meu lado
>
> E o nosso amor continuaria
>
> Entrando pela manhã
>
> Até nos saciarmos.
>
> Esta cama...nosso ninho
>
> Estes lençóis...nossos cúmplices
>
> Este quarto...nossa prisão de amor.
>

>
>
>
> TEU CORPO
>
> Elane Tomich
>
> Teu corpo é minha terra
> pele em tons de anteontem,
> corpo em contornos de serra,
> boca cheirando alvorada,
> e a mata ciliar
> no lago do teu olhar.
> Sombra fria enluarada
> hoje mata a mata a fronte
> a fonte de me achar
> no piscar do teu vagar
>
> Longe da linha do mar,
> no ventre, macios montes,
> sexo, nascentes, fontes,
> por isso em ti me encontro
> em ondas de muito amar.
>
> Lava-me em leito estreito
> lençóis de puro algodão
> meu corpo insinua, aceito,
> umidade, fendas, vãos,
> perdida, a inocência diz não.
>
> Fluímos em cachoeiras
> no amor de tal maneira,
> que compomos mil canções
> qual asas de borboletas,
> carícias, flor- passarinho.
> Atavismo de paixões
> ventos imemoriais
> lá ,onde nunca mais
> será desnudo um segredo.
> Oculto na boca de proa
> parte o querer ao degredo
> sem a viajar em teus dedos
> sem dor ou alegria à toa.
>
>
>
> A Minha Mão Passeia , Calmamente,
>
> MARCOS VALÉRIO MANNARINO LOURES
>
>
>
> A minha mão passeia , calmamente,
> Buscando tocar todas reentrâncias,
> Eu sinto esse desejo, mais urgente,
> De conhecer molejos e cadências.
>
> Sorvendo todo líquido fervente,
> Que põe no nosso amor as evidências
> Que poderás gozar, tão de repente,
> Sem conceder sequer qualquer clemência...
>
> Eu quero teu suor e teu sorriso,
> Nas salivas trocadas; as delícias.
> Teu prazer é tudo o que eu preciso.
>
> Suave viajar dessas carícias,
> Orgasmos delirantes, sem aviso...
> Meu amor, por favor, me dê notícias.
>
Publicado em: 20/08/2006 00:51:39



À NOSSA AMIZADE
Se busco não ser brusco com quem amo,
Se chamo para o canto e assim disfarço,
Por vezes sei que tanto amor reclamo
Com medo de sentir ser mais esparso
O belo sentimento que mostravas.
Na tua cabeleira solta ao vento
Cavalgo o pensamento, sem conter,
E solto meu desejo em sentimento
Vadio, pelo céu a percorrer...
Querida companheira desta vida,
Te quero desde muito, sem perguntas.
Minha alma com tua alma vai unida
Vencendo os sofrimentos, sempre juntas...

Eu quero esta canção de mocidade,
Agradecer por toda essa amizade...
Publicado em: 20/09/2008 20:41:47



À NOSSA AMIZADE
Seja feliz por toda a tua vida
Mesmo que a solidão fale teu nome
Mesmo que essa tristeza que consome
Demore-se em teu peito, dolorida.

Por tantas vezes somos enganados
Pela sorte ferina, traiçoeira;
Pensamos ter a dor por companheira
E que são tão medonhos nossos fados.

A cada novo sonho em descompasso.
Às vésperas da morte, em um fracasso,
Que a noite nos transforma em infelizes
Todo o tempo perdido em um amor
Que a solidão impede que revises
E transformes com calma e sem rancor.

Mas eu te peço, querida,
Em nome dessa amizade
Que essa dor tão dolorida,
Feita de tanta saudade

Não te impeça a claridade
Não consuma tua vida
Pois a tal felicidade
Nunca esteja, enfim, perdida...

Saiba que te quero, amiga,
Amizade é forte liga.
Como é belo teu brilhar!
Tua vida continua.
Tens na potência do mar
Toda a beleza da lua!
Publicado em: 23/09/2008 18:55:00



À NOSSA AMIZADE
Falar desta amizade que nos une,
Trazendo uma emoção inesgotável.
Palavra que decerto coadune
Com toda uma emoção imensurável;
Saudade desta amiga, já me pune
Se eu deixo de pensar na voz amável
De quem se demonstrou sempre leal,
Na vida, imenso bem, fundamental...
Publicado em: 25/09/2008 09:12:06



À NOSSA AMIZADE
Senzalas que carrego e mostro a conta
Não nego cada luz que sempre aponta
Pros olhos do fantasma que me guia
Erijo dos cadáveres que trago
O trago mais amargo a cada dia.
Expondo os meus olhares, lares, bares
Em toda a cercania sou o mesmo
Esmolas vou pedindo em cada beco.
Estercos prum futuro bem melhor.
Maior que todo o sonho que eu tivera
Espera uma pantera já de espreita
Pleiteia meus escombros e se deita
Nos ombros das montanhas, cordilheiras.
Nos óleos e nas bentas cicatrizes
Beatas tão boçais fazem colheitas
Roubando do moleque a sua infância
Falando em mil demônios e capetas.
Escopetas mirando os olhos frágeis
Nas ágeis mãos as frutas são pecados.
Os dedos em cerol esmigalhados
Migrantes esperanças nunca voltam.

Menino, eu quis a morte das beatas
Carpideiras eternas de Jesus.
Mostrando bem unidas suas patas
Bebendo todo o sangue desta cruz.
Depois, o tempo passa e nos acalma,
A sorte talvez minha ou de minha alma
Nas palmas de outras mãos eu conheci.

Pavores que de noite me rondavam
Dos castigos eternos sem remédio.
Mortalha em que se enluta faz assédio
E torna todo o tédio sempre vão.
Em todo imenso credo e sacrilégio
Colegiado exposto em sacristãos
Cristãos entre burgueses, pederastas,
Num pedestal erguendo cada estátua
Estatelando Cristo. Nova chaga
Aberta a cada tombo, ou vil mentira.
Estirando este corpo já tão frágil.
Num ágio que não finda, esta cobrança
Dos trinta que cobrara Iscariotes
Rendendo mil fortunas para alguns.

Ora pro nobis, Senhor, mas deixe os nobres
Que os cobres que os recobre são malditos.
Por Entre as sacristias e os altares
Dourados pedestais cheirando a sangue
Expondo os expoentes sociais
Camadas dominantes, sempre honestas,
Senhores e senhoras da verdade,
Porém do meninote, as calças rotas
Expondo as travessuras libertárias
As mãos tão rapineiras das beatas
Em batas e batons bocas e dentes
Com olhos e com dentes de vampiro
Povoam pesadelos e delírios.

Porém ao ver a foto do menino
Nascido entre cavalos, bois e cabras
Não posso imaginar cruel facínora
Um vingativo ser sem ter limites
Que mata simplesmente quem o negue,
Terrível criatura ensandecida.

Prefiro acreditar no Deus menino
Igual a mim e a tantos que eu conheço,
Correndo pelas ruas, vendo estrelas
Colhendo as frutas todas do quintal.
Distante das beatas e fantasmas,
Amigo, companheiro mais leal,
Que ri das molecagens que fazemos,
Empina também pipas no telhado,
E tem o coração em liberdade.
Publicado em: 21/11/2008 06:50:14



A NOSSA AMIZADE

Amigo
Talvez
Perigos
E tramas,
Em tantas
Tocaias
Que a vida
Apronta
A sorte
Remonta
O passo que dás
Buscando as estrelas
Ganhando os espaços
Atando em teus laços
Felicidades plenas.
Da vida mil cenas
Passado e presente
Pressente o futuro
Quem amigo traz.
A paz que nos salva
Num alvo sorriso,
No gesto conciso,
No siso que busco.
Nas bruscas andanças
Amigo, esperanças
Nos braços tão firmes,
Nos cimos, montanhas
Amigo, estas sanhas
Terão um sentido.
Um vívido riso,
Um prado em bonança
Vital aliança
A nossa amizade...

A NOSSA AMIZADE
Folha que a brisa leva
Pelos corredores
Pelos botecos
E prostíbulos.
Motéis e boites
Noite afora...

Assim passei meus dias
Velhos dias, sonhos eternos
Na procura da cura
Da inerente solidão
E desta merda
Chamada melancolia...

Vieram os amores
As dores
As cores
E as ilusões.
Pedidas
Mas perdidas
Na primeira curva da estrada.

Amigo, tu és a resistente
Testemunha destes dias.
Frágeis dias
Jogados como a folha
Ao vento.

A nossa amizade
Resistiu aos vários casamentos
Ungüentos jogados fora
Comprados como solução
Placebos.
Simplesmente placebos...



À NOSSA AMIZADE
Amigo não se encontra em qualquer parte
Em raridade a luz que assim nos guia
Quem faz desta amizade um estandarte
Permite que se viva em alegria,
Por isso, minha amiga, ao encontrar-te
Eu percebi que a sorte me sorria.
E tendo esta amizade tão sincera
Encontro novamente a primavera.


A NOSSA AMIZADE
Estrela radiosa, rara e bela,
Tornando esta paisagem soberana,
Nas qualidades todas, vejo nela
O lume em perfeição, do qual se ufana
A glória em que amizade se revela,
Tocada pela luz que já se emana
Da fonte deslumbrante que ilumina,
Mudando nossa vida, em nova sina...



À NOSSA AMIZADE
À NOSSA AMIZADE



A vida me trazendo em providência
O braço que denota segurança,
Mostrando pra quem sofre tal clemência
Uma alegria imensa em confiança,
Embora tantas vezes a prudência
Impede que outro sonho trague a lança
Cruel da solidão que sem cuidado,
Permite que a tristeza surja ao lado

Sabendo da alegria de poder
Dizer que tenho, em ti a grande amiga.
Emoldurando o céu neste prazer
Felicidade imensa já se abriga
Nos braços de quem sonho poder ter,
Na claridade intensa que prossiga
Sendo o farol da vida a me guiar,
Nesta amizade, um mar a navegar.

Não temo as tempestades, pois eu tenho
O braço de quem quero junto a mim,
De um mundo dolorido de onde venho,
Já vejo florescer no meu jardim,
Mostrando em plenitude o teu empenho,
Amor que em amizade eu sei sem fim,
Nos passos bem mais firmes, alegria,
Luzindo no meu céu, estrela guia...

Façanhas deste canto em que desejo
O mundo em mais completa sintonia.
Um canto mais suave eu já prevejo
Pra quem só espalhou tanta harmonia.
Receba cada verso como um beijo,
Certeza de calor em noite fria,
Amiga, tantas vezes percebi
O quão existe belo dentro em ti.

Vencendo as tempestades e quimeras,
Ganhando com valor, tranqüilidade,
Recendes a milhões de primaveras,
Teu canto se espalhando em liberdade,
As horas solitárias foram feras,
Agora reconheço que a amizade
Mantendo o coração feliz e vivo,
É mais do que somente um lenitivo...



À NOSSA AMIZADE
Meus braços com os teus se entrelaçavam,
E os passos benfazejos se faziam,
Os sonhos mais divinos se aclamavam,
E os dias, claridades acolhiam,
Os cantos de amizade que exaltavam
Os rumos bem mais firmes que traziam
Os ventos traduzindo calmaria,
Tramavam esperanças de alegria.

Por vezes titubeio, mas tu vens,
E apóias cada passo que eu for dar,
Por mais que o céu se turve em negras nuvens,
Tu trazes emoção no teu olhar,
E assim ao demonstrar sagrados bens,
Tesouros da amizade a nos mostrar
Que o tempo: ser feliz se faz agora,
E a lua emocionada, o céu decora.

De tantos sofrimentos que tivemos,
Sabemos escolher o bem maior.
Amigos pela vida nós perdemos,
Não posso te dizer qual o melhor,
O barco não caminha sem os remos,
Tampouco existe um canto a se compor
Sem ter nos traços firmes de quem sabe
O quanto desta glória inda nos cabe.

Amiga, não me esqueço de dizer
Do quanto sou a ti agradecido,
Eu sei o quanto é bom disso saber,
Pois dá pra nossa vida, algum sentido,
Estrelas quando passas; recolher,
Jamais deixar que caia em frio olvido
Esta emoção sincera que hoje sinto,
No vinho da amizade, eu já me tinto.

E bebo cada gole, extasiado,
Feliz por te saber, querida amiga,
Depois que achei perdidos rumo e fado,
Agora ser feliz, talvez consiga,
Matando esta tristeza do passado,
Permite que meu passo, enfim prossiga,
Alvorecendo um mundo em liberdade,
Às custas deste amor feito amizade...



A NOSSA AMIZADE
Na força da amizade encontro apoio
Deixando prosseguir o meu caminho.
Quem tem amigos sabe do que falo;
Jamais se sentirá assim sozinho.

Amigos são bem poucos eu admito,
Na raridade está maior valor.
Permita que eu te fale companheira,
Do quanto sou de ti admirador.

Portanto, não se esqueça nunca disto,
Se um dia precisares, venha cá.
Certeza de carinho – eu já te digo,
Aqui por todo tempo encontrará...

À NOSSA AMIZADE

Atrozes sensações de desalento
Tomaram minha vida em triste dia,
Uma alma se encontrando tão sombria,
Soluça merencória em um lamento.
Batendo na janela um frio vento,
Trazendo sem ter dó, dura agonia,
Matando pouco a pouco a fantasia,
Um sonho que me salve, eu juro, tento...
Depois de tantas horas doloridas,
Vagando sem destino em noite triste.
As hordas de quimeras redivivas,
Percebo a claridade em nossas vidas,
Lembrando, minha amiga, que inda existe
As mãos de uma amizade, sempre altivas



À NOSSA AMIZADE

Meu coração liberto olhando um cais,
Anseia por carinho e liberdade,
Sabendo de outros sonhos irreais,
Aplaca num momento a ansiedade
E quer, sem ter delongas muito mais
Do que pudera ser felicidade,
Aguarda no caminho aonde vais
Florir uma esperança em amizade.
Não deixa se levar por emoção,
Pois sabe quanta dor assim espera
Quem vive tão somente esta prisão
Que é feita em solidão, triste cativa,
Fartando-se de um sonho em primavera,
Mantém nossa amizade sempre viva...


À NOSSA AMIZADE
Amores não permitem
A quem procura tanto
Por vezes, desencanto
Ou dias que se omitem,
E quando já palpitem
Versando sobre o quanto
Vibrara além do pranto
E nisto se acreditem
Olhando para a frente
Uma amizade sente
O sol sempre a brilhar,
Meu passo destemido,
Ao teu sabendo unido
Ninguém irá parar.


A NOSSA AMIZADE./

Amigo, aqui cheguei estou contigo
Nesta cavalgada em mundo insano
Quero tua amizade e teus versos
Pra juntos repartirmos os desenganos

Meu coração assim procura o teu
Palpita em bons momentos de euforia
Juntando amizade em laços fortes
Pra nunca mais faltar amor e guia

Assim em cada gota o mar se faz
Em cada palavra entregue ao tempo
Viaja em rumo certo o pensamento

Setenta duetos escritos com prazer
Com teus belos versos amados e gentis
Reforçando esta amizade, força motriz...

Amiga numa química divina
Tu sabes quão te quero e nunca nego.
Por ondas telepáticas navego
Na busca de um tesouro em rara mina.

Às vezes imagino que outra sina
Me levará incerto e quase cego
A um mundo sem futuro. Mas carrego
Teu canto que me apóia e me fascina.

É bom saber que estamos lado a lado
Tentando mitigar os desenganos
Fazendo que se aflore a liberdade

De quem teve seu sonho destroçado;
Que sejam sete mil em duos planos
Para selar com fé nossa amizade.

SOGUEIRA
MVML


A NOSSA AMIZADE./

Se choro que importa o que falam!
As lágrimas não querem mais cessar...
Sim nascem como as ondas do mar...
Que, arrogantes, vêm depois se abalam...

Se alma está doída quem a cura?
Se a ferida é forte e se espande
E assim mesmo essa estrada dura
Que se nós não cuidarmos fica grande...

O passo se mal dado prenuncia
A queda que será inevitável,
O medo se aumentar vira agonia

O tempo que passou insuperável
Porém nossa amizade tudo cura
Cessando a tempestade com brandura...

GONÇALVES REIS
MVML

A par das coisas da vida
A par das coisas da vida
Tão longe do teu abraço
Olhos naufragam, vencidos
Corpo ao desdém, em cansaço...
Uso o trilho deste traço
Rompendo as rotas incertas
Sensações já vão despertas
Buscar ninho em teu rincão...
Sonhos semeados no chão
Ganhem corpo ao teu afago
Leda certeza, eu divago
Encontrar-te ao longe, ao largo
E te amar em profusão...
Nos verbos soltos, revoltos
Da poesia em paixão
Nuance do coração,
Espelhe a face que trago..



A par desta verdade, não me calo,
No racha

A culpa não é dela meu amigo
Eu fui do grande mal, o causador
Partindo o teu peito em tanta dor
Foi ela quem me deu guarida e abrigo.

Não posso nem quero brigar contigo,
De nos dois já nem sei quem é o corno.
O pano em água quente fica morno
Amanso-te e assim, não corro perigo.

Peço a Deus que dispense meu castigo
Danada, há muito maltrata a nós dois
A pinga e o violão nosso remédio,

Apagam nossas magoas nossos tédios;
A vida nos oferta muitos sois
Nas noites, divido-a contigo.

Josérobertopalácio

A par desta verdade, não me calo,
Eu sei o quanto dói tal traição,
Aperta bem mais firme cada calo,
E torna o meu viver amargo e vão.

Se ao menos eu pudesse decifrá-lo
Talvez recuperasse a mansidão.
Quebraste da ilusão, um frágil talo
E o fardo que carrego? Sem perdão...

Eu sei que na verdade, ela também
Queria o teu querer. A morte tem
Poder de apascentar quem tanto sofre.

Procuro a solução, mas não concedo
Tu violaste; amigo, este segredo,
Tomando em tuas mãos o inútil cofre...


A PAZ QUE ME REDIMA
Passeias pelo campo mais florido
E sabes decifrar cada desejo
E nele com certeza assim prevejo
Um dia mais audaz e decidido
Na força insuperável deste anseio
Mereço a liberdade? Ainda tento
Além de ter somente algum alento
Viver sem tempestades nem receio.
Audazes os meus passos na procura
De um tempo mais suave que permita
Além da caminhada mais bendita
A força que me entranha e assim me cura
Dos vários dissabores vida afora
Na paz que me redima e sei que aflora.









Teus olhos querida
De tanto que quis
Valeram a vida
Por isso feliz
Procuro meu sonho
No olhar que me deste
Ao que me proponho
Amor que se preste
E que roda sem fim
Vivendo o que peço
Trazendo pra mim
Amor sem tropeço

Eu que durante tanto tempo fiz
Os meus versos pensando neste amor
Sei que sou apenas aprendiz
Que vive e mal cultiva sua dor
Que trama novamente uma esperança
De ver o novo dia clareando,
Sabendo que carrego na lembrança
O medo de seguir desencontrando
E peço tão somente uma certeza,
Viver com alegria o que me resta;
Trazendo pr’o meu mundo esta grandeza
Que faz com que se pense sempre em festa.
Na fantasia louca da paixão,
Mergulhar de cabeça e coração






Vou lhe contar um segredo,
Não espalhe, por favor.
O galo levanta cedo,
Mas não é trabalhador...
Menina tome cuidado,
Não vá fazendo bobagem,
Cerca de arame farpado,
Nunca impede a paisagem.
Nesta tentação não caia,
Se bem que é bom de verdade,
Vestida de minissaia,
Só protege a propriedade!
Publicado em: 07/02/2007 13:43:32
Última alteração:23/10/2008 14:29:54



A paixão que se comprova
A paixão que se comprova
Deve ter muita emoção.
Minha amada nesta trova
Eu te dou meu coração.



A paixão é traiçoeira
A paixão é traiçoeira
Feito cobra cascavel,
Descuidou e deu bobeira,
Sai do chão e cai do céu...




A Paixão Em Mim // Por você, meu desejo// Ardente loucura

Incendeia minha alma // Devora meussentimentos// Tomando-me inteiro
queimando minha intimidade // revelando meusmistérios// expondo minha alma.
na erupção do meu prazer // descobrindo-me porinteira// numa nudez mais desejada...

Amada Imortal // Mara Pupin // Marcos Loures



A paixão faz sofrer

Eu te quero aqui comigo,
Minha prenda tão formosa
Pode vir não tem perigo,
Te prometo um mar de rosa...





A PESSOA DO POETA
Moldado pelas trevas mais concretas
Aonde se pudesse crer na vida
Que tanto me maltrata em voz doída
E nisto com certeza me completas
Assíduas ilusões formam poetas
E neles a verdade se duvida
É mera fantasia adormecida
Ou mesmo as dores, finas, prediletas.
Senzalas que deveras nos libertam
Enquanto as liberdades já desertam
Ocaso que se faz em voz medonha
Ou mesmo o rebrilhar em céu escuro,
Nas mãos a imensidade que procuro,
Imerso em pesadelos, rindo, sonha.






No estio da fé...
Ninguém te lembrou,
Meu Pai...
Haverá pergunto,
Chances de advento,
Para o teu reino?
Teu rebanho caminha desolado...
Como ovelhas sem pastor!
E os teus pastores...
Em que paragens se perderam?
Que falso brilho,
Seus olhos ofuscaram?
Que palavreado é esse,
Que as ovelhas desconhecem?
E as assustam?
Tende piedade, bom Pai...
Vivemos o caos!
Perdidos, bem distantes da verdade,
Pastores vão levando ao desamor,
Ovelhas vêm no escuro, a claridade
Longínqua fomentada no terror.

Amar é conhecer a liberdade
Saber que temos Bom o Grão Senhor,
No Reino onde perdão com amizade,
Permite a plenitude e o esplendor.

Hipocrisia varre o pastoreio
Levando tanta ovelha à perdição.
Cajado que é forjado no receio,

Mentindo e ocultando das ovelhas
A mágica sincera do perdão,
Pastores escondendo estas centelhas...

MIRACELLI
Marcos Loures


A PLENITUDE DO AMOR/

Parece que hoje é à tarde das verdades
A amiga Gelis já mandou recado breve
E vai o meu sincero e justo, mãos cruzadas
Na poesia só o encanto prevalece

Não tenho laços nem correntes apertando
Folha voando vento solto em pleno ar
Papel em branco sem uma arranhadura
Por isto canto livre e solto ao poetar

As desventuras tão minúsculas já sumiram
Nem cicatriz para lembrar poeira fina
Hoje um dilema amanhã sorriso lindo
Meu coração é ferro ouro não desanima

Conheço a dor na ausência do pai amado
Já d’outras dores meu coração imaculado
Sou ato o laço aos amigos deste canto
Mas a este poeta meu coração abriu espaço

Pra está inteira fujo da guerra do cangaço
Pra os leitores na poesia crio o encanto
Abro a janela se o amor for sacrossanto
Por isto amado esta é verdade do meu canto

Sou quase o que não fora se tivesse
Sido em algum momento do passado
O amor eu idolatro em breve prece
Voando em sentimento sempre alado.

Ao bem de uma razão já se obedece
Um sonho que jamais foi maculado
Por isso em cada verso que enternece
Refaço meu destino mal traçado.

Amor emoldurado em rica tela,
Jamais querida; pode-se esquecer.
Pois nele a fantasia se revela

Envolta na alegria de viver,
Fazer do coração sacra capela
Louvando em plenitude o bem querer...

SOGUEIRA
MVML

A PLENITUDE DO AMOR


Os pássaros cantores na manhã
Trazendo em cada canto um doce afã
Fomentos de prazeres e de amores,
A vida se moldando mais dileta,
Em meio a tais jardins, divinas flores,
No sonho de um repente se completa.

Poeta, Deus pintou raro matiz,
Mostrando que é possível ser feliz
No amor desde que traga uma esperança
Alvíssaras da glória melindrosa
O raio da ilusão, decerto alcança
A sorte de viver, maravilhosa...
Publicado em: 03/09/2007 22:23:10




A PIADA DO VIZINHO
Eu adoro uma piada
estava agora rindo...
pensei ser do vizinho,
esta piada conhecida...

SIMONE CONDE


A piada do vizinho
Machucou, tenha certeza
A pancada no pintinho
Se aplicada com destreza
Arrebenta o coitadinho,
Inda mais se sem defesa
A culpada, sem carinho,
No final deve ser presa
Vou levar o pobrezinho
Com denodo e com presteza
Para dar logo um pontinho
Minha amiga, isto é baixeza
É melhor outro caminho
Pra ele foi uma riqueza
Agora mija sentadinho...
Publicado em: 16/01/2010 17:23:47



Quando andavas distante, passageira,
Fugias por estradas mais obscuras...
Ardia essa saudade, qual fogueira,
Temíamos quaisquer guerras futuras.
Guardávamos, no peito, as amarguras...
Não pude destruir a derradeira
Defesa que nos mata. Nas escuras
Tempestades, queimavas a bandeira

Do que fora bendito em nossas vidas...
Amores se marcavam, radioativos,
Buscávamos fugir das despedidas...
Ao menos escaparmos disso vivos
Não tínhamos sequer uns bons motivos
Andávamos distantes, emotivos,
Tentávamos defesas já vencidas
Porém das nossas lutas quase perdidas
Renasce um sentimento salvador
Que trama novos cantos de saudade
Que nos prende tentando liberdade
E que em plena alegria causa dor
Em tudo que ele toca, claridade
E todos os lugares, quando invade,
Transmite tua força e teu valor.
Das guerras a trazer tranqüilidade
É pleno; dando, em vida, eternidade
Ao qual reverencio num louvor
Tendo, associada, uma amizade,
Faz-nos reconhecer que uma verdade
Só nasce em plenitude, num amor!
Publicado em: 15/12/2006 06:58:53






A poesia acontece assim, tão de repente,
tal como um grande amor ou uma rosa:
Escorre de uma palavra, uma prosa
ou de um azul encristado no poente.

Súbito, uma frágil palavra adolescente
casa-se e desperta idéia cuidadosa
que transforma a boca melindrosa
no beijo insabido, no riso inconseqüente.

Na paráfrase vem a modificação de texto,
eufemismo, onomatopéia, um fonema,
uma ambígua expressão que se deflora,

e lá se vão as rosas e os amores no contexto...
O poeta pensa que é senhor do seu poema,
mas a poesia é de si mesma a senhora.

Ao amigo-poeta Marcos Loures
Chaplin


Muito obrigado meu querido amigo, estou extremamente feliz com tua homenagem, Marcos
Publicado em: 09/02/2008 19:59:35



A poesia é graça benfazeja
É toda risos, música, alegria
Eu quero-a comigo todo dia
Como à água uma semente que viceja.

Há muito me entreguei, fiquei cativo,
Ela me encanta e fico mais risonho
Não quero mais deixá-la, nem por sonho,
Só por ela eu respiro e sobrevivo...

A poesia traz a sensação
Da eternidade imensa do momento,
Nas cordas do sonoro coração,

A poesia invade em fantasia
No verso que não sai do pensamento,
Pressinto como é bom o que seria...

HLuna
Marcos Loures
A poesia nos traz


A poesia nos traz
A beleza que desperta
Na dose que satisfaz
Amor na medida certa...

A PAZ

A paz que eu procurei foi alcançada
Depois desta batalha em que fui presa
Tornando a minha vida desgraçada,
Cegando em plena luz qualquer beleza,
Vencendo este tormento em correnteza,
Entregue à própria sorte, sem defesa.
Sobrando no meu peito o desengano,
Resquícios desta guerra: corte e dano...
Publicado em: 27/10/2007 12:16:35

A PERERECA E O PASSARINHO

Perereca bem safada
Engolindo o passarinho,
Bem macia e depilada
Vai entrando de mansinho...


A pesca e o anzol,
A pesca e o anzol,
O rito o ciúme,
A sorte o costume
O medo arrebol,
À sede de sol
Que tanto acostume
Ou mesmo se aprume
Viver sempre em prol
Do todo ou do nada
A sorte moldada
Nas ânsias da vida,
E assim percebendo
O tempo morrendo
Curada a ferida.

A PRAGA SOCIAL

Seu padre presta atenção
No que vou falar agora,
Sempre fui um bom cristão,
Daqueles que sempre chora
Quando passa procissão,
Ajudando sem ter hora,
Quando se tem precisão.
Mas agora vou me embora...

Acontece, meu senhor,
Que depois de me casar
Com uma mulher, por amor,
O troço vei piorar
A danada sem temor,
Só queria namorar,
E depois fez o favor
De querer é me matar...

Inda agüentei um bocado
Pensando na criançada,
Mas um dia já cansado,
Eu parti. Não levei nada,
Só meu coração marcado
De tanto tomar porrada,
O resto deixei de lado,
Mas acho que dei mancada...

Vou lhe dizer excelência
Que assim que eu me separei
Por burrice ou inocência
Eu de novo me casei,
Mas eu te peço clemência
Eu quero viver na lei,
Casamento é indecência?
Foi isso que arreparei...


Apois bem desse ajuntório
Já nasceu um menininho
Devia ir pro crematório
Esse pobre garotinho?
Pois é filho do pecado,
Do amor que Deus não libera
Apois adivorciado
É cabra pior que fera!

Somo a peste sociar,
Como disse o Papa Bento,
Nós num pode comungar
Isso me dá sufrimento,
Nas hora de dizimar,
Meu dinheiro tem alento,
Mas como é que vou ficar?
Me responda num momento...

Cabra ladrão,assassino,
Agiota e vagabundo
Estuprador de menino,
Como tem muito no mundo,
Não precisa preocupar
Fazedô de coisa feia
Tudo pode comungar,
Nas reza lá na cadeia...

Entonce pensando direito,
Arranjei a solução,
Ficarei bem satisfeito
De poder ter comunhão,
Vou dexá de ser a praga,
Cunforme esse Papa quer,
Quem topar a gente paga,
Pra matar minha ex mulher!
Publicado em: 14/03/2007 14:33:26



Ao olhar para o céu, numa noite de estrelas, fico pensando naquelas coisas que minha vista não alcança.

Ao olhar para uma gota d’água, silenciosa, numa pequena folha de uma plantinha qualquer, volto a pensar naquilo que não consigo enxergar.

Aí eu me convenço da existência de DEUS, pois ELE fala comigo, na imensidão deste universo ou no silêncio de uma gotinha d’água, que o orvalho deixou, sobre uma pequenina folha de uma plantinha qualquer...

Marcos Coutinho Loures


Te cantarei canções do coração!
Naturalmente bela, estrela minha...
Nas cordas do sonoro violão,
A dor desta saudade se avizinha...
Em teus braços, serei uma avezinha
Procurando por tua proteção...
Teu amor, meu amor vem e se aninha
Meu canto está repleto de ilusão...

Cobertor dessa noite longa e fria,
Quem dera regressasse enfim, agora!
Deusa primaveril, das flores, guia.
Que tanto persegui em tempos duros
Dos céus eternamente mais escuros
Por favor! não suporto tanta espera,
Retorne pois, querida, a Primavera
Só poderá chegar contigo amor.
Publicado em: 12/12/2006 15:49:21


No viço destas folhas, primavera
Reflete-se nos raios deste sol;
Paramento divino, girassol
Altares catedrais, uma tapera.
Tudo reluz, paisagem, quem me dera
Pudesse percorrer, ser o farol.
A natureza orgástica... Na fera
Que repousa, reparo um triste rol.

As marcas tão profundas, dentes, garras.
Escondo-me, sou presa, neste arbusto,
Num átimo rompendo essas amarras
Reparo nos teus olhos, minha fada...
De frágil, num repente, sou robusto.
Na força que recebo em ti, amada.
São medos que acumulo pelos dias
Entornas, nos teus olhos, poesias...
Publicado em: 14/12/2006 12:58:59


A PRIMEIRA DENTIÇÃO
A PRIMEIRA DENTIÇÃO

Ouça bem,minha criança
Guarde bem esta lição:
Tem VINTE dentes somente
A PRIMEIRA DENTIÇÃO

OITO INCISIVOS, na frente
Logo atrás QUATRO CANINOS,
Mais ao fundo OITO MOLARES
São VINTE, bem pequeninos.

São os dentinhos de leite,
Num total de vinte dente.
Escova-los é preciso,
Pois senão ficam doentes.

Devem ficar bem limpinhos
Como os dentes de um artista.
Não deixe que eles se estraguem
Fique amigo do dentista.

Seu dentinho é precioso,
Merece toda atenção,
Visite sempre o dentista
Não importa a dentição.

Porque, se ele se estragar,
Que tristeza, que feiúra.
Para poder mastigar,
Ter que usar a DENTADURA!...

MARCOS COUTINHO LOURES



Todas as mulheres que passaram por mim, durante a vida, tinham feições estranhas e desconhecidas.

Olhavam-me com os olhos perdidos no horizonte e, a cada encontro distanciavam-se mais e mais, até desaparecerem para sempre...

Quando te vi pela primeira vez, foi bem diferente:

Tive a nítida impressão de que te conhecia, em algum lugar e de algum tempo, perdidos no emaranhado das minhas lembranças.

Ao te falar das minha certezas, o teu sorriso familiar mostrou-me que, de alguma forma, o destino havida colocado, à minha frente, aquele amor que determina todos os meus passos, nos caminhos do existir, nesta vida e nas vidas anteriores, através dos séculos de mistérios que nos envolvem.

Naquela noite em que, pela primeira vez, nós nos encontramos, a madrugada chegou trazendo a chuva que nos viu abraçados e lavou todas as impurezas de nossas almas

Na seqüência de nosso amor, purificados pela chama do desejo, encontrei em teus lábios todos os sonhos impossíveis... E quando ,pela primeira vez, o amor se fez, vivi a sensação da eternidade, num momento de infinito prazer.

Mas, pela primeira vez, descobri em teu olhar, o mesmo olhar de todas as mulheres...

E co’o olhar perdido no horizonte sem fim, vi teu vulto desaparecer nas brumas do passado, enquanto ressoava no camarim de meu desespero, a última palavra de nosso amor: adeus...




À PROCURA DE UMA AMIZADE VERDADEIRA
Amigos; encontrei pelo caminho,
Eis a pura verdade,
Porém ao retornar, sigo sozinho
Na busca da amizade

Que muitas vezes sinto atrás da porta,
Mas que tanto falseia,
É faca de dois gumes que me corta,
Uma movediça areia...




A poesia vive da beleza
INFINITO SUICÍDIO
Bem que eu quis me enterrar neste meu último soneto
Sob os versos mais compridos que eu conseguisse escrever
Em uma lápide lapidada por mil verbos e verbetes
Dar a máxima poesia ao meu desgosto de viver

Pôr um punhado macabro de transpiração poética
Em m’a palavra inspirada lá nos tempos do spleen
com mil sílabas assentes sobre a mesma velha métrica
aculada por sintomas de um suicídio sem fim

Mas o soneto ergueu-se tão comum como meu plano
Incapaz de diluir-me me fez sentar ao piano
Dedilhar algumas notas que o transformavam em canção

E por fim também negou-me uma lápide partitura
Devolvendo-me a esta vida que teimosa ainda dura
À espera de um suicídio com final e compreensão
Wancisco Franco

A poesia vive da beleza
Não importando a forma nem tamanho,
As ordens que chegarem já de antanho
Não significariam que há destreza.

Servirmos tal banquete em nossa mesa,
É sempre, com certeza um belo ganho,
E quando no luar claro me banho,
Desvendo a mais perfeita fortaleza.

Dedilhas a canção com maestria,
Embora não mais beba da harmonia
Minha alma dança ao som de teu poema.

Palavras que transformas e lapidas
São pérolas por certo bem urdidas,
Usando em perfeição tão belo tema...


A POESIA
A poesia
Cria e fortalece
E faz da prece
Alguma fantasia
Que embora
Descarrila vez em quando
Permite
O caminhar
Suave e brando;
Mesmo que tocando em temporais...



A POESIA
Um mundo tão fantástico se cria
A cada novo mote ou mesmo sonho
E quando a realidade eu decomponho
Sobrando em minhas mãos a fantasia
O todo se partindo qual queria
Momento muitas vezes bom, tristonho
Da parte ao infinito eu busco e ponho
O quanto de amargura ou de alegria
Aonde o ser talvez enfrente o não
E nesta alegoria se verão
As marcas do quem sabe e do jamais,
Assim neste teclado, a vida passa
Tentando ver no ocaso, alguma graça
Repito os desafios ancestrais.


A POESIA...


Coração de poeta nunca morre
Repousa para alento prosseguir
Mensagens nunca faltam, tempo certo
Basta uma palavra, um bom sorrir

Somando junto a ti revejo versos
Em cada dia as idéias se renovam
A cada estrofe o amor vive de trova
O corpo esgota, a mente surge nova

Nesta cratera meu coração abre espaço
Penetra inteiro, balouça, pede abrigo
Forças unidas mais alento, mais amigo

Ser poeta é encantar em versos livres
Amor, saudade, natureza em desabrigo
Acalentar o coração doce castigo


A força da poesia em cada verso
Nos mostra todo encanto de viver.
Transporta pro papel um universo
Que cismo, de repente, em percorrer.
Daquilo que sabe, mais diverso,
Disperso em tanto sonho me faz crer

Que a fantasia borda a realidade
E forma num momento, um novo mundo.
Espaços percorridos, na verdade,
Se perdem e se ganham num segundo.
Fazendo da emoção que nos invade
O mote que nos toca, o mais profundo...

Por isso minha amiga, um peito alado,
Voando para além do imaginado...

SOGUEIRA
Marcos Loures


A Porta Aberta
Acordara tarde. A noite que prometera muitas alegrias tinha acabado sem nenhuma surpresa.
Não viera, ela nunca vinha...
Esperara por mais uma noite. Mais uma desilusão.
A porta adormecera escancarada, totalmente escancarados porta e coração. Mas nada, nada...
Muitas vezes pensara que a culpa era sua, sempre fora meio estúpido, meio tímido e teimoso. Muito teimoso.
A conhecera menino ainda. Amor da adolescência marcado por espinhas e noites acordadas. Sempre a via nos seus sonhos, mas nunca pudera dizer o quanto era importante para ele, a timidez o impedira e deixara-o sofrer.
Quando a viu nos braços de seu melhor amigo, o mundo parecia que ia desabar.
Mundo cruel, mas o tempo passa e não deixa senão as pequenas cicatrizes que teimam em não desaparecer totalmente.
Nesse meio tempo conhecera Maria de Fátima, bela morena de olhos verdes e esperanças bronzeadas.
Foram colegas de faculdade. Faculdades diversas, sonhos unidos.
Casamento foi rápido, rápido e raquítico.
Menos de quatro meses depois, a mesma noite que trouxe Fátima a levou.
Uma carta denunciara a trama.
Uma trama que o deixara assustado e pálido.
Quem diria, Fátima partira, jamais poderia acreditar que isso aconteceria um dia.
Da morena bonita, somente os olhos verdes sorridentes sobre a escrivaninha, no quarto, nada mais.
O porta retrato ainda estava lá, com aquela foto tradicional de um casamento terminado, abortado, antes que se pudesse sequer imaginar no que iria dar.
Carinhos e carícias foram poucos, mas marcantes...
A porta escancarada esperava por Lucia.
Menina Lucia que prometera voltar, um dia.
Agora, solitário lobo uivando por toda a noite, nada mais poderia esperar a não ser, em Lucia, a juventude morta, abandonada e esquecida.
Lucia tinha se casado com aquele velho amigo da adolescência e tinha tido dois meninos.
O tempo demonstrara o quanto eles eram parecidos com o pai, morto num acidente de trânsito. Álcool, muito álcool e as farras comuns dos finais de semana.
Lucia tinha ficado só e revoltada. Muito revoltada.
O corpo encontrado junto ao do marido tinha, várias vezes, dormido na mesma casa que ela, velhas amigas...
Ao reencontrá-la pensou que poderiam recuperar o tempo perdido e reiniciarem a velha história de amor...
Mas aquela noite fora incisiva. Lucia não viria, nunca mais...
O que fazer?
O sábado aproximava-se e com ele as noites e bares. Os bares podem trazer novas luas e novos sonhos...
Aquele seria o seu dia!
Não pensara duas vezes. Soube que, na cidade mais próxima, haveria um baile.
Um baile é sempre uma boa oportunidade de conhecer gente nova. Principalmente outras mulheres!
Uma roupa nova, um sapato novo, tudo novo para um velho lobo.
Solitário lobo...
Arrumou-se, perfumou-se...
A noite estava muito bonita e ele também, com certeza teria uma noite inesquecível
E teve!


O clube estava lotado, cheio de jovens felizes e ansiosos.
A música convidativa trazia o sonho...
Sonho e desejos....
De repente, uma sombra familiar passa do outro lado do clube.
Os olhos verdes da morena irradiavam!
O que fazer?
As noites maravilhosas que passaram junto, o uísque fazendo o efeito esperado...
Mas, ao se aproximar um pouco, reparou que os olhos verdes estavam ansiosos, esperando alguma coisa ou alguém...
Alguém!
Neste instante, saindo do banheiro feminino, uma surpresa...
A passageira noturna que nunca viera, aproximava-se sorridente...
Lucia e Fátima.
A noite escureceu-se de vez...
O efeito do uísque se esvaiu...
A porta nunca mais dormiu aberta!
Publicado em: 29/09/2006 17:07:26



A Quermesse
Chegara há pouco tempo naquela pequena cidade do interior.
Como todo lugarejo que se preza, de maioria católica, os festejos da igreja eram os mais disputados e chamavam a atenção de todas da região, principalmente das cidades vizinhas e da zona rural.
Desde que viera da Holanda, há mais ou menos uns dois anos, sempre trabalhara em cidades grandes e ainda estava em período de adaptação com relação aos usos e costumes da vida do interior de Minas.

Uma das coisas que tinham chamado sua atenção era a grande quantidade de cavaleiros que existia no local, fato explicado pelo preço caro dos automóveis e pela ausência de vias pavimentadas. À época as motocicletas não tinham ainda sido devidamente popularizadas.
Depois de compreender que, apesar do jeito simplório, o povo era extremamente acolhedor mas, altamente melindrável, passou a ser querido por todos os fiéis.

Naquele ano de 1972 a festa da cidade prometia.
Alguns fazendeiros tinham comprado até uma televisão para ser leiloada na quermesse da Igreja que ocorreria no último dia da festa.
Esse era o fato mais esperado de todos!

Português é um idioma muito difícil, principalmente para quem tinha passado a vida inteira nos Paises Baixos, de holandês para português a diferença é gigantesca.
Mesmo para alguém que tenha vivido em uma cidade grande, o sotaque e as características do que se fala no interior de Minas soam estranhos.
Por exemplo, “pegar boi” significa levar vantagem . “Dar uma manta” não é um ato de caridade e nem “dar um tombo” quer dizer agressão física, na verdade são sinônimos de enganar, dar um golpe...

A quermesse começou com todo o esplendor que se poderia imaginar.
Centenas de pessoas se acotovelavam e o sistema de som ligado no volume máximo chamava ainda mais a atenção de todos.
Sucesso absoluto.
O nosso amigo, empolgado com as vendas e com o dinheiro que, com certeza, estava sendo arrecadado, resolveu fazer um discurso de agradecimento.
Agradecimento e, ao mesmo tempo, de admoestação.

Vou tentar reproduzir o mais fielmente possível, o discurso do nosso querido padre.

-Amigos, muita brigada por vocês estarrem corraborando com o Igreja.
Nós, agorra vamo poder comprar us bancos novos pro Igreja.
Mas, vou pedirre aos nossos cavarreiros que tomem cuidado.
Todas os dias quando vamos arrumar o Igreja depois do missa observo que os bancos estaum arranhados.
O pobrema som os esporras, tomem cuidado que vocês estaum esporrando os bancos;
Tirrem os esporras antes de sentarem,por favor.
Senon vaum acabar esporrando sus ermãos, sus ermans, sus paes e até as sus mães...

Nem preciso dizer que foi a última quermesse do pobre sacerdote naquela cidadezinha...
Publicado em: 28/11/2006 15:38:14


A rima que se faz do sonho, arrimo,
E assim, um grande Amor A la Barroco¨.
vai nutrindo os versos que em poesia
liberta sãos e salvos do sufoco,
os amantes que nessa maresia
notam duetos quem sabe a quê troco?

De toda a forma, a lisonja me encanta..
Pois, ser lida por tão nobre poeta,
é deveras ação que me agiganta
e coragem pra tentar ser completa

Assim, eu te peço poeta: Canta!
E mostra aquela rima predileta
que trazes engasgada na garganta.

E se não tiver então arquiteta
a rima que em verso tanto abrilhanta
a poesia dessa alma inquieta!


Andarilha das Estrelas.

A rima que se faz do sonho, arrimo,
Que uma expressão pacífica transtorna,
Além do que decerto tanto estimo,
Por vezes me maldiz, noutras me adorna.

Tornar minha palavra bem mais morna,
Às vezes não condiz com o que primo,
Na fúria em que este verso ora se torna
A velha insegurança traz o limo.

Desdigo a poesia em que me farto,
Usando como afago a dor do parto
Que embora fatigante, me sustenta.

No vago em que procuro inspiração,
A amarga insensatez da solidão
É dos meus versos tolos, a placenta...
Publicado em: 16/02/2009 22:06:10

A Rosa Enluarada

A lua que do céu se exibe vaidosa,
Parece dizer-te o quanto precisa
Ancorar a tristeza de uma certa rosa
Que por falta de água, agoniza.

A água se encontra bem distante,
E a rosa se conforma com seu destino
Enraizada e triste, longe de sua fonte.
Apenas com respingos, sobrevive em desatino.

A lua que ilumina rosa e fonte
Brilhando vem trazer felicidade.
Pois sabe que se há luz neste horizonte,

A rosa desabrocha num instante
Quem sabe com um sonho, liberdade.
A lua se deseja radiante...

as quadras são de Rita Fernandes e os tercetos de Marcos Loures

A rosa maltrapilha não sabia
O ESPINHO E A ROSA

O espinho não maltrata nunca a rosa
Partilham juntas, as emoções vividas
Querida, quis ser flor em tua vida,
Desculpa se fiz de tua vida uma prosa.

Espinho se afastando da rosa?
Não casa, amor, essa conjectura
Sonhavas uma vida maravilhosa...
Minha forma de te amar não era pura.

Acontece que o talo se quebrou
A rosa tomou outra direção
Por sorte acabou em outra mão.

O espinho ficou vivendo da lembrança
Quem sabe, alimentando uma esperança...
Não mais a rosa... Só perfume daquela flor!

JoséRobertoPalácio


A rosa maltrapilha não sabia
Dos meus desejos loucos, sensuais,
Enquanto se entregando à poesia
Mais se afastava; tola, deste cais

Quem sabe do que quer tanto porfia
Lutando até chegar aos ideais,
Aos espinhos, minha alma resistia
Vencendo os desenganos usuais.

Porém a maltrapilha viu-se bela
E a rosa caprichosa e feminina
Mudando num instante sorte e sina

Volúvel maravilha se revela
E foge desdenhosa, do jardim,
Desmoronando o resto que há em mim...
Publicado em: 13/05/2009 12:52:38

À Procura do Amor


Amor, minh’alma triste te procura,
No amanhecer da vida foste fera;
Agora que, saudade já impera,
A noite se aproxima, mata escura...

Num momento feliz, foi tão amigo;
Mas a vida transforma toda gente,
E depois, tão cruel, foi diferente,
A paz, então, jamais vive comigo...

Sentir a baforada dessa boca,
Que acalenta a dor, vero sentimento;
É conseguir suprir meu pensamento,
Dessa ternura audaz, a voz mais rouca...

Amor quimera, mera diversão,
Que maltrata quem sonha liberdade;
Tão faminto, traduz voracidade.
Começa a devorar, sem ter perdão...

Amor, é doce fruta que envenena,
E vicia quem dela for provar;
E bêbado, tropeça no luar,
Agiganta a que fora tão pequena...

Nos lábios, minha amada, meu desejo;
Um resto de ilusão bate na porta.
Contigo, essa tristeza já vai morta,
No cálice fantástico do beijo...

Teus olhos, são promessas d’esperanças,
Num tempo mais feliz da minha vida.
Seus brilhos iluminam a avenida,
Por onde caminhávamos, crianças...

Nos teus cabelos trazes maciez,
Que minha mão jamais vai esquecer;
Neles, vou embrenhar-me e conhecer,
O que fora da glória, essa altivez...

Em teu pescoço; jóias e colares.
Em teu louvor cantar todos os hinos,
Buscando, nos teus olhos cristalinos,
A força que leva aos teus altares...

Beber de teu sorriso tanto mel,
Saber de tuas noites orvalhadas;
Sonhar contigo minhas madrugadas,
Por ti, agradecer a Deus do Céu...

Amada, tão risonhos os meus dias;
Desde o momento mágico que tive,
Felicidade igual onde, sei, vive
Os pássaros que encantam, melodias...

Teus pés de tão macios e pequenos,
São obras d’arte feitas com louvor;
Por quem foi o mais mágico escultor,
Que por inspiração, não fez por menos...

E caminhas? Flutuas pelos ares,
Teus passos são concertos orquestrados;
Meus olhos na procura, extasiados,
Desejam conhecer os teus altares...

À procura do teu amor!


Anos, amos, que marcam sem demora
Vertendo na miséria meus amores.
Que falsos, plastificam tantas flores.
Em meio a tanta dor, tortura aflora.

Embora não se mostre tanto boa,
A hora de viver passa correndo.
E quando mal pressinto, percebendo
Que nada mais me resta, o tempo voa!

Nos calendários sinto que não vens,
Mas assim mesmo sonho tua vinda.
A noite que passamos, brilha ainda
Em todas as saudades os meus bens.

Cansado de correr por tantos mares
A mando dos amares que não tive.
Porejo tantas lágrimas! Estive
Em busca de teus olhos nos luares!

Mas sei que não desejas mais voltar!
O leito que deixaste quer deleite.
Pedindo-te afinal, que me deleite,
Nos braços onde sempre fiz amar!
Publicado em: 06/12/2006 16:39:41


A PROPAGANDA É A ALMA DO NEGÓ-CIO
Jograis
Jogas
E queres mais?
Panaca
Que em pancada
Se fez nada
Aguada
Poesia
Aguarda
Novo dia
Sem nada
Que acrescente
Ao velho olhar demente
Do pobre que se cobre
Em lauréis duvidosos...

Farnéis?
Anorética palavra
Traduz caquexia cerebral
O pior é se dizer profissional
Menos mal que não tem cupim
No recanto.
Entretanto
Sem canto
Sem encanto
Borrifa ao léu
As asneiras costumeiras.

Eiras e beiras
Cheiras do pó?


A saudade do meu bem

Queimando a dor no meu peito,
A saudade do meu bem
E decerto quando vem,
Nos seus braços inda deito,
Vou fazendo de meu leito
O que tanto sei também
Deste sonho sou refém,
Mas no amor vou satisfeito,
Tanto tempo sem te ter,
Tanto quero te querer
E jamais me cansaria
De poder imaginar
Teu regaço é meu lugar,
Nele ancoro a poesia.


A saudade do que não tive...

Vieste me falar de saudades...

Interessante, saudade tem o poder de atrair e afastar, de amargar e adocicar.

Neste agridoce a saudade morde e assopra.

Fere e cicatriza.

É, no fundo, o pagamento de uma dívida com o passado. Ou, muitas vezes, uma maneira de nos acharmos eternos, ou de tentarmos eternizar o que fomos.

Mas há um tipo de saudade que é terrível e altamente dolorosa.

Posso dizer que é DEVASTADORA.

A saudade do que não houve.

É como o aborto, a perda do que poderia e do que não foi.

Frustração.

Absoluta frustração.

Esse tipo de saudade maltrata ferozmente.

Pois morde e não assopra

Fere e nunca cicatriza

Demonstra nossa total impotência e incapacidade.

É o gosto do não.

Da ausência.

Do quem sabe

E do talvez...

Contra esse tipo de saudade

Só há um remédio.

A morte.

Por isso viva o que tenha de viver.

Sem medo

De ser, pelo menos, em um segundo.

Feliz!

A saudade é matadeira
A saudade é matadeira
Não me deixa quase nada,
Nesta lua derradeira
No clarão de uma alvorada


a saudade é tão matreira


a saudade é tão matreira
não se cansa e me maltrata
tomando a terra mineira
chega na Zona da Mata.

A saudade é traiçoeira
A saudade é traiçoeira
Mente, mente sem parar,
Um espinho na roseira
Vai salgando todo mar...

a saudade é uma doença
a saudade é uma doença
que faz bem ao coração,
no passado a gente pensa
aprendendo uma lição...

A saudade faz a festa No coração de quem ama


A saudade faz a festa
No coração de quem ama
Relembrando o que inda resta
Reacendendo esta chama.




A rosa-sangue vermelha
Acredita que o espinho
Não é mais do que centelha
De seu gesto de carinho...


A ROSA

saudade desta flor maravilhosa
que faz o meu jardim ser mais feliz
vem logo e traz perfumes, bela rosa,
tua presença é tudo o que eu mais quis...




Vi a saia da morena,
O vento já levantou,
Não deu pra ver a açucena,
A flor não desabrochou...
Publicado em: 13/04/2007 22:22:37


A SAUDADE /


Saudades, tenho poucas verdadeiras
Foi como um relâmpago fim de chuva
Mal a luz resplandecia na janela
O trovão aparecia fazia a curva

Das poucas saudades que me restam
Só uma deixa-me saudosa sem retorno
O ente mais querido que se foi
Meu grande pioneiro pai extremoso

Saudades, sinto hoje dos teus versos
Palavras que o coração ainda palpita
Do momento fantasia ainda habita

Saudade do que quis e não vieram
Voaram, só acredito em plena luz
Nos olhos que a lembrança reproduz

Saudades que carrego em minha vida
Do quanto não sabia e era feliz.
Paisagem na memória vai perdida,
De todos os meus sonhos, aprendiz,
Agora a vida passa, distraída,
Mostrando num relâmpago o que eu fiz.

Saudade do calor do braço amigo,
Num tempo em que existia uma esperança,
Distante do que trago aqui comigo,
A vida prometia uma festança,
Bebê-la novamente não consigo
Somente em cicatriz, doce lembrança.

Saudade de viver o que não tive,
Cadáver do que fui, e ainda vive..

SOGUEIRA
MVML

A saudade bate à porta,
A saudade bate à porta,
Vem chegando sorrateira,
Esperança foge morta,
A lembrança é companheira..

A saudade bate ponto No operário coração


A saudade bate ponto
No operário coração
Te procuro e não te encontro
Triste enredo da paixão...


A SAUDADE CALA A VOZ
Eu não canto uma esperança,
A saudade cala a voz,
A tristeza quando alcança
Me maltrata, tão feroz...


A saudade de quem foi
A saudade de quem foi
E não volta nunca mais
Ruminando feito um boi
A danada dói demais...

A saudade diz do sonho


A saudade diz do sonho
Que jamais esquecerei,
Nela o barco quero e ponho,
Tendo em cais a antiga grei...


A SAUDADE..


O peso da saudade é furioso
E tantas vezes; mostra ser injusto
O dia que pensamos caprichoso
Morrendo embora forte e mais robusto
Um arvoredo mesmo que frondoso,
Costuma fenecer trazendo o susto
A quem pensara ter eternidade
E agora só concebe uma saudade...


A SAUDADE...

Cativo da saudade eu tive medo,
De prosseguir meu canto mais audaz.
Pois sei que ela conhece o meu segredo,
E mostra uma vontade tão voraz
De refazer de novo cada enredo,
Lembrança de outros tempos, já me traz.
E fica na minha alma, tatuagem,
Gravada como fosse uma miragem

De um dia que em verdade, eu sei, vivi
Mas quero não lembrar mais no futuro,
Daquele que passou não me perdi;
E o dia mesmo claro guarda o escuro
Da noite que tivera. Trago aqui
Em plena maciez o chão mais duro
Que tanto eu demorei em aplacar,
Lutando para sempre cultivar.

Nas sombras que carrego em minha vida,
Resquícios que são meus e nunca os nego,
Imagem tão real, mas distorcida,
Deixando uma impressão de estar mais cego,
Estrada que passei se faz temida,
Soçobra neste mar que inda navego,
Trazendo na procela, a tempestade,
Mostrando noutra face uma saudade.

Por mais que tantas vezes vá liberto,
Teimosa ela retorna e já me chama,
Errando, novamente até que acerto,
Mas nada apagará u’a antiga chama,
Mesmo que chova muito no deserto,
Ainda em cada cardo, a velha trama
Mostrando sua face verdadeira,
Exposta sob o sol foge; ligeira.

Mas venho com saudades te dizer
Do quanto fui feliz e não sabia,
Vivendo tão somente pro prazer,
Sem medo de encontrar uma agonia.
No mundo desenhado pude ver
A face mais real de uma alegria.
Tantas vezes pensei que a mocidade
Trouxesse junto a si, a eternidade...


A SAUDADE...

Eu trago, nos meus olhos, a saudade,
De quem jamais devia me ausentar;
Sem ela, desconheço claridade,
Sem ela, vou buscando meu luar...

Quem dera Deus tivesse compaixão,
De quem , errou na vida sem saber.
De quem somente teve sempre não,
Como resposta hostil, sem ter por que...

Não quero mais sentir a ventania,
Roçando meus cabelos, sem ter pena.
Quisera conhecer, um novo dia,
A noite, cruelmente, faz novena...

Vencido por temer guerra e fastio,
Num último poema, tento vê-la;
Sem ela, não existo, sou vazio,
Vagando, vaga-lume, quero estrela...

O zéfiro respira, me bafeja,
Transgrido as ordens, erro sem destino;
Perdido, sigo tendo essa peleja,
Perdendo meu sentido, desatino...

Quem dera se pudesse ser criança.
De novo correria para os braços;
Daquela que pensei, triste lembrança,
Um dia cerraria tantos laços...

Mas sinto que não posso resistir,
Em vão procuro tenras mansidões.
De tudo não consigo nem pedir,
Paz renovada, lastro dos perdões...

Momento atroz , penumbra d’existência,
Cartas jogadas fora, sem valor.
Te peço, tão somente por clemência,
Quem dera conhecesses minha dor...

Quiçá, então tivesses piedade,
Num último delírio dum poeta.
A vida não seria, essa verdade
Que extermina, de forma tão completa.

Amores já os tive, e os perdi,
Retratos bolorentos do passado.
Mas amar, tal qual amo, só por ti
O meu verso entoando triste brado...

Nunca mais te terei, minha centelha
Dessa luz que transporta meu desejo.
A lágrima que escorre vai vermelha,
Da boca que sonhei com tanto pejo...

Arranco dessa rosa, seu pendão,
Espinhos vão cortando os pobres dedos.
A terra vai s’abrindo, some o chão,
Em volta, nos contornos, só meus medos...

Vencido pela angústia e pelo fado,
Meus pés vagueiam loucos por estradas.
Que nunca compartilham, mesmo lado,
Seguindo paralelas, já cansadas...

Meus mares são vazios, sem marés,
A barca dos meus sonhos naufragou.
Eu pergunto a mim mesmo, se tu és
Meu todo, me responda o que sobrou?

Vivendo sem ter rumo e sem porém,
De que me serve luta sem ter glória.
Sem ter porque viver, sem ter alguém,
Meus dias vou perdendo, na memória...

Enfim, melhor morrer se não te tenho,
De que me servem festas da natura.
As matas todas, por onde eu me embrenho,
São cadafalsos, plenos d’amargura...

Te quero tão somente por querer,
Eu te fiz minha lira e minha voz.
Procurei por alhures, mas cadê?
A noite me tragou, vida feroz...

Quem sabe num momento de ternura,
Possamos reparar o que findou.
A luz, enfim, brilhando, noite escura,
Me traga essa esperança que restou...


A SAUDADE...

Na fonte da saudade, a juventude
Há tempos adormece e não se muda.
O corte cicatriza, mas não passada,
Da tatuagem vem a mesma ajuda
Que faz com que os cabelos enegreçam,
Os olhos não se embotem, sejam livres.
Assim desta esperança mentirosa,
Saudade ressuscita a mocidade...


a saudade faz estrago
a saudade faz estrago
numa casa de sapê
da cachaça, cada trago
me faz lembrar de você

A saudade formigando
A saudade formigando
Lembra o tempo que se foi,
O amor vou ruminando
Coração tamanho boi.



A saudade me maltrata
Mas também me dá prazer,
Deixa eu entrar nessa mata,
Nessa mata me perder!



A saudade ninguém planta
126


Mote

A saudade ninguém planta

No inverno, o frio que canta,
Faz com que plantas desfolhem,
A saudade ninguém planta,
Mas é flor que todos colhem...

Marcos Coutinho Loures

Eu plantei esta saudade
No canteiro da esperança
Quando veio a claridade,
Só restou uma lembrança...

A saudade quando vem
A saudade quando vem
Maltratando o coração,
Um amor tamanho trem
Arrastando até vagão...


A saudade recomeça


A saudade recomeça
Quando a gente escuta a voz
Tão mansinha, assim sem pressa
De quem vive dentro em nós...




A saudade rodopia
A saudade rodopia
Espiando o coração,
Nos braços da fantasia
Um abraço da ilusão..

A saudade sempre apronta
A saudade sempre apronta
Com quem fica e sofre tanto,
A minha alma andando tonta
Não se esquece do teu canto...


A saudade traz cativo O meu peito apaixonado,
A saudade traz cativo
O meu peito apaixonado,
Da saudade eu sobrevivo
Nela estás sempre ao meu lado.


A SAUDADE

A saudade é matadeira
Não me deixa quase nada,
Nesta lua derradeira
No clarão de uma alvorada

A saudade sempre cheira
Uma rosa perfumada
Que sem rumo ou estribeira
Por espinhos decorada.

Saudade é doce castigo
É vontade de saber
O que se foi eu persigo
Na meiguice do sofrer

No passado o meu abrigo
Desabrigo passo a ver
Com ferrão feroz amigo,
Amargo mel pra beber...
Publicado em: 08/09/2007 18:32:56



A SAUDADE

Quando saudade machuca,
Não pede sequer licença
Toda dor que recompensa,
Se perde nesta saudade.
Vida trazendo maldade,
Dói qual pancada na nuca,
Deixando essa gente maluca
Fazendo sangrar o peito,
Nada mais penso direito,
Nada deixa satisfeito
Um coração disparado,
Que batuca aqui do lado,
Um bater desesperado,
Sem ter jeito de parar...
Minha vida a te encontrar
Nas curvas deste caminho
Não posso seguir sozinho
Perco rumo, desalinho
Nada mais posso falar,
A saudade faz paragem,
Desvia rumo e viagem,
Faz tremenda sacanagem,
Procurando por bagagem,
Esperei por nova aragem,
Depois da curva a barragem,
Amor me fez pilantragem,
O resto tudo é bobagem,
Não me importando a vendagem,
Se perdi foi tua pajem
Me encontrei nesta listagem
Que fizeste minha amada,
Não quero mais essa estrada,
Não tem porta nem entrada,
Se cair, caio da escada,
A vida, tal batucada,
Não me deixou mais nada,
A canção agalopada,
A morte desenfreada,
A rama desesperada,
A roseira tá quebrada,
A sina tá desgraçada,
Na manhã mais festejada,
O resto não vale pão,
Me perderei no teu chão
Não quero caramanchão,
Vou fugir da confusão,
Vou voltar pro sertão,
Estrada traz solução
Nada mais eu saberia
Não queria ter teu dia,
Se deixar não me cutuca,
Não boto a mão em cumbuca,
Do cigarro, só bituca,
Nada mais olhar butuca
Quando saudade machuca...


A SAUDADE


No lodo que açodo
No jogo que teimo
Na queima dos fogos
As fotos e os fatos.
Regatos são rotos
Os ritos e os rostos.
Agora sem hora
Senhora das horas
Nas vagas vergastas
As gastas costelas
Nas telas que teces
Nas preces que fazes
As fases se mudam
E mudas, as noites
Em plenos açoites
Serenos pernoite
No meio da sala
Vassala saudade
Assaz pertinente
Contrai cada nervo
No acervo dos sonhos,
Os medos sem modos
Os mares distantes
Instantes constantes
Dementes e frágeis.
Saudade se mostra
Acossa e recosta
Exposta no quarto
Trazendo de fato
O que fátuo se fez.



A SAUDADE
Chorando
Tua ausência
Clemência
Paciência
No fundo turbulência.
Saudade
Cachaça
Que passa?
Ou passaredo.
Enredo aonde enredo-me
Em teus braços meu amor
A gente chora
Pó poeira, estrada
Nada, nada e cadê cais?
Apenas nunca mais...
Lembrando cada beijo
Do brando tempestade
Os becos da cidade
Sem ecos na verdade
Não dizem mais teu nome
Some,
Assumo
O sumo
Do que fomos.
Gomos
Tramas
Mas o vazio
Vem e o bem
Se esvazia
Na saudade.


A SAUDADE
As cinzas do que fui já se entranharam
Na pele, no meu peito, em meu sorriso.
Avisos recebi dos navegantes
Porém o meu saveiro naufragou
Nos braços da mulher divina amante
Que cedo foi embora e me deixou.
Apenas este amargo da saudade
Adoça o que deveras já sobrou...


A SAUDADE


Carrego meus cadáveres no peito
Por isto; algumas vezes sigo manco.
No meio do caminho, quando estanco,
É o peso que me deixa desse jeito.

A SAUDADE
A saudade é matadeira
Não me deixa quase nada,
Nesta lua derradeira
No clarão de uma alvorada

A saudade sempre cheira
Uma rosa perfumada
Que sem rumo ou estribeira
Por espinhos decorada.

Saudade é doce castigo
É vontade de saber
O que se foi eu persigo
Na meiguice do sofrer

No passado o meu abrigo
Desabrigo passo a ver
Com ferrão feroz amigo,
Amargo mel pra beber...


A SAUDADE
A saudade é penuginha
Que arranhando o coração
Na verdade já se aninha
Nos tomando de emoção
Vai voando uma avezinha
Feita de libertação
Da tristeza que foi minha
Agora é recordação..


A SAUDADE
A cada dia
é mais difícil,
esta saudade
que parece
não ter fim ...
(ivi)

Saudade
Ardendo
E soprando,
Água fria?
Fervura....


A SAUDADE
Nostálgica mistura lusitana,
Trazendo amargor junto com doçura.
A mesma mão maltrata e logo abana...
O mesmo beijo adula na amargura...

Sagrada insanidade me desperta,
Nos sonhos traga luz e já m'ofusca
Adormece-me manso, mas alerta,
Carícia que me corta, por ser brusca...

Remédio que envenena tarda a cura,
Maremoto sereno nos afoga
Imersos nesses breus, tanta brancura.
Nos traz muitas lembranças, frágil droga...

Nas minhas noites brancas, companheira.
Nos meus desejos loucos, forja farsas.
A paz que me levaste, verdadeira,
O peso que carrego nunca esparsas...

Nenúfares terrestres conta-senso,
Nefária calmaria, mansidão...
Flores pequenas, jardim tão imenso.
Traz na mão que tortura compaixão!

Sortilégio beático, carnal...
Temerário menino, sem maldade.
Prostituta que sente-se vestal.
Eqüina montaria na cidade...

Parturiente louca por luxúrias,
Pacifista que se arma até os dentes.
Leve brisa que traz dos ventos, fúrias.
Brancas mãos calejadas nos nubentes...

Como restos de sangue no sorriso,
Como a fome deixada nos banquetes,
Voluntária no pássaro indeciso,
No silêncio dos fogos dos foguetes!

Sedenta na amazônica floresta,
Uma enchente saárica, desértica...
O dobro do que tinha é que me resta,
Insensível na pura arte poética...

Simulando real ingratidão,
Agradece depois o que não feito.
Bem calma, disparando o coração.
Imperfeita no que fora perfeito...

Sargaços que nos salvam do naufrágio
Âncoras que nos levam flutuar.
Qual funkeiros repiques num adágio.
Tal qual sol se banhando no luar...

Vacilante passada dum intrépido
Um olhar mais sereno em um insano.
Lentidão nos caminhos do mais lépido.
Oração formulada por profano...

Partitura que toca um olho cego,
Claridade que traz escuridão.
Afirmativa audaz que já renego,
Serviçal que comanda seu patrão...

És a rainha louca que condena,
És a vontade lúcida de um pânico,
És a atriz que se perde numa cena,
És divinal sorriso mais satânico!

Teus cabelos ao vento fazem sombra,
Os meus velhos tormentos fazes coro
Em tantas minha fraquezas, se assombra,
Penetras num segundo qualquer poro...

És sutil matreirice mais feroz,
És verdugo que salva, salma e trata.
És ferrenha inimiga mais velos,
Muitas vezes amiga me destrata...

Quando distante muitas vezes perto,
Quando inconstante tantas vezes luto,
Quando errático, sempre estou mais certo,
Quando mais manso, muitas vezes bruto!

É companheira sempre diz amor,
É verdadeira, mesmo quando falsa,
Sempre certeira, nega desamor...
Dançarina cruel, dança essa valsa...

Fatalidade, novo recomeço...
Novas marchas nos pés que se cansaram...
Mostrando-nos reversos desse avesso,
As minhas mãos cansadas, buscaram...

Em lodo se mudando, toda vez...
Em lobo transformando simples cão.
Dos simples mais humildes, altivez.
Enchentes que inundaram meu sertão...

Quem dera nato fosse meu soneto,
Sem marte nem mentiras me poeto...
Nos braços que me embaças me arremeto,
Nas partes que me partes me completo...

Te fiz essas quadrinhas sem ter mérito.
Nos tempos que passei não tem futuro,
Na vida que bebi, sempre pretérito.
O salto que tentei, quebrei meu muro.!

Recebo de teus dedos teu bofete,
Nas cartas escondidas nessa manga.
Os carnavais se foram sem confete,
Das fantasias sobra tal miçanga.

Repentes mais formais, deformam formas
Nos fornos que forjei fórceps ferrenhos,
Das notas anotei as novas normas.
Lutas lentas lutei, levei meus lenhos...

As parcas nessas barcas poucas arcas,
As asas assaz sinas assassinam...
Manhas sem manhãs, minhas mansas marcas...
Ensejos entranhei erros ensinam...

Salvei saúde sem sentir certeza.
Cerrei os cortes cegos, cimitarra,
Baús das brancas bélicas belezas...
Nos gritos dissonantes da guitarra...

Nos medos de transpor meus sentimentos,
Nas velas que velei, só veleidade...
Nas termas que teimei, tantos tormentos,
Soçobram meus sentidos, sã saudade!




A saudade, tão arteira
A saudade, tão arteira
Preparando uma arapuca,
Danadinha feiticeira
Deixa minha alma maluca...

A SAUDADE.

Saudade do que fomos, gomos sumos,
Assumo cada passo que não dei
Errei por tantas vezes, disso eu sei
E sou o que não posso mais cantar
Vontade de beber da mesma fonte
Aonde muitas águas já rolaram
Agora sem ter hora se assenhora
A manta que me cobre do passado.
Alçado pelos sonhos que se foram
Não posso mais voltar, porém insisto...


A SAUDADE..


Lusa palavra, amarga e companheira,
Disparidade feita em sentimento,
Saudade não conhece nem fronteira,
Acaricia enquanto traz tormento.
Do amor e da uma tristeza uma bandeira,
Na doce maciez, mar violento.
Saudade na verdade, põe a mesa
E amarga num segundo a sobremesa.

Deitando nos teus braços, tão distantes,
Recebo o teu carinho, mesmo ausente.
Do amor em solidão, somos mutantes,
No vento da saudade se pressente,
Velocidade imensa, por instantes
Ungüento que maltrata, penitente.
Sangria que em veneno cura e salva,
Na noite nebulosa, uma lua alva.

Sorriso que se foi pra nunca mais,
Retrato na parede, que ameniza.
Meu barco sempre volta ao mesmo cais,
Saudade em tempestade nunca avisa,
Se vens ou se não voltas nunca mais.
Saudade de teu beijo, que não tive,
Mortalha deste amor que, eterno, vive.

O Fado de quem ama, na verdade,
É ter em tanto amor a dor risonha,
Espinho que em perfume já me invade,
Insensatez completa, faz tristonha
A vida de quem sabe o que é saudade,
Na noite em que sozinho, vai e sonha
Com quem partiu e nunca disse adeus,
Teus olhos são reflexos d’olhos meus...

Aguardo com saudade um novo dia
Que possa me trazer o nosso bem,
Voltando no meu peito uma alegria,
Certeza de que a vida sempre vem
Pra quem sonhou e teve em fantasia
O gosto de viver o amor que tem
Guardado no seu peito em claridade,
Sentindo o doce sal de uma saudade...
Publicado em: 23/10/2007 19:47:05


A seis mãos ZF Marques de Souza, Elane Tomich e Marcos Loures
> Desejo
ZéFerro, 16 ago. 2006
"Aut insanit Homo, aut versus facit"


Teu corpo é o paraíso deslumbrante
onde espero um dia sublimar-me
na volúpia sem fim e delirante
de quem nunca se cansa de amar-te

Em cada curva escondes um tesouro
nos morros e ravinas que desejo
eu sinto o tremor de um calouro
pensando em cobri-las com meus beijos

Esxite um suplício mais dorido
do que estar contigo, peito arfante,
pensando em tomar-te, mas contido,
as mãos tremendo, fogo no semblante?

Se ao menos eu pudesse acariciar
aquilo que eu só penso em provar!





TEU CORPO
>
> Elane Tomich
>
> Teu corpo é minha terra
> pele em tons de anteontem,
> corpo em contornos de serra,
> boca cheirando alvorada,
> e a mata ciliar
> no lago do teu olhar.
> Sombra fria enluarada
> hoje mata a mata a fronte
> a fonte de me achar
> no piscar do teu vagar
>
> Longe da linha do mar,
> no ventre, macios montes,
> sexo, nascentes, fontes,
> por isso em ti me encontro
> em ondas de muito amar.
>
> Lava-me em leito estreito
> lençóis de puro algodão
> meu corpo insinua, aceito,
> umidade, fendas, vãos,
> perdida, a inocência diz não.
>
> Fluímos em cachoeiras
> no amor de tal maneira,
> que compomos mil canções
> qual asas de borboletas,
> carícias, flor- passarinho.
> Atavismo de paixões
> ventos imemoriais
> lá ,onde nunca mais
> será desnudo um segredo.
> Oculto na boca de proa
> parte o querer ao degredo
> sem a viajar em teus dedos
> sem dor ou alegria à toa.
>
>
>
> A Minha Mão Passeia , Calmamente,
>
> MARCOS VALÉRIO MANNARINO LOURES
>
>
>
> A minha mão passeia , calmamente,
> Buscando tocar todas reentrâncias,
> Eu sinto esse desejo, mais urgente,
> De conhecer molejos e cadências.
>
> Sorvendo todo líquido fervente,
> Que põe no nosso amor as evidências
> Que poderás gozar, tão de repente,
> Sem conceder sequer qualquer clemência...
>
> Eu quero teu suor e teu sorriso,
> Nas salivas trocadas; as delícias.
> Teu prazer é tudo o que eu preciso.
>
> Suave viajar dessas carícias,
> Orgasmos delirantes, sem aviso...
> Meu amor, por favor, me dê notícias.


SEDUÇÃO DO AMOR


OLHAR, OLHOS NOS OLHOS...
SENTIR O IMPULSO DO MERGULHO...
NUM ARROUBO, MERGULHAR DE CABEÇA!
SEM CUIDADO, DO AFOGAMENTO...
MORTE POR ASFIXIA...
BÓIA, SALVA-VIDAS...

SEDUZIR, E SER SEDUZIDO...
CONSUMIR-SE NA CHAMA INCANDESCENTE...
ESQUECER DO PORVIR...
CINZAS AO LÉU...
FAÍSCAS DE FOGO- FÁTUO...

PURA SEDUÇÃO DO AMOR... AUTÔMATOS...
INCONSCIÊNCIA, DE QUALQUER CAUÇÃO...
PROSSEGUIR... CHAMA A QUEIMAR...
VELA ACESA... ATÉ O FIM...
SUSPIRAR, SATISFAÇÃO, NA ESCURIDÃO...
VOLTAR A SÍ... DE NOVO, SEDUÇÃO...
AMAR... AMAR... AMOR, ASSIM!

Amor que, tão intenso, nos consome,
Em louca sedução alucinante,
Impede que este rumo eu já retome
Explode em alegria, a cada instante.

Nos queima e nos devora, totalmente,
Ardendo em nosso peito, sem juízo,
Vulcânicos caminhos, a vertente
Direta para o caos e o paraíso...

Mergulho num arroubo e perco o tino,
Amor como um posseiro, devastando,
Já zomba do que fui, muda o destino,
E vai, sem ter limites, me tomando.

Na sedução do amor, hipnotizado,
Vivendo sem fronteira, apaixonado!

ANE MARIE
Marcos Loures



Todos nós temos um desejo enorme de sermos queridos, de sermos amados, mas muito pouco fazemos para querer e amar a todos...

E eu fico pensando:

Como é que podemos conseguir o afeto de nossos semelhantes, se somos incapazes de lançar ao solo árido de nossos corações, as sementes do nosso amor?

A vida nos ensina que, de maneira geral, sempre colhemos aquilo que
plantamos...

Marcos Coutinho Loures


A sensação terrível de um vazio Cravou no meu pensar a caminhada
A sensação terrível de um vazio
Cravou no meu pensar a caminhada
A ponte estava escura, só vento frio
Vieram nas lembranças de jorrada

Os passos estacaram sem receio
Voltaram sem demora pro aconchego
Em busca destas tardes de recreio
De amor, da amizade, poço, arrego

Na vida tudo passa é sina certa
Não passam as palavras emoção
Registro numa pedra como oferta
Teus versos embalando o coração

Sem eles sou deriva campo incerto
Com eles sou oásis no deserto

Sogueira


Passos em direção ao velho sonho
Depois de ter estado tão vazio,
Se eu tento e de repente ainda crio
Eu teimo e tento ver o que proponho,

Sem ele nada além de um mar medonho
Em trevas e borrascas, vou sombrio,
Por vezes entre medos fantasio
Um cais que se tornasse mais risonho.

O amor bem mais que lúdicas ofertas,
Enquanto esta esperança não desertas
Permites que inda possa imaginar

Que oásis da alegria seja aqui,
Ao lado de quem amo eu percebi
Poder tocar meu sonho e navegar...
Publicado em: 01/09/2008 18:41:44


A SETA DE CUPIDO
Já que me faltam poemas,
Me viro com o que tenho,
Se a seta foi alvejada,
Já retirei seu veneno...

Miguel Jacó

O veneno desta seta,
Não tem cura não senhor,
Atingindo algum poeta,
O transforma em trovador...


Nhô Juão, meu cumpanheiro,
Amô, du peito, faceiro,
Hoje eu quero lhe falá...
Dessas coisas, tão bunitas,
Que alegra, a nossa vista,
Quando o dia vai raiá...

Hora quando, a passarada,
Aos bando, lá na invernada,
Num revuár, no infinito,
Saúda o sor, a nascê!
Que nus braços, vai trazendo,
Mais um dia, prá vivê!

Das bela frôr, do jardim,
Que credito, rí, prá mim,
Em sinar de gratidão...
Por todos os meu cuidado,
Por um dia ter regado,
A elas, cum emoção...

Falá do gado, no pasto...
Das galinha, no terrero...
Das espiga do mieiro,
Das coves da minha horta...

Desta porta do infinito,
Que acena um riso bento,
E a gente, faiz alegrá...

Pode inté ser só, bestera,
Que Deus perdoe e num queira,
Um dia me castiga!
Mais eu acho, a vida boa...
Ah! Se eu pudesse, eu ficava,
Todo o dia, a vida inteira,
Dessas coisas a falá!

Apois falo desse amô;
Sô um pobre cantadô
Qui já feiz dessa sodade
O seu mote predileto,
Vô contá toda a verdade,
Apois sô franco e direto...

Já corri sertão afóra
Só dispois que vim mimbora
Só pra móde recordá
Das minha coisa quirida
Das lembrança do luá,
Qui alumeia a minha vida...

Das frozinha mais bunita
Quando o vento beja agita
E os prefume logo ispaia,
Do canto do zabelê,
Do cigarrinho de páia
Da casinha de sapê...

Dos rio cum lambari
Tanta coisa tem aqui,
Lá na cidade num tem,
Os bando de quero quero
Os canarinho que vem
Nos lugá qui meno espero.

A garapa dessa cana,
Cardo de cana caiana,
Broa di mio, fubá,
As vaquejada, o currá
As festa de boio bumbá
Rôpa quára no vará,

Trazeno ansim a sodade
De sabê felicidade,
Na morena, meus amô
Chêro da frô mais férmosa
Nesse peito sonhadô,
Sôdade de minha rosa,
Que me feis seu bêja-frô...



Tamém aqui cheguei
peguei carona na prosa
purquê du assuntu gostei...
fala da minha sardade
a mais gostosa...
do tempo lá da roça,
onde tudo era tão belo
no jardim tinha frôr,
brabuleta di todas as cor,
e beija-frôr a visitar...

Logo no dia crarear
o canárinhu da terra
vinha na minha janela
cantá pra mi acordá...
como era bom o cantarolá,
logo nu meu dispertá...
abria a janela
entrava cheru de eucalipiu
qui mais parecia o ar lavá...

Hoje ficu na sardade
moro aqui na cidade
em casa tão arta,
qui só chega o cheru de fumaça
dos carru qui na rua passa...

Aqui us passarinhus
num cunsegue chegá...
moru entre paredões
nem o sór veju nascê...
da lua, só mi resta sardade
na cidade nunca mais vi aparecê...

Mais mi lembro das revoadas
no quintá da minha casa
das andurinhas e das passaradas
quando vinham discansá
nas arves do meu quintá...
bem na hora du sór si pô,
juntinho com beija-frô,
parecia qui tinham marcado hora
para alegrá criança i sinhô...

Tinha meus pé di Ipê...
eram bunitus di se vê,
um amarelo qui só!
qui te parecia briá...
lá os passarinhos,
fazia seus ninhus
pros fiotes criá,
até saí pra voá...

Minina num diga besteira
qui Deus possa ti castigá...
Deus num ti castiga não,
de ti minina:
Ele mais é si alegra
di vê que minina incherga
tudo de melhor qui Ele feiz
pra mim e pra vóis micêis...
e dispois dessa leitura
tenhu só qui gradecê...
a minina e seu dotô...
cum uma prece...
Em nome di Nosso Sinhô!!!

Gostei da sua chegança
Dispois de tantas andança
É munto bão vê vancê,
vancê é moça prendada
que dá gosto de nóis vê
èta bichinha danada...

apois se chegue cumpade
eu já tava com sodade,
de cantá as nossas moda,
vô tocá nessa viola,
prá nois cantá nessa roda
as musga qui nus consola...

Semo tudo camarada
Na violinha afinada,
Nóis disfaiz nosso sofrê,
Aperparei um café
Cum gosto de bem querê
Só prá isquentá, muié...

Ás agua corre pru rio,
eu te lanço o disafio,
chamano prá nóis cantá.
Te falo cum coração,
Debaxo desse luá,
Esse trem vai ficá bão...



Ane Marie
Teresa Cordioli
Marcos Loures


A SORTE CAPRICHOSA
A sorte caprichosa em tons sombrios
Devassa cada passo que inda possa
Viver aonde a vida se destroça
Mergulho nos meus ermos desafios
Tentando perceber quaisquer desvios
Por onde a solidão já não se apossa
E encontro tão somente a queda e a fossa,
Devastações ditando ares mais frios,
Esboço algum sorriso, incoerência
O quanto me protejo da demência
E nada se percebe além do vão,
O passo solitário se persiste
E meu olhar decerto amargo e triste
Buscando qualquer mera solução.



A sorte dando um pulo
A sorte dando um pulo
No escuro desta vida
No quanto dolorida
Ou mesmo se escapulo
No fundo não engulo
Ausência e despedida,
No quanto fora urdida
E sigo sendo fulo
Pesando em minhas costas
O quanto não me gostas
E o todo renegado,
Assim vou procurando
Perdão e desde quando
Amar fora pecado?
Publicado em: 05/06/2010 09:34:36




A Sorte de te Amar

Amor que ao me ferir, também se fere
E sofre do veneno que envenena.
A sorte de te amar, calma e serena,
Ao mundo, o meu amor, cedo transfere.

E toda a correnteza vai ao rio,
E leva para o mar meu triste canto,
Netuno, apaixonado em tal encanto,
Abraça uma sereia, em desafio.

Perdido nos amores e delírios,
Netuno se entregando ao louco amor.
Em ondas gigantescas, esplendor,
Dos mares revolutos, os martírios.

Amor incendiando todo o mar,
Prepara uma armadilha em duro adeus,
Netuno, majestoso, viu que, amar,
Também traz sofrimento, ao velho deus...
Publicado em: 05/12/2006 21:04:46


A sorte desejada
Depois a madrugada
Roçando nossos sonhos
Em dias tão medonhos
A vida trama o nada,
A sorte desejada
Em rumos tão bisonhos
Ou mesmo em enfadonhos
Delírios desta estrada.
Mas quando vens tão mansa
A luz então avança
Derrama esta beleza
Gerando um raro trilho
Aonde em paz palmilho
No amor, tendo a certeza.
Publicado em: 07/07/2010 06:50:13



A sorte já caída
A sorte já caída
Em meio aos vendavais
E nela busco mais
Do quanto a própria vida
Negasse ou descumprida
Promessa. Mas jamais
Pudesse além do cais
Vencer esta partida,
Encontro o velho espinho
E sei quanto mesquinho
O tempo dita a regra,
O verso não consegue
Seguir e se prossegue
Ausência desintegra.



A solidão se ausenta, mas retorna,
E o Amor
se faz presente,
mar calmo,
solidão ausente ...
(ivi)

A solidão se ausenta, mas retorna,
Deixando em polvorosa o coração,
Quem tem uma esperança como norma
Jamais enfrentará tal furacão.

Dormir tranquilamente? Quem me dera...
No fundo até desejo o sofrimento.
A presa se acostuma com a fera,
Nas garras da felina eu me apascento.

Eu sei que isto parece uma heresia,
Gostar da própria dor é masoquismo?
Porém se a solidão já me inebria
Funâmbulo vagueia sobre o abismo

Devolvo ao desamor, mesma moeda,
E aguardo a cada instante a minha queda...
Publicado em: 13/02/2009 22:22:44


A SOLIDÃO...

A solidão aos poucos me domina,
E deixa o meu caminho tenebroso,
Vivendo do passado, seca a mina
Aonde o dia fora generoso.
O medo de sofrer tudo extermina,
Deixando tão somente o frio gozo
Da noite que se passa- eterno não,
Nos braços mais cruéis da solidão...
Publicado em: 24/11/2007 17:51:42



A sombra eterna do passado


Não deveria nunca ter te reencontrado, esse foi meu maior engodo. A menina desengonçada, correndo com as pernas tortas pela casa a fora, não existe mais.
Lembro-me quando olhavas para mim, menina precoce nos onze anos incompletos. Lá se vão outros tantos, e te reencontro.
A magrelinha sardenta me fazia dar gargalhadas quando falava de amor.

Amor, palavra difícil e dolorida, e eu sofrera tanto, que nem poderia mais querer ouvir falar nisso; quanto mais na voz de uma criança.
Não fui feliz, nem era feliz naquela época. Os trinta anos se aproximando, um casamento infeliz, e as marcas doloridas da saudade dos meus filhos, filhos que se foram com Tereza.
Tereza, amor de tantos e longos sonhos e angústias. O final do casamento foi muito marcante.

Tereza e Rubens, eu e a saudade. Meus filhos agora eram filhos de Rubens. Mês a mês, ano pós ano, e o gosto cruel da solidão.

Teu pai tinha sido meu amigo de infância e, não sei bem porque vieste com esta fantasia.
O que pode entender de amor essa pirralha, descalça, impúbere, menina...
Subindo nas árvores, brincando com suas colegas, no pique esconde da vida, escondeste e não mais te vi.
Mas, ao reencontrar-te agora, juro que senti saudades, não de tua presença, mas de tua voz, falando timidamente de amor.

“Eu te amo”, soava tão ridículo na boca da menina, quanto soa no meu pensamento.
Mas, sinceramente, te amo.
Descobri, ao te rever, que te amo, e desejo essa mulher maravilhosa em que te transformaste.
Longe de mim acreditar que te terei, és outra, outra mulher.

Sei que te endeusam, e com justiça. Mas, o fato de saber que participei da manhã dos teus sentimentos, me dá o conforto para que eu possa entardecer minha vida mais em paz.

Quem dera se pudesse recuperar o tempo e acompanhar-te, congelando teus pensamentos e sentimentos e poder ser teu, como nunca poderia imaginar, tempos atrás.
Mas, seria um delírio, um tormento e uma angústia.
E hoje, te amando no que és com a esperança do que sentiste quando não eras ainda.

Desejo e sonho, sofrimentos...
Ao ver meu filho, há uns dias, entendi que o tempo passou...
E, ao perceber teus olhos e os dele se encontrando no vazio, fiquei com ciúmes. Morrendo de ciúmes, não de meu filho, mas de mim mesmo.

Bem sei que hoje, os cabelos embranquecidos e as pernas cansadas não poderiam mais te acompanhar.
E o meu tempo passou nada restando senão a voz distante da criança que me jurava amor...

E meu riso, atravessado, hoje, por uma lágrima presa na garganta.
Peço-te, não venhas mais aqui, te imploro. Não quer mais te ver, nunca mais...

A minha vida se perdeu num dia, lá no longínquo passado, na voz e nas palavras de uma menina que nunca mais será minha e que hoje, com certeza, nem se lembra de que um dia, mesmo sem ter nunca sido, quis ser minha...
Publicado em: 09/12/2006 20:42:13



/
Na tarde tão divina e rutilante,
Os brilhos se misturam com as cores...
Aberta sobre o mar, ó bela amante,
Os caminhos das nuvens e das flores

Definem tal beleza, delirante!
Persigo teus pendores, onde fores,
A vida se transforma neste instante!
As tuas mãos morenas, meus amores,

Deslindam-se na tarde delirante!

Nas praias, clara areia, mansas ondas,
Os medos se tornaram fantasias...
Nos leitos das amantes, tantas rondas,
Em cores milagrosas, primavera...
Nos sonhos e nas conchas, melodias,
A vida não permite tanta espera!
Publicado em: 12/12/2006 16:54:48



A sorte que me embala

A sorte que me embala
O medo de perder
O rumo sem querer
A vida da vassala
Vergonha dita a sala
E gera outro poder
No quanto posso ver
Do todo alma não fala,
Resumo de uma luz
Se tanto já me opus
E busco direção
Talvez seja melhor
Redimir no suor
A farta ingratidão.
Publicado em: 06/06/2010 18:53:43



A SUSPEITA
Poucas pessoas, especialmente nas cidades do interior, se lembram dos tempos de repressão militar.

Aqui entre nós, há muitos anos tentamos sensibilizar nossas autoridades a respeito da existência em nossa história de três heróis, nacionalmente reconhecidos que, depois de torturados perderam a vida, na luta pelas liberdades democráticas. Os irmãos Joel, Daniel e Devanir José de Carvalho que, hoje em dia, são nomes de ruas em Belo Horizonte, no bairro das Indústrias.

Quando alguém me pergunta como eram aqueles tempos, confesso que não tenho palavras para defini-los, mas um fato pode nos dar uma idéia, como costumava contar o saudoso padre Jaime, um dos que foram presos por atividades supostamente subversivas na década de 70.

Padre Jaime era um homem alegre e expansivo, com boa voz, muito semelhante fisicamente ao Padre Marcelo que tanto sucesso faz entre fiéis pela voz e pela simpatia.


Padre Jaime dizia que, em determinada fase da repressão, o sistema começou a premiar os delatores e explicava:

- S e alguém denunciasse um comunista ganhava um fusca, caso conhecesse dois ganhava dois fuscas e assim por diante.

Foi aí que alguém perguntou ao padre:

- E se alguém denunciasse quatro?
- Aí todos eram presos, pois a pessoa estava conhecendo comunistas demais...

MARCOS COUTINHO LOURES



Nem adianta fingir que não me adoras pois teu olhar me diz, a cada instante, que sentes no teu peito, o amor vibrante, que em mesma taça uniu, por longas horas, do nosso amor, o vinho ..transbordante. . .

-Que bobagem, ocultar que às vezes, choras nossa separação e rememoras
aquele amor, de um tempo já distante!

Em busca de aventuras tão banais, um dia me deixaste, pela estrada.

Ao voltares, tristonha e abandonada,
encontrar nosso amor, não pude mais.. .

E o passado de sonhos, que me abraça,mostra, feita em pedaços, nossa taça...

Marcos Coutinho Loures

-A TUA AUSÊNCIA
A TUA AUSÊNCIA ME APAGOU


Hoje estou calma docemente estranha
Esta paz que corre congelando o sangue
Vida sem rumo deprimido bumerangue.
Nem fogo consegue reavivar as chamas.

Minha muralha de sonhos desmoronou.
Fiquei sem sol, sem noites e sem a lua.
Tenho corpo, mas a alma é nua e crua.
Subitamente a tua ausência me apagou.

Podes enterrar esta mulher que nada sente
E por perder o juízo será sempre lembrada,
Desejava romance, mas nunca foi amada.
Pássaro de alma livre era feliz e reluzente...

A lembrança da volúpia ainda permanece.
Os lábios doces, com um sabor encantador.
Uma mulher fogosa chama incandescente.
Não tinha pudor quando se vestia de amor.


GRÁCIA KÁTIA

No dia em que partiste tu levaste
O que melhor de mim, podia haver,
Agora este vazio toma o ser,
Condeno o dia a dia a tal desgaste

Que rompa num segundo a trágica haste
Que há tempos, quando amei, eu quis erguer,
Porém no teu olhar eu pude ver
O sonho que em momentos, derrubaste...

O amor que nos tomou, despudorado,
Sem nexo, sem juízo, sem pecado,
Ainda dentro da alma permanece...

Quem sabe no futuro, outro romance,
Enquanto a lua cheia não me alcance,
Eu peço a tua volta- Inútil prece...




Tua beleza querida, tão amada.
Tu és minha esperança.
Alegras minha vida, tantos sonhos...
O bom desta lembrança.

Com teu carinho imenso, sou feliz...
Traz-me felicidade.
És meu sonho de alegria e de coragem...
Contigo; eternidade!

Meus caminhos transformas, paraíso...
Tuas mãos carinhosas.
Como é bom te ter perto de mim...
Teu perfume de rosas.

Encontro, em teu carinho, a solução;
Para essas dores tantas...
Tu és o renascer de minha aurora.
E tu sempre me encantas...

Amada, não permita que se acabe
O nosso belo sonho...
Viver felicidade, eternamente.
É isso que proponho.
Publicado em: 14/01/2007 16:41:31

A tua boca
A tua boca
Atua louca
Usando por cenário
Palco das ilusões



A Terra dos Amores

Caminhando sem medo em mansos passos
Nos cantares suaves das sereias,
Trazendo dos desertos as areias
Que nada neste mundo me levou.
A terra dos amores, abre em fendas
Tragando toda a dor que desespera,
Amores incrustados nessas lendas
De tudo o que tivera mal restou...

Se fomos tão distantes hoje perto,
Envoltos na esperança que carrego
Amor quando sincero nunca nego,
Demonstra, qual espelho, o que já sou.
Um velho navegante sem destino,
Um canto em desafio, bem mais forte,
Não temo assim te amando, nem a morte,
Por todas as estradas donde vou...

Querida não se esqueça que te adoro,
Em versos que te faço, todo o mundo,
Que tramo no meu peito vagabundo,
Sabendo qual o cais onde aportou
O barco da esperança, meu parceiro,
Amada te desejo, sem cobranças,
A vida se promete em novas danças,
Em todos os meus sonhos, onde estou...

Vencemos todo o mal que sempre traz
A noite desdenhosa onde se alcance
Os olhos da quimera, num relance,
Pois tudo o que sofremos já passou...
Não deixe que transtorne essa viagem
Por mares e caminhos tão diversos,
Dedico com ternura tantos versos,
A quem, na vida inteira, nunca amou...

Encantam-me talvez os teus espinhos,
Beleza radiante desta rosa,
Quem sabe que, por isso, tão vaidosa,
E finge que nem sabe mais quem sou.
Um pobre beija flor busca na tarde
Amor que sempre pensa estar consigo
Mal sabe dos espinhos, do perigo,
Sem asas sua rosa não voou...

Quem sabe poderá talvez um dia,
A flor criar coragem e voar
Depois de tanto tempo sem sonhar,
A rosa percebendo quem cuidou
Das pétalas sangrantes que levava,
Perceba o colibri esfuziante
Que quer de toda forma ser constante
Da rosa que o amor despetalou...
Publicado em: 24/12/2006 17:41:13



A terra hospitaleira
A terra hospitaleira
O coração também
No quanto ainda vem
Além do que se queira
Vagando em corredeira
O amor ditando o bem
Sem perguntar a quem
Alçando esta bandeira
E nela este horizonte
No quanto já desponte
A luz que trago em mim
Brindando ao que vê
E sem saber por que
Até que chegue ao fim.
Publicado em: 07/06/2010 16:31:15


Quando a água se trasformar
Numa montanha de pó,
Toda mulher vai amar,
De verdade, um homem só.

Devagar com ess’andor,
Cuidado aí, minha gente;
A mulher traindo amor?
Só sujeito incompetente!

Marcos Coutinho Loures
Marcos Loures



A tristeza de um caboclo
A tristeza de um caboclo
Vem da saudade matreira
Vai minando pouco a pouco
E destroça a vida inteira.

A tristeza, na verdade,
A tristeza, na verdade,
É coisa que sempre dá,.
Quando eu sinto essa saudade,
Das terras do Paraná...






Se não cura, remedia
Toda trova tem valor,
Semeando a poesia
Na colheita encontra amor...

Publicado em: 20/02/2008 22:25:00
Última alteração:22/10/2008 17:31:36


A trovinha era engraçada


Faço trova de improviso,
Cantador e repentista,
Teu amor é o que preciso
Não te perco mais de vista...
Publicado em: 12/08/2008 17:20:59
Última alteração:19/10/2008 19:53:47


a trovinha quando é feita
a trovinha quando é feita
com ternura e sem pudor,
todo sonho não enjeita
deste tolo trovador...
Publicado em: 13/01/2009 17:41:18
Última alteração:06/03/2009 11:39:53


À TUA XOXOTA

Rósea rosa
Perfumes.
Coxas e tesão
Fogo em tempestade
Alucinação.
Em tua xoxota
Prazer que brota
Fome farta
Puta felicidade.
Noite ronda
Bunda e rabo
Cabo a rabo
Acabo louco.
Pouco a pouco
Visgo e gozo.
Fartura
Sedução
Loucura e tentação.
Mares que penetro
Cetros e concertos
Vértices e risos
Paraísos.
Precisos toques
Bocas, becos
Locas, umidade...
Te foder a noite toda
Sem descansos
Gula e gomas.
Grelo e grotas.
Depois,
Ah! Depois
Num renascer
Hedônico
E safado
Recomeçar...
Publicado em: 04/10/2007 21:24:05
Última alteração:29/10/2008 20:11:51



A TUA AMIZADE -

No sol da tua amizade,
eu me aqueço todo dia.
A mim traz felicidade,
asas dá á fantasia.

A tua presença me anima,
torna o mundo mais bonito,
torna rica a minha rima...
Assim é, e tenho dito!


A dor que nos invade, impertinente
Em erma solidão, turva e sombria
Por vezes me transforma em penitente
E uma esperança mórbida me guia.

Um coração estranho e assim plangente
Aflora-se em ressaibos, fantasia.
O chão quase desértico, tão quente
Impede o renascer de uma alegria.

Mistérios que se fazem nesta vida,
Os medos acumulam negações.
Senzala em que minha alma apodrecida

Aborta uma sutil felicidade.
Talvez ao conceber as ilusões
Refaça toda a trilha em amizade...

HLUNA
Marcos Loures

À TUA AMIZADE

Jogando as minhas mãos para o infinito
Estrelas e cometas vou tocando.
Sentidos aguçados, neste rito
Umbrais maravilhosos penetrando.
Somos Teus irmãos, querido amigo.

Capachos e cativos? Nunca mais!
Receba estes meus versos que hoje eu faço
Integralmente feitos para a paz
Somando nossas forças, venceremos.
Tu trazes em Teu peito, um firme laço.
Ourives da amizade, te louvemos!
Publicado em: 11/10/2007 19:19:18
Última alteração:23/10/2008 10:58:42





A luz que iluminava nosso ocaso,
Não deixa testemunhas, me arrebata...
Amor quando se trai parece vaso
Quebrado, que jamais de novo se ata...
Não posso te perder, nem peço prazo,
A vida sem sentido, me maltrata,
És pilastra por onde eu sempre embaso
Os meus sonhos são tristes... És a nata

De todos os meus passos. És a guia...
Nublando um claro céu, perdi a aurora,
A vida já não tem qualquer valia.
Vontade de partir e de ir embora
Perdi todo o sentido da alegria...
Um quadro que envelhece e se descora,
Nos pélagos medonhos, alma mora...
A tua ausência mata a fantasia...
Publicado em: 10/12/2006 18:24:24
Última alteração:23/10/2008 14:22:33


A velha dos Jardins falsa cristã,
A velha dos Jardins falsa cristã,
Erguendo a sua crista dita norma,
Enquanto a sua neta se transforma
Na quenga mais voraz do imenso clã.

A bruxa quis ser puta temporã,
E tenta recompor a antiga forma,
À plástica malfeita já deforma
Esta caricatura amarga e vã.

Ao ver a meninada nas baladas,
Roçando coxas, pernas e algo mais,
No fogo esmorecido, vendavais

Balançam estruturas mal armadas,
E não podendo ter seu cavaleiro,
“transforma o mundo inteiro num puteiro”.

Antes que me censurem, esta frase é baseada numa música do Cazuza tocada livremente nas rádios e nas televisões...

E parafraseando o genial funkeiro:

Se ele pode, eu posso...
Publicado em: 05/03/2009 22:08:09
Última alteração:06/03/2009 01:25:32


À TUA BUCETINHA...

A tua bucetinha tão gostosa
Roçando o meu caralho, a minha boca,
Teu grelo vou lambendo devagar,
Coloco minha língua em tua loca
Enquanto tu me chupas bem vadia
A puta que sonhei e que eu mais quero
Lambendo o teu cuzinho enfio o dedo
Molhando com teu mel faço carinho
E fodo com vontade tua xana
E como com tesão o teu cuzinho.
Potranca tão safada e mais vadia
Vem logo que eu espero em louca orgia...
Publicado em: 12/11/2007 21:25:07
Última alteração:29/10/2008 19:06:12


A TUA CHEGADA //

Quando falas que vem prá Fortaleza
Fico nervosa, aperreada
Corro prá ver minhas lingeries
Ai, estão todas mofadas
Pelo desuso
E pelo tempão que espero tua chegada
Mais vai dar tempo penso eu...
Afinal ele só chega de madrugada
Vou na loja ao lado
Vou comprar uma bem ousada
Preta? Me pergunto
Vermelha ou encarnada?
Vou comprar uma de cada cor
Assim tenho opção
Este momento é importante
Tenho que chamar sua atenção
Afinal de contas não é todo dia
Que tenho na minha cama
um tesão

Decerto que o vermelho te cai bem,
Contrasta com a pele amorenada.
Se bem que na verdade, com ou sem
Prefiro te encontrar já desnudada

Aberta pros carinhos mais audazes
E toda molhadinha, sorridente.
Na sede com que venho e que me trazes
A noite aí será- garanto- quente.

Eu quero desfrutar desta delícia
De ter tua nudez em minha boca.
Num toque mais sutil e com malícia
Só quero que tu venhas, fera louca

E vamos sem ter tempo de para
A madrugada inteira, nos amar...

GELIS
Marcos Valério Mannarino Loures


A TUA PRESENÇA

Te observo enquanto dormes,
Anjo alado, do meu lado...
Vontade de te acordar,
Já me põe a delirar...

Num afago em teus cabelos,
Eu te escuto a resmungar...
Ouço bem o que tu dizes,
A sonhar, talvez, comigo,
Balbucias, murmurando,
O meu nome, sem pensar...

Ah! Vontade de te acordar!

Adormecendo ao lado de quem amo,
Depois de um dia intenso na labuta.
Teu nome a noite inteira eu sempre chamo
Que pena que ninguém me ouve e me escuta.
Sonhando com teus beijos, eu reclamo
Os teus carinhos mansos. Tanta luta

Deixada para trás no dia a dia,
Trabalho e mais trabalho, sem descanso;
Porém se estou contigo, uma alegria
Invade a minha noite, sem ter ranço.
Ao ter esta mulher que eu bem queria
Um mundo em maravilhas eu alcanço

Sentindo esta presença que me acalma,
Mais leve com certeza, vai minha alma...

ANA MARIA GAZZANEO
Marcos Loures



Sonhei com esse mar azul....
E acordei a suspirar......
Abracei-me a ti...
Coragem não tive para te acordar...
Fiquei apenas a olhar-te....
A expressão tranqüila do teu rosto...
Total abandono do teu corpo....
Ao meu abraço...
E adormecer voltei...


Sentindo o teu olhar por sobre mim,
Tão cuidadosamente me espiando.
Numa vigília mansa... é bom assim
É como se estivesse acalantando...

Depois de tanto tempo sinto, enfim,
Que a vida vai aos poucos se acalmando.
Eu te desejo tanto... até o fim...
Parece que inda estou; amor, sonhando...

Deitado em teu abraço, meu descanso
A noite se promete bem mais calma;
Encontro finalmente este remanso.

Ao ver-te adormecida, em paz, sorrio
Pois a tua presença, amor me acalma,
De um jeito delicado e tão macio...

Marta Teixeira
Marcos Loures


A minha voz rouca e macia,
tem algo de entorpecente.
Assim me queres de dia,
e de noite me desejas novamente.
Recurso sutil, é um laço,
que une desejos e beijos,
preenchendo todo o espaço.

Ouvindo tua voz quente e macia,
Acende esta fogueira, cama e brasa.
Fazendo tanto amor, de noite e dia,
Teu corpo se transforma em minha casa...
Além de todo o tempo que pedia,
Além deste carinho que me abrasa,

Sentindo o teu carinho entorpecido,
Desejando ser feliz a cada instante,
No amor que se faz forte e decidido,
Teu corpo, no meu corpo mais constante.
Testando cada gosto, resolvido,
A ser a vida inteira, teu amante...

Tu és o vício bom e salutar,
O tempo inteiro, assim, te namorar....

HLUNA
Marcos Loures


À TUA XANINHA

Tua xaninha doce e sedutora
Aberta em minha boca, mel constante
Fudendo esta buceta a noite inteira
Amantes sem vergonhas ou pecados
Safados nossos anjos se encontraram
Na sacra putaria que fazemos,
Comendo teu cuzinho minha puta.
Roçando a tua boca com meu pau.
Vertendo minha porra no teu cu
A gente se brindando em sacanagem...
Publicado em: 13/11/2007 17:16:28
Última alteração:29/10/2008 19:03:50



A tudo sobrevive uma amizade
A moça se evadiu, cansou de nós
Na calda d'um cometa foi pro espaço
Me sinto, amigo, aqui neste pedaço,
Velho tênis sem cadarço e sem ilhós.

História vira a página, encerra,
E digo ao companheiro de desdita
Se o filme não foi bom, não volte a fita
Tu sabes, que o bom cabrito não berra.

Escada se caiu, do chão não passa,
Batendo a poeira sigo a vida,
Um curativo é tudo pra ferida...

Destino não se traça com um giz
Flamengo indo bem eu vou feliz,
E tua amizade, sim, é o que interessa.

josérobertopalácio

A tudo sobrevive uma amizade
E enfrenta temporais, isso eu garanto
Se a base traz então, sinceridade,
Vence vicissitude e desencanto.

E mesmo quando a sorte nos ilude
Nos tantos desalinhos, muda o rumo.
Manter com segurança uma atitude
Após a dura queda eu já me aprumo.

Embora magoado, estou contigo,
Sabendo perdoar a ti e a ela
Poder dizer de novo: meu amigo,
Destino pareado assim se sela.

Porém chumbo trocado não machuca.
Beijei tua mulher, a mameluca...
Publicado em: 10/02/2009 14:58:28
Última alteração:06/03/2009 06:49:52


A VACA LHAÇÃO... /


Baboseira de político X Liberdade de expressão
Essa é a roubada do povo brasileiro... Só que ninguém ainda acordou...
Todo mundo pode falar o que quiser sem represálias...
Eles também...
A grande roubada da democracia barata...
Cara deslavada...

Ladrão rouba ladrão e sai impune
Perdão? O povo dá e não percebe.
A safadeza é tanta quando os une,
Que o troco desta choça quem recebe

É o povo que pagando todo o pato,
Não come nem a pata nem o rabo.
É tanto vagabundo em pouco prato,
Que ao fim de tudo o troço ficou brabo.

A gente se faz manso qual cordeiro,
E nisso se ferrando, eu te confesso,
Fizeram do país total puteiro,

Do jeito que demonstram tudo empaca,
Começa a sacanagem no Congresso,
Termina como foto na Play VACA...

ANA MARIA GAZZANEO
MVML
Publicado em: 11/10/2007 21:08:26
Última alteração:03/11/2008 21:45:12



A única saída é o AMOR!



Que tua vida traga a mansidão
E também a loucura e o sofrimento
Que te faça ter paz e ter tormento
Elementos que formam a paixão.

Alegria em um dia, a dor, tristeza,
Pois sem elas jamais serás feliz.
Todo o contraste forma esse matiz
E na diversidade está beleza.

Somente em sofrimento cresceremos
Esta é uma verdade inquestionável
Pois toda a maravilha é ser mutável
Mas acima de tudo, nos amemos,

Quando ele se refaz se fortalece,
Não deixe que saudade te domine
Ela nunca terá luz que te ilumine
Se encontra na penumbra; estão, esquece.

Mas deixe a fantasia renascer
Nela está o teu sonho, companheiro,
Mas não se esqueça; amor só verdadeiro,
Senão em pouco tempo irás sofrer.

Aceite todo o brilho de quem amas,
Poderá clarear a tua estrada
Mas não fique na sombra, iluminada,
E saiba que produzes tuas chamas.

São tuas não apague-as jamais.
Pois amanhã terás teu próprio dia
A noite, sem teu lume, será fria.
E mostre que também tu és capaz.

Não deixe que esperança te atormente
E te impeça de ver a claridade,
Mas não a deixe morta. A liberdade
É feita em tentativas, sempre tente.

Porém nunca desistas deste amor
Que guia e que transforma nossa vida,
Lembre-se que de toda despedida
Nos traz um novo encontro, traz calor.

E tente ser deveras humorado
Mau humor contagia e fere fundo.
Por vezes se espalhando num segundo
Não deixa que ninguém fique ao teu lado.

Terrível solidão, tão importante.
Quando estamos sozinhos, nós crescemos,
Pensamos, torturamos, conhecemos
E talvez não erremos adiante.

Saiba que dessa treva faz-se a luz,
Deste tempo nublado, em tempestade
O mundo nos trará fecundidade.
Das lágrimas celestes se produz.

Não há nada nocivo totalmente
Nem nada que não seja tão benéfico
Com certeza, benéfico e maléfico,
Se encontram no veneno da serpente,

Até na doce abelha em favo, mel,
A morte pode estar a nossa espreita.
Nenhuma criatura nos foi feita
P’ra nos satisfazer. Deste pincel,

Aprenda que o conjunto nos revela
A beleza final de toda essa obra.
E se nunca cuidares, a vida cobra,
Não deixe que destruam esta tela,

És dela, personagem e como tal,
Também irás morrer se não cuidares,
Das águas, das florestas e dos ares.
De todo vegetal e do animal.

Ânima, animado, alma, como a tua.
Receba a doce brisa deste amor,
Incorruptível, mágico senhor,
Que traz toda a beleza da alma nua.

Também deixe que a música te invada,
Ela amenizará os teus tormentos,
Com ela uma certeza d’outros ventos,
Descansa nossa vida tão cansada!

A cada flor que nasce um novo tempo
De vida que refaz em própria vida
Da morte muitas vezes dolorida.
Este ciclo não deixa contratempo.

A tua própria morte é necessária
Senão como teremos nossos filhos?
O trem que descarrila dos seus trilhos
Deixa toda a viagem temerária.

É preciso seguir sempre, não canse;
Não deixe este desânimo vencer.
Embora preguiça é bom de ter,
Seja hoje ou amanhã, teu sonho alcance,

Mas, se não conseguires, não desista.
Depois, prorrogação, se Deus quiser!
E venha, sabe Deus, o que vier.
viver a cada dia e ser artista.

Todas as promessas são de paz.
Em todas as discórdias, o bom senso.
O mundo é tão pequeno e tão imenso,
Acaba num segundo e nunca mais!

Por isso, companheira, por favor,
De tudo que eu já disse nos meus versos,
De tudo que houver nos universos,
O que nos salvará? Somente amor!
Publicado em: 27/11/2006 10:34:24
Última alteração:23/10/2008 14:03:51




Maria é tão radical,
E fiel aos seus princípios
Que chega a passar bem mal,
Vitimada pelos vícios
Alimentares que sei,
Muitas vezes são difíceis
Mas pelo que já passei
Não consigo ver saída,
De tudo o que procurei,
Eu não achei nesta vida
Alguém que pudesse dar
Uma só explicação.
Para tudo o que passei,
Por isso, preste atenção:

-Maria tem por mania
Não comer nada animal,
Na refeição, todo dia,
Ela come vegetal,
Mas como te disse, amigo
Ela é muito radical.

De noite é que não se explica
Esse fardo caprichoso,
Bem na hora que se estica
Esse amor demais gostoso,
Maria fica calada
Não fala nada no gozo.

Esse silêncio atordoa,
Me deixa desconcertado,
Pergunta: Maria foi boa?
Ela ri meio de lado
E me diz: Marcos, amado,
Não se preocupe não,
É por que eu consigo,
Explodir em emoção;
Eu sou vegetariana,
Isso cansei de dizer,
Mas de noite a gente engana,
Só carne me dá prazer!
Publicado em: 16/03/2007 21:45:12
Última alteração:23/10/2008 11:28:39



A vida dita a fúria
A vida dita a fúria
De quem não mais pudesse
Saber desta benesse
E viva na penúria
Enquanto esta lamúria
O mundo ainda tece
Amor jamais esquece
E vive sem incúria
No quanto ainda adoça
A sorte minha e nossa
Apossa-se do canto,
E sinto levemente
O quanto se apresente
A dita sem quebranto.


A verdade é traiçoeira,
A verdade é traiçoeira,
A mentira traz conforto...
Melhor sorte verdadeira
Do que mentiroso morto...


A verdade se escondeu
A verdade se escondeu
Na mentira que disseste,
Tanta lágrima choveu
No meu coração agreste.



A verdadeira amizade

A verdadeira amizade
Não permite a traição
Muitas vezes pede o não
E por vezes, dá saudade.
Amizade não permite
Que amada pessoa grite
Nem se irrite com mentiras
Tantas flechas quando atiras
Matas assim sem saber
O que melhor posso ter
Por ti querida, sem medos.
A vida nos pede segredos
Que não confesso a ninguém
Nem por isso a noite vem
Se amizade é ponto forte,
Resistindo até à morte
É sorte rara na terra,
Mas quando amizade se erra
Desmorona e fere tanto,
Pior do que desencanto
É ataque sem defesa
Pois feito em fatal surpresa
A traição de um amigo
Que viveu sempre consigo
Teste fatal pro perdão
Difícil navegação
No barco do coração
É a pior tempestade
Que pode nos atingir,
Tocaia de uma amizade
Impossível de fugir!
Publicado em: 07/12/2006 18:31:14
Última alteração:23/10/2008 14:21:14

A vida é clichê
A vida é clichê
E nela acredito
Além do finito
Quem sabe o por que,
Mas quando se vê
O quanto é bonito
O mundo em que omito
Negando um cadê
Resisto o que possa,
A vida diz troça
Destroça a verdade
E o cume do monte,
No quanto desponte
Nega a claridade...



A vida é picadeiro
A vida é picadeiro
Dos circos mais vulgares
E quando procurares
Além do costumeiro
Caminho aventureiro
Em falsos vis altares
Bebendo lupanares
Ou digo do puteiro
O certo, porém turvo
Desejo aonde eu curvo
A estrada mais além
Apenas o vazio
Resume o tanto cio
E nada mais contém.


A vida é se viver aproveitando
A vida é se viver aproveitando
Coisas boas que a vida tem pra dar
Não pode é se querer titubiar
Querendo seguir a vida enganando.

Quem pensa que engana, engana a si
Pois Deus está de lá anos seguir,
O dia chegará, de prestar conta
E Deus vai dar teu troco e não desconta.

JRPALÁCIO

Porém sei do Meu Pai, misericórdia,
Na mão que apascentando uma discórdia
Suprema caridade no perdão.

Se no arrependimento, a minha glória,
Trazendo com certeza uma vitória,
Inundando de paz meu coração.
Publicado em: 25/02/2009 10:10:01
Última alteração:06/03/2009 01:47:04


A vida é tecelã que na aquarela
Contigo vivo esta vida
a tecer em prosa e verso
toda beleza contida
nesse nosso amor excelso.

AMG

A vida é tecelã que na aquarela
De cores tão diversas emoldura
O que no dia-a-dia se revela
Num misto de furor e de brandura.

O barco desfraldando a mestra-vela
Percorre este oceano de amargura,
A lua-montaria, o sonho sela
E vaga clareando a noite escura.

Amar é perceber cada detalhe,
Por mais que a solidão em fogo entalhe
Usando da tristeza por buril,

Eu creio ser possível um novo sol,
Tramando a claridade do arrebol,
Formando este cenário mais gentil...
Publicado em: 16/01/2009 11:57:31
Última alteração:06/03/2009 07:21:37



A vida em amargura // Decreto

Num mar // Invado o vazio da solidão

De amor // mergulho em busca

Se cura...// por completo.

Marcos Loures // Mara Pupin
Publicado em: 02/04/2007 16:46:51
Última alteração:28/10/2008 06:07:51





Que quem tem vida guaiada
coma vós da vossa sorte,
por vós é cousa provada
que quem tem vida cagada,
cagada há-de ser a morte.
Quando vierdes à corte,
e o cu vos der desmaio,
dai-o ó Demo, Çapaio.
...

Poema de: Gil Vicente

A vida embostalhando dia a dia,
Perfaz às vezes como uma cagada,
Mostrando que se perde uma alegria,
Não sobra na verdade, quase nada...

Uma moçoila tensa e mal amada,
Fudendo sem prazer já me dizia,
Que sem ter ojerizas à trepada,
Raríssimos momentos bendizia.

Porém ao dar guinadas para trás,
Sentiu, até que enfim, ser bem capaz
De ter orgasmos loucos e divinos.

Assim já se esgueirando da má sorte,
Fornica em sodomia, como esporte
E tem em gozos álgicos, destino...
Publicado em: 25/08/2007 21:52:56
Última alteração:10/10/2008 11:47:23

A vida mais solene
A vida mais solene
No quanto pode ou deve
E sendo feita em neve
O quanto não serene
E tanto me envenene
No coração mais breve
O amor que não se atreve
O corte que não drene,
A vida segue assim
E do começo ao fim
Em trancos e barrancos
Os dias são diversos,
Porém bons ou perversos
Meus sonhos seguem mancos.
Publicado em: 06/06/2010 18:47:18




A vida passou ávida de vida
A vida passou ávida de vida, pelo campo onde caminhava solitário.
Não quis ser mar nem ser maré, quis viver Maria, que nada mais continha a não ser poesia...
Mas me detinhas a cada passo, teu cansaço e minha sina, meu abraço e tuas pernas, penugens e paragens, margens e manhãs...
Quis ser sonho e pedregulho, ser seixo e ser queixume, deixo meu ciúme e minha cisma; cataclisma fatal sem fátuos fatos...

Num átimo um ótimo momento, um último madorno me adorno de teus ouros e perolados olhos. Nos óleos que me tramas, casas e camas, nas brasas, chamas e não respondo, oculto.
Te cultuo num duo infernal, sem eco, sem ego, trôpego, trafego e me apego a teu passo, pássaro solto, contrafeito...
Desfeito tudo que pudesse ser meu, mel e mal, Maria, o mar ia amar, andei e não te vi, bem te vi, mentiras e martírios.
Marujo sembujo, não sei se rei, sereia que seria minha teia, mas atéia, ateia tantas brumas, bruxuleante brisa, concisa e precisa, necessária...
Amar Maria, mar ondeia, nos seios, seixos e desejos, um beijo e um aceno, contraceno com velas e veleiros.
Nas mãos vazias, azias e ânsias, anseias seres livre, me contive e não tive outro chão...
O vão aberto sob meus pés, fendida a praia, fendida a saia, a baia, o portão...
O porto longe, a vida longe, longevidade para quê?
Na seda que roubaste e vestiste insiste meu tato, permite o olfato que, de fato serei ato, sou regato e regado a tanta maresia...
Mar se ia sem Maria, sem marés e sem viés para o invés do investido, antes tivesse ido, morrer no mar, sem Maria, sem mares, sem marés, sem poesia...
Publicado em: 24/08/2006 23:10:57
Última alteração:28/10/2008 06:14:05



A vida nos ensina dia a dia,

Pra me ensinar a viver,
Precisas de humildade,
Alem de ser competente,
Mostrando capacidade...

Miguel Jacó

A vida nos ensina dia a dia,
É só prestar deveras, atenção,
Nas asas de uma bela poesia,
Abrindo com denodo o coração,

Enquanto a gente voa e fantasia,
O mundo vem trazendo esta lição
Que há muito se deseja uma alegria,
E a gente sonegando uma paixão

Jamais se permitindo ser feliz,
Não deixe que aconteça, por um triz
Os erros cometidos devem ter

Poder de professor em nossas vidas,
Que embora nos pareçam já perdidas,
Permitem que eu vislumbre algum prazer...
Publicado em: 22/12/2009 13:48:04
Última alteração:16/03/2010 06:31:18


A vida nos impõe as turbulências
Passando tempo

Teclado, companheiro dos meus dias
E os versos a fluírem sem destino...
Caneta e papel, quando menino,
Riscando versos de Gonçalves Dias.

Um divisor de água, velhos tempos
Menino que correu pelas calçadas
Cresceu e hoje vai a dar topada...
Repassa o filme e vê cada momento,

Contando para os versos sua história,
Fala de seus momentos de glória
E turbulências que a vida nos impõe.

Vida brotada no ventre da mãe
E o gene a predizer a que se presta...
Caminho Deus nos dá; quem nos adestra?

josérobertopalácio

A vida nos impõe as turbulências
Terríveis cachoeiras sob a ponte,
E o céu quando se nubla no horizonte,
Permite aos corações torpes demências.

Não posso suportar tais penitências,
Tampouco quero seca a velha fonte,
Enquanto o sol, de novo, não desponte,
Só peço ao Criador, paz em clemências.

Porém, mesmo que sinta desbotado
O terno que me diz de um bom passado,
Em meio às esperanças mais sutis.

Eu creio, mesmo que isto seja tolo
Que um dia, restará fatia e bolo,
Da festa que emoção inda me diz...
Publicado em: 02/02/2009 06:02:28
Última alteração:06/03/2009 07:01:52




A vida que se faz sem ter aparte
Seguindo o seu caminho mais contente.
Decerto na amizade se reparte
Tornando uma alvorada assim luzente.
Amiga é muito bom poder falar-te
Do quanto é necessário, enfim urgente
Que o mundo já se irmane de verdade.
A solução se encontra na amizade!
Publicado em: 29/11/2007 12:52:27
Última alteração:10/10/2008 09:27:41



A vida que virá
A vida que virá
Bendita esta beleza
E nela com certeza
Desejo e desde já
O quanto brilhará
Vencendo a correnteza
Sabendo com destreza
Ao todo já se irá
Descendo cada escada
E nela a madrugada
Em luas e violas
Serenatas em sonho
O quanto te proponho
Comigo ora decolas.
Publicado em: 05/06/2010 11:11:57


A vida se acaba Nas curvas da morena
A vida se acaba
Nas curvas da morena
Que quando me acena
Estende ilusão...
Publicado em: 06/11/2008 07:54:03


A vida tem razões que desconheço
Se tu ficas
longe de mim,
eu perco a razão
de minha vida ...
(ivi)


A vida tem razões que desconheço
E faço destas formas de oração,
Além do que talvez mesmo, mereço,
Eu busco este caminho na amplidão,
Não quero mais saber de algum tropeço
Mergulho sem temor, sem direção

Nos mares em que deitas teus prazeres,
Olhares te perseguem qual sereia,
Milhares de fantásticos quereres,
Trafegam no oceano, em plena areia,
Sabendo desde quando tu vieres
Que a lua se derrama clara e cheia

Eu bebo desta fonte sem parar,
Deitando sob os raios do luar...
Publicado em: 05/01/2010 20:04:50
Última alteração:15/03/2010 11:44:30



A vida se repete todo dia
No dia-a-dia adia a fantasia
De um dia ser maré ou maresia
Quem passa uma manteiga perde o pão
E cai neste alçapão, triste rotina.
Mas nada que me nina não varia
No cio pretendido, mas não dado.
Vivendo do talvez e do não sonho
Sou mero convidado em sua festa
Mas gosto do pedaço que me resta
Deitado em sua cama fero gosto
Agostos e dezembros vão vencidos.
Eu amo o que parece ser mentira
A farsa que inventaste para mim.
Publicado em: 03/04/2007 21:28:45
Última alteração:15/10/2008 18:31:27



A vida sem adeus
A vida sem adeus
O tempo de sonhar,
O claro do luar
Além dos tantos breus
Os dias em que Deus
Ensinando este amar
Adentrando o vagar
Os passos teus e meus,
Os ritos, gritos, medos
Os tantos dias ledos,
Os olhos no horizonte,
Assim ao me saber
Imerso em tal prazer
Aonde o amor se aponte.
Publicado em: 06/06/2010 19:48:01



A vontade é de ficar Mas eu tenho de ir embora


A vontade é de ficar
Mas eu tenho de ir embora
Eu vou que trabalhar
De saudades peito chora...
Publicado em: 02/03/2008 21:58:06
Última alteração:22/10/2008 14:03:30


Falar de tanta saudade
Que me invade e não me larga
Sanando a dificuldade
Com a voz que já se embarga.

Deste amor que sempre fora
Decoração de primeira
De coração que se chora
Pela morte da roseira.

Que não foi sequer clamada
Nem tampouco deu perfume
Mas queria ser amada
Por isso tanto queixume...

Andando pelas estradas
Demonstrando uma coragem
Sem estrelas na calçada
Inventou uma bobagem

Agora que vai sozinha
Sem ter mais lua pra ver
A rosa tanto se espinha
Que se esquece de morrer...

Ou melhor morre demais
Uma, duas, três, dez mil.
Tanta morte assim me traz
A face que não partiu.

Passeando sem juízo
Pelas sendas mais floridas
Tanto assim quanto preciso
Queria mais sete vidas...

Meu amor, eu dei azar,
Eu não voltarei do pó.
Vou por isso aproveitar
Pois bem sei, tenho uma só...

Mas agora que te vejo
Os anjos não comemoram
Um velho filme revejo:
A volta dos que não foram...
Publicado em: 24/01/2007 14:09:21
Última alteração:26/10/2008 23:15:03



A vontade de morrer

Minha vida vai passando
Pelos campos, devagar.
Tantos verbos conjugando,
Viver, sofrer e lutar...

Vivendo na poesia
Sofrendo por teu amor
Vou lutando todo dia
Pelo caminho que for.

Nos campos dessa saudade
Plantei a minha esperança
Não brotou sequer verdade,
Só restou uma lembrança;

Do jardim da minha vida,
Do rosal do meu caminho.
Minha alegria esquecida
Marcada por cada espinho.

Os teus beijos tão amenos
Os carinhos, meus remansos,
Os teus olhos mais serenos
Teus belos seios, tão mansos...

Nada mais aqui ficou
Só a dor de não te ter.
Pelos caminhos que vou,
A vontade de morrer...
Publicado em: 03/12/2006 19:46:30
Última alteração:23/10/2008 14:02:21



A vontade é o leme do nosso destino...
75

Mote

A vontade é o leme do nosso destino...

Quem na vida nada teme,
Aprendeu desde menino,
Que a vontade é mesmo o leme,
Da nau do nosso destino...

Marcos Coutinho Loures

Como um velho timoneiro,
Que enfrentou um temporal,
Não desisto, companheiro,
Da coragem faço a nau...
Publicado em: 20/11/2008 14:06:31
Última alteração:06/03/2009 18:43:06


A vontade que me doma

A vontade que me doma
De saber felicidade
Cada dia já me invade
E deveras sempre soma
Poderia nesta soma
Encontrar totalidade
Deste verso que em verdade
Sem perguntas sonhos toma
Vivo assim cada momento
E se nele me alimento
Os tormentos esquecidos
Entregando-me decerto
O caminho sempre aberto
Entranhando os meus sentidos.
Publicado em: 06/06/2010 20:22:54


A vida turbulenta, as águas deste rio Que em louca tempestade espalham nas ribeiras.Marlene
Marlene: Derivado de Madalena


A vida turbulenta, as águas deste rio
Que em louca tempestade espalham nas ribeiras.
A chuva em enxurrada enchentes verdadeiras.
Neste calor ardente, um terrível estio.

Saudade do teu colo, o coração é frio.
Atrocidade louca, as dores costumeiras,
Inverno contumaz sem vento e sem palmeiras.
Da amara solidão, incrível, inda rio...

Se Deus já me esqueceu, não sintas, de mim, pena.
A morte, sorridente, aproxima-se, acena.
Não quero ser eterno, a dor será perene!

A cura não encontro o rio não se amansa.
Na festa desta vida, eu me esqueci da dança.
Quem sabe a despedida esteja em ti, Marlene?
Publicado em: 18/11/2006 15:04:24
Última alteração:17/10/2008 06:30:47


-A vida vai perdendo leme e prumo,
Nada faz sentido
sem tu,
aqui ...
(ivi)


A vida vai perdendo leme e prumo,
Sem ter tua presença alentadora,
Deveras sem amor não me acostumo,
Imagem deslumbrante e redentora.

Bebendo desta fruta todo o sumo,
A sorte, com certeza, promissora,
E quando te encontrando vejo o rumo,
Meu barco em cais seguro, já se ancora.

Eu creio ser possível que amanhã
Renasça me trazendo esta alegria,
E faço desta luta, o meu afã,

Da dor e da tristeza distancio,
O amor sendo sublime poesia,
Trazendo o toque manso e tão macio...
Publicado em: 19/12/2009 10:34:27
Última alteração:16/03/2010 10:36:55

- A VIDA

Que vale a vida, imensa fantasia,
Que não se pode, ao menos, descrever?
Um sonho? Uma ilusão? Uma utopia,
E provar a existência do não-ser?

Se tudo se resume em energia,
Em energia, tudo há de volver;
Nada que existe, existirá, um dia,
Somente o Belo irá permanecer!

Por isso a morte não me traz o medo,
Ela venha mais tarde, eu venho cedo,
Não tirará de mim, noturno grito,

Pois creio que morrer é transição
E, quando apodrecer meu coração,
Minh’alma sorrirá, lá no infinito!

MARCOS COUTINHO LOURES
Publicado em: 22/08/2007 15:10:29
Última alteração:02/11/2008 21:58:34


A VIDA

A vida roda
Gira
Entregue
Ao sabor dos ventos
Redemoinhos
Moinhos
Mó.
Quebras
Voltas
Tempo.
Retorno
Ao pó.
E venço gigantes...
Publicado em: 23/05/2008 11:32:23
Última alteração:21/10/2008 06:39:04




A vida, imensa nau
A vida, imensa nau
Aonde se aportasse
Mostrando noutra face
Além do bem e mau
O quanto sem igual
Caminho inda se trace
E nele sempre grasse
A paz fenomenal
Gerada no momento
E nele me apascento
Em paz e poesia
Tramando com ternura
O quanto se procura
A redenção de um dia.
Publicado em: 06/06/2010 19:52:47



À vista experiente nada escapa
À vista experiente nada escapa
Nem mesmo alguns detalhes mais sutis.
Enquanto a fantasia traz a capa

Sorriso sem sentido de uma atriz
Que foge do passado, vem da Lapa
E mostra em nova face a meretriz.

Vendida por dinheiro ou cocaína,
Às vezes por maconha, crack ou ecstasy
Nas Raves, nas boates, se alucina
Mentiras que sonegam veros êxtases.

Nos motéis se apinhando prostitutas,
Que fazem da ilusão suas verdades,
As moças que se julgam mais astutas
Mostrando quão são vãs felicidades...
Publicado em: 22/09/2008 10:09:36
Última alteração:02/10/2008 19:51:34



A VIZINHA

Toda noite esta vizinha
Tá querendo provocar,
Vai dormir só de calcinha
Amanhã vou acordar
Bem cedinho pro trabalho,
Mas não posso mais dormir,
É gostosa pra caralho,
Dá vontade de sentir
O seu corpo me tocando,
E fazendo pirueta
Aos pouquinhos maltratando
Só me resta uma punheta.
Ó vizinha se soubesse
Quanto eu quero esta nudez,
Toda a noite o meu pau cresce
Isso é muita insensatez.
Deixa de ser tão covarde
Ou vem cá e dá pra mim,
Não consigo dormir tarde,
Nem imagino o meu fim.
Punheteiro sem vergonha,
Todo mundo sacaneia,
Vou batendo tanta bronha
Minha mão de calos, cheia.
Mas não posso enfim negar
Que ela é boa com certeza,
Meu trabalho eu vou deixar,
Pra foder esta princesa...
Publicado em: 06/10/2007 21:46:15
Última alteração:29/10/2008 20:10:59


À VOCÊ MINHA AMIGA

Tu tens toda a beleza em fortaleza,
Menina tão sapeca e carinhosa,
Enaltecendo sempre com certeza
Toda a beleza imensa desta rosa,
Sem medo de encarar a correnteza
Mulher que se mostrou maravilhosa.
Florindo e vicejando na manhã,
Eu digo, minha amiga, eu sou teu fã...

PARA GELIS, AMIGA E PARCEIRA
Publicado em: 05/11/2007 22:48:15
Última alteração:23/10/2008 11:05:55



A voz que já me chama para a vida
As tempestades de ventos,
Derrubam as falsas palavras.../
O pensamento em luz se desagua!/

Ardentes emoções me desarmam;/
A fúria das águas de ressaca,/
Derrete o gelo e corre em disparada.../
Surra os telhados da mente solitária!/

A viagem sem fim, iluminada./
Ráios misteriosos da via láctea/
Fogo, neblina, fumaça.../

Frio, calor, nevasca.../
Infinitas formas de vida na fusão do TUDO E NADA;/

Lançam nossas sementes apaixonadas

XAMA

A voz que já me chama para a vida
Depois de tanto tempo adormecido
Agora se aproxima. É tão querida,
Que nela vejo o sonho refletido.

Por mais que a solidão cruel agrida,
O peito exposto ao medo, ressentido,
Refaço a minha força para a lida,
No encanto deste bem, por Deus ungido.

Eu quero ter comigo esta presença
Na chama mais audaz e mais airosa,
Carinho, a mais sublime recompensa

E o vento benfazejo da esperança
Que traz em teu perfume, minha rosa,
O brilho incomparável que me alcança...
Publicado em: 09/01/2009 18:35:07
Última alteração:06/03/2009 07:34:30



A xoxota da Luzia
A xoxota da Luzia
Já não quer saber de mim,
Mas eu soube que ela cria
Chato, pulga e até cupim...
Publicado em: 07/08/2008 18:21:54
Última alteração:19/10/2008 19:42:06



A Voz da Amizade.

Quantos momentos de tristeza em que a vida nos parece uma viva chaga que não cicatriza nunca!

Quantas horas dolorosas em que o tempo, cruel, se arrasta e nos fere a cada momento.

Quantas noites solitárias, rolando na cama sem perspectiva, cansados, sem coragem para dormir, prisioneiros dos pesadelos que, por certo, virão!

Quantos vezes em dúvida sobre o melhor ou, pelo menos, o menos pior caminho a ser seguido!

Quantas vezes a decepção batendo em nossa porta nos impede de sair e de, ao menos, tentarmos outras estradas.

Quantas vezes as dores e mazelas nos tornam reféns da vida.

Muitas destas vezes, na maioria delas, estamos sozinhos e precisamos não de conselhos, mas de alguém que nos ouça.

E, se preciso, nos ajude a ver a vida com olhos mais mansos e serenos.

O que, às vezes, não temos coragem de falarmos nem a nós próprios e que precisamos ouvir, mesmo que seja dolorido.

Aquilo que não podemos compartilhar nem com os nossos parentes e companheiros.

Dores íntimas e males secretos que, somente um AMIGO tem ouvido para ouvir e compreender o que, não temos coragem de dizer em voz alta a ninguém, nem a nós mesmos!
Publicado em: 05/12/2006 10:12:35
Última alteração:27/10/2008 21:24:37


A voz das minorias...
A voz das minorias...
Mais da metade são mulheres...
Delegacia dos homens?
Publicado em: 10/09/2008 21:24:02
Última alteração:17/10/2008 14:46:54


Continuo calada........
Admiram-se os outros; cochicham......
Fazem-me perguntas, mas apenas sorrio..........
Calma, completamente......
Aberta ao que me ofereces
Ao que tenho para te oferecer.......
O que nos une,
nos conquista e nos faz sentir.......
Deuses no nosso próprio Olimpo.....

Viajo em teu silêncio e te pergunto
Do amor que tanto sinto e sabes bem.
Poder estar contigo, sempre junto,
Depois e antes de ti, não há ninguém.

Meu canto com teu canto, um só conjunto
De sonhos expressados mar além,
Às vezes, disfarçando; mudo o assunto
Bem sei que isso acontece em ti também.

Vamos hipnotizados; tão unidos,
Por esse sentimento belo e raro
Que traz nossos destinos decididos

Há muito pelos deuses. No torpor
Divino que nos serve de anteparo,
A voz silenciosa deste amor...

Marta Teixeira
Marcos Loures

Publicado em: 29/03/2007 14:32:56
Última alteração:06/11/2008 10:23:29



Canta uma voz no meu peito
Um canto de passarinho
Que procura dar um jeito
De encontrar um novo ninho;
Pois Nunca está satisfeito
Quem cantar assim, sozinho...

Minha voz é o meu guia
Que me leva pelo espaço.
Montado na fantasia
Esqueço até do cansaço.
Fazendo da poesia,
O meu mais perfeito passo...

Quero o canto que cantara
Passarinho mais bonito.
Meu amor é pedra rara
Se estende pelo infinito.
Não quero mais vida amara,
Este amor em mim, meu rito...

E cada vez que me encanto
Com teus olhos, meu amor,
Cada vez aumento o canto,
Espero por teu calor,
Não preciso mais de pranto,
Teu canto foi salvador...
Publicado em: 31/01/2007 23:04:14
Última alteração:23/10/2008 14:58:24

3 comments:

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